Mundos Colidindo
6 Reconciliação
P.O.V. IO.
Eles vieram atrás de mim. A Guarda toda e foi uma puta briga.
—Vocês tem culhões para aparecer aqui. Especialmente depois do que o seu Mestre fez comigo.
Engatilhei a espingarda.
—Isso ai não vai funcionar, Princesa.
—Quer apostar, loirinho?
—Tudo o que eu tenho.
Então, meti bala e o gêmeo moreno foi o meu alvo favorito. Enchi ele de bala.
—O que?! Isso é tecnologia alienígena?
—Não. Da segunda vez que um dos seus tentou me matar, ele encostou num metal que o queimou, o feriu. Então, descobri que metal era. E comecei a estocar.
Quando todos estavam no chão se contorcendo e o moreno estava quase morto. Caminhei até ele.
—Alec! Irmão!
—Confiei em você.
Disse arrancando uma das balas, na unha. Enfiei a mão no ferimento e arranquei a bala fora.
—Pensei que se importava comigo.
Arranquei outra bala. E ele se contorcendo.
—Pior, pensei que me amava.
P.O.V. Alec.
Caramba isso dói!
—Mas, não ama. Só estava me usando para obter mais poder, ter vantagem. É só o que sou pra você. Um meio... para um fim.
—Você está errada. Eu perdi minha mãe também.
—Não ouse comparar a sua mãe com a minha! Nunca! Sua mãe não era nada como a minha. Bom, ela era um pouco como a minha sim. Deu a própria vida pela sua e pela de sua irmã. E o que você fez, para honrar o sacrifício de sua mãe?! Vagou por ai soltando sua fumacinha e matando qualquer pobre alma que se opusesse ao seu governante tirano. Levando membros de sua própria raça, seu próprio povo para ser escravizado por Aro. Para ser mais um troféu em sua coleção.
Ela ia arrancando as balas. E quando chegou á última foi a verdade mais dolorosa que já tive que ouvir.
—Você não é um guarda, um homem da lei ou um protetor. Ainda continua sendo o mesmo garotinho assustado, que se agarra na barra da capa de seu Mestre. Mas, que... existência mais miserável.
Todas as balas que ela arrancou de mim voltaram para dentro da capsula, para dentro da arma.
—E você, Jane. Você não é melhor. O que você é, sem este seu Poder. O que tem sem ele? Nada. Está sozinha, porque a cada hora de cada dia desta sua igualmente miserável existência fez inimigos. Mas, nunca fez um amigo. Nenhum. Até aqueles que considera como tal, a temem e a querem morta. Você não é uma guerreira. É uma garotinha assustada que responde á um homem sentado numa cadeira. Coragem você não tem.
—Eu tenho.
—É claro que não. Se tivesse coragem, se fosse metade da mulher que finge ser, já teria tomado as rédeas de sua própria vida.
Então, ela mirou em Dimitre.
—E você, rastreador... venha atrás de mim outra vez e acho melhor seus amigos trazerem uma urna, porque você não vai retornar ao seu soberano inteiro.
Ela passou a lâmina azul fluorescente no rosto dele e a lâmina o cortou e queimou. E ele gritou.
—Bom, agora que já nos entendemos. Tenho que ir.
Ela entrou num carro e saiu dirigindo.
Mas, IO estava certa. Sobre tudo o que disse. Sobre nós.
Quando retornei ao Castelo de São Marcus, retornei determinado a fazer algo que deveria ter feito á séculos, mas nunca havia encontrado minha motivação, minha coragem.
—Vocês foram derrotados?
—Sim. E apesar do incontestável fato de que serei eternamente grato por terem salvado nossas vidas, não posso e nem quero fazer mais isso. Eu me demito. Estou fora.
—Está... fora?
—Isso. Estou saindo da Guarda. Serei meu próprio Mestre agora.
—Porque esta repentina decisão, meu querido?
—Não é repentina. Já estou pensando em fazer isso á alguns séculos como bem sabe, mas ainda não havia encontrado minha coragem. Suponho que não tinha um motivo para viver, até agora.
—E quanto a mim?
—Oh, Ellie, você acha que eu não sei? Pensa que não sei que sempre que estou em missão você está dormindo com um dos guardas? Creio que você nunca foi... a pessoa certa para mim. Então, eu liberto você. E sinceramente espero que encontre alguém que seja a pessoa certa para você.
—Também vou embora, Mestre. Concordo com meu irmão, é hora de começarmos a tomar as rédeas de nossas vidas. Talvez eu consiga encontrar alguém para mim.
Um a um, os membros da Alta Guarda desertaram.
—Princesa Alienígena 1, Aro 0.
Foi um trabalho e tanto convencê-la de que eu estava do lado dela e não contra ela. Dimitre partir ajudou muito, tive que deixá-la entrar em minha mente e cavar minhas memórias.
—E então?
—Acredito em você.
—E eu realmente fico feliz com isso. Porque te amo. Mais do que pensei que fosse possível amar alguém.
Ela sorriu pra mim.
—Bom, parece que agora temos duas coisas em comum.
—E quais seriam?
—Eu te amo e você me ama. E querendo ou não, nós dois somos encrenca.
—Você me encheu de bala e eu ainda te amo. Acho que me faz te amar mais, porque você é tão durona.
—É mesmo?
—Mesmo.
P.O.V. IO.
Eu fiz amor com um homem morto. E foi ótimo.
—Essa foi a sua primeira vez?
—Foi.
—Não sinto cheiro de sangue.
—Eu não tenho hímen.
—Oh! O mais você não tem?
—Meu suor não cheira ruim. Quando eu suo secreto um feromônio que deixa os outros... excitados. E tenho dois corações ao invés de só um.

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