My Big Hero
7 Noite
Notas iniciais
Hiro estava ainda enroscado no lençol da cama, como se estivesse em um casulo. Era um sábado, e Tadashi tinha saído para resolver alguma coisa que disse ser segredo, então não poderia contar a Hiro o que era. Pelo sorriso de canto que o maior deu, o mais novo percebeu que ele que queria esconder do que se tratava, mas sabia que de qualquer forma Tadashi contaria a ele, e se não contasse, ele iria descobrir.
Mas o que o incomodava e o mantia embaixo daquele lençol não era o fato do irmão estar escondendo dele algo que provavelmente era besteira, nem o fato de que de repente o tempo resolvera fechar, mas sim tudo que vinha acontecendo desde que o irmão se acidentara. Hiro estava feliz com a volta do irmão, isso era incontestável, mas a cadeia de acontecimentos que se sucederam após a volta dele fazia com que o menor estivesse confuso. Do nada passara a querer sempre estar perto dele, e então Tadashi fica diferente, e depois o beija, e depois ele corresponde, e agora seu coração se acelera e o rosto fica vermelho sempre que se lembra do acontecido. Fazia três dias desde que acordara de um pesadelo e Tadashi o amparara em seus braços, mas ainda assim sempre que estava com a cabeça vazia, as lembranças voltavam, e ele ficava dessa forma.
– Hiro? Algum problema? – Baymax o fez despertar dos seus devaneios.
– Não, Baymax, eu estou bem. – Murmurou o garoto, sem se mexer.
– Você não parece bem, passou a manhã toda enrolado no lençol sem se mexer direito, nem se alimentar. Irei te escanear agora.
– Adianta se eu disser que não?
– Escaneamento concluído. Seus níveis de dopamina, noradrenalina e endorfina estão elevados, consequentemente seus batimentos cardíacos estão mais rápidos do que o normal. Diagnóstico: paixão.
– COMO ASSIM? – Hiro sentou-se na cama mais rápido do que lembrava ser capaz, a frase saindo mais alta do que o garoto esperava.
– Você está apaixonado, Hiro.
– Não pode ser verdade!
– Isso é comum na fase da adolescência. – O robô enfermeiro começou a exibir algumas imagens em sua superfície, mas Hiro não conseguia mais prestar a atenção, sua cabeça estava a mil por hora. – Durante a fase da puberdade é mais comum as pessoas se apaixonarem, já que os hormônios...
Hiro sentiu que sua cabeça fosse explodir, não podia simplesmente ter se apaixonado por... Não, tinha que ter outra explicação.
– Me escaneie de novo, Baymax.
– Acha que meu diagnóstico está errado?
– É a única explicação.
– Deve ser complicado para você aceitar isso, mas tudo indica que você não para de pensar em uma pessoa, então seu cérebro reage dessa forma. Isso é o que acontece quando se está apaixonado. Meu diagnóstico não está errado, Hiro. Posso te escanear mais uma vez, mas dará o mesmo resultado.
– Eu não posso simplesmente...
– Por que não toma um banho frio para se acalmar? Sua respiração está começando a ficar acelerada, Hiro.
O pânico tomou conta do garoto. Tudo fazia sentido agora, mas ele não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Seus pensamentos foram interrompidos pelo som da porta batendo e de passos subindo a escada. Maravilha, era só o que faltava – pensou.
– Iai gênio... – Começou Tadashi, tirando o boné da cabeça e o blazer azul, colocando-os nas costas da cadeira. – O que aconteceu? Você está todo vermelho...
– N-N-Não é n-n-nada...
– O Hiro está apai- Antes que Baymax completasse a frase, Hiro pulou em cima dele, rindo de forma sem graça.
– O Baymax deve está quebrado, e-e-e-eu estou ótimo! Vou tomar um banho!
Tadashi cruzou os braços e levantou uma sobrancelha, enquanto observava o irmão ir em direção ao banheiro.
– Estranho... – Pensou em voz alta.
– A puberdade é uma fase complicada, mas o Hiro ficará bem. – Comentou Baymax.
– Sim... Puberdade...
.
***
.
Hiro passou o dia sem conseguir se concentrar em nada. Tentou ocupar a cabeça de todas as formas que podia, criando pequenas coisas, dando banho em Mochi, mas sempre que ouvia a voz do irmão, seu coração se acelerava. Tadashi conhecia o irmão o suficiente para saber que ele não estava bem como dizia, então decidiu ser direto com ele. Depois de passar quase a tarde toda calado em um canto, montando sabe-se lá o quê, Tadashi se aproximou do irmão.
– Hiro? – Chamou.
– Hm? – Respondeu o menor com uma chave de fenda na boca.
– O que aconteceu?
– Nada.
– E por que você está praticamente me evitando? Foi por causa daquela noite que...
– NÃO! – Falou mais alto que gostaria. – Bem... Não... é que...
– Me desculpe se você não gostou, eu...
– Não é isso. – Respondeu corando e virando o rosto.
– Então o que é?
Hiro sentiu-se aliviado quando a voz da tia Cass os chamou:
– Ei garotos! Hora do jantar!
Tadashi ia responder que desceriam num estante, quando viu Hiro passar por ele rápido e descer as escadas, ignorando a pergunta que o maior tinha feito anteriormente. Seguiu o mais novo em direção à sala, onde tia Cass já colocava a mesa do jantar animadamente. O Hamada mais novo passou todo o jantar tentando ignorar o olhar inquisidor do mais velho, enquanto tentava responder a tia Cass de forma tão animada quanto ela perguntava. Em geral as perguntas eram sobre como estava a Universidade, como ele se sentia lá, e então dizia que estava orgulhosa dos dois.
Antes que o jantar terminasse, Hiro saiu da mesa deixando a comida pela metade, e dizendo que não estava bem, foi para o quarto. A principio Tadashi tentou chamá-lo dizendo que não queria lavar a louça sozinho, mas percebendo que tinha algo de errado, apenas o deixou em paz. Quando finalmente terminou tudo e subiu para o quarto, encontrou o recinto escuro e Hiro embaixo dos lençóis, encolhido. O maior quis chamá-lo, mas talvez estivesse dormindo, então deixou que ele continuasse quieto.
Mas jurou a si mesmo que o garoto não escaparia da próxima vez que ele perguntasse, tinha que descobrir o que acontecia com Hiro.
.
***
.
Hiro estava de volta ao dia em que acordara gritando o nome de Tadashi. Da mesma forma quando seu coração começou a bater acelerado, quando sentiu vontade de beijar o irmão. Estava ali, sentado em seu colo, com os braços do maior envolvendo sua cintura, mas ao contrário do que havia acontecido de verdade, dessa vez quando Tadashi retribuiu, o beijo foi diferente. Não foi simples e cálido, como daquela fez, agora era mais intenso, mais quente, como se Tadashi estivesse mostrando que o desejava. Aos poucos Hiro sentiu algo despertar em si, um desejo que nunca tinha sentido antes, mas que queimava em seu corpo.
De repente, o quarto estava quente demais.
As roupas pararam no chão alguns segundos depois. Tadashi o pressionava na cama, beijando-o intensamente, fazendo com que ele pedisse por ar. Quando finalmente se separaram, o maior sorriu de forma lasciva, antes de morder o lábio inferior do mais novo. De alguma forma ele queria aquilo, principalmente que o irmão o ajudasse com o volume que se mostrava evidente pelo short que usava para dormir. Quando Tadashi finalmente passou a mão pelo volume de Hiro, fazendo-o arquejar, o garoto acordou.
Estava ofegante, assustado, e pior, com uma ereção. Ele não era mais nenhuma criança e sabia muito bem como as pessoas poderiam ter ereções, mas não entendia como ele teve uma ereção sonhando com o irmão. Sentou-se, percebendo que o quarto estava escuro, ninguém veria nem saberia se ele se aliviasse sem fazer barulho... Já tinha abaixado um pouco o short e se coberto com o lençol, quando ouviu uma voz que o fizera tremer.
– Hiro? – Começou Tadashi, ligando o abajur da sua parte do quarto.
– T-Tadashi? – O garoto entrou em pânico, mas sabia que se levantasse, se denunciaria.
– Outro pesadelo?
– Não, tá tudo bem... – O menor tentou rir, mas o riso saiu forçado.
– Hiro, o que está acontecendo? – Perguntou o mais velho, levantando-se e indo em direção à cama de Hiro.
– Não é nada!
– Me responda! – Tadashi segurou o braço do irmão, tirando-o de debaixo do lençol. Foi então que percebeu o volume no lençol do irmão. – Ah... Hiro... eu...
– N-N-Não é nada do que você está pensando!
– Eu não estou pensando nada, Hiro.
– Volte pra sua cama! – Respondeu o menor, quase gritando.
Tadashi sentiu seu rosto começar a corar, ver ser irmão naquele estado, com o rosto completamente vermelho, nervoso e com uma ereção, só fez com que seu coração se acelerasse.
– Você... bem... – Ele passou a mão na nuca – quer... ajuda?
– C-Com...
– Sim...
– Eu posso fazer isso sozinho.
– Mas...
– Eu disse que... – Antes que Hiro continuasse, Tadashi se sentou na cama ao lado dele. Seu rosto compreensivo deveria tê-lo acalmado, mas ao contrário disso, só fazia com que seu coração fosse sair pela boca.
– Tudo bem, Hiro. – Continuou o irmão, passando uma mão no rosto do menor, antes de tirar o lençol de cima dele, mostrando a ereção.
Hiro ainda se mantia imóvel quando Tadashi segurou sua ereção. Fechou os olhos, estava com vergonha demais para encará-lo. Sentiu os movimentos lentamente, ouvindo sua respiração que começava a ficar pesada. No começo estava meio receoso por aceitar aquilo, mas aos poucos foi se soltando, deixando até sair um gemido abafado. Percebeu que seu irmão chegara mais perto, e agora o envolvia com os braços, como se o colocasse no colo, mas não se atrevia a abrir os olhos.
– Não se preocupe, Hiro, apenas não se prenda... – O maior sussurrou em seu ouvido, ouvindo um arquejo como resposta.
O mais novo apoiou a cabeça no ombro de Tadashi, entregando-se ao momento, mordendo os lábios para que não começasse a gemer. Naquele instante percebeu que era diferente de fazer com a própria mão, principalmente porque se tratava de Tadashi. Podia ouvir a respiração do irmão ficar pesada também, antes de sentir um volume entre suas pernas. Ao perceber que o irmão ficara excitado também, e mais, por causa do que estava fazendo com ele, Hiro chegou ao clímax, sujando a mão do maior.
– Tadashi... Eu... desculpa... – Começou, levantando-se de supetão da cama.
– Tudo bem, Hiro. – Tadashi sorriu em resposta, olhar compreensivo.
– Eu também não queria que... bem... você... desculpa. – Continuou, ainda mais assustado que antes.
– Eu estou bem. – Falou o mais velho olhando para a própria ereção. – Bem, vou ficar bem.
Tadashi passou por Hiro e seguiu em direção ao banheiro para lavar a mão, ao voltar, encontro-o no mesmo lugar, ainda pensando no que acabara de acontecer.
– Tadashi...
– Quer falar sobre isso?
– Não... eu... sonhei com...
– Com o quê?
– Nada.
– Nada?
– É. Nada.
– Hiro...
– Pare de perguntar!
– Mas eu estou preoc- Tadashi mal conseguiu colocar a mão na cabeça do menor, sentiu Hiro dar um tapa, afastando-a.
– PARE! Não me toque!
O Hamada mais velho ficou com a mão no lugar, observando atônito a reação de Hiro. Sentiu seu coração apertar, não queria tê-lo assustado...
– Eu não pensei que... Mas tudo bem, Hiro, boa noite.
– Não Tadashi, eu não queria... eu...
Hiro ainda tentou se justificar, lembrou-se da ereção do irmão, mas quando pensou em falar com ele sobre, Tadashi já tinha deitado e se virado para a direção oposta, deixando-o ali, em pé no escuro.
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