My Big Hero
6 Promessa
Notas iniciais
Era mais um dia normal na vida de Hiro. Estava conversando animadamente com o irmão enquanto colocava as ultimas peças no seu “robô de combate”. Tinha falado para Tadashi que aquele robô seria apenas um robô para fazer coisas difíceis no laboratório, evitando que pessoas fizessem tais trabalhos e acabassem se machucando. O que o Hamada mais velho não esperava era que o robô também estivesse nos planos de Hiro para voltar às Robô-Lutas.
Cantarolava animadamente quando ouviu gritos e uma explosão vindos de fora do laboratório de Tadashi. Os irmãos saíram correndo para ver o que era, e se depararam com metade da “Área de Convivência” – onde todos podiam testar seus inventos – pegando fogo. Pelo que parecia, alguma coisa tinha explodido, e agora todos estavam em polvorosa tentando sair do prédio. Tadashi pegou na mão de Hiro e começou a arrastá-lo para fora do lugar, quando ele decidiu voltar ao laboratório para pegar o robô que havia feito e Baymax.
Depois de certa resistência por parte do maior, ele decidiu ceder e ir com Hiro buscar o tal robô, mas assim que entraram no laboratório, ouviram um estrondo, e a porta ser atingida por algo que a fez incendiar. Ao tentar abrir o lugar que já começava a pegar fogo graças à porta que estava em chamas, perceberam que estavam presos ali, sem mais nenhuma opção além de pularem a janela.
– Hiro, você precisa pular, não se preocupe, o Baymax vai te proteger. – Começou Tadashi, com uma urgência na voz que fez Hiro começar a chorar.
– Tadashi... eu... desculpa...
– Não se preocupe, apenas vá. – Continuou o irmão mais velho, antes de chamar o robô-enfermeiro.
– Mas... e você?
– Vou depois, pode deixar.
– Não Tadashi! Não me deixe... Por favor...
Antes que Hiro pudesse dizer mais alguma coisa, Tadashi pegou uma cadeira e jogou na janela, fazendo com que o vidro de espatifasse e uma abertura aparecesse. Hiro agarrou a camisa do mais velho, mas ele apenas sorriu, tirou a mão que o segurava e o empurrou junto com o Baymax, fazendo com que os dois voassem janela afora.
Enquanto caía ouviu som de vozes embaixo dele, e então um estrondo vindo do lugar que tinha acabado de sair. E depois o fogo saindo pela janela.
Mas seu irmão ainda estava lá.
– TADASHI! – O garoto gritou ofegante, sentindo como se os lençóis o sufocassem. – NÃO, TADASHI, NÃO! – Continuou, o desespero tomando conta.
– Hiro, ei, Hiro! – O menor sentiu dois braços envolvendo-o em um abraço protetor. – Calma... Estou aqui... – Uma voz sussurrou, fazendo com que ele acordasse lentamente, tomando consciência de que tudo não passou de um sonho.
– Tadashi... – Hiro começara a chorar, enterrando a cabeça no ombro do maior, que estava sentado na sua cama.
– Tudo bem... Tudo bem... Foi só um pesadelo... – Tadashi o ninava, balançando lentamente, sentindo as lágrimas caírem em sua camisa fina que usava como pijama.
Hiro passou uma perna para o outro lado do corpo de Tadashi, enquanto ele sentava melhor na cama. Abraçou o maior e enterrou o rosto no ombro dele, apertando com força. Sentir seu irmão ali, perto dele, ajudou a acalmar os ânimos.
– Garotos, aconteceu alguma coisa? – Começou tia Cass, na entrada do quarto dos dois.
– Não tia Cass, apenas um pesadelo. – Tadashi passou a mão no cabelo negro do menor em seus braços. – Hiro já tá se acalmando...
– Tudo bem... Leva ele lá embaixo para beber alguma água, leite, algo assim pra se acalmar.
– Está tudo bem. Daqui a pouco a gente vai. Boa noite, pode voltar a dormir.
– Vê se não me matam de susto de novo, por favor. Boa noite.
Depois de alguns minutos após tia Cass voltar para seu quarto, Tadashi finalmente quebrou o silêncio.
– Quer conversar sobre isso? – Começou, voltando a alisar o cabelo de Hiro com uma mão, enquanto o puxava para mais perto com o outro braço.
– Nunca mais faça aquilo. – Murmurou Hiro, ainda com a cabeça apoiada no ombro do maior.
– Sim, eu sei... Não vou te deixar de novo.
– Prometa.
– Prometo. Foi com aquilo que sonhou?
– Sim. Você tentava me salvar e... e... – Os soluços e o choro voltaram com mais força, fazendo o corpo do menor dar solavancos enquanto Tadashi o abraçava mais forte.
– Eu não vou te deixar nunca mais, Hiro. Tudo bem, estarei sempre aqui.
Hiro levantou a cabeça e olhou nos olhos castanhos do irmão que sorria. Naquele momento lembrou-se do dia em que o maior o havia beijado. Ainda sentia seu coração se acelerar com a lembrança daquele dia. Por que ele havia feito aquilo? E por que tinha causado tantas coisas dentro de si? Não conseguia entender mais o que sentia, mas a cada vez que ficava sozinho com o irmão, como naquele momento, sentia vontade de que ele o beijasse novamente. Já fazia uma semana desde o ocorrido, e sempre esperava que Tadashi falasse algo a respeito daquele dia, mas ele parecia simplesmente ignorar e agir como se nada tivesse acontecido.
Como por um impulso, simplesmente envolveu o rosto do irmão com as duas mãos e o beijou. Ao se afastar, percebeu o rosto atônito do maior e estranhou sua reação, achou que ele ficaria feliz, e que sentiria o coração começar a bater cada vez mais forte como ele sentia. O rosto começou a esquentar e já estava começando a se afastar um pouco, quando sentiu que o irmão não havia dado sinais de que o largaria. Ao invés disso, colocou uma mão no rosto do menor e devolveu o beijo de forma cálida e rápida.
– Tadashi... eu... – Começou o mais novo depois de se afastar e apoiar a testa na do irmão.
– Não fale nada, Hiro. Por favor. Precisamos voltar a dormir, temos que ir para a Universidade amanhã.
– Durma comigo, por favor.
– Hiro...
– Ou fique aqui até que eu durma. Por favor.
Tadashi não conseguiria dizer não a um pedido de Hiro, ainda mais feito daquela forma. Fez com que Hiro deitasse e se deitou ao lado do menor, cobrindo-os com o lençol. O menor se aninhou em seu peito, abraçando-o e o usando como travesseiro. O maior sorriu.
Sim, nunca mais sairia do lado de Hiro.
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