Mundo da Máfia (1º Temporada)
43 Capítulo 43
Notas iniciais
Capítulo 43
Pov Ellie
—Eu estou com tanta fome tia. -Choramingou James -Estamos há dois dias aqui e só jogaram um biscoitinho
—Eu sei meu amor. -Abracei ele -Nós vamos sair daqui, eu prometo.
—Olha tia, ela acordou! -Falou feliz -Oi Nina. -Beijou a mãozinha dela -Dormiu bem?
Nina é a maior distração de James, ele conversa com ela toda hora, brinca e conta histórias. Me sinto culpada por ele estar preso aqui, isso não era para acontecer, ele é tão pequeno, como a idiota -pois Daisy não pode ser chamada de mãe- pode deixar ele aqui.
Daisy e Frederico já repararam que eu não vou dizer onde fica a empresa das máfias, aquela que é em uma ilha, então estão me mantendo aqui e pelo o que eu entendi, vão marcar de matar eu e Nina na frente de Lucca. Esfreguei o rosto logo depois sentindo doer o corte, se eu não fosse morrer, iria me preocupar da marca em meu rosto por conta desse corte.
—Olha para o rostinho dela. -James falou -Acha que ela gosta de mim? Parece que não, ela não sorri.
—Ela não sabe sorrir ainda. Mas gosta de você. -Expliquei forçando um sorriso
—Você está cansada tia, muito diferente de quando chegou. -Seus olhos encheram de lágrimas -Eu quero ir embora -Me abraçou
Flashback On
—Você está de castigo! -Enrico gritou me empurrando para dentro do porão.
—Não! De novo não! Eu não fiz nada! -Falei antes que ele fechasse a porta
O lugar não dá para ver nada, totalmente escuro e eu estou com medo, quero mamãe.
—Tia Constance! -Gritei -Tira daqui -Chorei -Quero ir embora.
Flashback Off
—Não chora meu amor. Vem cá -Puxei ele até mim -Você não merece isso, não chora! Você vai ser muito, muito feliz ainda. -Olhei para ele quê suspirou fundo
—Sempre quis conhecer meu pai. Os meninos tinham pai e mãe e eu não, eles falavam que eu era órfão, o que é órfão?
—Depois eu te explico -Falei escapando do assunto -Qual é a idade deles?
—Um tem dezesseis -Falou contando nos dedos -O outro tem onze e o outro é bebezinho, assim igual a Nina.
Olhei para minha menina que chupava o dedinho só reparando no espaço ao redor, atenta em todos os movimentos, seus olhinhos enormes de uma cor impressionante. Céus, não acredito que tenho uma filha, tão perfeita, Lucca vai ficar apaixonado quando conhecê-la.
Não aguento mais ficar aqui, o que eu mais quero é ir embora com James e Nina, poder encontrar meu Pietro, ele deve estar com saudades, não sei o que se passa na cabeça dele mas espero que Lucca esteja com ele, minha preocupação vai além disso, Pietro nunca ficou sozinho, ele falava que tinha medo de eu ou Lucca irmos embora, eu sinceramente não sei o que ele queria dizer com isso mas é um medo dele. Ele já teve pesadelos com isso, quando dormia sem a chupeta, acordava e ia para o meu quarto dizendo que eu tinha ido embora.
Será que estamos tão escondidos assim? Faz mais de uma semana que estamos aqui e nenhum sinal de Lucca, eu sinto tanto a falta dele, fico imaginando como ele deve estar chateado por não assistir o parto da filha ou desesperado por pensar que ela está morta. Mas ao mesmo tempo penso na alegria que ele vai ter quando encontrar os dois filhos vivos e com saudade. Só tenho que mantê-los comigo e não deixar que nada aconteça, é fácil certo?
Quanto mais conheço a máfia e o que os mafiosos fazem, mais me assusto, não imagino Lucca fazer isso com ninguém, manter alguém em cativeiro ou algo do tipo. Tenho medo de deixar meus filhos crescerem próximo disso, se acontecer algo comigo, quem vai ajudar Pietro e Nina ou até mesmo James? Se eu não voltar, Lucca vai enlouquecer, tenho certeza disso, não quero que Lucca se chateie ou fique mal, apenas cuide das crianças.
Olhei para James e Nina que dormiam. O braço dele por cima dela e as cabeças encostadas em um sono tranquilo. Essa menina só sabe dormir. Deitei a cabeça no colchão e o corpo no chão sentindo o corte em meu rosto arder, tenho certeza que devia levar alguns pontos aqui, mas infelizmente não tenho o que fazer e sinceramente, me importo mais se Nina e James estão bem.
Eu sei que as minhas chances de sair daqui viva são poucas, afinal, sou a "isca", mas ainda sonho em me reencontrar com minha família, dar um abraço bem forte em Pietro e Lucca, Ellie, meus gêmeos preferidos. Que saudade!
Acordei com uma alta barulheira na casa, Nina chorando muito e James me chamava desesperado
—Tem alguma coisa acontecendo tia, e eu estou com medo -Choramingou me abraçando
Abracei James com um braço e peguei Nina tentando acalma-lá, o que foi difícil devido ao alto som de tiros no andar de cima.
—Calma James. Vem cá -Abracei ele subindo no colchão -Se acontecer alguma coisa, e alguém abrir a porta, apenas corra daqui -Negou assustado
—Não vou deixar vocês aqui -Me olhou -Eu estou com medo
—Quando você tem medo e faz isso mesmo assim, isso chama-se coragem! Seja corajoso -Ele assentiu com os olhos arregalados -Filha, não chora! -Encostei o rostinho dela no meu pescoço acariciando suas costas. Quando eu menos esperava, uma explosão muito forte no andar de cima, fechei os olhos abraçando James e Nina.
Céus, o que está acontecendo? Lucca? Será que é Lucca? Um sorriso surgiu em meu rosto, a esperança é a última que morre... A porta foi aberta com desespero e Daisy foi na direção de James.
—Vamos embora garoto. -Puxou o braço dele
—Não quero ir!
—Vamos seu retardado! -Berrou mais alto que o barulho do lado de fora -ANDA!
—Ele não vai a lugar algum com você. James fica! -Disse convincente
—Então quem vai é você! -Daisy veio para cima de mim, em segundos ela puxava meu cabelo, coloquei Nina sobre o colchão, o choro dela era apavorante, já o de James quase não dava para ser ouvido no meio do tiroteio todo.
—EU VOU MATAR VOCÊ! SUA VADIA! -Gritou Daisy me puxando do chão
—Vou te dar trabalho. -Dei um soco na cara dela olhei para James logo depois insinuando com que ele fugisse mas ele negou
Corre droga!
—Eu já te falei que odeio você? -Gritou me dando um soco -Você -Um tapa -Acabou -Outro tapa -Com a minha vida!
—Não me culpe por sua derrota! -Puxei o cabelo dela empurrando-a para o chão. -Vai James! -Ele negou com os olhos arregalados
Subi em cima dela e dei um soco em seus seios, ela gritou alto, olhei para James, ele escondia o rosto contra o colchão, merda! Rápido demais, Daisy subiu sobre meu corpo e deu um soco em meu nariz, fechei os olhos tentando me defender com os braços mas ela foi para meu estômago, um, dois, três, quatro socos no estômago. Minha força já não existia mais, estou sem uma alimentação direita há uma semana ou mais.
—É bom né? -Falou Daisy
Ouvi um barulho no andar de cima o que parecia uma bomba, céus! Minha filha! Os gritos apavorantes de Nina pareciam cada vez mais alto. Sem esperar, levei um soco na cabeça, tão forte que tudo ao redor começou a girar.
—Eu não posso matar nem você nem sua filha, infelizmente, vocês serão as reféns mas seria um prazer tirar a vida de vocês -Saiu de cima de mim e foi para o colchão -Vamos James, solta essa criança aí.
—Não! Quero ficar!
—Não começa seu escroto! Vamos! -Pegou o braço de James o levantando
—Não! -Gritou chorando -Eu fico.
—Calado!
Olhei para meu lado esquerdo e ainda meio tonta segurei o tornozelo de James que me olhava apavorado
—Não vai -Falei em um fio de voz -James é meu.
Daisy o puxava pelo braço e eu segurava seu tornozelo, quanto mais eu fazia força mais meu abdômen era contraído e mais doía. Nina não transmitia mais som de tanto que chorou, e eu não podia fazer nada para acalmar minha menina. Os tiros cessaram um pouco.
—Solta meu filho! -Daisy voltou chutando meu braço -SUA PIRANHA!
Um chute no rosto me deixou imóvel e não satisfeita, Daisy levantou meu rosto o batendo a parte lateral da minha cabeça no chão com muita força
—NÃO! -James me abraçou -Deixa ela! -Sussurrou -Por favor
Nina, minha nina, James!
Olhei para Nina que estava com rosto próximo ao meu totalmente vermelho de tanto chorar, ajuda eles Lucca.
—Seja valente Nina -Sussurrei antes de ser tomada pela escuridão.
Pov Liesel
Uma semana que estou sem Ellie. Uma semana que Pietro não come! Só chora sem parar! Quando ele dorme eu dou uma mamadeira mas não é a mesma coisa, ele tem três anos e meio, não pode ficar sem comer.
Ellie teve a neném e nem sabemos se ela está viva ou não, nem sei se minha sobrinha sobreviveu! Isso é uma tortura, eles merecem pagar por isso, merecem sofrer pelo o que estão fazendo com minha família. Meus filhos sentem falta de Ellie e Lucca. Não me esquecendo! Lucca foi para ó Mexico faz uma semana e não voltou, esse é um dos motivos do desespero de Pietro, ele está sem os pais e eu sinceramente por quanto tempo ele vai aguentar.
—Dinda -Olhei para porta olhando Pietro entrar no quarto ainda de pijama -Liga para papai?
—Ligo sim amor, mas vamos tomar um banho? Dinda dá em você.
—Liga papai primeiro? -Pediu com olhar apaixonante dele
—Tudo bem, vamos lá.
Peguei meu celular discando o número de Lucca. Atendeu no primeiro toque
—O que você quer? -Falou com uma voz assustadora
—Pietro, quer falar com você. -Ele suspirou fundo
—Passa para ele.
—Aqui amor, fala com papai. -Entreguei meu celular
—Papai? -Ele escutou por um tempo e seus olhos se encheram d'água -Eu xei' papai mas eu... -Ele fez beicinho -Prometo papai. Eu também. -Ele entregou o celular para mim.
—Vamos tomar banho? -Perguntei e ele assentiu indo em direção ao banheiro.
Liguei o chuveiro esperando a banheira encher. Sentei no divã despindo Pietro.
—Depois do banho vamos comer? -Ele olhou para meu rosto e fez careta negando -Não pode ficar sem comer Pietro, dinda já conversou com você.
—Mas eu quero minha mamãe dinda, ela tem a comida melhor.
—Mas a comida é a mesma
—Não! Não é, quero a mamãe.
Suspirei pensativa, e ajudei ele a subir na banheira.
—Papai disse que amanhã vai buscar mamãe.
—Ele falou isso? -Ele assentiu
Pensei por alguns segundos, o motivo que levou Lucca a mentir, enganar Pietro, ou então ele conseguiu alguma coisa? Céus, ele não fala nada!
—Que bom então né. -Sorri e ele assentiu
Banho tomado e criança adequadamente vestida, descemos as escadas, minha tentativa de fazer Pietro comer não acabou.
—Oh como está lindo! -Minha mãe falou -Deixa vovó cheirar. -Pietro com a chupeta na boca foi até minha mãe -Olha como está cheiroso!
—Que' vovó. -Taylor resmungou indo até minha mãe também querendo cheiro.
—Pieto' vem bincar' -Jeff tirou a atenção dos carrinhos e olhou para Pietro que negou.
—Eu estou impressionada com a inteligência desse menino. -Caille sussurrou
—Vamos comer uma maçã Pietro? -Ele me olhou e negou bem vagarosamente com o rosto
—Mamãe! -Jack se levantou e veio até mim -Eu quero maçã
—Vamos lá então. -Jack foi correndo para cozinha e Pietro foi de mão dada andando bem lentamente.
—Pietro brinca também . -Jack falou alto
Abri a geladeira e depois de lavar e partir entreguei um potinho com maçã para Jack e outro para Pietro, que pegou sem protestar
—Se a mamãe chegar e descobrir que você não está comendo, ela vai ficar triste!
Ele me olhou e arregalou os olhos
—Vai? -Perguntou com carinha triste
—Vai sim.
Ele levou a mãozinha até o pote e colocou um pedaço de maçã na boca.
—Mamãe não gosta que fique triste. -Engoliu a maçã -Ela falou isso
—Viu? Imagina se ela souber que você está triste! Vai ficar triste também. -Ele assentiu e deu um meio sorriso
—LIESEL! -Minha mãe gritou
Corri até a sala assustada com os gritos.
—Mãe? -fui até ela -O que foi?
—Lucca, seu pai, Henry, Mike e todos os homens estão indo até Ellie, já sabem onde ela está! -Arregalei os olhos sorrindo
—Como encontraram? Oh Deus, será que ela está bem? E a neném? Oh Deus!
—O que foi dinda? -Pietro me olhou assustado com meus gritos
—Ahm... -Pensei por um instante, não é legal falar isso para ele agora, deixar ele ansioso não sabemos o que vai acontecer! ai, eu estou tão confusa! -Nada não amor.
Eden me olhou pensativa sentada no sofá e negou com a cabeça sorrindo. O que está acontecendo com essas crianças? Oh céus! Estou tão ansiosa para saber se está tudo bem com elas, quero conhecer minha sobrinha e quero abraçar Ellie para nunca mais soltar!
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