Notas iniciais
Oláá *-* Como eu estava no tédio, resolvi postar logo.
Enfim, hoje é aniversário da linda da Nanda Z, parabéns! :3
Ah, e leiam as notas lá no final, é importante.
Bom, vou ficar quieta. Enjoy!

POV Gerard

O garoto ao meu lado, o Iero, estava me deixando louco. Além de ser chato, egoísta, irritante e insensível, ele também fazia o maior esforço para me ignorar. Está certo que nós não nos damos muito bem, mas dava para sentir que ele queria falar alguma coisa para mim. Além do mais, parece que os professores estavam todos conspirando contra mim. Acho que, em algum ponto do dia, todos eles se juntaram e disseram: “Vamos fazer os alunos fazerem vários trabalhos em dupla com o colega que está sentado ao lado deles!”, e, infelizmente, este “colega” era o Iero.

Se é que eu posso chamar aquela coisa irritante de colega.

Enfim, resultado: Fui obrigado a fazer um trabalho de matemática, um trabalho de física e um trabalho de inglês com ele. E no que isso tudo deu? Desentendimentos. Por que? Simples: Porque ele é o maior idiota do mundo e tentava arranjar briga com qualquer coisa que eu falasse. Resumindo, nós tiramos notas razoavelmente altas, mas saímos da sala em direção ao almoço completamente estressados.

Quando o doce sinal do almoço bateu, fiquei mais do que aliviado. Fui para o refeitório praticamente correndo. Eu não podia esperar para me livrar da presença daquele baixinho idiota.

Mas é um baixinho idiota bem sexy...

Argh! Para com isso, Gerard Way!

Entrei na fila, peguei qualquer coisa nojenta que tivesse nas grandes panelas e me sentei em uma das mesas mais afastadas, longe de todos.

Fiquei observando todos os grupinhos almoçando juntos, rindo e se divertindo. Tem horas que eu queria ser mais extrovertido e falar com as pessoas ao invés de ser só o nerd excluído e esquisito. O problema era que eu não era nerd o suficiente para sentar junto com os outros nerds... E eu também era mais esquisito que eles, o que fazia com que eles me direcionassem olhares tortos.

De repente, vi uma figura pequena andando até mim.

–Oi, Mikey.

–Oi... – murmurou ele. Desde a nossa última conversa, ele não tem sentado e nem falado comigo. Mas eu entendo ele, afinal aquela conversa não foi das mais agradáveis e ele deveria estar com um pouco de vergonha.

–Eu... Posso sentar? – perguntou ele, corando.

–Pensei que você se sentaria com seus amigos.

Ele deu de ombros.

–Não estou afim. Posso sentar com você?

–Claro...

Ele puxou uma cadeira e se sentou na minha frente, encarando a comida nojenta.

–Ok, Gerard, já chega. Nós precisamos conversar.

–Precisamos?

–Sim, precisamos. Você sabe o quanto nós nos afastamos durante esses últimos anos. Eu sei o porquê. – disse ele, quando viu que eu abri a boca para justificar – Mas mesmo assim, não foi uma coisa legal e não deveria ter acontecido. Porém, justo no momento em que conseguimos ficar um pouco mais próximos, eu explodi, eu sei. A culpa foi minha, me desculpe.

Eu encarei a parede.

–Não tem problema.

Ele mordeu o lábio inferior e disse, em uma voz fraca:

–Naquele dia... Eu estava chorando... Não é porque eu acho que é culpa minha...

–Não? Então o que era?

–É só que... Eu sinto falta da época em que nós éramos pequenos e... E nós éramos tão próximos...

–Me desculpe, Mikey. Aconteceram muitas coisas na nossa antiga escola... E você sabe disso. Eu sei que eu fui um completo idiota por te ignorar, mas... Eu ainda não sei se estou pronto para voltar a ser tão próximo assim de você.

–Eu não estou pedindo para voltarmos a ser como éramos antes... Eu estou simplesmente pedindo para nos aproximarmos, Gerard. As nossas conversas são as mais patéticas, nós só falamos no caminho de volta para a escola... Quase não nos falamos em casa... E quando nossos pais estão em casa então... Nós mal nos olhamos... – disse ele, com algumas lágrimas retidas nos olhos.

–Tudo bem, Mikey. – abri um leve sorriso e baguncei seus cabelos – Eu vou me esforçar para tentar melhorar isso. Eu juro pra você que nós vamos nos aproximar mais.

Ele me olhou nos olhos.

–Você promete?

Assenti. Ele abriu um meio sorriso, se levantou e me abraçou.

Pela primeira vez em vários anos, eu retribuí o abraço do meu irmão.

POV Frank

–Ow, qual é a da cena melosa que tá acontecendo ali? – perguntou Bob, apontando para a mesa afastada onde o Way e o seu irmão, primo, seja lá o que ele for, estavam sentados.

Sentados o cacete, estavam abraçados, isso sim.

–Sei lá, mano. Vai ver ele é pedófilo, não estou nem aí. – murmurei, mexendo no meu celular.

Bob e Ray arregalaram os olhos e eu levantei a cabeça.

–Oi? Que que foi?

–Credo, Frank!

–Ah, tá bom, eu retiro o que disse. – resmunguei – Então eu sei lá o que aconteceu, por que não vão lá perguntar pra ele?

–Ah é, nós vamos chegar lá e falar: E aí, garoto com o qual não falamos muito, por que vocês dois estão abraçados? – disse Ray, fazendo voz de falsete.

–Então por que vocês dois não... Sei lá... Vão pro inferno?!

–Iiiih, o anão tá irritado por que? – disse Bob, rindo.

–Anão é o caralho. E eu estou irritado por causa de vocês dois aí.

Ray revirou os olhos.

–Ok, ok. A culpa é sempre nossa. – disse ele, rindo.

–Não. A culpa é sempre sua. O Bob normalmente é o santo da história.

–Ah sim... Ei, você me chamou de problemático?

–Se a carapuça serviu...

–Ah, mas escuta aqui, seu baixinho de merda...

–Puta que pariu, vocês dois não conseguem ficar um dia sem brigar?! – disse Bob, apartando a briga – Ainda me pergunto como vocês dois ainda são amigos!

–Eu também me pergunto isso... – respondi.

–Não são os únicos. – resmungou Ray.

–Não acredito que nem vocês sabem. – murmurou Bob – Enfim, será que podemos sair daqui? Esse cheiro de comida do refeitório está me deixando enjoado.

Saímos da sala cheia de gente e fomos para o habitual corredor, onde Ray e Bob se sentaram no chão. Olhei para aquele chão... Duro. E lembrei da minha dor.

Resultado: Fiquei parado.

–Frank? Não vai sentar?

–Ahn... Não. Eu estou... Afim de ficar em pé. – e de evitar dor.

Os dois franziram a testa.

–O que está acontecendo? Você tem agido estranho nesses últimos dias. – disse Ray, visivelmente preocupado.

–Não é nada, é sério. Só esqueçam isso. Eu só estou afim de ficar em pé.

–Ok...

Era óbvio que eles não tinham acreditado em mim, mas eu não podia contar a eles o que realmente tinha acontecido. Pelo menos não por enquanto. Quem sabe em um futuro bem distante, eu poderia me abrir com eles.

E antes que você pense alguma coisa, não, eu não sou um amigo falso. É só que eu não me sinto confortável em contar isso para eles porque, bom, venhamos e convenhamos, nós brincamos e nos xingamos mais do que contamos segredos obscuros uns aos outros. Se bobear, eu nem sei de onde o Bob veio.

E não sei mesmo.

Às vezes eu me pergunto se somos mesmos amigos... Ou somos só conhecidos.

Eu sei que Ray e Bob me apóiam quando eu preciso, e eu agradeço muito a eles por isso, mas... Eu notei que nós nunca sentamos e conversamos, sabe? Como... Como amigos de verdade, daqueles que você sabe que nunca vão te deixar na mão.

Às vezes, parece que somos só colegas que tem o mesmo gosto e, por isso, casualmente conversamos e apoiamos uns aos outros. Mas eu podia sentir que não havia nada que nos unisse, ou seja, qualquer coisa que aparecesse no nosso caminho, provavelmente terminaria com a nossa amizade de uma vez por todas. Nossa relação era tão frágil quanto uma folha de uma árvore. Qualquer vento pode levá-la para longe.

Fui despertado bruscamente de meus devaneios por Ray:

–Frank Iero, acorda, porra!

–Oi? Ah, me desculpe.

–O que é que tá acontecendo, cara?

–Nada, é só que eu fui dormir meio tarde. – MENTIRA, FUI ESTRUPADO POR UM FILHO DA PUTA DROGADO, IMBECIL E RETARDADO QUE EU CONHEÇO FAZ ANOS.

–Tem certeza, Frank? – perguntou Bob.

–Sim. – não.

Ray arqueou as sobrancelhas, mas não comentou mais nada. Bob, porém, lançou-me um olhar desconfiado e disse:

–Frank, se você manter isso tudo para si mesmo, uma hora vai acabar explodindo. Eu não vou insistir no assunto, mas é melhor você começar a pensar nisso. – dito isso, Bob pegou seu iPod e escolheu uma música qualquer, ignorando o mundo.

Suspirei pesadamente e fiz o mesmo. Isso estava me corroendo por dentro, pois, infelizmente, Bob estava certo. Eu não conseguiria manter isso só para mim mesmo para sempre. Eu teria que arranjar alguém para contar isso, afinal, ninguém consegue viver com tantos segredos só para si mesmo durante muito tempo. Provavelmente eu ficaria louco (ou, quem sabe, mais louco do que já sou) e minha mãe me mandaria para um internato bem longe daqui. Quem sabe eu começasse a falar com objetos, como a minha guitarra Pansy.

Hmm... É, seria uma experiência interessante fazer ela ser uma humana...

Ah é, isso é bem possível, Frank Iero!

De qualquer forma, saí novamente dos meus devaneios quando ouvi o sinal tocar.

Foi só aí que eu notei que minhas pernas doíam de tanto ficar em pé.

Voltei lentamente para a sala, sem conversar com Bob ou Ray, simplesmente balançando levemente a cabeça ao som de “Everybody Wants Something From Me”, da banda The Pretty Reckless.

Notas finais
Daqui a quatro dias, o inferno começa: Aulas. Iupi. Isso quer dizer que, provavelmente, os capítulos vão demorar um pouquinho mais pra sair. Mas eu prometo não demorar tanto, ainda mais porque eu não consigo ficar muitos dias sem escrever :s
Bom, é isso. Até o próximo!