Notas iniciais
Olá gente linda!!! Quero antes de tudo agradecer os comentários e os favoritos! Vocês são espectaculares! E quero agradecer a minha melhor amiga Diana, que tem uma grande paciência para corrigir os meus erros ortográficos (eu disse-te que escreveria aqui!) Espero que gostem deste novo capitulo e deixem sempre a vossa opinião sincera, mesmo que não tenham gostado de algo, eu gosto sempre se saber a vossa opinião! Alguma duvida com as palavras perguntem! Estejam atentos aos pormenores, pode ser importantes para mais tarde!! O Próximo capitulo sai na próxima semana mas ainda não sei o dia. Espero que gostem! Kisses de Nutella!

“Quem teme ser vencido tem a certeza da derrota.” – Napoléon Bonaparte

Olhei em meu redor e pus as mãos à cabeça. Por vezes, depois dos acessos de raiva e de descontrolo total, parecia que parte da minha consciência tinha saído e, quando voltava, a culpa dominava-me de uma maneira assustadora. — “Voltei a fazê-lo” – pensei – “Porque é que isto me acontece?” – perguntei-me.

Tinha ido fazer mais uma missão sozinho, visto que tinha pedido ao Happy – o meu companheiro e fiel amigo, um gato azul de olhos castanhos, que tinha a capacidade de falar e de voar, por ter umas asas brancas — para ficar com a Wendy Marvel — uma Dragon Slayer dos Céus pertencente à minha guilda com 12 anos, pequena devido à idade, olhos castanhos escuros e cabelo azul comprido até à cintura, simpática e controlada para uma DS.

Nesse dia tinha acordado com muito mau humor e revoltado com tudo e com nada em especial, por isso queria ir sozinho fazer uma missão. Mesmo com o Gray Fullbuster — um mago de criação de gelo, com 19 anos, cabelo e olhos azuis escuros, alto, e acima de tudo, um grande exibicionista com uma mania assustadoramente estranha, a mania de se despir sem motivo aparente, à frente das pessoas, quer elas sejam mulheres, quer elas sejam crianças — a pedir para vir comigo, ou melhor, a impingir a presença dele, mas insisti que queria estar sozinho.

Estava tudo a correr bem, tinha feito uma viagem de umas 3 horas, mais ou menos, a pé, para a cidade de Onibus, para não ter de andar naquela máquina a vapor e carvão, que sempre me deixava enjoado e com uma enorme vontade de vomitar. Como ritual, ao chegar à cidade, fui procurar a casa da pessoa que tinha enviado para Fairy Tail o pedido de ajuda, um pedido bem simples que me renderia uns 60,000 Jewels — e teria sido bem simples se não contarmos com os incidentes, mas não vamos fugir muito ao que estava a dizer – e onde teria apenas de derrotar uns quantos magos de uma aliança que não era reconhecida oficialmente pelo Conselho de Magia, por isso eram considerados criminosos pelo povo, pelo Conselho e por outros magos, conhecidos também pelo nome de Guildas Negras. 60,000 Jewels dava perfeitamente para me alimentar durante uns bons tempos — visto que a minha refeição especial na guilda custava 1,200 Jewels, logo, tinha dinheiro para cerca de 50 refeições, dando assim para uns 90 dias, ou seja, 3 meses. — Quando terminasse de os derrotar teria de voltar à casa das pessoas, receber a recompensa e voltar para Magnolia. Mas como é mais que óbvio, nada do que eu prevejo acontece.

Depois de falar com o senhor Takashi e com a sua mulher Yasu, saí da casa deles e fui tentar encontrar pistas de onde poderiam estar os magos. Entrei em vários restaurantes e pensões até que me disseram que tinham ouvido vários sons estranhos e visto algumas luzes vindo de perto da subida para uma pequena montanha. Quando lá cheguei estranhei o que encontrei, por isso subi à primeira árvore que estava ao meu lado para puder dar uma olhada ao terreno.

Parecia uma pequena vila construída à pressa para várias pessoas habitarem, com uns pequenos edifícios improvisados feitos de madeira, nada de especial, excepto o facto de que aquilo estar a ser habitado por diversos magos com magia negra. Teria de atacar e só de olhar já sentia o meu corpo a arder em chamas.

Antes de continuar acho melhor apresentar-me para que possam entender os próximos acontecimentos. Chamo-me Natsu Dragion Dragneel, também conhecido por Salamander por algumas pessoas do povo, tenho 19 anos, cabelos com uma tonalidade rosa, olhos preto, estatura média, magro e também musculado.

Fui encontrado por Igneel, um dragão gigantesco com o corpo coberto de escamas vermelhas, excepto na barriga, patas e algumas partes da cauda. Com incontáveis cicatrizes na barriga e no pescoço causadas na guerra de há 400 anos atrás, cabeça com chifres vistosos, olhos cor âmbar, caninos e garras bem afiadas e asas gigantescas, são também algumas das suas características. Na altura da guerra foi-lhe atribuído o nome d’ “O Rei Dragão das Chamas”. Este ensinou-me palavras, culturas, a escrever e grande parte da sua magia, tornando-me num Dragon Slayer do Fogo. Acabei por ser tratado por este como um filho, e mesmo ele sendo um dragão, sempre agiu como um pai para mim. Tudo estava a correr bem, estávamos felizes, até que um dia, mais precisamente no dia 7 de Julho do ano X777, acordei na gruta, à qual eu chamava de casa, e estranhei não ter Igneel perto de mim, a dormir como sempre acontecia. Saí para a floresta à procura dele e não encontrei nenhum rasto, nem sequer um cheiro que me indicasse o caminho que ele tinha percorrido. Fiquei com apenas vagas memórias e um cachecol branco com alguns efeitos bordados a preto, dando a ideia de que eram escamas. Depois de muito procurar no reino por Igneel, acabei por encontrar Makarov e juntar-me a ele e à sua Guilda de magos.

Mais uma vez pensei que tudo estava a correr bem, até que com cerca de 12 anos comecei a ter alguns ataques de raiva, nada que não fosse controlado. Com 15 anos, tive aquilo a que chamamos uma transformação dragónica. Por mais estranho que pareça, quando me irritava com algo ou alguém, a temperatura do meu corpo aumentava substancialmente sem explicação aparente. Começavam a crescer pequenas garras nas minhas mãos, chifres na minha cabeça, ficava com algumas escamas espalhadas pelo corpo e até me surgiram asas e cauda. Na altura, fiquei assustado, parecia que o meu corpo tinha sido invadido ou possuído por uma outra pessoa, neste caso, por um dragão.

Mas à medida que ia crescendo, a minha raiva, ódio e descontrolo sobre mim ia aumentando. À mais ou menos um ano, comecei a ter uns ataques estranhos, para além de ser possuído pelo meu lado dragão com maior frequência, obrigando-me a transformar, chegava a perder a consciência do que estava a fazer e dava por mim a matar pessoas com as minhas próprias mãos ou garras ou a queimar pequenas vilas. Quando me conseguia acalmar, coisa que demorava horas ou dias, voltava ao normal e parecia que a minha cabeça era invadida por imagens dos incidentes que eu provocava. Muitas das noites não dormia com imagens horríveis de pessoas a pedir para que não as matassem, mas mesmo assim eu as matava sem dó nem piedade. Essas imagens repetiam-se vezes e vezes sem conta.

Por isso, desde que me lembro, tento ser um rapaz normal para a minha idade, mas acabo por parecer apenas um louco com duas personalidades, a humana e a dragónica. Por causa da transformação, dos ataques e por usar o fogo, deram-me o nome de Salamander. Tentei mudar, tentei esquecer, arranjar maneiras de me controlar, mas nada resultava.

E de novo, não sei quando perdi a consciência das coisas à minha volta, por apenas ver aqueles magos, transformei-me e comecei a atacar tudo e todos, era chamas por todos os lados, magos a tentar derrotar-me, mas simplesmente queimava-os ou deixava-os a sangrar gravemente por causa das feridas que as minhas garras lhes causavam. Depois de pelo menos umas quatro ou talvez cinco horas, não sei ao certo, acalmei-me e voltei à minha forma humana.

Olhei em meu redor e pus as mãos à cabeça. Por vezes, depois dos acessos de raiva e de descontrolo total, parecia que parte da minha consciência tinha saído e, quando voltava, a culpa dominava-me de uma maneira assustadora. — “Voltei a fazê-lo” – pensei – “Porque é que isto me acontece?” – perguntei-me. Podia ver à minha volta corpos dos magos, todos com queimaduras ou cortes fatais no corpo, as casas improvisadas feitas de madeira que agora eram apenas montes de cinzas e que as árvores ao pé do local ainda ardiam. Poderia ser algo bonito de se ver, a cor das chamas que subiam nas árvores pelas folhas e ramos, que antes foram verdes e castanhas, dando a ideia de que chegavam às nuvens e que também as poderiam queimar. – “O que eu faço?” – Observei o local à minha volta à procura de um objecto qualquer que me ajudasse a transportar água, em algumas quantidades, para puder tentar pelo menos apagar o fogo que causei, antes que chegasse à vila. No meio de uns destroços que ainda não ardiam, consegui encontrar um balde de madeira – “Tem de servir.” – Peguei nele e corri até à pequena nascente que vinha da montanha e enchi-o. Fiz este caminho vezes e vezes sem conta, mesmo com o corpo a latejar de dores, mesmo com todos os músculos do meu corpo a gritar para que ficasse quieto, continuei a tentar salvar o que podia. Era o mínimo que eu poderia fazer depois dos estragos e vidas que tirei. Estava tão concentrado na minha tentativa de apagar as chamas que nem dei conta da aproximação de alguns aldeões até que ouvi algumas mulheres a gritar e a chorar. Era isso que eu provocava às pessoas sempre que me descontrolava. Dor.

– Vamos, vamos, despachem-se com os baldes, temos de apagar isto rápido antes que chegue à montanha e à vila. – Gritava um homem. Continuei a ajudá-los até conseguiremos apagar o fogo. Deitei-me no chão a olhar para as nuvens e a tentar estabilizar a respiração, quando ouço umas pessoas gritarem.

– É o Salamander, é o Salamander! Foi ele que provocou isto!

– Foi ele que matou estes magos!

– E que pegou fogo a tudo!

Não sabia o que dizer ou fazer. Estava completamente travado, não mexia um músculo ou tendão sequer. – “ O que lhes digo?”– Respirei fundo antes de falar e sentei-me, encarando-os.

– E quem vos disse que eu sou o Salamander? – perguntei – “Sou realmente um génio para fazer uma pergunta como esta. É mais que óbvio a resposta!”

– Cabelos rosa, cachecol branco, símbolo da Fairy Tail no braço e estás no local onde ainda à uns minutos estava um grande incêndio. Ninguém precisa de dizer, vê-se logo quem és. Mas que pergunta parva! – respondeu-me uma criança de uns 13 anos. – “Ele tem razão! Não há maneira de provar o contrário.” Voltei a suspirar.

– É, tens razão. – segundos depois de comentar sinto umas cordas à minha volta. – “Sério que eles estão a prender-me com uma corda? Eu controlo o fogo e posso queimá-la em segundos.” Olhei para quem me prendia e vi mais umas duas crianças da mesma idade que a outra.

– Pai, olha, eu prendi o Salamander! – disse uma delas.

– Eu também, olha mãe, olha pai! – gritou o outro. Os pais ficaram todos contentes com o que eles tinham feito enquanto eu ficava sentado e atado no chão. – Chamem os Rune Knights pela lácrima da vila! – abri os olhos assustado. “Rune Knights? Eles vão mesmo chamá-los?” Vi três homens a correr para o meio do mato. “Vão mesmo chamá-los. Estou feito!”

Para quem não sabe quem são os Rune Knights, vou explicar tudo. O Conselho comanda e gere em todas as guildas legais espalhadas por toda a Terra, mantendo-as sob controlo. Este também possui o direito de punir os magos que infrinjam as suas leis. Entre uma das leis proibidas pelo Conselho Mágico é o uso de magia para o assassinato, coisa que tecnicamente eu tinha acabado de fazer. Os Rune Knights são uma espécie de subdivisão militar do Conselho que agem como guardas pessoais, fazendo assim parte do exército deles, também conhecidos como “Cães do Conselho” entre guildas e magos. Os Cães do Conselho são também responsáveis pela detenção de criminosos – coisa que eu sou neste momento. — Estes patrulham por várias partes de todo o país. Têm várias unidades militares, vários navios de guerra e são divididos em pelotões com funções específicas. –“Resumindo de uma maneira bem mais rápida, vou ser preso mais uma vez!”.

Eu bem que podia queimar as cordas e correr o mais rápido que consigo e voltar para Magnolia, mas isso só me traria mais problemas, por isso decidi ficar ali sentado à espera dos Cães, para que me possam levar para uma cela imunda. Talvez devesse estar muito mais preocupado com o facto de ser preso, mas o problema não era ficar preso, o problema era enfrentar a ira de um certo anão de bigode. Medo de um anão? perguntam vocês. Até não teria medo dele no seu tamanho normal, mas sempre que ele se irrita torna-se num gigante de uns 30 metros ou mais. Fica com uma mão bem pesada e ser espancado por ela não é nada agradável. Esse velhote anão é mais conhecido por Makarov, ou Mestre de Fairy Tail, ou mesmo por um dos 10 Magos Santos, mas eu prefiro chamar-lhe de vovô.

Depois de 2 horas à espera que algum Cão aparece-se e de estar fechado numa cave de uma casa qualquer, sou tirado e levado para o centro da vila. Olhava para a cara das pessoas e só via revolta, repugnância e em algumas felicidade por provavelmente ser preso. Não que fosse a primeira vez que via no rosto das pessoas aquelas reacções e emoções, infelizmente estava bem acostumado a isso, mas não deixava de doer.

Uns minutos se passaram, quando vejo ao longe uns homens vestidos com um longo traje azul com o símbolo (*) do Conselho Mágico a branco, com bordas brancas, preso com cordas pretas ou castanhas, calças brancas, sandálias, uns chapéus estranhos brancos com bordas rosa, parecendo mesmo barcos feitos em papel, uns bastões grandes rosa com uma esfera azul e no cimo uma cruz dourada. Na frente de um monte de homens vestidos da mesma maneira, estava um homem magro que se destacava — de estatura média com o cabelo preto atado de uma maneira estranha e com uns óculos circulares, vestido com uma camisola de gola azul clara com o símbolo do Conselho Mágico a preto, uns sapatos cinzentos, umas calças e luvas brancas presas por uma fivela, um casaco comprido azul com bordas rosa e uma capa branca com o símbolo do Conselho atrás, preso por uma pedra verde — mais conhecido anteriormente por Capitão da 4ª Custódia da Unidade de Execução e agora por Chefe Capitão da Custódia da Unidade de Execução, Lahar, mas que eu prefiro chamar “Cão Cego”. Como é que eu sabia isto tudo? Simples, Lahar já me tinha prendido vezes sem conta.

– Olha se não é o meu caro amiguinho Cão Cego. – disse-o com sarcasmo. Não o consideraria propriamente um amigo, mas sim mais uma pedra no meu sapato, para quem não me entendeu.

– E se não é a criatura mais chata do mundo que cospe fogo. – disse sorrindo. – O que aprontaste desta vez Salamander?

– Eu? Nada. Estes aldeões é que não tinham nada para fazer depois de apagarem o fogo e resolveram prender-me com umas cordas de linho e levar-me para uma agradável cave com cheiro a mofo. Bem pior que as vossas prisões!

– Fogo que foi teu, não é? – ajeitou os óculos e voltou a falar – Se estás aqui preso é porque queres. Estás amarrado com cordas feitas de linho que tu facilmente queimavas.

– Bem visto, mas sabes, se eu fugisse tinha mais problemas do que deixar-te fazer o teu trabalho. Assim sempre fazes algo não achas? – dei um sorriso de lado, um hábito que tinha. Ele suspirou e voltou a ajeitar os malditos óculos na cara.

– Hayato, Jun e Sho, peguem-no. Vamos levá-lo e chamar o Makarov. – só de ouvir o nome e pensar no que viria aí já tinha vontade de saltar de um penhasco, não que isso me matasse.

[Quebra de Tempo]

Depois de algum tempo dentro daquela maldita mini prisão de madeira, também conhecida por carroça, e de quase ter vomitado umas quantas vezes, estava agora fora dela na frente de uma grande estrutura com uma série de grandes objectos suspensos no ar. Um edifício com uma base simples feita de tijolos, com grandes janelas quadradas e portas duplas, em cima desta base, uma outra estrutura bem maior em forma de tigela com várias figuras geométricas desenhadas. Alguns metros acima dessa cúpula, 10 painéis flutuantes separados numa roda e com umas 9 secções quadradas decoradas com apenas uns círculos e umas linhas. Acima dos painéis, uma última estrutura, também flutuante, com uma base redonda e uma espécie de palácio de 4 torres com diversos andares e janelas. No cimo de toda a construção, dois anéis flutuantes, um azul e um vermelho, mais pequeno que este e por cima dele.

O típico edifício de deixar uma pessoa de boca aberta, mas para mim, quase que o considerava a minha terceira casa (1ª onde moro, 2ª Guilda Fairy Tail), por isso não estava admirado. Sempre quis entender onde é que este monstro flutuante é localizado, mas nunca consegui saber, apenas os Cães, as pessoas do Conselho e os Mestres das Guildas legais sabem onde é, isto porque sempre que prendem os criminosos tapam-lhes os olhos com vendas e a única pista que tenho é que se situa algures dentro de uma floresta, por ter muitas árvores e rochas à sua volta.

Entrei acompanhado por alguns Cães e o Lahar, obrigando-me a descer umas escadas enormes onde me fecharam numa das milhares de celas do sítio. Sentei-me e olhei para as paredes numa tentativa de encontrar uma pequena marca em forma de meia-lua com um risco por cima, que tinha feito quando pela 7ª vez fiquei aqui fechado. Assim saberia se me tinham posto na cela do costume ou não e desta maneira poderia mais ou menos saber em que zona estava. Como suspeitava, lá estava a marca na parede. Agora restava passar aqui a noite à espera do Mestre. Se não fosse pelo velhote e pelo amigo de longa data dele e de Fairy Tail, Yajima, — outro velho pequeno, com umas sobrancelhas grossas e cinzentas, com um pequeno bigode que mais parece parte de uma escova acima do lábio superior – que faz parte do Conselho de Magia, eu ficaria aqui o resto dos meus dias preso, até achar uma maneira de escapar.

“Acho melhor dormir enquanto espero que o vovô chegue.” – deitei-me no chão, ficando bem desconfortável, queimei as estúpidas cordas que ainda estavam amarradas à minha volta, ajeitei-me, fechei os olhos e apaguei.

[Quebra de Tempo]

Acordo com o barulho do comboio a andar sob o ferro dos carris e com o som do vapor a sair da chaminé. Abro os olhos com dificuldade devido à claridade e vejo à minha frente, sentado, o velhote com uma má cara. “Pronto, estou feito, lá vem raspanete!”

– Natsu... – não o deixei terminar de falar e levantei-me para ir à janela vomitar. Acho que me tinha esquecido de mencionar que um dos pontos fracos dos Dragon Slayers são os transportes, mas penso que já tenham entendido isso. Voltei a sentar-me agarrado à barriga bastante enjoado e este continuou. – Tens de te controlar! Estou cansado de te ir buscar à maldita da prisão.

– Eu sei vovô. – disse com dificuldade devido ao meu estado de má disposição.

– Dizes sempre “eu sei” mas tenho sempre de arranjar uma maneira de te soltar! — suspirou e olhou para a janela. – Sabes o que são âncoras?

– Vamos navegar nos mares? – perguntei ainda mais enjoado com o pensamento.

– Estou a ver que não. – suspirou. — Não me refiro a essas âncoras que temos nos navios para os puder manter no sítio onde queremos. – volta a olhar para mim. – Estou a falar das âncoras dos Dragons Slayers, mas acho que Igneel não te explicou. – de repente todo o meu enjoo quase que desapareceu quando ele mencionou o nome do meu pai e senti um aperto no peito.

– Não explicou. O que são?

– As âncoras são pessoas com a capacidade de amparar, controlar, entender, conviver e até mesmo dominar os Dragons Slayers. – olhei para ele confuso sem entender onde é que ele queria chegar e este entendendo as minhas expressões continuou a falar. – Todos os dragões, como Igneel, que tem filhos como tu, arranjaram à muito tempo uma maneira de vos ligar às vossas âncoras, através dessa marca. – apontou para a marca vermelha com um dragão que eu tinha do lado direito da barriga. — Assim, quando tu te descontrolares por completo, a âncora vai encontrar-te seja onde estejas. Pode demorar anos, mas elas encontram sempre os Dragon Slayers.

– Entendi mas onde estás a querer chegar? – perguntei sem entender.

– À uns meses uma menina entrou em contacto comigo por cartas e explicou-me que era uma âncora e que quando estava a ler um livro, ao ver o meu nome, a marca ardeu, e ela sabia que aquilo era uma pista, por isso arranjou uma maneira de conseguir falar comigo. Quando li a carta soube logo que era a ti que ela estava ligada.

– Porquê logo eu? – perguntei indignado.

– A Wendy é bem controlada e jovem e o Gajeel tem uma marca de dragão no corpo negra. Ela na carta disse-me que a marca que ela tinha era vermelha. A da Wendy é azul e a tua vermelha. Não é preciso pensar muito.

– Velhote diz de uma vez onde queres chegar que já estou a perder a paciência. – disse bastante irritado.

– Onde quero chegar é que, assim que chegarmos à estação de Magnolia, tu vais para a Guilda ou para casa.

– Porquê? Odeio ordens Makarov! – sempre que o tratava assim ele sabia que eu estava a ficar bem chateado, era mais um hábito que tinha.

– Ela chega hoje, dentro de algumas horas à estação, e eu vou esperar por ela lá, mas não te quero ao pé quando ela chegar! – cruzei os braços com força e levantei uma das minhas sobrancelhas como se o desafiasse. – É uma ordem Natsu Dragneel! – ia responder quando ele corta. – Deita-te e dorme que quando chegarmos eu acordo-te. – obedeci, quando notei no tom de voz dele que não estava para brincadeiras. Fechei os olhos e esperei que o sono chegasse, mas antes de apagar ouvi ao longe a voz. – E não penses que não vais ouvir um raspanete quando chegares à Guilda, não vais fugir dessa. – “Estou feito!” e com esse pensamento adormeci, mais uma vez nesse dia.

Notas finais
(*) https://imagizer.imageshack.us/v2/373x373q90/537/x5qyEV.png