My Big Hero
5 Pedido
Notas iniciais
A semana passou mais rápido do que eles esperavam. Hiro finalmente tinha aceitado se inscrever na Universidade depois de muita insistência por parte de Tadashi, então passava o dia todo com a cabeça cheia. Finalmente tinha arranjado um meio de colocar todas suas ideias malucas para fora, o que o deixava animado e imperativo. Tadashi o acompanhava e dava dicas, sempre dizendo que nunca suprimisse suas ideias, e que finalmente Hiro estava usando seus projetos para algo que prestasse, e não para as Robô-Luta. Ouvir falar do seu antigo hobbie fez com que o mais novo sentisse falta das antigas lutas, mas estar ao lado de Tadashi parecia mais importante, depois do susto que passou, não queria mais sair de perto dele.
Ficar perto do irmão mais velho passou a fazer Hiro começar a ter sentimentos conflitantes. Ao mesmo tempo em que queria continuar ali, sempre junto dele, Hiro se sentia incomodado com algo. Sempre voltava à sua memória de como Tadashi havia olhado para ele nos últimos dias, e como o irmão mais velho ultimamente evitava ficar muito tempo sozinho com o menor. Também não entendia o motivo, mas sempre que se lembrava do ultimo beijo que o irmão lhe dera – mesmo sendo apenas na bochecha -, seu coração se acelerava.
Tirando isso, a relação permanecia aparentemente normal, com Tadashi apoiando-o em qualquer coisa, rindo, fazendo brincadeiras, e dizendo o quanto se sentia orgulhoso de ver o irmão fazendo progresso. Tudo mudava apenas quando eles estavam sozinhos no quarto e o silencio tomava conta, ai Hiro percebia Tadashi ficar meio distante enquanto o observava, e depois virava o rosto, como se algo o incomodasse. Pensou em perguntar o que se passava com o irmão, mas sabia que ele não responderia facilmente, teria que descobrir de alguma outra forma.
– Ei, garotos! – Começou tia Cass, certo dia na mesa do café da manhã, antes deles irem para a Universidade – Hoje vai acontecer uma chuva de meteoros, vamos ver?
– Claro! Que horas? – Respondeu Tadashi.
– Vai ser lá pra depois da meia noite, mas a gente pode fazer um piquenique enquanto espera! Vou fazer umas rosquinhas e salgadinhos pra levar – Ela parecia mais animada que o normal – Chame seus amigos também!
– Beleza, vou avisar a eles. – Tadashi levantou da mesa depois de tomar o ultimo gole de café. – Vamos Hiro, antes que a gente se atrase. Até mais tarde, tia Cass.
– Hm hm hmm? – Hiro ainda estava mordendo seu ultimo pãozinho. Depois de tirar um pedaço, mastigar e engolir, ele continuou – Agora?
– Sim, ninguém mandou você demorar no banheiro.
– Eu não tenho culpa se você não me acordou cedo!
– Eu comecei a me arrumar depois de você e já estou de saída, sem desculpas, ou vai de ônibus.
– Como se eu quisesse ir de moto com você. – Murmurou Hiro, antes de engolir o resto do suco.
– Beleza então, vou sozinho na minha moto. – Tadashi pegou os dois capacetes, já sabendo qual seria a reação de Hiro.
– Ei, espera! Tadashi! – Hiro pegou a mochila em cima do sofá e correu atrás do irmão, que já estava na porta.
Depois de resmungar algo sobre o irmão ser muito apressado, Hiro finalmente subiu na moto e abraçou o maior por trás, apoiando a cabeça em suas costas. Depois do acidente, o mais novo queria aproveitar qualquer contato com o maior, até mesmo simplesmente se apoiar enquanto estavam na moto. Podia sentir sua respiração, seu cheiro... Apertou ainda mais o abraço.
– Hiro, se você fizer isso minhas costelas vão quebrar de novo. – Disse Tadashi rindo.
– Isso é pra você deixar de ser idiota.
– Sei... Sei...
Chegaram à Universidade sem muitas preocupações. Tadashi passou o dia tentando fazer Hiro não se matar enquanto corria de um lado para o outro com uma chave de fenda na mão, dizendo que finalmente poderiam concluir o projeto que ele havia pensado. Saíram quando Tadashi já tinha tomado um comprimido para dor de cabeça, enquanto Hiro estava com um sorriso de orelha a orelha.
– Ei Tadashi, a gente passa lá na sua casa umas dez horas, beleza? – Gritou Wasabi enquanto Hiro sentava na moto do irmão e o maior a ligava.
– Tudo bem! Levem algumas coisas para beber.
– Pode deixar! – Respondeu Fred.
A noite foi mais corrida do que esperavam. Assim que chegaram, jantaram, depois foram ajudar tia Cass com a cesta de piquenique que levariam para o morro de onde veriam a chuva de meteoros. Os amigos de Tadashi chegaram no horário marcado, e eles seguiram para o local.
Estavam todos entretidos se divertindo, quando Hiro começou:
– Preciso fazer xixi. – Sussurrou para Tadashi.
– Então vá ali, perto daqueles arbustos.
– Eu não vou fazer xixi em um lugar onde possam me ver! Olha a quantidade de gente!
– Ninguém vai olhar pra você, Hiro.
– Claro que vai!
– Tudo bem. – Tadashi suspirou. – Eu vou com você, beleza?
– Ai você vai me ver!
– Então você quer ir sozinho?
– Bem... – Hiro pensou na pergunta, e percebendo o quão escuro estava o lugar, preferiu aceitar a oferta do irmão. – Tá, mas você vai ficar virado pro outro lado.
– Vamos logo cabeção. – O irmão mais velho se levantou e deu a mão para que o menor levantasse. – Tia Cass, vou levar o Hiro ali para fazer xixi. – Avisou Tadashi, recebendo uma cotovelada de Hiro.
– Ei! Não fica falando isso alto! – Repreendeu o menor.
– Vão logo garotos, pode começar a qualquer momento. – Respondeu tia Cass.
– Voltamos logo. – Continuou Tadashi rindo da reação de Hiro.
Hiro andou na frente claramente contrariado com a falta de discrição do irmão, que o seguia com um sorriso no rosto, segurando-se para não soltar uma piadinha.
– Vou fazer xixi naquele arbusto, fique aqui. – Hiro quebrou o silêncio alguns minutos depois, quando chegaram praticamente no topo do morro, em um lugar afastado.
– Não vai ficar com medo do escuro? – Provocou Tadashi, rindo mais uma vez da reação de Hiro.
– Não! Não tenho medo do escuro. – Respondeu o menor virando os olhos e seguindo em direção ao arbusto que indicara.
Do lugar onde estavam, a visão do céu era mais ampla e as estrelas ficavam mais evidentes com a escuridão. Depois de alguns segundos começaram a ouvir as pessoas comemorando e batendo palmas, então perceberam que a chuva de meteoros havia começado. Tadashi olhou para o céu, impressionado pela beleza do fenômeno.
– Parece que vamos ter que ver aqui mesmo. – Começou Hiro, voltando ao lado do irmão.
– Sim. Lindo, não é?
– É. Vai fazer um pedido?
– Um pedido?
– É, um pedido. Dizem que se você fizer um pedido pra uma estrela cadente, ele se realiza.
– É uma chuva de meteoros, Hiro.
– É a mesma coisa, deve funcionar da mesma forma.
– Espero que sim.
Depois de alguns minutos calados, apenas observando o céu, Hiro mais uma vez quebrou o silencio.
– Já pediu?
– Sim.
– O que você pediu?
– Não posso contar.
– Por que não?
– Porque não.
– Deixa de besteira! O que você pediu?
– Uma coisa besta.
– O quê?
– Pra quê quer saber? – Tadashi sorriu – O que você pediu?
– Perguntei primeiro. – Respondeu Hiro cruzando os braços e fazendo uma cara emburrada. – Não vai me contar mesmo, não é? E nem vai me contar porque tem ficado estranho nesses últimos dias, não é?
– Eu fiquei estranho?
– Sim. Fica estranho, como se eu estivesse te incomodando de alguma forma.
– Você nunca me incomoda, Hiro... – Tentou justificar – Eu apenas...
– Então me conte.
– Bem... Eu...
Hiro ainda continuava com os braços cruzados e as bochechas inchadas, em uma pose de birra infantil, quando Tadashi se aproximou dele e segurou seu rosto, fazendo o ar que estava concentrado saísse. O menor percebeu que ele voltou a olhá-lo da mesma forma que olhava quando ficava estranho, quando virava o rosto e ia dormir sem dizer mais nada. Antes que pudesse pensar em algo, o maior se inclinou e o beijou.
O menor não sabia o que fazer, mas podia sentir seu coração bater desesperadamente no peito e seu rosto começar a esquentar. Fechou os olhos e descruzou os braços, sentindo os lábios do irmão nos seus. Seu corpo estava começando a ficar mole quando Tadashi se afastou o suficiente para falar.
– Eu pedi isso. Apenas ficar aqui com você, ao seu lado. Para sempre.
Hiro pensou em responder alguma coisa, mas as palavras não lhe viam à cabeça, ela estava em branco.
– Vamos voltar, tia Cass estava preocupada. – Tadashi começou a andar na frente, com o mesmo sorriso de sempre, como se nada tivesse acontecido. – Se ficar aí parado, vai ficar no escuro, Hiro!
Sem perceber o que o irmão fazia, suas pernas se moveram como se estivessem agindo de forma automática, sem seus comandos.
Queria ter respondido que aquele era o desejo não apenas de Tadashi, mas dele também.
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