Mundos Diferentes, Sentimentos Iguais
18 Capítulo 18 - Cicatrizes Incuráveis
Notas iniciais
Todos os alunos chegavam na escola depois de um final de semana conturbado, ambos seus colegas estavam preocupados com o desaparecimento de seu colega Paulo, que havia desaparecido sexta a noite, todos os alunos haviam se reunido para procurar o colega porém nada, a única que não estava preocupada era Alícia que era a única que sabia o motivo de Paulo ter fugido, porém até agora não havia contado nada para ninguém e nem pretendia.
Eram 7 horas da manhã e todos os alunos já estavam na escola, ambos estavam discutindo sobre o fato de Paulo ter fugido de casa, todos os alunos falavam, menos três que ficavam calados, esses eram: Alícia, Valéria e Marcelina que somente chorava preocupada com o irmão.
– Marcelina, chorar não vai ajudar em nada, temos que agir e procurar seu irmão, ele pode estar correndo perigo! — Falava Mário que estava preocupado com o amigo.
– Que ótimo jeito de acalmar uma garota Mário — Daniel estava abraçado com sua namorada tentando acalmá-la um pouco.
– Tá legal, desembucha logo porque pediu para nos virmos tão cedo assim Mário... — Jaime dizia com um leve bocejo.
– Tá, eu bolei um jeito da gente poder procurar o Paulo, geral aqui sabe que o Paulo é doido das ideias e que pode estar em qualquer local da cidade, e como nossa sala é grande, podemos nos dividir e procurar pela cidade inteira. Podemo ir em duplas ou trios, o que acham? — Falou olhando para todos que apenas se entreolhavam.
Ninguém dizia uma só palavra, nem sequer se mexia, todos queriam ajudar o colega porém ninguém tinha coragem de sair buscando o amigo pela cidade que era imensa por sinal. O silêncio reinava no local até uma pessoa levantar a mão, essa pessoa se tratava de Fábio.
– Eu vou! — Fábio falou decidido, logo em seguida Adriano levantou a mão.
– Eu também irei ajudar! — Falou e todos foram levantando a mão.
No final, apenas algumas mãos ainda não haviam sido levantadas. Que eram as mãos de Valéria e Alícia.
– As duas não vão levantar as mãos? — Perguntou Kokimoto.
– O Paulo nunca deu a menor para mim, porque eu tenho que me preocupar com ele? — Valéria falou de maneira decidida, Alícia virou para a garota furiosa.
– Porque independente de vocês se gostarem ou não, o Paulo ia sair para te procurar sem ligar se seriam amigos ou não. Tenho certeza que ele iria te ajudar independente de quem fosse você. — Alícia estava nervosa, principalmente pelo fato de Paulo gostar de Valéria.
– Só tá falando isso porque é seu namorado! — Gritou Valéria para a garota que segurou as lágrimas.
– Ele terminou comigo sexta! Sexta a tarde! Tudo porque ele gosta de você no final das contas! — Alícia gritou sem perceber o que acabou surpreendendo a todos, inclusive Valéria.
– Ele gosta da Valéria? — Alice perguntou desapontada.
– Ele gosta... De mim...? — Valéria encheu seus olhos de lágrimas e abriu a boca em suspiro — Inventa outra moleca, esse moleque nunca me aguentou, sempre encheu meu saco desde o 3° ano e agora você vem com a história que ele gosta de mim! Ah vai dar o seu rabo por favor! E faça-me o favor de nunca mais repetir isso na minha frente, ok?! — Virou-se de costas e correu.
Alice, Maria Joaquina e Jaime foram atrás da garota, todos os outros ali estavam com uma expressão séria, ninguém falava nada inclusive Alícia que ainda segurava as lágrimas.
– Ah qualé Alícia, o Paulo só deve ter falado isso pra te dar um pé na bunda legal, cê acha mesmo que o nosso Paulo, o Paulo Guerra ia gostar de uma nerd como a Valéria? Se liga né! — Todos riram do comentário feito por Kokimoto, Alícia o olhou com ódio.
– Cala a boca japonês folgado! Você como melhor amigo do Paulo devia ir ajudá-lo e não ficar aí como um trouxa rindo da verdade, diferente de você, eu sei diferenciar a verdade de uma mentira para fim de namoro! — Falou e logo depois saiu correndo sendo seguida por Lukas e Marcelina.
O silêncio reinou novamente no local e todos dessa vez se entreolhavam, até Daniel chamar a atenção de todos indo até Adiel.
– Você é o melhor amigo da Valéria, acho melhor ir falar com ela. — Falou para o garoto que suspirou.
– E é melhor você ir ajudar sua namorada, aquela skatista com raiva é tenso viu... Sua namorada corre perigo. — Adiel falou e seguiu seu caminho, porém virou para Daniel e o olhou com desprezo — E fala que se aquela skatista brincar com o coração da minha amiga de novo, eu vou dar o que ela merece. — Tal comentário fez Daniel arrepiar, Adiel seguiu seu caminho e continuou indo em frente.
Horas mais tarde, na mansão dos Medsen
– Altas tretas hoje na escola né? — Maria Joaquina falava com Jaime que havia levado a garota até sua casa.
– Sim, porém foi até que legal ver aquelas duas correndo que nem duas loucas. — Falou o garoto entre risos.
– Como você é malvado Jaime! As mina ali sofrendo e você aí rindo. — Maria Joaquina falou séria virando de costas para o garoto.
– Ah qualé Maria, foi engraçado, admite. E a cara da Valéria então? Eu, o Mário e o Jorge tava quase se matando pra não rir ali, o pior foi o Daniel cagando de medo pro Adiel, nossa ri muito. — Jaime ria mais ainda até Maria Joaquina não se aguentar e rir também. — Viu, foi engraçado!
– Não to rindo do que aconteceu na escola, to rindo dessa sua risada estranha aí. — Falou a garota vermelha de tanto de rir.
– Tá tirando onda com a minha risada é? Vamos ver quem ri mais! — O garoto começou a fazer cocegas na garota que começou a rir feito uma louca na porta de casa, as pessoas que passavam achavam aquilo muito estranho, já outras riam também e achavam os dois fofos.
– Tá chega, chega Jaime! Quero te perguntar uma coisa! — Falou recuperando o fôlego — Quer ser minha dupla na busca pelo Paulo? — Corou ao perguntar.
– Tá... Pode ser... Eu acho... — Falou o garoto também corado.
Os dois se entreolharam e iam se aproximando pouco a pouco, quando estavam quase beijando-se a porta da casa de Maria se abre e a mãe dela aparece.
– Opa... Interrompi algo? — A mãe falou sem graça.
– Não mãe, nada mesmo! — Falou a garota furiosa pela mãe ter atrapalhado. — É, tchau Jaime até amanhã.
A garota se aproximou de Jaime e quando foi lhe dar um beijo na bochecha...
– Tchau Mar... — O garoto virou o rosto para se despedir e o que era para ser um beijo na bochecha virou um selinho.
A garota se afastou completamente vermelha enquanto o garoto estava imóvel. A garota olhou pra mãe dela que olhava com um olhar pervertido para os dois.
– É, tchau Jaime! Até amanhã! — Falou a garota que correu para dentro de casa, o garoto virou e seguiu seu caminho ainda com a mão na boca.
– Eu beijei-a... — Falou o garoto.
– Eu beijei-o... Eu beijei-o! Na verdade não, foi só um selinho, mas não importa! Eu... eu... Eu selinhei-o! Tá, essa palavra não existe, mas quem liga! Tenho que contar pra Marcelina e pra Margarida! — A garota correu para o quarto sem nem falar com a mãe direito.
Clara ficou olhando a alegria da filha e sorriu, sentou-se no sofá e lá ficou pensando no quanto Jaime fazia sua filha feliz. A mãe virou e pegou uma foto de Maria Joaquina no 3º ano e uma lágrima caiu.
– Você cresceu Maria, cresceu muito... — Falou e ficou olhando a foto.
Casa dos Ferreira — 23:57
Valéria estava em sua casa deitada em sua cama pensativa e com medo. A garota não sabia se acreditava ou não no que Alícia havia falado, o sentimento que ela sentia por Paulo era estranho, não sabia se era só um "gostar" ou se era uma "amar". Estava em dúvida.
– Alícia, será que devo acreditar em você? Lembro da época que você era minha melhor amiga, até você começar a andar com as 3 mais bonitas da escola. Mais conhecidas como Marcelina, Maria Joaquina e Margarida. Pensei que voltaria a ser minha amiga depois de ter brigado com duas daquele trio inseparável, porém muito pelo contrário, você se afastou delas, de mim e de todos. — Lágrimas escorriam pelo rosto da garota, ela levantou e soltou um leve suspiro, caminhou até a janela e lá simplesmente olhou para a lua que brilhava forte nos céus aquela noite. — Você não ia ter ninguém hoje, ia ser sozinha, sem amigos e sem nada. Até chegar a sua salvação... Paulo Guerra...
No próximo capítulo — Complicações na estradas da vida
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