My Clarity

3 Capítulo III


Notas iniciais
Ohayo Minna!! Estou de volta com um novo capitulo! Muito obrigado pelos comentários!! Espero que gostem e que não vos tenha desiludido com o esperado encontro entre a Lucy e o Natsu. Em breve também vão entrar mais personagens para além deles e do Makarov. Em caso de duvidas perguntem logo!! Quer não entendam uma palavra ou alguma coisa! Deixem sempre a vossa opinião sincera, mesmo que não tenham gostado de algo ou que o comentário seja bem pequenino, eu gosto sempre se saber a vossa opinião! O Próximo capitulo sai na próxima semana mas ainda não sei o dia, talvez na quinta ou na sexta. Espero que gostem! E não se esqueçam de ler as notas finais! Kisses de Nutella!

“É nos momentos de decisão que o nosso destino é traçado.” – Anthony Robbins

– Aqui tens a chave querida. Instala-te e depois vai ter à minha Guilda. – estendeu as mãos e deu-me a chave e um papel. – Esta é a chave do apartamento e isto é o mapa de Magnolia com o caminho desde a tua casa até à Guilda, assim não te perdes a caminho. Até logo Lucy. Espero que o encontres em breve e tudo corra bem. – acenei com a cabeça. – Bem-vinda à tua nova vida e aventura. – olhei para ele com desconfiança devido às palavras. Ele riu-se da minha reacção e saiu do apartamento.

Passando à frente no assunto, olhei em volta e comecei a investigar o apartamento. Paredes brancas e simples, com estantes onde poderia colocar os meus livros sem ter que os guardar no quarto e com algumas plantas para dar vida à casa. — “Pequeno apartamento”– Comecei por visitar as divisões, escolhendo a cozinha como a primeira. A entrada da cozinha era ao lado da entrada da casa de banho com um fogão, uma pequena mesa, alguns armários e uma pequena arca frigorífica que provavelmente funcionava devido a uma lácrima. Saí da cozinha e entrei na casa de banho. Grande, com uma banheira feita de pedra e azulejo — do lado esquerdo da divisão quando se entra — onde dava perfeitamente para estarem duas pessoas dentro dela de uma maneira confortável, um grande espelho do lado direito e em frente um pequeno lavatório e uma sanita. Saí e fui procurar o quarto.“E agora o principal!” – Abri a porta de madeira e dei uma olhada rápida, onde constatei que o quarto tinha uma cama, uma secretária, duas estantes, uma cómoda, um armário, uma mesa com três cadeiras e uma poltrona com um ar confortável. — “Perfeito” – pensei – “fui criada com menos por isso esta casa é uma estalagem de 5 estrelas”. Tirei a capa e guardei-a perto da porta do quarto. Desfiz a pequena mala que tinha trazido comigo, guardando as roupas na cómoda e no roupeiro, deixando de lado uma toalha rosa clara que também tinha trazido. Quando tudo estava arrumado à minha maneira, segui para a casa de banho com a ideia de relaxar.

Liguei a água na banheira e olhei para o espelho do lado direito observando as minhas olheiras bem vincadas e uma expressão bem cansada. — “Pareço uma velha com uns 90 anos em vez de ter 19...”– constatei. Suspirei e pus uns sais, que estavam ao pé da banheira, na água bem quente, despi-me e entrei. –“Há quase quatro anos que não sei o que é uma banheira... Isto é realmente um paraíso.”– Sustive a respiração e mergulhei, com intenção de melhorar as dores nos músculos cansados das viagens de comboio, das viagens a pé e de ter dormido em sítios pouco ou nada confortáveis. Voltei à superfície apenas quando já não tinha ar.

Depois de tomar banho, vesti uma roupa interior vermelha viva simples, um vestido preto justo com alguns detalhes em dourado e branco, que me tinha sido oferecido pelo meu meio irmão Aki, umas meias a ¾ também pretas e umas botas pretas largas e confortáveis caso fosse necessário correr — “é melhor prevenir-me”. Penteei o cabelo, deixando-o meio húmido pelas costas e fui verificar a comida que tinha. “Duas maçãs? Bem, é melhor que nada, mas tenho de ir mesmo comprar algo.” – Peguei na peça de fruta que estava na bancada da cozinha numa cesta e dirigi-me à porta. Agarrei nas minhas chaves, onde tinha os meus 12 espíritos celestiais, no meu chicote especial, Fleuve d’Étoiles, e prendi-os ao meu cinto que tinha por cima do vestido. Vesti a capa e sai de casa para explorar a cidade nova e para ir comprar algo para me alimentar, não que tivesse muito dinheiro comigo agora.

[Quebra de Tempo]

Mesmo que aquela seja apenas mais uma das várias cidades que tinha visto e visitado, algo nela era diferente, talvez pela alegria enorme das pessoas, talvez pela sua simplicidade incomum, talvez por terem mais flores de cerejeira que das outras que visitei – não incluindo a capital, Crocus – ou até mesmo pelo único motivo de que naquela cidade, algures por ai, se encontrava a pessoa a quem estava ligada. Era verdade que não suportava o facto de que tinha de me prender a alguma pessoa mesmo sem a conhecer, mas ai estava a razão pelo qual me aguentei durante muitos anos. Sempre nos momentos de crise que tinha, ou quando tinha problemas, sabia que ainda tinha algo para onde me guiar, um objectivo, tinha que alcançar o Dragon Slayer, tinha algo fixo, alguém que eu sabia que fizesse o que fizesse eu estaria eternamente ligada e isso era a única certeza na minha vida. Era algo que já gostava na ligação. Assim, sabia que Magnolia seria uma cidade especial para mim.

Algo que nestes últimos cinco anos tinha aprendido a gostar era de mercadinhos, pessoas que faziam as suas vidas na terra, plantavam e vendiam os seus alimentos para poderem sustentar a família, era de uma simplicidade mas que exigia muito e que por vezes não era o suficiente para eles sobreviverem. Por ter estado na pele dos comerciantes habituei-me a comprar comida nas pequenas bancas. Escolhi uma das mais pequenas que a rua tinha, aproximei-me e baixei a capa para que pudessem ver o meu rosto e não me confundirem com uma assaltante.

– Boa tarde. – disse para um menino de provavelmente uns 7 anos que estava a vender.

– Boa tarde bela moça. – não pude evitar sorrir-lhe. – Em que posso ajudar?

– Humm… Tens legumes variados para puder fazer Sukiyaki?

– Claro! – Correu para uma das três bancas e apontou para alguns legumes. – Temos pimentão verde, amarelo e vermelho, cenouras, couve-flor, brócolos, espinafres, alho, cebolas, cogumelos e ainda tofu! – disse bastante sorridente.

– Então quero de tudo um pouco. – sorri.

Estava completamente distraída a conversar com o menino, que nem dei conta de alguns gritos revoltados, até ser brutalmente interrompida, quando do nada a parte de cima da tenda da pequena barraca é destruída e um rapaz de cabelos rosa cai em cima da banca onde o menino tinha as suas frutas a vender, destruindo-a. Assustei-me e quando me ia preparar para, talvez, arrancar-lhe a cabeça por destruir a barraca, senti a marca a arder de uma maneira agradável e não agressiva como pensei que pudesse acontecer. Arregalei os olhos ainda mais surpreendida. – “Será que é ele?” – olhei-o de alto a baixo enquanto ele pedia desculpas ao menino e este lhe dava um sermão por aparentemente não ser a primeira vez que ele fazia aquilo, algo cómico para qualquer pessoa que estivesse a assistir, já que uma criança de 7 anos estava a dar um sermão sobre “não se deve correr pelos telhados, podes cair e destruir tudo!” a um rapaz de provavelmente 19 anos, mas para mim, naquele momento não conseguia ter reacção alguma a não ser observá-lo.

Devia mexer-me mas não conseguia mesmo, estava paralisada. Ele olhou para mim nos olhos, arregalou-os e abriu um sorriso incrível que fez a marca arder ainda mais e começou a correr, mas antes gritou.

– Ainda nos vamos ver, por isso até já! – olhei para ele a correr que nem um louco pelas ruas da cidade, a desaparecer ao longe. “Era mesmo o Dragon Slayer, finalmente encontrei-o e o que é que eu fiz? Fiquei parada. Sou mesmo idiota!” – reclamava comigo mesma enquanto olhava para onde ele ainda à minutos corria. “Não posso ficar aqui à espera que ele volte a cair do céu e pare à minha frente!”

– Guarda por favor os legumes, mais tarde passo aqui. – Mexi no cinto que tinha prendido com as chaves e tirei um pequeno saco. — Fica já com algum dinheiro, assim que voltar pago o resto, agora tenho de ir. – dei-lhe o pequeno saco com algumas moedas e comecei a procurar pelo rapaz nas ruas.

Andei à vontade uma hora à procura dele mas nada, julgava que seria fácil encontrá-lo por ter os cabelos de cor rosa mas não. E a marca não colaborava, nada de dar pistas como o deveria fazer e isso tinha conseguido acabar com as minhas esperanças. “Talvez ele esteja aqui apenas de passagem...”

Depois de tanto andar já estava tão cansada que resolvi sentar-me de baixo de uma árvore com flores de cerejeira daquele pequeno parque. Fiquei a apreciar a vista, com as pétalas a cair por causa do pouco vento que havia e o sossego do sítio, quando mais uma vez sou interrompida a fazer algo quando ouço mais gritos e rosnares. Levanto-me e procuro de onde vem o barulho.

Mais adiante no parque de Magnolia, vejo um ser gigante à minha frente a pisar uma criatura rosa com uns chifres... “Pára tudo! Gigante? Criatura cor-de-rosa com chifres?” – abri a boca espantada. – “Aquele é o Dragon Slayer!!” – olhei com mais atenção para o gigante e vi que tinha demasiadas semelhanças com um certo velhote que tinha conhecido hoje. – “E aquele é o Makarov?”. Comecei a correr por instinto, não conseguia controlar o meu corpo, a marca agia por mim.

– MAKAROV! – gritei para que ele me pudesse notar e ouvir.

– Lucy! Que bom que apareceste! – sorriu contente. — Preciso da tua ajuda, este idiota descontrolou-se e não o estou a conseguir fazer voltar ao normal! – olhei para baixo para onde este apontava.

– Esse é o Dragneel? – perguntei, desconfiada.

– Sim e é todo teu! – ele tirou o pé de cima do garoto e ouvi-o rosnar alto. “Mas que perfeito...” pensei. Vi o Makarov voltar ao seu tamanho normal e afastar-se, dando-me assim espaço para fazer o meu trabalho.

– Ei. – tentei chamá-lo à atenção, mas este levantou-se e tentou atacar-me. “Ele não sente a marca? Nem a vê?” Estranhei ele tentar atacar-me, não era algo normal e acabei por recuar um pouco. Mesmo quando os Dragon Slayers não estão no seu estado normal, eles têm noção das âncoras através da marca presente nos seus corpos, o que é uma grande vantagem para nós, provavelmente foram criadas a pensar na nossa segurança, mas nele não suscitava qualquer efeito, julgava-me uma pessoa qualquer, por isso continuaria a atacar-me se não agisse com cautela. – Dragneel? – este parou ao ouvir a minha voz. “Então o problema é que ainda não temos nenhuma ligação para além da marca!?” – Sou a Lucy. – com cuidado fui dando passos para tentar aproximar-me dele de novo. – A âncora ligada a ti. – Este olhou para mim, finalmente. Aquelas palavras tinham tido algum efeito nele. – Sei que não estás a agir assim porque queres. – continuava a aproximar-me com calma para não o assustar. Ele não estava no seu lado normal por isso teria de agir com ele como se fosse um animal, como se fosse um dragão e não um humano com uma espécie de dupla personalidade maluca como de certeza muitos o consideravam. – Posso ajudar-te se me permitires. – parei a uns 15 metros dele. Ainda ouvia o respirar pesado e o rosnar mas não tão alto como anteriormente. – Deixa-me aproximar. Posso fazê-lo? – este nada respondeu, manteve apenas alguns dos rosnares de aviso. Suspirei. “Ele desconfia de mim, como é óbvio.”

Abri a capa que tinha vestida e deixei-a cair no chão. Olhei-o nos olhos para lhe transmitir calma, segurança, tranquilidade e que não o atacaria. Levei as mãos com lentidão ao cinto que tinha preso a mim e soltei-o fazendo-o cair no chão com um baque mudo. Agachei-me com calma, peguei no cinto e mandei-o para longe onde não o alcançaria e que ele pudesse ver que não o iria atacar. Voltei a erguer-me e continuei a andar na sua direção.

Continuava a ouvi-lo rosnar, mas mais alto, mesmo estando a arriscar a minha vida ao aproximar-me dele desarmada, sabia que era o melhor para ganhar a confiança dele e sabia que rosnava como um aviso para não me aproximar. Do nada ouvi um barulho de arbustos a mexer atrás de mim e quando olho, vejo um homem qualquer a passar por eles. Aquilo tinha estragado tudo. Em segundos, o Dragneel descontrolou-se mais e tentou atacar o homem, mas eu não o poderia deixar fazer isso, por isso coloquei-me na sua frente. Este tentou desviar-se mas agarrei-me a ele com a força toda que tinha sabendo que poderia ser um gesto inútil, mas tinha de o fazer.

Nem sei ao certo como o mantive mais ou menos no mesmo lugar. Talvez ele nem estivesse completamente descontrolado ou com a aproximação tivesse entendido quem eu era ou até mesmo pelo meu cheiro. Apenas sei que quando dei por mim senti uma enorme dor aguda do ombro direito e algo a escorrer. “Ele mordeu-me?” Como estava de olhos fechados por estar a fazer força, assustei-me um pouco. Fiquei quieta, estática por completo. “Ainda nem nos conhecemos e ele já me quer matar? A seguir vai fazer o mesmo na marca, não?” Abri os olhos e tentei entender as coisas à minha volta. Ele continuava com os caninos no meu ombro, não se mexia, apenas rosnava para o homem. “Espera... Ele... Ele sente a marca, ele sabe que sou a âncora, sabe bem quem eu sou... Apenas esta deve ser a maneira que ele arranjou para demonstrar que não me podem atacar… Idiota!”

– Ei Natsu, isso magoa. – disse com calma e com tom de dor na voz para que ele notasse a diferença. Continuava a sentir os dentes dele cravados na minha pele, mas desta vez sem força. “Tinha razão. Ele estava mesmo a agir como um animal. Sentiu-se ameaçado e demonstrou o território.” O homem que ainda estava no local parado, provavelmente chocado, começou a andar deixando-o mais irritado voltando a rosnar bem alto e a morder mais o ombro. — Itai! – disse ligeiramente alto ao sentir mais dor e mais sangue a sair e por impulso abracei-o com mais força por causa das dores. – Senhor, não se aproxime, por favor. Volte por onde veio e esqueça o que viu. – o homem que estava com o olhar assustado, virou-se e correu por onde tinha vindo, fazendo-me suspirar. “Menos um problema.” – Natsu – disse com a voz baixa para ele apenas me ouvir. – Ele já foi embora, o perigo já não está presente. – senti os músculos dele relaxarem por debaixo dos meus braços. – Podes por favor parar de me morder? – Este tirou os caninos no meu ombro fazendo-me gemer devido à dor. Não pude evitar olhar para a ferida para ver o meu estado. Era feia, estava com vários buracos marcados na pele, vermelhos e roxos, com alguns pequenos hematomas devido a força que ele aplicou no local. Olho para ele, sabia que estávamos demasiado próximos, mas aquilo poderia acalmá-lo. – Obrigado. – disse forçando um sorriso. Este já não rosnava e parecia até uma pessoa normal, a diferença estava apenas no aspecto físico dele neste momento. Vi o olhar dele bem sério a inspeccionar a ferida feita por ele e ouvi-o dar rosnado de desagrado ou talvez chateado.

Os segundos seguintes foram simplesmente inimagináveis na minha cabeça. Depois de a analisar, ele aproximou de novo a cara, que no momento estava um pouco vermelha devido ao meu sangue, do meu ombro. “Ele vai voltar a morder-me?” perguntei-me. Quando dou por mim sentia algo áspero na ferida fazendo-me gemer com a dor. Foi quando me apercebi da situação e fiquei de olhos bem abertos, espantada. “Ele... Ele está a lamber a minha ferida?”. Nunca tinha lido nada de parecido nos livros e muito menos alguma vez me tinham contado uma história com uma situação parecida a esta, por isso não sabia como agir. Ele lambia a ferida com cuidado, com calma, mas mesmo assim aquilo ardia terrivelmente. “Ele age muito também pelos instintos. Deve achar que ao limpar, que passa. Suponho…”

O mais estranho foi quando, ao fim de algum tempo, comecei a deixar de sentir dores na ferida. Esta para além de limpa, parecia estar desinfectada e agora estava anestesiada. Nem sabia o que pensar. “A saliva deles tem poderes curativos ou assim?”. Não me importava de continuar assim durante uns tempos, mas tinha de tentar que ele voltasse ao normal.

– Natsu? – este que ainda lambia a ferida, apenas olhou para mim pelo canto do olho direito. – Podes parar. Já não dói, obrigado. – este parou de imediato o que fazia e afastou-se um pouco, separando-nos. “Se ele age tanto como um animal, tenho de o tratar um pouco como tal.” Levei a minha mão esquerda a sua cabeça e passei-a nos seus cabelos, acariciando-o. – Obrigado. – este acalmou-se quando recebeu o carinho de agradecimento. – Podes voltar ao normal, já não há perigo. – voltou a rosnar. – Só estou eu, tu e o Makarov aqui. – digo, lembrando-me do velhote que nos observava, agora sentado num ramo. O Natsu seguiu o meu olhar e viu o Makarov, rosnando bem alto, como se fosse mais um aviso, fazendo-me estremecer. – Não, tem calma! Ele não te vai fazer mal. – ele olhou para mim e voltou a rosnar. – Nem a mim. – respondeu-me de novo com um rosnar. – Esquece-o, agora olha apenas nos meus olhos e concentra-te neles. – este fez o que lhe mandei.

Concentrei-me também ao máximo para lhe transmitir segurança, confiança, tranquilidade, estabilidade e sossego pelo olhar para que ele voltasse ao seu estado normal. Demorou um pouco, quando finalmente, nos olhos que antes eram verdes musgo, estavam agora mais escuros e com mais brilho, a primeira indicação de que ele estava voltar ao normal. Afastei-me dele e observei a mudança.

A pele perdia a forma de escamas vermelhas, o cabelo ficava menos bagunçado, os chifres iam diminuindo lentamente, até desaparecerem na sua cabeça, as garras e os dentes ficavam menos afiados e voltavam ao normal, a cauda encolhia e as suas asas também. Estava finalmente normal, quando o vi fechar os olhos e começar a cair para a frente como se fosse um boneco. Rapidamente o apanhei e deitei-o na relva com cuidado. Deitei-me ao seu lado e tapei os olhos com o braço esquerdo. Aquilo tinha mexido muito comigo e com a marca, sentia-me exausta, não tinha feito nada, mas sentia quase que tinha ido daqui à cidade de Onibus ou Hargeon a correr, não que o tivesse feito alguma vez, mas supunha que o cansaço fosse o mesmo.

– Foi um grande espectáculo Lucy! – ouvi o Makarov ao meu lado a aplaudir. – Vi que ficaste surpresa por ele reagir como reagiu depois de te morder. – concordei com a cabeça tirando o braço dos meus olhos para o puder olhar. – Ele tem bom coração e provavelmente foi por isso que reagiu assim ao ver que estavas com dores. Ainda te dói?

– Não, acho que a saliva anestesiou o local. – vi-o arregalar os olhos. – Também nunca tinha ouvido ou lido sobre algo semelhante por isso entendo o seu espanto.

– Realmente nunca ouvi. – sentou-se ao meu lado. – Vamos esperar ele acordar para que possamos ir embora.

– Certo. Mas uma pergunta… o que o levou à transformação?

– Desta vez nem eu sei. Estava ao lado dele a dar-lhe um raspanete quando do nada vi-o parar, começar a tremer e a transformar. Pensei que seria uma consequência de andares por perto, mas como é suposto tu o acalmares não faz sentido.

– Talvez disse algo que lhe tenha lembrado de algo. Isso mexeu com ele e assim descontrolou-se.

– Claro! – bateu com a mão na própria testa. – Voltei a falar no pai dele! Tenho de aprender a estar calado! – repreendeu-se.

– Pai?

– Hum… Sim. Pode ser que ele mais tarde te conte. – acenei com a cabeça. Ficamos algum tempo no mesmo local à espera que ele acordasse como tínhamos combinado. Não sei quanto tempo esperamos, mas quando dou por mim, ouço alguém gemer. Abro os olhos que antes estavam fechados e olhei para ele, que agora estava sentado agarrado à cabeça com prováveis dores.

– Estás melhor? – perguntei com a voz rouca. Este olhou para mim surpreso por estar presente e olhou para o Makarov ao meu lado sentado.

– Sim, estou. Desculpe vovô. – disse

– Não tem mal meu filho, não é algo que possas controlar sozinho. – levantei-me deixando-os a sós e fui buscar a minha capa e o meu cinto. De tanto tempo à espera que ele acordasse, o efeito anestesiante já tinha passado parcialmente e estava a voltar a ter dores. Por isso acabei por não vestir a capa para não me magoar mais. Enquanto tentava prender o cinto à minha cintura ouvi atrás de mim, alguém tossir como se pedisse atenção de uma maneira bem desajeitada. Voltei-me e olhei-o nos olhos à espera que ele falasse o que queria.

– Obrigada. – disse com uma cara envergonhada.

– É para isso que existo. – respondi e este apenas acenou com a cabeça. Ficamos a encarar-nos durante algum tempo até que ele voltou a falar.

– Acho melhor nos apresentaremos mesmo já sabendo algo um sobre o outro. Sou o Natsu Dragneel. – estendeu a mão à espera que retribuísse. “Têm todos este hábito por aqui?”

– Lucy Heartfilia. – apertei a mão dele rapidamente.

– Fui eu que fiz isso? – perguntou. Como tinha sido feito uma pergunta do nada, não entendi ao que ele se referia.

– O quê? – perguntei confusa.

– Isso no teu ombro… fui eu?

– Humm… Não. – “Porque raio menti?”

– Mentes mal Lucy. Sei que fui eu. Desculpa! – curvou-se ao pedir perdão.

– Pára com isso, não é preciso tanto! – disse exaltada pelo gesto dele.

– É sim. Vamos para a guilda e vamos tratar dessa ferida.

– Não é necessário uma coisa dessas.

– É sim. – voltou a olhar para a ferida no ombro durante alguns segundos e desviou o olhar de lá. — Assim conheces a minha família. Suponho que te possam ajudar mais lá para a frente. – olhei-o nos olhos não muito convencida. Não o queria seguir e ir para a guilda

– Obrigada, mas vou para casa. Lá tomo um banho e limpo bem a ferida. – suspirou derrotado.

– És teimosa. Mas tudo bem. Obrigado mais uma vez. – concordei com a cabeça. – Depois um dia destes tenta ir à Fairy Tail, vais gostar.

– Está bem. Tenho que ir. Adeus. – comecei a correr para fora do parque para voltar de novo ao mercadinho, pagar o resto que faltava, pegar nas coisas e ir para casa descansar, que hoje tinha sido um dia bem difícil e estranho para mim. Aquele tinha sido a nossa primeira conversa, a primeira vez que o controlava e a primeira vez que as marcas se ligavam a sério. Não tinha agora volta a dar. Esta era a minha nova vida. A vida pelo qual tanto esperei. Pode não ter sido uma decisão minha ser marcada, mas era uma decisão minha o que ia acontecer daqui para a frente.

Notas finais
NOTA DE CURIOSIDADE: Sukiyaki - é uma espécie de ensopado muito popular no Japão e é super fácil de se fazer. Basicamente consiste em carne cortada em fatias bem finas que são cozidas, série de verduras, legumes (como os que falei no capitulo) e outros ingredientes, como macarrão (massa) udon, cogumelos Shiitake entre outros. Acredita-se que Sukiyaki tenha-se tornado popular a partir do século XIX (1860 mais ou menos), na Era Meiji (1862-1912) quando o Japão permitiu a entrada de estrangeiros na pais. Na época os japoneses quase não comiam carne bovina ou manteiga, sendo assim a produção desses ingredientes para o consumo de estrangeiros era praticamente mínima. A receita tem duas versões por assim dizer. A do estilo de Kanto (Tokyo) e à do estilo de Kansai (Área de Osaka) Ao estilo Kanto, os ingredientes do molho que usam para cozer já estão misturados, ao estilo Kansai, o molho é misturado no momento de comer. Depois do grande terramoto em 1923, o povo de Kanto mudou-se temporariamente para a área de Osaka e acabou por se habituar ao estilo Kansai Sukiyaki. 1º Restaurante: Em 1892, foi inaugurado em Yokohama o primeiro restaurante Sukiyaki, Isekuma. História: São conhecidas algumas histórias sobre o início do Sukiyaki ou a sua criação. Uma delas é sobre nobre medieval. Esse nobre parou numa cabana de um camponês depois de uma caçada e ordenou-lhe que cozinha-se. O camponês percebeu que seus utensílios de cozinha eram impróprias para o nobre, por isso, ele limpou a pá ( Suki em japonês ) e grelhou ( Yaki ) a carne. Links com a receita: (BR) - https://www.youtube.com/watch?v=I-BpRhKIQlU (USA/JP) - https://www.youtube.com/watch?v=aVWPH0C_17c