Music In My Heart

10 Capítulo 10 – The City That Never Sleeps


Notas iniciais
Eu sei que faz muito tempo que eu não posto. Muito mesmo. E eu estou viva, apenas atolada de coisas da escola que me tiram todo o tempo porque eu preciso de médias altíssimas caso alguma vez queira cursar medicina. O que eu realmente quero. Então, peço desculpa. Mas em contrapartida, trouxe-vos um capitulo muito especial, e provavelmente o meu favorito até agora. Espero que o amem tanto quanto eu :3 também gostava de agradecer à Sophie Grace Di Angelo por favoritar, obrigada linda *-*

Quando irrompemos pela traseira do The Half-Blood’s Hill, de dedos entrelaçados e a correr como os dois adolescentes que fingíamos não ser, eu estava verdadeiramente feliz. Era aquela felicidade pura que nos enche o peito e que nos percorre como liquido pelas veias. Era o género de felicidade que tememos nunca mais sentir na vida mas, no momento em que a sentimos, nem conseguimos conceber esse pensamento porque estamos felizes como o caralho e é impossível isto acabar.

E eu sabia, no recôndito mais superficial da minha mente, que toda esta satisfação existia unicamente por causa de Percy, este rapaz maravilhoso e indiscutivelmente lindo que gargalha ao meu lado também alegre pelo simples facto de estar comigo.

— O que acontece quando eles derem pela nossa falta? — perguntei ofegante, finalmente parando e obrigando Percy a fazer o mesmo. Com os óculos escuros a taparem-lhe os olhos era difícil saber o que pensava se o seu sorriso não fosse quase diabólico.

— É provável que o Beckendorf enlouqueça e comece uma perseguição à nossa procura pela cidade. Ou algo assim.

— Parece formidável.

Percy decidiu ignorar o meu comentário e fitou-me por cima dos óculos que lhe escorregaram até à ponta do nariz. Colocou uma das mãos debaixo do meu queixo impossibilitando-me assim de desviar o olhar do seu rosto, enquanto com a outra, a que ainda estava entrelaçada na minha, desenhava círculos concêntricos na parte interna do meu pulso.

— Vou contar-te um segredo — começou, com um leve sorriso a adornar-lhe a face. — Um que nunca foi bem guardado de qualquer modo: Nova Iorque é o paraíso das maravilhas terrenas. Portanto, por uma vez, não te preocupes com absolutamente nada, só… Deixa-te aventurar nesta linda cidade que tanto amo. E, sorte a tua, sou um excelente guia turístico.

Abri a boca, contudo nenhum som saiu. O meu coração batucou com a realização de que, para quem nos visse, éramos um jovem casal apaixonado.

— Desculpa, mas não consigo levar-te a sério com os óculos escuros postos — confessei, com um sorriso a bailar a face.

— És impossível. Interrompeste um momento sagrado. — afirmou frustrado, antes de os guardar no bolso do sobretudo azul-escuro. — Melhor?

Dei de ombros.

— Ligeiramente.

Percy permaneceu calado, com os lábios apertados firmemente numa linha reta. Pensei que, talvez, não o devia ter obrigado a tirar os óculos de sol pois, mesmo à fraca luz dos candeeiros de rua, os seus olhos perscrutavam-me incansavelmente naquele vivido tom de verde que passei a associar somente a ele, deixando-me assim num estado de entorpecimento e quase hipnotismo.

E percebi, naquele preciso momento, que para mim já não havia salvação nem escapatória. O que Percy quisesse de mim, eventualmente teria. Porque eu era dele. E não poderia estar menos preocupada.

— Tudo bem — sussurrei, olhando para os pés. — Tudo bem.

Senti o toque suave dos seus dedos no meu queixo novamente, obrigando-me a fitá-lo. Sorriu suavemente.

— Não faz mal se preferires ficar, Thalia — afirmou, à procura de quaisquer sinais de insegurança no meu rosto. — Prometo que vais te divertir de qualquer modo.

— Eu sei. E eu quero mesmo ir. Para onde queres que eu vá, contigo Percy. Só tenho medo que… — hesitei — só tenho medo que te magoes. Que alguma doida te ataque ou…

Fui interrompida pelo suave som da sua gargalhada. Ouvi-la era como flutuar: agradável, leve e pacífica. Senti o fluxo de sangue concentrar-se rapidamente nas bochechas, deixando-me corada e sem jeito. Ao invés de resmungar como normalmente faria, desviei o olhar para o chão.

— Elas não são doidas, são fãs. Elas é que me deram tudo o que tenho — confessou calmamente. — E além do mais, eu não preciso sempre de um guarda-costas. E mesmo que precise o Beckendorf está na marcação rápida.

Fiquei em silêncio por segundos, absorvendo a informação. Depois voltei a encará-lo com desafio latente nos meus olhos azuis.

— Uma puxou-me os cabelos.

Percy contraiu os maxilares e a sua expressão tornou-se dura.

— Tudo bem, algumas são. Mas eu nunca mais irei deixar alguém te magoar, nunca. Por favor, acredita em mim.

Coloquei as minhas mãos no seu rosto, por cima da barba por fazer. Ele ficou surpreso com o contacto por instantes, contudo baixou-se ligeiramente quando puxei o seu rosto, obrigando-o a ficar ao mesmo nível do que o meu próprio e a meros centímetros de distância.

— Eu sei — disse, e até eu fiquei surpreendida quando os meus lábios roçaram a face de Percy num beijo casto.

Ele sorriu, voltando a endireitar-se. Discou algumas coisas no telemóvel e fez algumas chamadas, embora tudo muito rapidamente. Por fim, apressou-nos para dentro do táxi que chamara com uma maestria que eu não possuía e envolveu-me nos seus braços, segurando-me firmemente contra si. Aninhei-me melhor no seu ombro, e observei maravilhada as luzes dos edifícios à medida que passávamos por eles. Entretanto, e por sua vez, Percy olhava-me a mim. Era distrativo, para dizer o mínimo.

— Vamos bebé — murmurou Percy junto à minha orelha, fazendo um arrepio, que ele certamente notou, percorrer-me o corpo.

— Hum, Percy… — falei incerta, depois de sair do automóvel. Olhei em redor tentando arranjar uma boa razão para estarmos naquele local; com certeza, o motorista errara no endereço. Com certeza. — O que fazemos no porto de Nova Iorque?

Ele sorriu abertamente, demasiado feliz, e despenteou os cabelos negros com uma mão enquanto a outra permanecia escondida nos bolsos das calças.

— Estamos aqui… — abriu as mãos indicando o espaço ao seu redor —… porque nós vamos fazer uma pequena excursão à Estátua da Liberdade.

— Estou a falar a sério.

— Eu também. — afirmou, apontado para o iate branco e iluminado a pouca distância. Um homem acenou do seu interior ao qual Percy respondeu avidamente.

— Oh Deus. Vamos invadir a Ilha da Liberdade?

Ele revirou os olhos, oferecendo-me a mão que agarrei insegura.

— Óbvio que não. Não sejas dramática. Eu tenho contactos e os meus contactos gostam de me mimar de vez em quando. Acalma-te.

E eu tentei fazer o que ele disse. Respirei fundo e tentei não pensar que podia cair nas águas negras do Rio Hudson e afundar como uma bota velha. Respirei fundo outra vez e forcei-me a não me atirar ao Rio Hudson no momento em que o Percy dava uma de guia turístico e explicava que o nome oficial da estátua era a Liberdade Iluminando o Mundo e que tinha 92 metros de altura. Noventa e dois.

Todavia, antes que percebesse sequer o que estava a acontecer, Percy girou-me pela cintura para fora do barco e fomos imediatamente seguidos por um dos dois senhores que vieram connosco; este com cabelo prateado, rugas de cansaço e uma perna de ferro que o fazia mancar. Ligou-nos a eletricidade no interior da estátua com um sorriso gentil, aquele género de sorriso que só as pessoas mais velhas são capazes de dar, e permaneceu no mesmo sítio até as portas do elevador se fecharem connosco no interior.

— Acho que é uma boa altura para dizer que estou aterrorizada de alturas.

— Bem, tu não vais cair lá do cimo. Estás num espaço fechado.

— Diz isso à merda do meu medo irracional, caralho — resmunguei, cruzando firmemente os braços em frente ao peito. Ele riu calmamente e encostou-se contra uma das estruturas de metal que limitavam o elevador no espaço. Não disse mais nada no entanto, cingindo-se a olhar-me o tempo todo enquanto o elevador subia. Sabia que estava a achar piada ao meu estado de hiperatividade provocado pelo nervosismo e que ficara, quase de certeza, e embora tenha evitado demonstrar, incrédulo com a pequena revelação acerca da minha fobia.

Finalmente, quando as portas de metal se abriram a cerca de noventa metros de altura, Percy colocou uma mão no fundo das minhas costas, guiando-me delicadamente para o exterior.

Saí a contragosto.

— Porra Percy, — gemi, após dar alguns passos — quero ir embora, já.

— Nós iremos — prometeu —, nós iremos. Mas não ainda.

Suspirei com os olhos fechados firmemente e esfreguei as têmporas, pronta para começar um argumento. Ao abri-los porém, foi como despertar para a vida. Ofeguei com a surpresa e, por um par de segundos, permaneci estática antes de me mover para junto dos vidros compridos que ficavam no que, provavelmente, seria a cara da estátua.

Num estalar de dedos, todo o medo que sentia evaporou-se, intimidado pela paisagem à minha frente. Em nada se comparava à vista do apartamento do meu pai pois mesmo que a deste fosse deslumbrante, esta era completamente surreal. Não havia melhor maneira de perceber que Nova Iorque, de facto, nunca adormecia.

— É linda — disse, sem tirar os olhos da cidade.

— É. — concordou ele, e completou: — E é a minha casa. Eu fui a sítios lindos, alguns muito mais estonteantes que o betão frio de Nova Iorque, mas o meu coração está sempre aqui. Sempre. Por vezes, só o pensamento de casa é que me permite continuar nas estradas.

Desviei o olhar da paisagem, finalmente olhando para o seu rosto em que se refletiam figuras fantasmagóricas provocadas pela fraca iluminação.

— É difícil não é? — perguntei-lhe. Porque enquanto eu reclamava das consequências que Percy poderia trazer-me a mim, nada disto era de modo algum justo para si. — Tu também desististe de tanto, certo?

A sombra de um sorriso trespassou-lhe a face.

— Eu acho que não devia reclamar. Tenho 19 anos e já sou milionário. Já viajei metade do mundo e tive a imensa sorte de fazer algo que eu realmente amo com rapazes que são como irmãos para mim. Mas custa, sim. — Suspirou, abanando a cabeça. — Há dias em que a falta de liberdade me sufoca. Em que eu só queria chegar a casa e abraçar a minha mãe porque eu não a vejo há meses. E há dias muito piores. Há dias em que eu fico à beira de desistir de tudo. Mas nunca o faço porém, pois sei que esses são os dias ruins.

— Lamento.

— Não deverias. E então, o que fazes tu da vida?

Ri, com a mudança repentina de assunto.

— Sou uma traficante de droga internacional.

Ele revirou os olhos, tentando conter um pequeno sorriso.

— Eu poderia ser. — continuei. — A sério. Não sabes o quão perigoso é convidar estranhos para a tua casa?

— És impossível.

— Admite que eu poderia ser.

— Não, — riu ele — tu não poderias. Mas acho que estamos a desviar-nos do assunto, não?

— Tudo bem. Graduei-me este ano na Goode High School, uma escola pública lá de São Francisco. Candidatei-me a várias faculdades e fui aceite por uma grande parcela delas onde pretendo seguir algo na área das Ciências Físicas e Químicas.

Percy molhou os lábios com a língua, parecendo meditar sobre o pensamento por alguns segundos. Virou-se para mim, com ambas as mãos nos bolsos das calças e uma sobrancelha arqueada.

— Se soubesses o quanto o pensamento de ti a mexer em químicos me assusta… — comentou, com a voz brincalhona.

— Acho que o teu instinto está completamente certo em relação a isso. Deverias.

Uma vez mais, Percy rendeu-se ao silêncio. Embora adorasse falar com ele, não eram desconfortáveis os momentos em que não o fazíamos. Eram pacíficos e calmos como deitar sob uma leve brisa num dia de sol.

— Sabes, quando te vi pela primeira vez fiquei muito tentado a beijar-te — confessou Percy, com os olhos colados aos meus e um grande sorriso.

Senti o meu rosto enrubescer e passei uma mão pela lateral do rosto, como sempre fazia quando estava envergonhada.

— Porquê?

— Oh, tu tinhas uns lábios tão malditamente vermelhos e carnudos, e esses olhos… — Percy deixou a frase no ar, como se estivesse a preparar-se para me contar um segredo. — Eles deixam-me louco Thalia. Desde o primeiro momento em que os vi a faiscar, quando derramei-te o café em cima, que soube que iam ser a minha perdição. Por isso é que tive de me assegurar que voltaria a ver-te.

Fiquei espantando com a sua revelação. Perseu Jackson desejava-me a mim, de todas as pessoas.

— Ainda… Ainda queres? — sussurrei.

Percy franziu a testa, sem perceber aonde queria chegar.

— Ainda me queres beijar? — voltei a murmurar, encarando um ponto fixo no chão.

— Como o Inferno — afirmou, com a voz rouca. Acenei lentamente com a cabeça e por um milésimo de segundo fui capaz de distinguir a surpresa nos seus olhos. Mas depois ele sorriu o mais deslumbrante dos sorrisos e aproximou-se de mim, colocando as mãos de ambos os lados do meu rosto. Estremeci com o contato e fechei os olhos, limitando-me a sentir as carícias dos seus dedos nas minhas bochechas e a sua respiração acelerada contra a minha boca.

Suspirei, sentindo o leve roçar dos seus lábios quentes nos meus. Depois, ele beijou-me uma vez mais, com muita mais urgência, e entreabri os meus lábios ligeiramente. A sua língua escorregou para a minha boca, e o sabor inconfundível e refrescante de menta me encheu. Não mais era só um beijo apaixonado. Era sedento.

Rapidamente apressei as mãos para a sua nuca, enrolando os meus dedos nos seus suaves fios de cabelo preto, ao que Percy respondeu deslizando as mãos pelas minhas costas, fazendo a minha pele arrepiar e o meu coração, se possível, batucar ainda mais. Deixou-as pousar na minha cintura, aproximando-me ainda mais contra si.

Quando nos afastámos, em busca de ar e ofegantes, ele encostou a sua testa à minha e sorriu. Os seus olhos continham tanta paixão, desejo e carinho, tanto amor, que me surpreendi.

— Eu vou querer muito mais, princesa — avisou-me. — Muito mais.

Dei-lhe um rápido beijo nos lábios.

— Eu realmente espero que sim.

Notas finais
Comentem, digam o que acharam, nem que seja uma palavra. Realmente me motiva a escrever, dá-me mais inspiração e faz-me imensamente feliz. Além do mais, depois desse beijo finalmente ter acontecido, acho que mereço não?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.