Notas iniciais
Kon'nichiwa Minna

“A mudança tem início quando alguém vê a próxima etapa.” – William Drayton

Ontem quando regressei a casa acabei por apenas me deitar na cama, nem tomei banho ou jantei pois estava esgotada fisicamente e não tinha forças para fazer fosse o que fosse. Acordei bem cedo, perto de umas 5:40h da manhã, fui à cozinha fazer um café fraco numa caneca e voltei para a cama. “A estas horas ainda nem o sol nasceu... Bem que o podia ver nascer mais uma vez como nos velhos tempos quando eu e o Aki ficávamos na colina a ver o pôr-do-sol ou o nascer...” pensei nostálgica.

Abri as cortinas da janela por cima da minha cama, cobri-me até a cabeça com uma manta cor-de-rosa, que tinha usado para me tapar durante a noite, deixando apenas o rosto e os dedos de fora e fiquei a apreciar a beleza do sol a aparecer no horizonte por cima de algumas das casas que tinha no meu campo de visão. Não sei quanto tempo fiquei naquela posição a apreciar apenas o sol, a bebericar o meu café bem quente e a ver o início do dia de algumas pessoas que passavam pelas ruas, mas quando dei por mim, tinha alguém a bater à minha porta continuamente.

– Menina Heartfilia? – continuaram a bater na porta. “Só uma pessoa sabe onde estou a morar, por isso não deve de ser importante.” – Menina Heartfilia, sei que está em casa. Tenho uma carta do Mestre Makarov. – “Makarov?” suspirei derrotada, levantei-me preguiçosamente da cama, pousei a caneca na mesinha e encaminhei-me para a porta ainda agarrada à manta. Ao abrir deparo-me com uma garota de provavelmente 23 ou 25 anos, com longos cabelos violeta claros e prendidos no cimo da cabeça com um laço vermelho, franja, olhos castanhos, óculos, com um vestido verde e branco sem mangas e uma pequena capa avermelhada com um anel dourado a prender à frente. Olhei para ela desconfiada.

– Ohayo, o meu nome é Laki Olietta e vim entregar uma carta a pedido do mestre. – disse bastante educadamente.

– Como sei que a carta que tens é realmente do Makarov? – disse ainda desconfiada.

– Se lhe mostrar o símbolo da minha guilda acreditará em mim? – pensei um pouco e acabei por movimentar a cabeça em tom de concordância. Esta virou-se, levantou a pequena capa avermelhada e mostrou-me um símbolo de uma fada a preto. “É realmente o símbolo da Fairy Tail como vi nos livros e é igual à que o Natsu tem no braço direito.”

– Certo... acredito em ti. – disse derrotada e esta deu-me a carta. – Obrigada.

– De nada, até um dia destes! – e saltitou escadas a baixo, alegre, enquanto cantarolava alguma musica que eu desconhecia. Suspirei e fechei a porta de casa, caminhando para o quarto e sentando-me de novo na cama para ler a bendita da carta.

“Querida Lucy,

Sabia que não virias à minha guilda por vontade própria, por isso achei melhor pedir de uma maneira mais formal para que compareças ainda hoje. Preciso de falar contigo para esclarecer algumas coisas, fazer-te alguns pedidos e também há imensa gente que te quer conhecer.

Espero que venhas como assim te pedi. Caso não apareças ainda hoje, pedirei ao próprio Natsu para te ir buscar ou a uma das minhas magas mais fortes.

Até mais logo,

Makarov Dreyar.”

“A sério que sou obrigada a ir à guilda?” – suspirei – “É melhor ir agora, quanto mais cedo melhor! Até os meus instintos o dizem para fazer agora!” – Chateada com a situação, tomei banho rápido e vesti uma roupa semelhante à do dia anterior. Fui à cozinha, comi dois bolinhos de arroz e bebi um pouco de chá verde quente como pequeno-almoço. Depois de tudo, dirigi-me para porta para poder fazer o meu ritual, coloquei o cinto com as chaves e o chicote à cintura, vesti a capa preta e saí de casa.

[Quebra de Tempo]

“Devia ter trazido o mapa que o Makarov me deu. Não devia ser tão apressada quando se trata de seguir os meus instintos. Que coisa Lucy!” disse irritada para comigo mesma. Estava à quase uma meia hora ou mais, de um lado para o outro, nas ruas de Magnolia à procura do edifício da guilda Fairy Tail. Já tinha passado pelos mesmos mercadinhos pelo menos umas três vezes, já tinha passado por um parque onde estavam crianças a brincar, umas duas vezes, os prédios eram quase todos iguais, o que mudava era as lojas que existiam neles ou as barraquinhas ao pé, o que me estava a deixar baralhada. “Tenho mesmo de pedir ajuda a alguém, senão vou continuar a andar aqui às voltas e nada de encontrar aquela maldita guilda.”

Aproximo-me de um dos comerciantes que estava sentado numa das bancas chamada “Fairy Tail Goods Shop” a vender bonecos, t-shirts, chapéus, cadernos, todos com o símbolo da Fairy Tail e outros com caras de algumas pessoas. “A banca até pode fazer parte da guilda... Vou perguntar ao vendedor se me pode dar indicações, pode ser que com muita sorte ele me saiba ajudar.” Olho para o homem loiro de camisola preta e castanha com alguma atenção, pensando se ele seria um mago ou não, mas chego à conclusão que de certeza que o era, mesmo que estivesse a vender objectos numa banca.

– Preciso de uma informação. – o homem que antes estava distraído a ler um jornal que tinha na mão, olha para mim e faz uma cara de assustado, mas tenta de seguida arranjar uma maneira para que eu não desse conta. “É o que dá andar com a capa de rosto tapado. Por vezes acabo por assustar as pessoas sem fazer nada.”

– Di-diga. – respondeu gaguejando.

– Pode dizer-me onde é o edifício da guilda Fairy Tail? – levanta o braço a tremer e aponta para o fundo da rua por onde já tinha passado.

– Vá em frente seguindo o rio e depois quando vir uma pastelaria chamada “Morangos Doces” vire à direita e vai ver um edifício que parece um castelo grande, é aí a guilda.

– Obrigado. – agradeci e segui o caminho por onde o homem me tinha indicado. Depois de andar um pouco, reparei que, à minha frente estava um castelo enorme com 3 pisos e com variados estilos arquitectónicos, parecendo bastante com uma pagode (*) como cada andar mais pequeno que o que está de baixo deste e com grandes telhados a dividir os andares. O cimo do edifício era uma pequena cúpula octogonal com um sino no seu interior e no telhado, debaixo da cúpula, uma bandeira grande a laranja com o símbolo da guilda. A grande entrada do edifício feita num estilo árabe com 2 muros altos a segurar uma grande placa com desenhos minuciosos com a forma de um coração ao centro e duas fadas desenhadas de cada lado do mesmo. Debaixo dos desenhos o nome “Fairy Tail” escrito a letras bem grandes e visíveis, numa placa dourada.

“Será que me enganei no caminho?” pensei ao olhar para aquele estranho edifício “Não, deve ser realmente aqui. Tem o símbolo e o nome da guilda por isso tem mesmo de ser aqui neste edifício.” Olhei com mais atenção para o grande edifício. “Ele bem que disse que parecia um castelo enorme. É melhor entrar, a guilda já deve de estar cheia e eu quero evitar ao máximo as pessoas.” Continuei a andar passando por baixo do nome da guilda e parei em frente a uma porta grande de madeira. “Só ouço coisas a partirem e gritos... Mas que estanho.” Mesmo hesitante, abri a porta.

Assim que abri a porta vi pessoas a beber que nem loucos, pessoas a gritar e a rir, outras a lutar, outras a falar bem alto, outras a cantar, a atirar mesas ou cadeiras por todos os lados. Estranhei aquele ambiente de confusão, mas entrei na mesma. Dirigi-me ao balcão que estava do lado direito, onde se encontrava uma rapariga alta, de cabelos cinzentos quase brancos compridos e ondulados nas pontas com um pequeno elástico a prender a franja, olhos azuis, vestido rosa com alguns folhos e laços de um rosa mais claro. Esta ria divertida com algumas coisas que as outras pessoas faziam enquanto limpava um copo grande com um pano azul claro nas mãos. Aproximei-me dela para lhe perguntar, esperando realmente que ela me soubesse dizer, onde estava o Makarov.

– Ohayo. – disse para chamar a sua atenção.

– Ohayo! Posso ajudar em alguma coisa? – perguntou com um grande sorriso enquanto continuava a limpar algumas loiças com o pano.

– Onde posso encontrar o Makarov?

– Are, sobe estas escadas. É a primeira porta lá em cima. – acenei com a cabeça, não me estava a apetecer ter muitas conversas por agora. Fiz o que ela me disse, subi as escadas, bati à porta e escutei um “Entre” abafado. Girei a maçaneta e entrei numa sala cheia de livros, papéis espalhados por todos os lados, tanto na secretária onde estava o mago, como no chão à sua volta. Tossi para ter a atenção dele.

– Oh Lucy, vejo que encontraste a minha guilda. – diz sorrindo.

– Foi fácil. – “Deveria ter sido, se trouxesse o mapa”. Sorri com sarcasmo e fechei a porta, retirando a capa do meu rosto. – Que precisa de falar comigo Makarov?

– Podes tratar-me por vovô. – concordei com a cabeça. – Sabia que não virias e como quero que entres para a minha guilda, tive que te chamar para me certificar que vinhas. – continuei a olhar para ele um pouco aborrecida.

– Porque quer que eu entre para a sua guilda?

– Oh, isso é simples. Julgo que precisas de andar perto do Natsu para evitar que aconteça algo e se estiveres na minha guilda será muito mais fácil para ti e claro, também para nós!

– Essa é a sua desculpa? – perguntei.

– Claro que sim! – disse rindo da minha cara.

– E o que ganho com isso?

– Se fizeres missões ganhas dinheiro e podes continuar a viver naquela pequena casa. E sei que gostaste bastante dela. – ficou com o rosto mais sério. – E preciso mesmo que andes aqui perto, ele não vai ser tão fácil de controlar na próxima vez. – suspirei.

– Tem razão. Irei ficar e acei... – sou interrompida quando a porta é aberta com brutalidade, revelando um mago de cabelos cor-de-rosa e com um enorme sorriso no rosto.

– Sabia que eras tu! – disse alegre.

– Dragneel? — olhou para mim e sorriu.

– Sabia que virias! – disse ainda mais alegre. – Vieste para entrar para a guilda? A Mira trata disso, mas pensa já numa cor. Acho que ficaria bem em ti cor-de-rosa para alegrar essa tua maneira de vestir. – olhei para ele aborrecida.

– Qual é o problema da minha maneira de vestir? – disse um pouco chateada. – E não vim aqui tratar de nenhuma marca, vim a pedido do Makarov.

– Do velhote? – olhou para este. – Que precisas de falar com ela? – perguntou desconfiado.

– Ei, esse assunto é entre mim e o Mak... – ia terminar a fala mas, mais uma vez, fui interrompida.

– Tentar convencê-la a entrar na guilda como te tinha dito ontem.

– E ela aceitou? – “A sério que eles vão ficar a falar sobre mim à minha frente?”

– Ainda estou aqui e sim, ia aceitar quando resolveste partir a porta. – este sorriu de orelha a orelha.

– Então vamos Lucy, vem conhecer a Fairy Tail! – disse bastante alegre.

– Mas Natsu, não acho que seja uma boa ide… – eu teria terminado a minha frase se não tivesse sido puxada pelo pulso com alguma brutalidade, fazendo-me assim calar. Descemos as escadas, seguidos de Makarov, e direcionamo-nos a um palco com cortinas vermelhas. As pessoas continuavam a gritar, festejar, beber que nem doidos e Makarov tentava obter a atenção deles mas sem resultados, até que ao se enervar, aumentou o braço direito e esmagou um dos magos que estava na grande sala da guilda, apenas de cuecas.

– JÁ ME PODEM OUVIR? – toda a gente que estava presente simplesmente se calou, pararam o que faziam e olharam na nossa direção. – Bem, venho anunciar-vos a nova maga de Fairy Tail, Lucy Heatfilia! – todas as pessoas começaram a gritar e a aplaudir. “Esta gente é louca, só pode!” – Por isso declaro, três dias de festa! – e ainda mais gritos e saltos se ouviram pelo salão. “Três dias de festa por terem uma maga nova? É preciso tanto?” As pessoas voltaram a beber, agora de uma maneira frenética, a dançar, rir e pular.

– Ei, Lucy. – olhei para o Natsu que estava do meu lado direito. – Vamos tratar da tua marca.

– Marca? Nós já temos uma. – disse confusa.

– Não me refiro a essa, mas sim a esta. – e apontou para o seu braço direito onde estava a marca da Fairy Tail e foi ai que entendi o que ele queria dizer. Concordei com ele e comecei a segui-lo de volta para a bancada do bar onde ainda há pouco tinha falado com a rapariga de cabelos de tom cinza. – Mira! – a tal garota que antes me tinha dado as indicações que eu queria, virou-se para nós e sorriu. – A Lucy vem pôr a marca dela.

– Oh, claro! – olhou para mim e sorriu. – Sou a Mirajane Strauss, mas podes tratar-me por Mira.

– Lucy Heartfilia. – apresentei-me.

– Onde queres? – perguntou com uma espécie de carimbo nas mãos.

– Hum... Na mão direita. – estendi-lhe a mão, pousando-a na bancada.

– E que cor queres?

– Ela quer rosa! – disse o Natsu ainda mais entusiasmado.

– Porquê rosa? Eu nem gosto dessa cor. – disse inconformada.

– Porque eu quero e já te disse, precisas de mais cor! – olhei para ele irritada. Ia espancá-lo mas senti a mão direita a arder e quando olhei, vi a Mira ainda com o marcador na mão e com um sorriso travesso a olhar para a minha mão. Segui o seu olhar a rezar para que ela não tivesse feito a marca a cor-de-rosa, mas era uma reza em vão. Ela tinha mesmo feito a marca em cor-de-rosa.

– Mira, rosa não! Preto ou azul! – disse exaltada.

– Are Are, agora não dá para mudar! É definitiva e ficará sempre nessa cor. – olhei para o Natsu bastante irritada.

– A culpa é tua Dragneel! – este abriu ainda mais o sorriso mostrando os seus caninos e formando umas pequenas covas nas bochechas.

– Bem-vinda à Fairy Tail. – este aproximou-se de mim e abraçou-me, deixando-me bastante surpresa com a atitude dele e fazendo a marca da nossa ligação arder ligeiramente, talvez pela aproximação. – Bem-vinda à minha família. – disse num sussurro ao meu ouvido de maneira a que apenas eu pudesse ouvir e mais uma vez, a maldita da marca reagiu. – Agora vem conhecê-los. – Separou-se de mim, pegando pela minha mão e puxou-me pelo meio do salão da guilda. Tive que me desviar algumas vezes de diversos objectos voadores não identificados, até que chegamos perto de uma mesa onde estava sentado o garoto meio despido que há pouco o Makarov tinha esmagado, uma garota de cabelos vermelhos com uma armadura, uma garota de cabelos castanhos abraçada a um barril, uma garota de cabelos azuis e um gato de pêlo azul. – Minna, esta é a Lucy. – disse apontando para mim. — Lucy, este é o Happy, o meu melhor amigo. – disse apontando para o tal gato com um pêlo de um tom estranhamente azul, com umas asas brancas e com um lenço verde à volta do pescoço deste, atado com um pequeno nó. O gato estava com um peixe na boca, segurado pelas pequenas patinhas, quando olhou para mim com atenção, terminou de comer o peixe com alguma rapidez, levantou-se e aproximou-se de mim, cheirando-me na zona da barriga.

– É ela?

– Hum hum. – respondeu Natsu. “É ela? Só eu fiquei perdida?”

– Ohayo Luigi, sou o Happy. – estendeu a sua pata na minha direção.

– É Lucy e que historia é essa do “É ela”?

– Ah, é que o Natsu ontem já nos tinha falado sobre ti. – respondeu a rapariga de cabelos azuis pelo ombro, meio selvagens, presos com uma fita. Mesmo sentada dava para ver que tinha uma estatura baixa, olhos castanhos e com um vestido laranja a combinar com a fita, que lhe prendia o cabelo. – Sou a Levy McGarden. – apresentou-se fechando o livro que estava a ler.

– E a Cana, na semana passada, já nos tinha falado sobre a tua possível chegada quando leu as suas cartas. – falou também uma rapariga um pouco mais velha, de cabelos vermelhos vivos e compridos, com uma pequena franja rebelde na testa, olhos castanhos avermelhados a combinar com o seu cabelo, corpo bastante avantajado e com uma armadura a proteger o seu peito, mas deixando ainda visível no braço esquerdo a marca da guilda a azul. – Bem-vinda Lucy, sou a Erza Scarlet. – disse sorrindo ligeiramente e voltando a comer o seu bolo de morango.

– Eu disse-vos que as minhas cartas nunca enganam. – falou uma rapariga de cabelos castanhos compridos e olhos pretos, que estava sentada em cima da mesa abraçada a um barril, como se aquilo fosse a própria vida, vestida apenas com um biquíni azul, calças castanhas, pulseiras azuis e prateadas presas em ambos os braços e uma pulseira de três arcos no pulso direito. Por estar meio despida, notava-se a sua marca da guilda a preto na barriga, do lado oposto onde eu tinha a minha marca de ligação, do lado esquerdo da barriga dela. – Ick, o meu nome é Cana Alberona.

– Cana, já paravas de beber não achas? – repreendeu-a o último mago sentado na mesa. Um rapaz de cabelos rebeldes e espetados como os do Natsu, mas num tom azul, aparentemente sem roupa, apenas de boxers pretos. Como tinha o peito nu, podia ver-se com perfeição, a sua marca da guilda a azul escuro, no peito do lado direito acima do coração. O mesmo tinha ainda uma pulseira feita de metal fino no pulso direito e um colar comprido com uma cruz estranha ao pescoço. – Sou o Gray Fullbuster.

– Oh exibicionista, vai vestir uma roupa. – disse o Natsu.

– Cala-te labareda! – este começou a olhar para os lados. – Alguém viu as minhas roupas? – perguntou num tom bem alto para as pessoas que estavam ao pé de nós.

– Aqui! – respondeu um mago qualquer algures na guilda, fazendo o mesmo levantar-se para as ir buscar. Assim que este saiu da mesa as coisas ficaram estranhas, todos olhavam para mim a tentar avaliar-me, enquanto eu olhava para cada um deles a tentar decorar os seus nomes, pois esta era a primeira vez que conhecia tanta gente no espaço de poucos minutos e não queria falhar nos nomes.

– Tenho uma dúvida. – disse-lhes. – Cana... – olhei para a maga que bebia directamente do barril. — Como é que sabias da minha possível chegada se eu só decidi vir para esta cidade há 3 dias? – esta parou de beber para me responder.

– Ick... Simples, as minhas cartas contam-me tudo o que sabem. – olhei para ela ainda bastante confusa.

– Eu explico. – disse Levy, assim que Gray voltou para a mesa, desta vez vestido com uma camisa azul. – A Cana tem umas cartas que são a base do seu poder mágico, que funcionam quando esta, por vezes, está minimamente sóbria, que não é o caso. – disse olhando para a garota que sorria travessa. – Na semana passada quando ela jogou as suas cartas para saber se tinha novidades, as cartas disseram-lhe que uma garota estaria a caminho da guilda para se juntar a nós e para cuidar do Natsu. Estranhamos na altura mas tudo começou a fazer sentido quando a Mira entregava várias cartas ao mestre e nunca nos dizia de quem eram.

– Hum... – disse apenas e concordei com a cabeça.

– Minna, que acham de iremos todos numa missão para festejar a chegada da Lucy? – perguntou a Levy.

– Não contem comigo. – disse a Cana.

– Por mim pode ser. – responderam a Erza e o Gray ao mesmo tempo.

– Não sei se é boa ideia. – disse-lhes e olhei para o Natsu que já não demonstrava felicidade como ainda à minutos. “Provavelmente pensou o mesmo que eu... Se ele se descontrolar vai ser difícil.”

– Vá lá Natsuuuu… – pediu Happy com os olhos pedinchões.

– Não é boa ideia. – disse o Natsu com a cabeça baixa.

– Porquê labareda? – perguntou Gray.

– Ainda ontem magoei a Lucy, não sei se é boa ideia... – respondeu.

– Mas estás bem? – perguntou-me a Erza preocupada.

– Sim! – disse com um sorriso falso “Ainda dói como tudo!” – Por isso se quiserem realmente ir... vamos.

– Tens certeza? – perguntou Natsu com um tom de grande dúvida na voz.

– Ela tem certeza, assim podem-se conhecer melhor! – respondeu Makarov aparecendo sei lá de onde. Apesar de surpreendido e de querer realmente ir numa missão, notava a dúvida a corroê-lo por dentro.

– Vamos. – disse apenas, fazendo todos na mesa festejar e em especial o Happy.

– Que tal esta missão? – disse Makarov deixando um papel na mesa para todos lermos. A Levy pegou no papel e leu em voz alta.

– Só precisamos de ir a Hargeon prender alguns ladrões e trazer os quadros que foram roubados e que ainda não foram vendidos.

– E quanto recebemos?

– 200,000 Jewels se derrotarmos os ladrões e outros 200,000 Jewels se encontrarmos os quadros roubados.

– Isso dá cerca de 80,000 Jewels por cada – disse-lhes.

– Por falar em Jewels – disse Makarov – A tua renda é de 70,000 Jewels, mas os dois primeiros meses já estão pagos.

– Hum... Fico ainda com algum dinheiro de sobra. Mais vale começar a juntar já para depois pagar.

– Então vamos nessa. – disse Erza. – Amanhã às 8:30h na estação ferroviária de Magnolia e sem ATRASOS!

– Aye Sir! – disse Happy alegre.

– Makarov, tens mais algo a falar comigo? – perguntei-lhe.

– Não querida, podes ir.

– Certo. Até amanhã. – disse-lhes e saí da guilda a caminho de casa.

[Quebra de Tempo]

Cheguei a casa e tirei a roupa com lentidão. Parei em frente ao espelho que tinha na casa de banho e olhei para o meu ombro. “Está mesmo feia.” Suspirei e tomei um banho rápido para poder limpar a ferida no ombro e para a proteger em seguida com uma ligadura. Pus o vestido que tinha usado de parte, para mais tarde o lavar, já que tinha algum sangue da ferida que tinha voltado a sangrar um pouco. Vesti apenas uma roupa interior simples preta, mas sem alças para não me magoar mais e peguei na pequena caixa que tinha trazido comigo na viagem. Abri a caixa e tirei algumas gases e uma pomada estranha verde, feita por uma amiga maga que trabalhava no hospital de Clover. Tirei também da caixa uma pequena garrafa de álcool para poder desinfectar a ferida e sentei-me no chão da casa de banho em frente ao espelho. Peguei numa gaze, molhei-a com álcool e passei-a com cuidado em cima da ferida, fazendo-me gemer devido às dores. “Merda que isto dói bastante!” Estava tão concentrada em pôr a maldita da ligadura no ombro, que nem dei conta da marca na minha barriga a arder e que estava acompanhada.

– Estúpida ligadura, estúpida ferida, estúpido tudo! – disse irritada.

– Sei que sou estúpido. – ao ouvir a voz assustei-me e acabei por entornar o frasco de álcool que estava nas minhas pernas. Levantei-me com rapidez ignorando o frasco que continuava a verter líquido, pegando na primeira toalha via e enrolando-me nesta.

– O que raio fazes aqui? – perguntei ao sujeito de cabelos rosa. – Como sabes onde moro?

– Segui o cheiro da tua ferida.

– Cheiro da ferida? – perguntei sem entender.

– Sim, ela começou a sangrar quando saíste da guilda e então resolvi seguir-te para ver se estavas bem, mas quando aqui cheguei ouvi-te a gemer de dores e a insultar-me. – disse.

– Eu não te estava a insultar, estava a insultar a ferida, é diferente! – defendi-me. – Podes sair? É que caso não tenhas dado conta não estou propriamente vestida! – disse mais uma vez exaltada.

– Eu reparei e já agora, o preto fica-te bem. Combina com o dragão vermelho. – disse com um sorriso travesso. Peguei com a mão esquerda, que estava livre, num shampoo e atirei para tentar acertar-lhe mas falhei por ele ter fechado a porta da casa de banho para se defender, fazendo com quem o frasco batesse na porta e cai-se no chão. Este ria enquanto eu tentava limpar o chão e voltava a tentar pôr a ligadura, mas sem sucesso, fazendo-me rosnar de frustração. – Queres ajuda? – perguntou do outro lado da porta.

– NÃO! – respondi irritada, mas este mesmo assim entrou na casa de banho sem permissão. – Eu disse não Natsu! – disse enquanto ainda tentava pôr a ligadura.

– Não sejas teimosa Lucy, deixa-me ajudar-te.

– Não! Volta para a guilda. Eu consigo. – ouvi este suspirar e aproximar-se mais de mim e pegar na ligadura com cuidado. – Chato! – disse, fazendo-o sorrir ligeiramente. Tirou o meu cabelo húmido para cima do ombro esquerdo e com cuidado retirou as ligaduras que eu tentava inutilmente pôr no ombro direito, pegou do chão o pequeno pote com a pomada verde e passou-a no ombro fazendo-me gemer de dores e arrepiar com as diferenças de temperatura da pomada fria e os dedos quentes dele. Nesse momento senti a marca do dragão que tinha na minha barriga do lado direito, que ia desde a cintura até um pouco por baixo do peito, arder à medida que ele ia passando a pomada na ferida. Inconscientemente olhei para ele pelo espelho e ele fez o mesmo que eu ao mesmo tempo. “Ele sentiu a marca reagir?” perguntei-me. Este desviou os olhos do espelho e concentrou-se no que fazia. Cada movimento que ele fazia, eu seguia com os meus olhos. Quando finalmente terminou de pôr a ligadura e de a prender, sorriu, e provavelmente de maneira inconsciente beijou ao de leve a zona da ferida por cima da ligadura fazendo-me corar um pouco.

– Obrigada. – disse-lhe com a voz um pouco rouca. Saí rapidamente da casa de banho e tranquei-me no quarto para puder vestir algo. “OK, aquilo foi bem estranho.” Pensei. Vesti uma camisa azul clara e uns calções de um azul mais escuro e saí do quarto, encontrando-o a bisbilhotar a cozinha. – Tens fome? – este saltou por o ter sustado, fazendo-me rir a mim e a ele.

– Sim, tens algo que se coma?

– Hum hum. Aceitas sukiyaki? – este acenou a cabeça em concordância. – Ótimo! – entrei na cozinha e comecei a pôr os ingredientes em cima da bancada. – Ontem era para fazer sukiyaki para o jantar mas cheguei demasiado cansada. – disse-lhe para fazer conversa evitando que estivéssemos envolvidos num silêncio estranho e constrangedor.

– E precisas de ajuda? – olhei para ele desconfiada.

– Podes pegar em duas tigelas, nos hashi e pôr na mesa com os ovos?

– Claro.

Notas finais
(*) Pagoda - http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/ed/Horyu-ji09s3200.jpg/640px-Horyu-ji09s3200.jpg -> Imagem de uma pagoda de madeira com cinco andares de Horyu-ji (Templo da lei Próspera) no Japão, construído no século 7 e que é uma das mais antigas construções de madeira do mundo. Pequeno-Almoço - Café da Manhã Boxers (Cueca) - http://www.stijlherenmode.nl/wp-content/uploads/emporio-armani-underwear.jpg Hashi - pauzinhos que são utilizados como talheres no extremo oriente.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.