Notas iniciais
Antes de mais nada, perdoem qualquer erro de concordância, descrição, ortografia e afins. Passei a madrugada escrevendo e estou (morrendo) com sono. Quando eu acordar, faço os reparos. Boa leitura

Hiro observou o irmão sair do quarto a passos lentos. Talvez ainda estivesse com as pernas doendo, ou quem sabe o tempo deitado e sentado no hospital fez com que ele andasse com dificuldade. Mas o que fazia com que Hiro ainda ficasse parado no lugar, observando-o descer os degraus e ir em direção a seus amigos, foi a ação de Tadashi há alguns minutos. A forma como ele o olhou, como tocou seus lábios, como de repente parou de rir e o encarou de forma anormal... Lembrar daquilo fez com que ele desejasse saber o que o irmão tinha pensado naquele momento. De alguma forma ele percebeu que algo não estava no lugar, mas sabia que não podia chegar e simplesmente perguntar o que tinha acontecido.

O menor passou o próprio dedo nos lábios, como se imitasse o que Tadashi tinha feito anteriormente, antes de segui-lo escada abaixo. Sentiu algo esquentar em seu coração e ele se acelerar, nunca tinha o visto agir assim antes. Seus pensamentos foram interrompidos pelas vozes que falavam sem parar na sala.

– Tadashi, você está péssimo. Totalmente quebrado, meu Deus. – Começou Gogo, observando-o de cima a baixo.

– É, realmente – Tadashi sorriu. – Não estou nos meus melhores dias.

– Mas você vai melhorar! Vai renascer como uma fênix! – Respondeu Fred, fazendo um movimento com um braço imitando uma ave levantando voo.

– Achamos que você... que você... – Honey parecia inconsolável. Antes de completar a frase, ela correu e o abraçou, começando a chorar. – Achamos que você tinha morrido, Tadashi.

– Tudo bem... Eu sei... – Tadashi passou um braço na cintura da garota retribuindo o abraço, além de começar a passar a mão no cabelo dela, reconfortando-a.

– Não nos dê mais esse susto cara, quer que a gente morra do coração? – Disse Wasabi, colocando uma mão no ombro de Tadashi, antes de puxá-lo para um abraço.

Logo todo o grupo do rapaz estava abraçando-o, em um gesto coletivo. Hiro observava de longe, ainda no ultimo degrau da escada. Por algum motivo ele se sentiu estranho quando, depois que todos já tinham se afastado um pouco, Honey continuou agarrada ao pescoço do Hamada mais velho, que sorria. O jeito como retribuía o abraço, como alisava o cabelo dela, não queria continuar a ver aquela cena.

– Sim, esse nerd sobreviveu, podem parar de chorar agora. – Começou Hiro, claramente irritado.

– Ah, oi Hiro! – Honey finalmente largou o irmão do menor e o olhou, enxugando as lágrimas. – Você deve está bem melhor com seu irmão agora em casa, não é?

– Sim, mesmo sabendo que agora não poderei ir mais para as Robô-Lutas em paz.

Todos na sala riram com a resposta do garoto, antes do irmão mais velho se aproximar.

– O que aconteceu, Hiro? Parece chateado com algo. – Começou, colocando a mão na cabeça do menor.

– Não estou chateado com nada! Apenas... Estou com fome, vou comer alguma coisa.

O garoto se desvencilhou da mão de Tadashi e seguiu em direção à cozinha, sem ao menos entender o que tinha acabado de fazer. Não queria ver mais ninguém agarrando o Tadashi, mas não poderia ficar agindo de forma malcriada. Pegou um sanduiche e voltou para ver o encontro dos amigos. Nem parecia que há alguns dias eles estavam de luto chorando a morte de Tadashi, agora conversavam animadamente sobre como estavam seus futuros projetos.

– Não vejo a hora de voltar à Universidade e colocar em pratica as coisas em que venho pensando... – Tadashi parecia sonhador falando isso.

– Se você estiver se sentindo melhor, a gente pode te levar lá. –Sugeriu Wasabi.

– Sim, sim! Podemos mostrar nossos projetos também! – Honey estava animada ao lado de Tadashi.

– Ficaria feliz em ir! – o Hamada mais velho abriu um sorriso. – Hiro, vem com gente?

– Não, podem ir se divertir na sua Universidade para nerds.

– Não seja assim, Hiro. Vamos, da ultima vez você disse que ia se inscrever.

– Não quero mais.

– Aconteceu alguma coisa?

– Não.

– Hiro...

– Tá, vou com vocês. Só hoje.

– Beleza! Espero que dê todo mundo no carro! – Continuou Wasabi indo em direção à saída, sendo seguido pelo grupo.

Milagrosamente todos couberam no carro, mesmo que Gogo tenha ido sentada no colo de Honey, e Hiro quase indo parar no de Fred. Wasabi dirigia com Tadashi ao seu lado, e logo chegaram ao destino sem preocupações.

Passaram o dia vendo os novos projetos dos amigos. Tadashi ainda chegou a ir a sua sala, mas por enquanto não queria começar nada até poder se movimentar sem a tala, nunca se sabe quando alguma coisa pode vir voando e te atingir entre as costelas, então era melhor prevenir. Hiro ainda se sentia incomodado com o fato do irmão estar dando mais atenção aos amigos que pra ele, mesmo que Tadashi sempre voltasse para encontrar o irmão admirando algum robô ou invenção nova.

Ao final do dia, chegaram em casa cansados, e o menor com um humor totalmente azedo.

– Aconteceu alguma coisa, Hiro? Você me pareceu meio... irritado.

– Não aconteceu nada.

– Tem certeza?

–Tenho.

– E por que essa cara emburrada?

– Não estou emburrado nada.

– Está sim. – Continuou Tadashi, apertando as bochechas do menor. – Não gostou de passar o dia com a gente?

– Gostei.

–Então por que ficou emburrado desde que eles chegaram? – Tadashi riu. – Ou então está com ciúmes? Me queria só pra você?

O irmão mais velho ainda apertava as bochechas do menor e ria, quando percebeu que Hiro tinha virado o rosto e corado.

– Hiro... não me diga que você... está com ciúmes do seu irmão? – Tadashi fez menção de carregá-lo para colocar nas costas, mas no meio do caminho lembrou que não conseguiria.

– Ei Tadashi! Pare com isso! Quer que seus ferimentos sarem nunca? – Hiro o repreendeu. – E e-eu não teria ciúmes de você! Por que eu teria ciúmes de você?

– Sim, por que você teria? – Tadashi se aproximou, abraçando-o e olhando em seus olhos. Antes que pudesse evitar, ele apenas se inclinou e beijou a bochecha de Hiro lentamente, demorando em se afastar. – Pare de pensar besteira, cabeção. – Continuou, pegando o boné que tinha esquecido em casa e colocando na cabeça do menor.

Depois disso se afastou, observando o irmão ainda olhando-o atônito. Não esperava essa reação do menor, então virou o rosto e seguiu para o banheiro para tomar banho, enquanto ouvia tia Cass gritar que o jantar ficaria pronto e que eles deveriam se trocar logo.

Naquele momento, por alguma razão, o coração dos irmãos pareciam bater em sintonia. Mais rápidos que nunca.

Notas finais
Não vai ser tão fácil assim, my friends ;)