Mundos Diferentes, Sentimentos Iguais
25 Capítulo 25 - Amigas do passado, enfrentando o coração
Notas iniciais
Observação: O capítulo inteiro é um flashback, caso não se recorde o foco do flashback dê uma breve lida no último capítulo postado. Obrigado.
Valéria ia sozinha para a escola, desde que Alícia fez o trabalho com Maria Joaquina e Marcelina no 6° ano, elas se tornaram próximas até demais, acabou esquecendo sua amiga, pelo menos temporariamente.
Ao chegar na escola, encarou o portão e pensou em dar meia volta, mas...
– Valéria! Porque não respondeu minhas mensagens? — Alícia falou inocentemente.
Valéria pegou seu IPhone e olhou as três mensagens que não tinha visto. Encarou Alícia e sorriu sinceramente, ficou feliz pela amiga não tê-la esquecido por completo.
– Foi mal, tava no vibrador e eu não vi as mensagens. — Foi a desculpa que arranjou.
As duas entraram unidas na escola e sentaram juntas em um banco. Ficaram com seus celulares mexendo cada uma em seu facebook, conversavam, mostravam fotos e até tiraram uma ou duas fotos que obviamente iam para o instagram de Valéria.
– Alícia! — Maria Joaquina chegou e cumprimentou Alícia e logo em seguida Valéria.
As três ficaram juntas conversando, aos poucos Marcelina e Margarida chegaram, as cinco ficaram juntas conversando e pela primeira vez Valéria pode ver como elas tinham mudado e pra melhor. Será que sempre foram assim? Ou mudaram por influência de Alícia?
Ela nunca soube o porque da mudança delas, mas admirou isso. Ficou feliz de fazer amizade com as populares, e feliz por não ter mudado de personalidade.
Um ano se passou, as cincos puderam ser amigas juntas, mas o pensamento de ter perdido Alícia ainda dominava sua mente, e isso era o que ia se tornar verdade.
– O 7° Ano é onde vocês tem que começar a ver a escola como algo mais sério. Ano que vem tudo muda, conteúdos novos, tarefas novas. — O professor dava uma bronca na sala, porém ainda mantendo o tom de voz calmo — Diferente do que dizem, eu não acho o 9° Ano nem o ensino médio as séries mais importantes. O 7° e o 8° que são.
– Mas professor, como assim? Se é no ensino médio que nos formamos... — Maria Joaquina perguntou.
– Exatamente, no ensino médio vocês se formam. Vocês já tem uma mente mais inteligente, conseguem tomar escolhas melhores. No 7° e no 8° Ano é onde vocês começam a fazer escolhas, e uma dessas principais escolhas é amadurecer... Ou não. — O professor fala e todos se entreolham confusos. — Lembrem-se, vai chegar a hora de todos tomarem decisões. Não tem como desviar uma escolha.
– Mas... E se eu pular a escolha? E se eu de alguma maneira burlar esse caminho? — Paulo falou e o professor sorriu.
– Ótima colocação senhor Guerra! — O professor falou e andou até onde ele sentava — Mas não tem como pular uma escolha... Você tem que escolher o que você acha certo, porém sua escolha pode mudar seu futuro por completo.
– Como assim? Se eu escolher o errado, o que acontecerá de tão ruim? Foi apenas uma escolha, certo? — Daniel perguntou confuso.
– Depende Daniel, depende muito. Quero que todos entendam uma coisa. — O professor falou e todos olharem fixamente para ele — Nem toda escolha é fácil, nem toda escolha será simples.
– Existirão escolhas que pode, fu... ferrar com tudo? — Jaime falou de maneira descontraída.
– Sim, vão existir sim. E essas são as que vocês nunca devem desviar. — O professor falou e olhou para os alunos — Lembrem-se disso no futuro. Uma única escolha errada, um único erro. Pode complicar toda a sua estrada da vida.
O sinal bateu e os alunos se retiraram, iam cada um com seu grupo de colegas.
– A aula reflexiva é uma das melhores aulas da escola! — Valéria falou sorridente.
– Foi o melhor projeto da escola até hoje, sinceramente. — Carmem falou em concordância.
As duas andaram e foram falar com Maria, Marcelina e Margarida.
– O que acharam da aula? — Carmem perguntou.
– Achei maneira, dá pra pensar muito com o que o professor falar, ele é o melhor professor dessa escola. — Maria falou e as garotas olharam-na — Professor! Melhor professora é a Helena, é claro!
As meninas riram e continuaram seguindo seu caminho, viram Paulo e Alícia se beijando como dois selvagens, como se nunca tivessem se visto antes.
– Ei os dois! Isso é bem nojento sabiam? — Margarida falou e os dois pararam de se beijar.
– Qual o problema? Somos livres pra fazer já que namoramos. — Alícia falou ainda com os braços entrelaçados no pescoço de Paulo.
– Amiga, eu super-apoio o namoro de vocês, mas isso tá ficando chato já. — Marcelina falou e Alícia a olhou nervosa.
– A questão é que é bizarro. Não podem esperar chegarem em casa? — Carmem falou com ignorância.
– Qual foi? Vai começar o ataque das sem-namorado aqui? — Alícia falou nervosa.
– Como é que é querida? Você tá tirando uma comigo, só pode! — Maria quase gritou com a garota que riu.
– Que foi? Você não namora mais... Terminou com o Cirilo, ou melhor, ele terminou com você... — Alícia provocou ainda mais Maria que já olhava-a com ódio.
– O cara que sempre te amou também não conseguiu te aguentar, quem diria? — O tom irônico na voz de Paulo irritava ainda mais Maria, assim como as outras garotas também irritavam-se.
– Chega disso Alícia! Meu irmão ser folgado e metido tudo bem, agora você? Você sempre foi a mais humilde da sala e mais gente boa? Nunca ligou para essas coisas de namoro e agora tá agindo assim? — Marcelina indagou completamente nervosa.
– Eu mudei! O que foi? Achou que eu ia ser uma pirralha pra sempre Marcelina?! Ah espera, eu sei o que está acontecendo aqui... — Alícia separou-se de Paulo e encarou fixamente Maria Joaquina — Vocês estão com inveja porque ao começar a namorar o Paulo, eu fiquei mais popular que vocês três e as duas aí juntas.
Maria nem pensou na hora, apenas pulou em Alícia e lhe de um tapa em cheio na cara, Alícia virou e começou a tentar acertar socos na cara. Maria lhe segurou pelos braços, enquanto chutes eram trocados.
– Parem com isso! Chega! — Valéria e Margarida tentavam separar as duas enquanto Paulo dava risada da situação.
As duas se separaram e se encararam, logo depois Alícia olhou para Valéria com um olhar mortal.
– Vai ficar protegendo a patricinha em vez da sua melhor amiga? — Alícia gritou furiosa e toda descabelada.
– Ela errou em bater em você, mas convenhamos... — Valéria fez uma pausa e abaixou a cabeça, porém uma coragem tomou conta do seu corpo e ela encarou Alícia — Você que começou a ser folgada do nada, a culpa foi sua, toda sua. Desde que você começou a namorar o Paulo você mudou. Ficou mais metida, mais folgada. No começo eu achei que as meninas estavam fazendo isso, mas não, elas não gente boa, são legais e humildes. Mas você não Alícia. Se te dermos um pouco de moral você deixa o poder subir a cabeça. E só pra deixar claro, a culpa foi sua!
Alícia encarou perplexa a amiga, o ódio subiu a sua cabeça e seu coração foi tomado pela raiva. As outras garotas estavam caladas, porém por dentro estavam felizes por ter sido Valéria a falar o que elas sempre quiseram falar.
– Então tá Valéria! Fica aí com essas patricinhas e com essa nerd da Carmem! Esquece que eu existo, e vai tomar no cu se pensar em me procurar novamente. — Alícia falou e puxou Paulo pelo pulso.
A garota olhou sua amiga se afastar do seu campo de visão, pensou se tinha feito o certo, pensou se devia ter aproveitado o momento e voltar a falar somente com ela. Naquele momento, o que o professor tinha acabado de falar sobre escolhas tinha feito sentido, essa tinha sido talvez a escolha mais importante da vida dela.
Mas ao tomar essa escolha, outra escolha apareceu em sua frente. Ela tinha que decidir, se a escolha foi certa ou errada.
O dia passou-se, a noite chegou rápido para alguns e devagar para outros. Alícia chorava em sua cama, ela tomou a escolha de viver sem amigas, apenas com Paulo. Abandonou tudo pelo garoto, até mesmo sua melhor amiga.
Na casa de Valéria a situação era diferente, Valéria tinha se tornado outra pessoa. Uma pessoa decidida no que fazer a partir de hoje, sabia as escolhas que tinha que tomar, e sabia como fazer isso. Sendo forte.
– Valéria, tem um garoto aqui querendo falar com você. — A mãe de Valéria falou e mandou o garoto entrar, se tratava de Paulo Guerra — Qualquer coisa estou na sala.
Ela saiu e Paulo fechou a porta, Rosa voltou e deixou a porta bem aberta. Logo depois olhou para Valéria com uma cara séria e depois para Paulo sorrindo.
– O que você quer aqui? Se veio trazer uma mensagem da Alícia, pode retirar-se. — Valéria falou diretamente sem olhar na cara de Paulo.
– Não, não é isso... Eu vim pedir desculpas... — Valéria olhou para Paulo assustada pelo que acabara de ouvir.
– Desculpas? Pelo que? — Perguntou a garota.
– Por ter feito você e a Alícia brigarem, por minha causa eu acabei com essa amizade de anos. Eu mudei a Alícia, assim como mudei muitas pessoas. — Paulo falou com toda sinceridade do mundo, Valéria percebeu a tristeza em seu olhar porém manteve-se firme.
– Tudo bem Paulo... Eu sei que não era sua intenção, embora você tenha achado bem legal ver as duas brigando. — Valéria falou de maneira irônica.
– Eu ri quando foi a Maria e a Alícia. Não quando foram vocês duas... — Paulo falou e riu mais um pouco.
– Tá, era só isso Paulo? — Valéria perguntou indiferente.
– Sim, obrigado por me escutar. Você é bem firmeza, sabia? — Paulo falou sorrindo e Valéria não deixou escapar um sorriso bobo.
Paulo saiu do quarto e se despediu de Rosa, a porta da sala abriu e fechou rapidamente, Valéria ainda sorrindo levantou-se e foi até a janela, olhou para a lua e ficou lá.
– Você também... É bem firmeza Paulo... — Valéria falou ainda com o sorriso bobo.
A partir desse dia um sentimento começou a se desenvolver, um sentimento que por conta de uma amizade nunca pode existir. O amor desabrochou no coração de Valéria, foi uma troca de sentimentos. A amizade pelo amor.
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