Music In My Heart
9 Capítulo 9 - About Princesses and Fairy Tales
Notas iniciais
Oscilei o olhar entre o espelho de corpo inteiro e a cama diversas vezes, mordendo o lábio. Voltei a fixar-me no espelho e prendi o cabelo num rabo-de-cavalo alto.
Não, convenci-me, eu não usaria. O que pensariam de mim? Era melhor deixá-lo em casa. Certo?
— Eu usava — comentou Annabeth, dando de ombros. Caminhou calmamente até mim, um sorriso largo a enfeitar-lhe o rosto. Embora ela já fosse mais alta do que eu uns bons 10 centímetros, os saltos altos davam-lhe uma vantagem ainda maior sobre mim. Vi-a piscar um olho através do espelho antes de aplicar rímel.
Suspirei, voltando o olhar para a cama. Em cima da colcha branca, o camiseiro xadrez vermelho e preto de Percy estava perfeitamente esticado à espera que eu decidisse colocá-lo. Ou não.
— Que se foda — murmurei, fazendo as mangas demasiado compridas deslizar pelos braços. Puxei o tecido em direção ao rosto e inalei suavemente. O seu cheiro, masculino e rico e incrivelmente cheiroso, continuava ali impregnado embora um tanto mais ténue. Inspirei uma vez mais, sentindo-me tonta. Era um cheiro tão bom, tão… Percy.
Corei quando me dei conta do que tinha feito e deixei o camiseiro cair tapando os calções curtos negros. Desviei o olhar para Annabeth que dava os últimos retoques na maquilhagem.
— Batom vermelho? — perguntou-me, balançando o dito cujo à frente do rosto. Suspirei aliviada.
— É claro. — disse, pegando-o da sua mão.
Passei a cor escarlate nos lábios e pressionei um contra o outro, de modo a homogeneizar a cor. Sorri satisfeita com o resultado.
Annabeth passou o braço esquerdo sobre os meus ombros, observando o nosso reflexo no espelho animada.
Dizer que ela estava linda era um eufemismo: tinha os cachos a caírem soltos e perfeitos pelas costas e usava uma saia justa que lhe marcava as curvas. A maquilhagem estava impecável e possuía um sorriso resplandecente que, temi, fosse capaz de me cegar.
— Thalia, tu estás… deslumbrante. Se não fosse heterossexual e se tu não fosses uma cabra psicótica juro que te pegava.
Ri sarcasticamente.
— E a novidade é…?
Ela revirou os olhos nas órbitas com um sorriso a enfeitar-lhe os lábios para depois desviar o olhar para a janela posicionada entre as duas camas, as luzes dos edifícios de uma floresta de cimento iluminado a noite quente.
— Eles estão a chegar. Talvez seja melhor descer-mos?
Annabeth acenou ansiosamente com a cabeça, concordando.
— Não queres usar uns saltos? — indagou, franzindo um sobrancelha fina. Encarei os meus All Star negros fazendo beicinho.
— Nem pensar! Vou para a selva mas vou confortável.
— O que isso significa?
— Eu não sei. Apenas que não vou passar uma noite inteirinha de saltos — respondi, indiferente. Levantei um pouco a cabeça para encontrar os seus olhos e suspirei com força, insatisfeita com a nossa óbvia diferença de alturas. — Muito embora pareça uma anã ao teu lado.
Annabeth gargalhou.
— Thalia, a Anã. — experimentou, num tom dramático — Cá a mim, soa-me bem.
— Annabeth, a Gigante — revidei sorrindo inocentemente. — A mim, parece-me esplêndido.
Enquanto esperava que ela falasse algo, o meu celular vibrou. O nome de Percy apareceu no ecrã parcialmente rachado do Nokia, contudo Annie arrancou-me o aparelho da mão antes que tivesse tempo de ler a mensagem. Vi os seus olhos gulosos passarem pela tela de novo e de novo, com um sorriso presunçoso nos lábios vermelhos.
— Eles já estão lá em baixo à nossa espera — revelou ela por fim.
Permaneci em silêncio todo o caminho até ao elevador, apertando a alça da minha bolsa e pensando na mensagem de Percy, em que ele utilizara insistentemente, embora já tivesse pedido que não o fizesse, o apelido princesa.
Como que adivinhando a minha linha de pensamentos, Annabeth perguntou:
— Então tu e o Percy trocam mensagens agora? É interessante o modo de como passas de evitá-lo constantemente para comunicação 24 horas por dia. — se não a conhecesse, pensaria que estava a ser rude. Mas, na verdade, a minha melhor amiga era simplesmente possuidora de uma curiosidade que, mesmo que tentasse, nunca era saciada.
Passei a mão pela testa numa espécie de reflexo, esperando afastar o cabelo do rosto, esquecendo que este estava preso num rabo-de-cavalo. Sempre que tinha muita gente em meu redor ou me sentisse minimamente embaraçada, costumava ter esta reação. No inicio não gostava de admitir, mas na realidade era para tentar me esconder dos olhares alheios. Não que resultasse.
— Estamos no século XXI, Annie. É mais ultrajante não enviar SMS do que o contrário — justifiquei-me, rezando para que ela não falasse do nome carinhoso que Percy tratava-me por. Princesa. Unf, que ridículo. Eu não era nenhuma princesa. Na realidade, a minha vida era tudo menos um conto de fadas. Tipo, é que nem vale a pena enumerar as razões as quais eu simplesmente não o sou. Sim bem, talvez eu pareça um pouquinho com a Branca de Neve com os (passando imediatamente a citar uma frase do livro desta mesma história) ‘’…cabelos escuros como a noite…’’ e a pele pálida que me dá um ar que vivo na Sibéria e, olha a ironia, olhos azuis gélidos. Contudo, lamento desapontar, não tenho pais monarcas ou uma madrasta má obcecada com a própria beleza e que levou o conceito de se tornar eternamente jovem a novos limites. É triste ela não ter vivido para conhecer os milagres que os cosméticos fazem. Ok, afinal sempre apresentei os meus argumentos do porquê eu não pertencer à realeza. Deixem-me então acrescentar rapidamente que o meu príncipe encantado fugiu e o mais próximo que estive de um castelo foi numa viagem de 3 dias à Espanha.
— É, tens razão. Mas ele é tipo, famoso e gostoso e perfeito. Quão normal é trocar SMS nessas circunstâncias?
— Uhm, é uma bênção? — tentei incerta.
Annabeth acenou afirmativamente com a cabeça, subitamente muito séria.
— Ainda bem que finalmente o percebeste. — murmurou, empurrando as portadas de vidro que davam para o exterior do edifício. Ao invés da filha do capeta segurá-las para mim, passou reta por elas e deixou-as cair na minha direção, o que com certeza me teria partido o nariz caso não tivesse antecipado o movimento um segundo antes.
Correu para a van, mesmo estando montada em saltos. Um vidro escuro desceu revelando uma Silena sorridente do outro lado, tamborilando as unhas perfeitas contra o tablier num claro gesto de impaciência.
Mesmo assim, continuei naquele passo molengo, vagaroso. Assim que fechei a porta pesada, o veículo deu partida. Começaram vários cumprimentos e conversas altas, nitidamente pouco preocupados com o reduzido espaço lá dentro.
— Olá — sussurraram-me à orelha. Senti um tremor percorrer-me o corpo que só aquela voz aveludada era capaz de causar e imediatamente sorri.
— Olá — murmurei de volta. Pelo canto do olho fui capaz de distinguir os seus cabelos pretos rebeldes e o sorriso quase perfeito. Ao seu lado, um rapaz mexeu-se fazendo os cabelos também escuros caírem-lhe sobre os olhos. Aquele seria… Nico?
Congelei no banco, subitamente consciente de que queria deixar uma boa impressão. Não nele especificamente todavia, partindo do principio que ela era Nico e sabendo que ele e Percy eram próximos, não queria dar-lhe motivos de se ir queixar de mim. De dizer que eu era uma punk revoltada com a vida ou pior: convence-lo que não era uma princesa.
Senti o sangue escorrer-me da cara até aos confins do meu corpo quando me apercebi dos meus pensamentos. Hospital, eu preciso de ir lá marcar uma consulta em psiquiatria com muita urgência. Talvez o meu caso seja grave o suficiente para me internarem num hospício.
The Half-Blood Hill é uma boate no centro de Mahnattan. Nas paredes revestidas de pedra uma figura mitológica grega que, ou me falhava a memória, era Medusa, sai em três dimensões ameaçando os seus hóspedes assustadoramente. Não era um lugar convidativo e certamente não seria a minha primeira escolha para passar a madrugada, mas o lugar tinha algo de… atraente e estranhamente exclusivo. Atrás da corda de veludo vermelha, uma longa fila esperava indicações dos dois grandes homens que pareciam rivalizar com Beckendorf em termos de estatura para que pudessem entrar. Espreitei o fim daquela linha humana, mesmo a tempo de ver um cara tirar um macaco do nariz. Nojento.
De qualquer modo, não é como se eu pudesse me queixar. Não quando a ideia tinha sido minha. Logo a seguir ao meu lanche de tarte e bolachas com Annabeth, tomei vergonha na cara e liguei para Percy. No inicio ele estava um pouco relutante, ainda preocupado com o meu estado de saúde mas não tive coragem de admitir que na verdade nunca estive minimamente doente e que não havia resquícios da família Grace em Nova Iorque. Convenci-o que foi só uma dor de cabeça e que nunca me sentira melhor. Foi aí que o batalhão de famosos se juntou à festa e viemos todos aqui parar, prontos para uma noitada na cidade das luzes.
Resignada, lancei mais um olhar para o homem que tirava macacos. Ia começar a caminhar para o fim da fila quando notei todos a entrarem pela corda de veludo, sem delongas e sem problemas.
— Privilégios de sermos celebridades — afirmou Connor, dando de ombros. — Afinal, nem tudo é tããão mau como parece. Até a falta de privacidade parece ser compensada; com exceção de quando acordas e todas as coisas que nem te lembras que fizeste, e preferias que assim continuasse, aparecem espalhadas em todos os blogs pela Internet.
— Isso não são privilégios de serem famosos. São privilégios de andarem comigo. — declarei num tom sério. Se ele só soubesse que segundos atrás estava disposta a ir esperar a minha vez como uma menina bem comportada…. Estragaria a minha reputação como delinquente. Caso tivesse uma, claro.
Ele gargalhou. Era um som cómico e gorgolejante, como uma fonte a tossir agua. Senti-me na obrigação de acompanhá-lo.
— Certamente, certamente.
No interior, The Half-Blood Hill imediatamente fazia jus a todo aquele frenesim positivo em relação à sua reputação. O lugar era espetacular, para dizer o mínimo.
Amplo, tinha não um, mas dois bares em ambas as extremidades. O chão da pista de dança lembrava labaredas dispostas a engolir os seus visitantes, talvez para a camada mais profundo do próprio inferno. Espantada, reparei nas mesas e cadeiras suspensas no ar, com grandes fios que se alongavam maravilhosamente em direção ao teto abobado, incrustado com criaturas belas que observavam os seus visitantes.
Uma névoa dourada brilhava por entre o salão. Aquele certamente, chamando a mitologia, era um lugar digno de deuses.
— Vou ao bar — anunciou o suposto Nico, mexendo nos fios negros e indo em direção a um deles. Reparei finalmente em como ele era bonito apesar das olheiras escuras. Era desconcertante em como num espaço de cinco dias conhecera mais rapazes lindos do que em 18 anos de vida.
— Espera aí Super-homem que eu vou contigo! — acrescentou Percy rapidamente.
Franzi o cenho.
— Aquele é o Nico? — questionei Annabeth, em segredo. Ela pôs o polegar para cima.
— Sim. Eu tentei não dar uma de fã louca quando o vi mas bem… Ele é tão lindo e sensual com aquele ar de sofrido! — suspirou audivelmente. Olhei-a como se não conhecesse a criatura à minha frente, o que seriamente, duvidava menos a cada dia.
— Ele é tão branco.
Ela fitou-me com um brilho intimidador. Aparentemente, mesmo que sejas a melhor amiga, nunca podes dizer a uma garota nada que possa denegrir um milímetro perfeito do ídolo dela.
— Tu não és propriamente um exemplo do bronzeado californiano Thalia. — Golpe baixo. — De qualquer maneira, os fãs o apelidam carinhosamente de Fantasminha.
Nota mental: nunca mais reclamar de um apelido de novo. Nem mesmo quando Percy me chamar de princesa. Ou bebé. Ou qualquer outra coisa.
Já estávamos acomodados quando os dois voltaram. Percy sentou-se ao meu lado com um grande sorriso, ao contrário de Nico que parecia carrancudo e com os olhos pretos mortiços. Depositaram duas bandejas com shots, sal e limão e vários tipos de bebidas alcoólicas que não consegui reconhecer.
— Vodka?
— Não bebo álcool — recusei, franzindo os lábios. A expressão de surpresa no seu rosto não me passou despercebida. — O quê?
— Nada — respondeu, a tentar esconder o sorriso. Se as covinhas não aparecessem sempre que ele mexia ligeiramente os lábios, talvez não o tivesse percebido.
— Responde. Agora.
Ele deu de ombros, fazendo pouco caso.
— Não é nada demais e talvez eu não te conheça bem o suficiente ainda mas a verdade é que tens essa pose de durona e que podes fazer tudo o que queres, atitude de rebelde e talvez até fumes, e é um charme teu, só que no momento que te ofereço Vodka, essa tua imagem desmorona-se e tudo o que penso que sei sobre ti deixa de ser verdade. E eu percebi que és tão imprevisível quanto os teus olhos tempestuosos e eu gosto contudo… — abanou a cabeça, como se não soubesse explicar.
Numa coisa ele acertou: eu era extremamente imprevisível. Levantei-me do sofá suspenso irritada. Era tolo, mas aquele sempre, sempre, era um assunto sensível. Eu começava a confiar nele, juro, mas que pensaria ele quando descobrisse a verdade? Quando soubesse que a minha mãe era…? Então fiz o que sempre faço quando as coisas tornam-se complicadas: afasto as pessoas.
— És um idiota, porra Percy! — exclamei, passando por si. A música alta abafou as minhas palavras, de modo que só ele me escutou.
Estava já no meio da pista de dança quando Percy colocou ambas as mãos no meu rosto com força, obrigando-me a encará-lo e impedindo-me de fugir.
— Não fujas — sussurrou embaraçado —, nunca fujas de mim. Eu… eu não gosto de ver-te andar para longe de mim.
E tão rápido quanto veio, a fúria também se foi. Eu não só era imprevisível como também devo sofrer de bipolaridade. Oh Deus, que estavas tu a pensar quando me criaste? A maioria das pessoas tem alguns defeitos e não, eu não sei, uns milhões deles. Mas para falar a verdade, eu também não sou lá muito normal. Eis outro defeito!
— Desculpa — pedi, com o lábio inferior a tremer. Eu sabia que não ia chorar mas sentia-me nervosa e para ser sincera, uma verdadeira rainha do drama. Porque eu não podia ser normal e dar-lhe uma resposta? Ou então devia ter fingido que não o ouvi.
— Não chores! Por favor, não chores… — exclamou embora nenhuma lágrima tivesse caído — eu sei que sou um idiota, desculpa… Eu só… Eu quero-te conhecer, cada bocadinho, mesmo os que não deixas ninguém perceber, de ti. E fico frustrado quando não te entendo, porque eu quero! Eu quero tanto… E quero que penses em mim da mesma maneira que penso em ti.
Em qualquer outra situação, teria achado graça a sua total inabilidade para tratar dos sentimentos de outras pessoas… Contudo, neste momento, sentia-me culpada e idiota. Apesar disso, não conseguia me forçar a dizer as palavras que deveria sobre aquele assunto. Sobre a razão de não beber.
— Isso é loucura. — declarei.
— Eu sei. Eu sei que só te conheço à 5 dias mas cada partícula do meu corpo anseia por ti então por favor, e eu nunca fui rapaz de implorar, não quando tudo o que quero é-me dado, não me afastes de ti.
Senti o peito inchar com um sentimento que julguei perdido há muito, o que só tornava tudo isto mais insano. Eu conhecia-o ainda não fazia uma semana e todos os nossos encontros tinham sido fugazes, por assim dizer. E eu sabia, embora ainda não estivesse preparada para admitir, o que era aquela sensação. Eu sabia e ia deixar-me envolver-me nela mesmo que fosse consumida por ela ou que acabasse da maneira mais terrível possível.
— Queres dançar? — interroguei calmamente, depois de vários minutos de silenciosa meditação.
Ele sorriu e eu sorri de volta.
— Não deveria ser eu a perguntar?
— Acho que connosco não há regras a seguir.
— És capaz de ter razão. — concordou. Como que para provar aquilo, Percy colocou as mãos na minha cintura por debaixo do camiseiro e diretamente sobre a minha pele exposta, guiando-me como se estivéssemos a dançar um música lenta, ainda que, pelo contrário, esta fosse rápida e típica de discoteca. Os sítios onde as suas mãos, suaves e compridas, tocavam faziam a pele formigar e deixavam um rasto de labaredas.
Inclinei a cabeça contra o seu peito, escutando as batidas ritmadas do seu coração. Ficámos assim durante muito tempo, embalando-nos sob o som da respiração do outro, inebriados pelas fragrâncias que desprendiam dos nossos corpos.
— Esse camiseiro é meu — sussurrou-me ao ouvido. Sorri.
— Eu sei.
Ele encostou o queixo no topo da minha cabeça enquanto permanecia apoiada no seu tórax. Mesmo que não pudesse ver, apostava que estava a sorrir.
— Fica melhor em ti. Nunca vi nenhuma peça de roupa minha parecer tão sexy.
Ri mas o som saiu abafado contra o tecido de flanela negro da sua T-Shirt.
— Eu sei. — comentei brincando, subitamente me lembrando de algo: — Nunca te agradeci pelos presentes dos Nirvana, então obrigada.
— Só fiz o que qualquer cavalheiro faria depois de ter estragado uma camisola que venera o Kurt Cobain e a sua banda.
— Então se esta fosse dos Green Day ou dos Guns N’ Roses, não continuarias sendo ’’cavalheiro’’?
— Mesmo que fosse de uma carochinha e uma formiga eu te ofereceria a coleção inteira desde que isso me permitisse te ver novamente — admitiu gargalhando sobre os meus cabelos, fazendo-os esvoaçar levemente.
Os meus lábios estenderam-se involuntariamente num sorriso. Neste momento, coração contra coração, sentia-me mais próxima de Percy do que alguma vez julguei ser possível.
Quando as palavras irromperam pela minha boca não fiz nada para as parar. Éramos eu e ele numa noite de verão e mesmo que o amanhã fosse incerto, eu queria que ele me conhecesse como ninguém ainda o tinha feito. Nem Luke, nem Annabeth nem mesmo a minha família. Eu queria à semelhança dele, que Percy conhecesse cada bocadinho de mim, mesmo os mais negros e que me magoavam, mesmo os que poderiam o fazer olhar-me de um modo diferente.
— Eu só não quero ser como ela — disse. Sabia que Percy tinha conhecimento de que estava a revelar o porquê da minha explosão de há bocado relacionada com o álcool.
— Como quem? — indagou gentilmente.
— Como a minha mãe. Ela… Ela têm problemas com o álcool desde que me lembro e não há maneira de eu terminar como ela. Prometi que não o faria.
— Tu não vais. — revelou com convicção — O teu espírito é demasiado forte para tal e se isso não for o bastante para ti, digo-te isto: eu vou estar sempre lá, certificando-me que queres ser exatamente o quiseres.
Levantei o rosto, olhando fundo dentro dos seus olhos verdes. Decidi que se isto afinal era um conto de fadas, eu não me importava de ser uma princesa contando que Percy fosse o meu príncipe.
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