Notas iniciais
Aos lindos que acompanham e comentam essa fic, amo vocês

Dois meses se passaram até que Tadashi pudesse ir para casa. Nesse ínterim, Hiro se recusava terminantemente a ir para casa. Mesmo ouvindo sua tia quase surtar sempre que ele insistia em passar a noite com o Tadashi, ou seu irmão passar o dia tentando convencê-lo de dormir um pouco na própria cama, ele preferia ficar ali, sentado na cadeira, falando sobre como ele pensava em fazer seu próximo robô para a Robô-Luta. Claro que Tadashi só faltava arrancar os próprios cabelos ao ver que Hiro ainda pensava em frequentar aquele lugar, mas pelo menos ele agora estava ali, ao seu lado, longe de problema.

Quando finalmente recebeu alta, sua tia veio buscá-lo, e ele mal podia esperar para finalmente voltar para casa. Sua casa, seu quarto que dividia com Hiro, finalmente dormir na própria cama e descansar. Sabia que não apenas ele aproveitaria disso, já que Hiro não tinha dormido direito desde que soube que Tadashi estava internado, então assim que chegaram em casa, Hiro simplesmente deitou na cama ainda com as roupas que usava e dormiu.

Tadashi sorriu, ver o irmão com um sorriso no rosto ao vê-lo voltando para casa o acalmou. Assim que conseguiu sentar sentindo suas costas ainda doerem um pouco, resmungou dizendo que estava ficando velho e por isso todo o corpo doía. Baymax inflou e saiu da sua forma compacta, fazendo o mais velho lembrar que ele era ativado por interjeições de dor. Após dizer que precisava apenas de um remédio para dor no corpo e logo ficaria bem, Tadashi resolveu tomar um banho antes de dormir, mesmo que estivesse tão cansado quanto Hiro, que agora dormia sem se preocupar se estava todo sujo, e ainda com os sapatos.

Depois de tirar a maioria dos curativos e a tala que usava para não movimentar o tórax enquanto suas costelas não se recuperavam totalmente, o irmão mais velho tirou a própria roupa e entrou embaixo do chuveiro, sentindo a água quente percorrer seu corpo. Precisava colocar os pensamentos em ordem, as coisas não estavam como imaginava. Depois de passar pela sensação de quase morte, agora ele se sentia mais apegado ao irmão, principalmente depois dos últimos dias em que o tinha sempre por perto. Queria protegê-lo, cuidar dele, ser tudo para ele, mas a preocupação começou a tomar conta quando percebeu seu coração se acelerar sempre que ele sorria ou dizia algo que pudesse ser interpretado com segundas intenções. Claro que o menor não fazia isso propositalmente, mas as palavras dele atingiam Tadashi de uma forma estranha.

A situação tinha se complicado em uma noite, quando acordou depois de um sonho que teve onde ele beijava o irmão, ouvindo-o dizer que sentia a mesma coisa. Depois disso as coisas esquentavam e eles eram interrompidos por tia Cass, flagrando-os seminus. Sentiu-se grato a tia Cass por ter conseguido arrastar o Hiro até em casa naquele dia, porque acordara ofegante e com uma ereção. Desde então sempre se imaginava tocando Hiro de forma afetiva, mas não com a afetividade de irmãos.

Terminou o banho tentando esquecer tudo, aquilo devia ser alguma loucura depois de tudo que passara, e logo ele melhoraria, afinal eram apenas irmãos, não tinha como ter uma relação diferente disso. Estava saindo do banheiro enrolado em uma toalha, quando viu Hiro acordar. Mesmo que tenha dormido por pouco tempo, já estava com o rosto amassado e um filete de baba, que ele limpou passando a manga da camisa.

– Tadashi! Você não pode ficar tomando banho sozinho! E se suas costelas partirem de novo? Vamos, tem que colocar a tala de novo. – Começou o mais novo, correndo em direção ao irmão.

– Já estou melhor, Hiro. O médico só me disse pra continuar com essa tala só para ter certeza, semana que vem já posso tirar.

– Mas até lá, você vai usar! – O menor murmurou algo sobre Tadashi ser mais teimoso que ele, e chamou Baymax para ajudar a fazer os novos curativos.

Tinha terminado de colocar os curativos no rosto do irmão – que estava sentado na cama, sorrindo ao ver o rosto determinado do menor – e já ia passar a dar atenção ao resto do corpo, mas sentiu um arrepio vendo as marcas de queimadura.

– Elas doem? – Hiro passou o dedo por uma delas, percebendo que Tadashi havia se arrepiado com o toque.

– Não muito, agora são só cascões, então não doem mais como antes.

– Antes doíam?

– Sim, mas já passou.

– Por que você não me falava que doía?

– Porque você não precisa ficar se preocupando com isso, Hiro.

– Numa escala de um a dez, qual seu nível de dor? – Baymax os interrompeu, fazendo com que sua barriga se iluminasse e uma imagem com dez carinhas aparecessem.

– Acho que dois, Baymax. – Tadashi sorriu. – Mas graças ao remédio que me deu, já está passando. Obrigado.

– Fico feliz em ser útil, Tadashi.

Hiro observava o irmão sorrir e percebeu que nesses últimos dois meses ele apenas falava sem parar e nem perguntava se Tadashi estava bem ou sentia alguma dor. Sentiu o coração apertar com a constatação, ele deveria ser o pior irmão que alguém poderia ter. Abraçou o irmão por trás, escondendo o rosto em suas costas.

– Me desculpe, Tadashi... – Falou, mais baixo do que gostaria.

– Pelo quê, Hiro?

– Por ser um irmão tão ruim... Por nunca perceber que estava doendo... – Algumas gotas começaram a cair nas costas do mais velho, indicando que o menor estava chorando.

– Ei, você não é um irmão ruim! – Tadashi colocou a mão para trás e fez um cafuné na cabeça do irmão. – Vem aqui.

Hiro obedeceu Tadashi e se posicionou na frente dele, ficando os dois quase na mesma altura.

– Nunca mais fale isso, você é um ótimo irmão. – Começou Tadashi, apoiando as mãos no rosto pequeno e passando os polegares para limpar as lágrimas que caiam.

– Você é um irmão melhor que eu. – Resmungou o mais novo.

– Claro! Eu sou o mais velho! – A risada de Tadashi fez Hiro sorrir.

– M-Mas não fique se achando! N-Nerd idiota!

Tadashi ainda ria, principalmente com o rosto vermelho do irmão, quando as lembranças dos sonhos voltaram, fazendo com que parasse na hora. Quando menos percebeu estava observando os pequenos e entreabertos lábios de Hiro, mostrando a pequena falha entre os dentes. Passou o polegar direito neles, sentindo a maciez e imaginando como seria beijá-los... O som dos passos na escada o fez despertar de um tipo de transe.

– Tadashi, seus amigos chegaram, estão lá embaixo. – Começou tia Cass, até perceber o estado do sobrinho mais velho. – EI! Saia de cima da cama com essa toalha! Vá se vestir logo. Meu Deus, ainda vou ter um troço com vocês dois.

– Já estou indo, tia Cass.- Respondeu Tadashi se afastando e virando o rosto que começava a ficar ruborizado.

Como que pude pensar naquilo? Onde eu estava com a cabeça? – Pensou Tadashi– Não Hiro, não é você o irmão ruim... sou eu.

Notas finais
eta. eta. eta. eta ok, respirem e não venham me ameaçar pedindo logo um lemon bjs