Notas iniciais
Acho que esse foi o capítulo que mais demorou a sair, me desculpem por isso xD Tive um concurso no domingo, e minha mente se recusava a pensar em outra coisa, espero que entendam. Ah, responderei a todos os reviews, tenham paciência, por favor.

Hiro tinha acabado de testar pela primeira vez seu robô para o projeto de robótica do semestre, quando Tadashi irrompeu pela porta do laboratório com um sorriso enorme no rosto e uma carta na mão.

– CONSEGUI! – Gritou, fazendo todos os amigos se virarem para ele.

– Passou? – Perguntou Wasabi.

– Sim! Me aceitaram naquela empresa!

– Empresa? Que empresa? – Quis saber Hiro.

– Numa empresa que fui fazer uma entrevista, ela faz robôs para auxiliarem em cirurgias.

– Naquele dia que você saiu e não falou pra onde?

– Sim!

– Por que não me disse antes?

– Era uma surpresa! – Tadashi correu e abraçou o irmão, levantando-o e girando. Só depois de alguns segundos percebeu o que havia feito por impulso e o largou, começando a corar. Sentiu-se grato por ninguém perceber, e logo foi rodeado pelos amigos que lhe deram um abraço coletivo.

– Temos que comemorar! – Disse Wasabi.

– Sim! Em grande estilo! – Completou Fred.

– Acho que posso ligar para tia Cass e perguntar se podemos comemorar lá, se eu contar a ela o motivo, tenho certeza que irá aceitar. – Propôs Tadashi.

Depois disso ele pegou o celular e se afastou, ligando para a tia. Enquanto o Hamada mais velho escutava a tia gritar em seu ouvido, dizendo o quanto estava orgulhosa e que ela mesma arrumaria tudo para eles, Hiro observava um pouco afastado. Desde a noite em que o irmão o tinha tocado, nunca mais falaram sobre o que acontecera, e quando Tadashi chegava muito perto, ele percebia o irmão ficar desconfortável. Talvez não devesse ter falado aquilo, queria se desculpar, mas não fazia ideia de como abordá-lo para falar isso.

Hiro havia gostado daquele momento, era um fato, mas não sabia se devia ter aproveitado tanto daquele jeito. Principalmente depois da constatação de que ele realmente havia se apaixonado pelo próprio irmão, de forma alguma aquilo poderia dar certo. Sentou-se no chão mais uma vez, pegando sua chave de fenda e colocando a ultima peça no robô que vinha projetando, enquanto ouvia Tadashi voltar avisando a todos que a festa seria na lanchonete da tia, dali a duas horas. Só levantou a cabeça novamente ao ouvir o irmão chamá-lo.

– Vamos, Hiro. – O sorriso de Tadashi fez seu coração doer, sabia que ele ainda estava machucado com a forma que o menor havia reagido. – Temos que chegar em casa e ajudar a tia Cass.

– Pode ir na frente. – Respondeu a contragosto.

– Vai ficar aí sozinho?

– Depois eu vou.

– Hiro...

Tadashi observou o irmão fingir que ainda montava o robô que claramente já estava pronto. Talvez Hiro se sentisse desconfortável com ele, mas não podia simplesmente deixá-lo na faculdade e voltar sozinho para casa. Se o menor queria ficar, ficaria com ele.

– Então vou ficar aqui também. Vou adiantar alguns projetos no meu laboratório...

– Mas... Você queria ir para casa.

– Se você vai ficar, ficarei também.

– Não precisa ficar só por minha causa...

– E quem disse que é por sua causa, Cabeção? – Tadashi bagunçou o cabelo do menor.

Antes que Tadashi pudesse voltar ao laboratório, Hiro segurou sua camisa fazendo com que ele parasse.

– Vamos para casa. – Murmurou.

– Você não queria ficar?

– Quero ir com você.

– Mas eu iria ficar.

– Não, você quer ir embora, então eu vou com você.

O Hamada mais velho sorriu, Hiro ainda mantia a cabeça baixa e segurava sua camisa.

– Então vá guardar seu robô, Hiro.

Depois de colocar seu projeto semestral no laboratório que dividia com Tadashi, Hiro o seguiu em direção a sua moto. Passou toda a viagem calado, apenas abraçado à cintura do irmão, que deixou que o silêncio perdurasse até em casa.

Ao chegarem em casa foram recebidos por tia Cass, que os abraçou e disse que era para tomarem um banho e descerem para ajudarem-na a arrumar as coisas para a festinha de comemoração da admissão de Tadashi. O mais velho deixou que o menor fosse na frente, ficando ainda um pouco com a tia discutindo sobre o novo trabalho. Preocupava-se por não poder ficar mais o dia todo com Hiro, mas sabia que seria por uma boa causa, já que ganharia bem e poderia passar ajudar em casa.

Depois de ver o irmão mais novo sair do banheiro com os cabelos ainda molhados, foi a vez de Tadashi ir se arrumar. Passou mais tempo do que gostaria no banheiro, sentindo as gotas do chuveiro caírem em seu cabelo, enquanto pensava que tinha afastado de vez o irmão. Não deveria ter forçado nada, agora Hiro estava confuso, e pior, com receio dele. Queria que as coisas voltassem a ser como era antes, então decidiu continuar fingindo que nada aconteceu, apenas para que o menor esquecesse e não ficassem mais com aquela aura estranha entre eles.

Enquanto Tadashi se martirizava imaginando ter sido um erro avançar em direção ao menor, Hiro pensava em uma forma de se desculpar com o irmão, de dizer pra ele que tinha gostado, mas se sentia confuso por não saber o que sentia. Bem, saber ele sabia, até Baymax já tinha deixado claro que seu corpo demonstrava o que a mente não queria aceitar, que ele estava apaixonado. Agradeceu o fato do robô-enfermeiro estar desligado, ou provavelmente já o teria escaneado e falado aos sete ventos o que o garoto sentia.

Os irmãos ajudaram tia Cass com os doces e salgados que ela preparara para a festa. Mesmo afirmando que estava demais para a quantidade de amigos que tinha, ela insistiu em fazer muito, dizendo que eles poderiam comer bastante sem se importar, já que era um dia especial. Uma hora depois de anoitecer, o grupo chegou sorridente, colocando músicas animadas e bebendo animadamente. Só naquele momento que Hiro se lembrava de que todos seus amigos e até mesmo seu irmão eram maiores e tinha idade para beber, já que sempre o tratavam como se fosse tão velho quanto eles.

Hiro segurava um copo de refrigerante em uma mão e um pastelzinho em outra, quando viu Honey puxar Tadashi pela mão, tentando levá-lo para algum lugar, claramente sem jeito. Seja lá onde a garota quisesse levar o irmão do menor, Hiro não queria vê-la tão próxima assim do mais velho, então fez a primeira coisa que lhe veio à cabeça para chamar a atenção dele. Pegou uma garrafa de alguma bebida alcoólica que nem viu o nome e virou na boca, engasgando com o liquido que saíra. Sentiu sua garganta queimar quando o liquido passou por era, mas pela voz que o chamou, parece que seu objetivo tinha sido alcançado.

– HIRO! – Gritou Tadashi, se soltando da loira e indo em direção ao irmão, que ria começando a ficar bêbado. – Hiro, o que pensa que está fazendo?!

– Bebendo, ora! – O menor riu, o efeito do álcool começando a agir.

– Sim, estou vendo, mas por que bebeu assim? – O rosto do maior era uma mistura de raiva e preocupação.

– Deixa o garoto beber um pouco, Tadashi. – Começou Fred, também bêbado. – Meu primeiro porre foi aos doze anos.

– Mas você não deve ter virado uma garrafa quase toda goela abaixo!

– É, isso é verdade. Mesmo bebendo duas garrafas de vinho dos meus pais, foi aos poucos.

Hiro sentiu sua cabeça girar, nunca tinha bebido nada alcoólico antes, a voz de Tadashi se misturando às demais, e então veio a vontade de vomitar. Ao ver o menor começar a passar mal, Tadashi o pegou nos braços e o levou até o banheiro, onde Hiro colocou tudo que havia bebido e comido para fora. Depois de deixá-lo tomar banho, o mais velho o levou para o quarto, colocando-o na cama. Voltou para onde os amigos estavam, mas não estava mais no pique para continuar a comemorar.

– Acho que já tá na hora de ir. – Propôs Gogo, as bochechas ruborizadas pelo álcool.

– Sim! Tá ficando tarde, passou da meia noite. – Completou Wasabi, agarrado a uma garrafa de cerveja.

–Desculpe pessoal, eu... – Tadashi tentou explicar – Não sei no que deu no Hiro.

– Relaxa! – Respondeu Fred. – Ele só queria beber um pouco.

– Tudo bem, então vamos embora, né gente? – Gogo foi a primeira a sair.

– Fico esperando um taxi com vocês. – Tadashi os seguiu, ficando na porta da frente enquanto esperava que um táxi passasse.

Depois de alguns minutos, o primeiro a conseguir pegar um táxi foi Fred, que disse que ligaria para seu mordomo, mas esquecera tanto o celular em casa, como o numero de lá. Depois dele foi a vez de Wasabi e Gogo, que moravam perto um do outro, então poderiam ir juntos. Após tia Cass já ter ido para o quarto, depois de ser provavelmente a pessoa a ficar mais bêbada da festa, Honey e Tadashi foram os únicos a ficarem ali, esperando um táxi para a garota, que ficava cada vez mais nervosa ao lado do rapaz. Tadashi, por sua vez, pensava apenas se Hiro ficaria bem depois da loucura que fizera.

– Ei, Tadashi? – Chamou a garota.

– Hm? – Respondeu, olhando para os lados à espera de um carro para a loira.

– Sabe... Tem uma coisa pra te contar... – Honey ria enquanto falava, com certeza era um dos efeitos do álcool.

– O quê?

– Eu... Bem... Sou, hm, meio que a fim de você...

– Honey... Eu...

– Eu ia perguntar... Se você queria sair, um dia desses e tudo mais...

– Honey, desculpa... Eu... – Tentou explicar Tadashi, mas viu um táxi começar a se aproximar, então acenou. – Eu...

Antes que completasse a frase, a garota o beijou, rindo depois do ato.

– Me responde depois, seu bobinho.

Tadashi ficou parado vendo a loira entrar no táxi e acenar para ele pela janela do carro.

Pela janela, Hiro observava a cena.

Notas finais
'té o próximo o/ bjs