Music In My Heart

5 Capitulo 5 - The Ugly Truth


Notas iniciais
Eu sei, eu sei, que demorei muito tempo a atualizar. De facto, estava indecisa se devia continuar a escrever, mas acontece que gosto demasiado desta fic para a largar. Depois, olhei para as recomendações e para as favoritações e decidi que não podia simplesmente a abandonar. E por tocar neste assunto, queria agradecer a lucas set67 pela recomendação, fiquei felicíssima quando a recebi, e este capitulo é para ti :) também o dedico à Elane Chagas e à Devoradora de Livros por favoritarem, obrigada lindas s2

Sabe aquele momento em que pensas que conheces uma pessoa melhor que a si próprio, mas esta revela-se alguém totalmente diferente? Foi exatamente assim que me senti quando Annabeth começou a gritar que nem uma louca por nenhuma razão aparente. E eu a pensar que ela era a mais racional e assertiva das duas.

Mas deixe-me recapitular.

Eu sofro de hiperatividade e tenho problemas de défice de atenção. Com o tempo, eles atenuaram-se e já não são tão maus como quando era pequena mas, ainda assim, não consigo ficar parada por muito tempo. Com exceção de quando é para dormir ou comer, claro.

De qualquer modo, sai do carro, espreguicei-me, e sentei-me sobre o capo vermelho do Mini Cooper, enquanto Annabeth vasculhava algo debaixo do banco de passageiro. Pôs-me a cruzar e descruzar os tornozelos, ouvindo o ronronar potente de um carro. Não dei importância. Digo, a rua era pública, e, supostamente, construída com o propósito de circularem veículos.

Grande erro. Só levantei os olhos das sandálias quando o ruído tornou-se forte demais para ignorar. Um Mercedes negro estava a vir demasiado rápido na minha direção e bloqueei completamente. Não houve instinto protetor, um salto em câmara lenta para fora do caminho como nos filmes, nada. Só o coração a bater tão rápido que podia ouvir o bombear do sangue nos ouvidos.

Fechei as pálpebras com força esperando o impacto que nunca veio. Ouvi o chiar dos travões e o cheiro de pneus queimados invadiu-me o nariz. E sabes o que é mais impressionante? Eu não gritei. Annabeth também não o fez.

Mas no momento em que um rapaz especialmente bem-parecido, de olhos azuis travessos e nariz fino saiu do lado do condutor, ela começou a berrar como se a sua vida dependesse disso. E, um segundo mais tarde, quando Percy saiu do lado de passageiro, sentou-se no chão e começou a chorar descontroladamente.

Olhei-a estupefacta, e ajoelhei-me ao seu lado.

– Shhh, calma, vai ficar tudo bem – disse, dando-lhe palmadinhas nas costas. Olhei para os rapazes em auxílio. As pupilas de Percy estavam descomunalmente grandes e ele parecia tão agoniado e sem ideia do que fazer quanto eu. Já o seu amigo, que ainda não tivera oportunidade de descobrir o nome, suspirava, com um olhar resignado no rosto. Sentou-se do outro lado de Annabeth, começando a esfregar as suas costas, num gesto semelhante ao meu.

Eu não esperava, de modo algum, que Annie se atirasse subitamente ao rapaz, que não pareceu nem um pouco surpreendido. Ele começou a fazer sons idênticos aos usados para acalmar crianças, enquanto a apertava contra si.

– Certo, o que é que se passa aqui? – interroguei, sentindo-me uma idiota completa.

– Eu sou o Connor Stoll, e ele é o Percy Jackson. – afirmou, como se isso explicasse tudo. Annie, que parecia consideravelmente mais calma, acenou energeticamente com a cabeça, de modo a demonstrar que concordava com o que ele dizia.

– Ou vocês são todos loucos, ou eu sou a única pessoa sã. – murmurei, forçando um sorriso. – Sabes que isso não explica merda nenhuma, não sabes?

Ele começou a rir, fazendo os meus instintos mais primitivos e assassinos começaram a se manifestar. Respirei fundo diversas vezes para tentar me acalmar.

– Isso pode ser um choque para ti mas…

– Mas nós pertencemos a uma banda mundialmente famosa. – cortou-lhe Percy, manifestando-se pela primeira vez. Olhei dele para Connor, e depois para Annabeth, repetindo este movimento inúmeras vezes.

– Isso é alguma brincadeira? – exigi, com o sobrolho franzido.

Annie, que ainda estava no chão, abanou a cabeça, e abriu a boca para falar algo, mas impedia-a com a mão. Sentei-me uma vez mais sobre o capo, e abri e fechei a boca várias vezes incapaz de reproduzir qualquer som. Ri, por fim.

– E qual seria o nome da banda mesmo? Os Cinquenta Estarolas? – questionei, em tom de deboche. Era uma excelente partida, tinha de admitir, só restava saber de onde se conheciam todos.

Percy e o Connor olharam-se.

– Apesar de ser um nome ótimo, somos mais conhecidos por ‘The Necklace’.

Fixei o olhar em Percy. Eu agora quase que os conseguia reconhecer. Annabeth simplesmente amava eles, e embora não explicasse o seu comportamento demente, estava muito perto.

– Porque não me contaste? – pedi, num fiapo de voz.

– Oh, eu gosto do anonimato, acho. – confessou, encolhendo os ombros. – Vamos?

Decididamente, eles eram todos loucos.

– Vamos? – repeti – Vamos? O que te faz pensar que vou contigo para onde for? Eu também gosto do anonimato!

Ele revirou os olhos nas órbitas.

– Atitudes desesperadas merecem medidas desesperadas. – comentou, piscando-me o olho — Como te chamas querida? – continuou, embora desta vez já não se dirigisse a mim. Ele fixava Annabeth intensamente com um sorriso torto nos lábios.

– A-a-nna-beth Cha-Chase. – respondeu, a gaguejar.

Cruzei os braços irritada. Annie não gagueja. Annie sabe as regras de uma construção frásica. Annie definitivamente sabe falar.

– Então Annabeth, não queres passar o dia connosco? – perguntou-lhe, com ar inocente.

Ela alternou o olhar entre os dois rapazes antes de gritar uma afirmação, e enlaçar Connor novamente num abraço.

– Não, não, não, não. – gemi – Nós vamos ao Empire State Building lembras-te? Para poderes admirar a arquitetura e eu comprar uma lembrança. Lembras-te?

– Podemos lá ir noutro dia, Thals – declarou, com ar sonhador.

– Sim Thals, podem lá ir noutro dia – repetiu Percy com um sorriso presunçoso, enquanto segurava a porta do Mercedes aberta. Senti uma vontade súbita de arrancar os seus dentes brancos um por um, e entrei no carro emburrada, sendo logo seguida por Annabeth.

Ao longo do caminho, não consegui evitar olhar para Connor. Eu sabia que nunca o havia conhecido antes, mas a estranha certeza que já o vira em algum lugar mantinha-se. Considerando que ele era uma celebridade não era algo assim tão estranho, mas com um ‘baque’ apercebi-me que ele, o Connor Stoll de uma maldita banda de pop, havia sido o homem das entregas mais cedo nesta manhã.

– Espera, foste tu que me foste entregar o presente do Percy hoje? – exclamei, apontando para ele.

– Menina esperta – comentou para Percy, ignorando a minha presença. Depois, olhou-me através do retrovisor e disse:

– É claro. Tinha curiosidade em conhecer essa menina que ele tanto falava. De inicio, não compreendia porque ele estava tão obcecado, mas assim que te conheci… Deus, és mais linda do que ele havia descrito.

Percy suspirou.

– E não me estás a embaraçar nem um pouco companheiro – disse ele, por baixo da respiração.

A verdade era que embaraçado ou não, nada se comparava ao que eu sentia no momento: eu não fazia ideia de quem eles eram, estava a ser bombardeada com elogios à minha beleza, e foi-me tirado um dia das férias, a qual o objetivo principal era esquecer um rapaz e não conhecer mais. Decidi por isso, manter-me quieta e calada o resto da viagem, ou o meu próximo destino seria a primeira página das revistas cor-de-rosa, como a assassina de uma das maiores bandas da atualidade.

Notas finais
Por favor, comentem o que acharam, se amaram, se odiaram, se devo desistir ou continuar. Agredeço recomendações e favoritações, eles são perfeitos :3