Mundos Diferentes, Sentimentos Iguais
21 Capítulo 21 - Resolvendo problemas?
Notas iniciais
– Jaime...
– Vamos Paulo, queremos explicações... — Jaime falou apertando o pulso de Paulo com força.
– Jaime, relaxa, já temos ele aqui, pode soltar! — Jaime escutou a voz de Maria e se acalmou-
– Quem diria que vocês iriam se juntar para alguma coisa um dia. — Paulo falou fazendo piada da situação.
– Você tá achando que é hora de fazer piada! Todos estão preocupados com você! Até mesmo eu estava! Você tem alguma doença celebral retardado? — Jaime falou tão nervoso que até errou a palavra.
– Cerebral Jaime... — Maria falou.
– Não é hora para me corrigir Maria! É hora de sabermos a verdade! Pode desembuchar Paulo, porque você fugiu?! — Jaime gritou para o garoto que ficou sem atitude e abaixou a cabeça.
– Minha vida... — Paulo falou de cabeça abaixa e algumas lágrimas escorreram pela sua face — Minha vida tá uma merda total!
– Paulo... — Maria viu a tristeza nos olhos de Paulo e ficou surpresa.
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Nesse mesmo momento Tom e Bibi estavam juntos procurando Paulo, mal sabia eles que o mesmo acabara de ser encontrado.
Tom em sua cadeira de rodas estava se complicando um pouco na busca, alguns locais eram bem difíceis e inacessíveis logo o mesmo acabou atrasando um pouco a busca, ciosa que não irritava Bibi que estava admirado com o fato do garoto não ter desistido de procurar Paulo. A chuva começou a cair na área em que eles estavam, que ra um pouco mais abaixo da cidade, na parte sul.
– Tom a chuva tá se aproximando daqui, não é melhor irmos para casa? — Bibi perguntou olhando o céu.
– Acho que sim, só que sua casa é um tanto que longe desse local, como você vai? Vai pegar um ônibus? — Tom perguntou sendo sincero.
– Eu vou levar você até sua casa e lá eu dou um jeito de ir. — Falou sorrindo.
– Se minha mãe estivesse no estado eu podia ligar para ela chegar mais cedo em casa e te levar, porém é meio que difícil... — Tom falou chateado.
– Você quase nunca vê sua mãe certo? — Perguntou Bibi.
– Sim, só que tem meu padastro, ele é gente boa só que só chega de noite lá pras meia noite... — Tom falou forçando um sorriso.
– Vamos, eu vou te levar para casa. — Tom sorriu.
Eles foram andando até a casa de Tom, iam conversando e rindo o caminho inteiro, Tom era bastante conhecido e ninguém olhava estranho para o mesmo, o que ele achava bem legal.
Chegaram na casa dele e a chuva começou a cair, mesmo tendo se passado apenas uns seis ou sete minutos. A chuva foi ficando forte e Bibi olhou preocupada para o seu, tentava não demonstrar a preocupação porém Tom percebeu o olhar da garota.
– Bom, é aqui que você fica... — Bibi falou sorrindo de leve.
– E você também, — Falou diretamente para a garota que estranhou e depois corou — tá chovendo bastante, fica aqui em casa até a chuva passar, é simples.
– Tom, não é tão simples assim... Somos dois adolescentes, pais super protetores, essa chuva forte parece que não acaba hoje. — Bibi falou sem graça,
– Bibi relaxa, você liga para seus pais para eles virem te buscar quando a chuva der uma diminuída, ok? — Tom perguntou e Bibi concordou.
Entraram dentro de casa e Tom mostrou onde ficava o telefone, Bibi foi lá e discou o telefone de sua casa.
Ligação on
– Mãe? É mãe, sou eu a Bibi, a gente tava buscando o Paulo e começou a chover.
– Você tá bem minha filha? Já tem alguma notícia do Paulo? — A mãe perguntava
– Eu tô bem sim mãe, e não, não tivemos nenhuma novidade do Paulo, esse louco desapareceu para sempre, eu acho... — A garota falou olhando Tom arrumar as coisas na sala que estavam uma bagunça.
– Filha, onde você está? Tá se abrigando em algum lugar? — A mãe perguntou.
– Eu tô na casa de um... de um... De uma amiga mãe, na casa de uma novata que tem na sala, a Ametisa, você já conheceu ela. Vou passar a noite aqui, até amanhã! Ah, e amanhã eles vão me levar ok? — Bibi falou e nem esperou sua mãe responder, apenas sorriu e desligou o telefone.
Ligação Off
– Eae, ela reclamou de algo? — Tom perguntou.
– Não, na verdade, ela até que achou legal, pensou que você era meu namorado, coisa assim.
– Uau... Coisa de mãe, né? — Tom perguntou e olhou para fora — Parece que a chuva não vai acabar por hoje... Que tal você dormir por aqui? Eu explico pro meu pai quando ele chegar.
– O-ok... Eu aceito seu convite... — Bibi falou envergonhada — Mas, pai Tom?
– É-é... Eu chamo ele de pai, como eu nunca pude conhecer o meu, ele fica como meu primeiro pai na vida... — Tom falou triste e Bibi sentou em seu colo e o abraço.
– Você é o que mais sofreu na vida, e tá aí firme e forte... Enquanto isso o Paulo foge por ter problemas idiotas... — Bibi falou sentada o colo de Tom que tentou disfarçar que estava excitado de alguma maneira.
– Cada pessoa sofre do seu jeito, certo? — Tom perguntou e olhou nos olhos de Bibi.
Ambos os olhares se cruzaram, e aos poucos dois lábios iam se unindo para o que poderia ser, a formação de um novo casal.
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– Vamo Paulo eu quero sabê! Como assim sua vida tá uma merda? — Jaime perguntou.
– Aquele dia cara, que eu tava caído no chão do banheiro, eu tava sofrendo, eu tô sofrendo e enquanto eu sofro eu apenas fodo com a vida das pessoas! Eu iludi a Alícia! Namorei ela gostando de outra e a fiz sofrer no final... — Paulo falou parando de chorar.
– E essa outra seria a Valéria? — Maria deduziu de acordo com o que Alícia disse na escola.
– C-como vocês sabem? Quer dizer... Claro que não é... Ah tá é sim! Mas a Alícia contou? — Paulo estava confuso e furioso por Alícia ter contado.
– Ela teve uma pequena treta com a Valéria e deixou escapar, não foi culpa dela... Ela tava apenas te protegendo... — Jaime falou calmamente.
– Me protegendo? Do que? — Perguntou
– Da Valéria, ela disse que se ela fugisse ou desaparecesse você nunca iria se preocupar, aí a Alícia ficou puta e gritou que você gostava dela... — Maria resumiu toda a história e explicou para Paulo.
– Ótimo, agora a Alícia ferrou com as minhas poucas chances com a Valéria... — Paulo falou chateado. — Agora, tem a terceira garota que falta me odiar...
– Terceira garota? Seu galinha! — Maria gritou e recebeu um olhar feio de Jaime — Opa, quer dizer, que terceira garota?
– A Alice, eu senti uma atração por ela, acho que não gosto dela, ela só mexe comigo pelo fato deu ter me sentido culpado pelo fato deu estar namorando a Alícia ou pelo fato deu estar....
– Chega de: "pelo fato deu isto, pelo fato deu aquilo..." PORRA! O que a gente quer saber é o porque você fugiu e onde você estava! — Jaime gritou nervoso.
– Já sabem porque eu fugi! Porque ainda estão enchendo meu saco??!! — Paulo perguntou nervoso.
– Deixa Jaime, a gente resolve isso quando voltarmos para casa!
– Quem disse que eu vou voltar para casa? — Paulo perguntou olhando para eles — Acharam que ia ser só me acharem que iam me obrigar a voltar? Eu não quero ver a cara de ninguém, encontrar vocês aqui foi um problema...
– Você vai voltar para casa, seus pais e sua irmã estão preocupados com você! — Maria falou e Paulo abaixou a cabeça.
– É Paulo, a vida deles está mesmo bem melhor sem você, assim como você disse né? — A voz do Paulo criança novamente novamente ecoou na cabeça de Paulo.
– CHEGA! EU NÃO VOU VOLTAR PARA CASA! EU NÃO QUERO VOLTAR PARA CASA! EU AGORA VIVO AQUI! NAS RUAS!! — Paulo gritou e deu quatro socos na cara de Jaime que se ajoelhou com dor.
Paulo correu o mais rápido que pode, o que não era problema já que correr rápido era o talento dele. Jaime olhou para frente e viu que Paulo havia sumido de vista.
– Droga! Como eu apanhei pro Guerra Paulo e deixei ele fugir?? — Falou furioso com lágrimas nos olhos, não de dor, mas de tristeza.
– Jaime, isso tudo é choro de dor pelos socos do Paulo? Caramba! — Maria falou rindo de leve.
– Não Maria, eu sinto dor, mas não é dos socos! — Jaime gritou e chorou mais, o que preocupou Maria — A dor que eu sinto... É de saber que quando meu parceiro mais precisou de mim, eu não pude ajudá-lo!
Maria olhou a tristeza de Jaime e se entristeceu também, para alguns, aquela busca não mudaria em nada, para outros, mudaria bastante.
Jorge e Ametisa. Cirilo e Ronan. Maria Joaquina e Jaime. Tom e Bibi. Adiel e Nicole. Mudanças na vida dessas pessoas aconteceram, agora só o futuro poderia dizer se eram mudanças boas, ou não.
Foi nesse clima ruim de tristeza e fracasso, que terminou a tarde dos nossos colegas. Embora a tarde tenha terminado um tanto que boa para outros.
– Eu te amo, Bibi.
– Eu te amo, Tom...
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