Mundo da Máfia (1º Temporada)
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Capítulo 26
Nunca vi uma barriga tão grande. Liesel chegou aos nove meses de gestação com a barriga maior do que ela inteira. Todo minuto resmungava de dor e dizia que os gêmeos não ficavam quietos. Estava sentada sobre o balcão com Pietro no colo e Liesel no banco comendo um bolo de chocolate e pedindo mais pedaços para Ada.
-Liesel, você está muito comilona! -Falou Ada colocando uma fatia no prato
-Estou comendo por três Ada, tenho desculpa. -Sorriu colocando mais uma colher nos lábios -Sabe se Henry vai demorar hoje Ellie? Não estou me sentindo muito bem.
-Acho que eles vêm tarde hoje, quer ir para o médico? -Falei colocando a chupeta na boca de Pietro.
Liesel ficou por alguns segundos paralisada com olhar desesperado e foi quando escutei barulho de água. Olhei para o chão e tinha água, a bolsa!
-O céus! Ada! A bolsa estourou! -
Entreguei Pietro no colo de Ada e desci do balcão de madeira.
-Vamos para o hospital Liesel. Venha!
-O Henry. Quero ir com ele! -Falou se levantando pálida.
-Henry nos encontra lá Liesel, vamos logo! -Ajudei ela a ir para garagem.
-Boa sorte Liesel! -Gritou Ada da cozinha
Coloquei Liesel no carro de Leo pedindo para ele seguir para o hospital, e assim ele fez. Peguei meu celular e disquei o número de Henry que rapidamente atendeu.
-Ellie?
-A bolsa estourou, estamos indo para o hospital. Esperamos você -Liesel gritou apertando minha mão -Venham logo. -E assim desliguei
-Ellie, dói muito! -Gemeu -Anda logo Leo! Ou vou parir no seu carro! -Gritou desesperada.
Uma hora desesperadora e finalmente chegamos a merda do hospital. Meu braço já estava roxo de tanta mordida que Liesel dava. Entramos no hospital e rapidamente vieram com uma cadeira de rodas para ela.
-Não me deixa não, está bem? Fica comigo. -Falou enquanto um enfermeiro empurrava a cadeira para o elevador.
-Vou ficar Liesel. -Segurei a mão dela enquanto o elevador subia.
E foi a primeira vez que não me importei de estar dentro de um elevador.
-Ahhh, que dor! -Se encolheu
-Senhora, se acalme, já vai passar. -O enfermeiro disse
-Tenta ter contração então! -Retrucou ela
Fomos levadas para a sala da Doutora Jamily, que por sorte ainda se encontrava no hospital.
-Liesel querida. De quanto em quanto tempo a dor aperta?
-Não estou contando
-De dez em dez doutora. -Respondi
-Vamos fazer uma ultra para ver como estão? Vou pedir que se deite.
Liesel assentiu e com ajuda, se deitou na maca. Jamily olhou por alguns minutos.
-Então, eles não estão posicionados corretamente. -Falou ainda olhando para o monitor. -Você quer cesariana ou esperar mais um pouco para ver se eles se ajeitam?
-Tira eles daí -Liesel resmungou quase sem voz.
-Vou preparar as coisas enquanto seu marido não chega.
Uma hora depois as coisas já prontas e os maridos nos seus devidos lugares, e vestidos como manda o hospital, Liesel já na cama deitada pronta para retirada dos meninos. O cheiro da sala é puro álcool. Aparelhos os quais eu não sei o nome em toda parte. Lucca de mão dadas comigo olhando o processo atentamente. Henry ao lado de Liesel segurando sua mão e vários médicos pra lá e pra cá.
-Bebê um! -Jamily disse retirando o bebê e logo após o choro estridente soou.
Liesel que não podia ver nada curiosa com os olhos cheios d'água
-O primeiro é o Jack. -Falou
À enfermeira enrolou o neném e colocou uma toquinha escrita Jack, trouxe próximo a Liesel que segurou apaixonada
-Bem vindo pequeno Jack.
-Olha o que você fez com minha irmã -Lucca brincou com Henry que sorriu
Jack não tinha cara de joelho, o bebê mais fofo e grande que já vi. Ele berrava e Lucca olhou, emocionado? Henry o papai do ano, não parava de chorar, foi quando escutamos outro chorinho, choro não, berro! Ó bebê número dois, Jeff, possuí um choro forte. Olhei e lá estava ele, não tão grande quanto o irmão porém tão lindo quanto Jack. O enfermeiro enrolou em um paninho e colocou uma toquinha azul escrita Jeff, entregou nos braços de Henry que chorava sem parar.
As enfermeiras levaram os meninos por um tempo que parecia nunca acabar pois Liesel pedia por eles de um em um segundo. Falando que teria que amamentar os filhos.
E como ela esperava os meninos foram desesperados mamar. Liesel sorria sem parar e eu igualmente. Os meninos são perfeitos! Jeff, o bebê dois, tem olhos verdes iguais aos de Liesel e cabelos brancos de tão loiros. Já Jack, bebê número um, nasceu com olhos castanhos igualmente os cabelos. Nenhum deles veio com os olhos azuis de Henry.
Depois de amamentados, pude finalmente segurar um de meus sobrinhos, Jeff, para ser mais exata, seus olhinhos verdes apaixonantes! Que vontade de apertar! Seu rostinho inchado e sua boquinha se movendo sentindo ainda o gosto do leite.
-Olá Jeff. -Passei a mão na sua mãozinha
Sua roupinha branca e azul, a coisa mais fofa com um ursinho marrom, me lembro de ter comprado com Liesel, sua toquinha ainda de hospital escrito Jeff. Olhei para Lucca que segurava Jack enrolando em uma mantinha azul. Liesel deitada na cama olhando os filhos e Henry ao lado dela acariciando seus cabelos.
Ficamos com eles até tarde da noite, não queria ir embora porém Lucca insistiu que eu deveria dormir. E então fomos para casa.
Sem dúvidas essa casa não é a mesma coisa sem Liesel. Desde que ela chegou a sala não fica mais fazia, gostaria de ter ficado com ela. Depois de tomar um delicioso e quente banho com Lucca, nos deitamos na cama quentinha.
-Ellie, conhece algum Carl? -Lucca disse com os olhos presos ao notebook
Paralisei no momento. Carl? Não pode ser o Carl que estou pensando! Que ele tem alguma coisa com a máfia eu já sabia mas...Lucca? E se ele fizer mau para Lucca. A essa hora já estava tendo calafrios. Qual foi a última vez que fiquei assim?
-Ellie? -Senti Lucca me sacudindo -Você está bem?
-O que tem Carl? -Falei apavorada
-Carl descobriu tudo sobre a traição de Enrico. -Suspirou -Descobriu que não contamos para outras máfias que o casamento foi de mentira. Só para... -Pensou por uns segundos -Pegar posse da máfia Italiana
Olhei apavorada com a respiração pesada
-Ele não vai contar vai? -Sussurrei
-Ele quer um acordo. -Falou sem mostrar emoções.
Fechei os olhos esfregando o rosto. Lucca rapidamente segurou meu queixo fazendo-me olha-lo
-Não se preocupe Ellie. -Me abraçou -Não se preocupe por favor. -Falou mexendo em meus cabelos
-Não era para isso estar acontecendo, logo agora que os meninos estão aí, Liesel! Ela vai ficar desesperada quando souber
-É exatamente por isso que ela não vai saber. -Falou pensativo -O que Carl fez com você?
Flashback On
-Eu não quero ficar nessa festa Enrico!
-Não tem que querer Ellie! Você é minha filha, tem que comparecer aos eventos comigo!
-Eu não sou sua filha!
-Cala a boca e se comporte!
-Cala a boca, se comporte, vou te bater, vou te trancar no quarto. -Imitei a voz dele. -Não tenho medo!
Entramos no salão lotado, cheio de mafiosos nojentos de todos os lugares, um mais ridículo que o outro. Mesas brancas e douradas em todo lugar, homens de terno preto se descolavam no salão com mulheres de longos vestidos de diversas cores. Enrico se sentou em uma mesa com uma reserva escrita "Ravagnani"
-Senta.
-Não quero, estou lá fora. -Sai de perto dele
Nesses salões chiques sempre tem um grande jardim atrás e na frente, os quais eu prefiro ficar. Como eu imaginava a parte de trás é composta por um grande chafariz e vários bancos no meio das árvores, lugar não muito iluminado. Pouquíssimas pessoas ocupavam o local, algumas conversando e alguns jovens que provavelmente foram obrigados a comparecer.
Me sentei em um dos bancos e fiquei ali sozinha esperando tudo aquilo acabar.
-Eu sabia que um dia te veria novamente!
Encarei a figura de terno preto assustada, me levantei do banco por reflexo, sair daqui é o que eu preciso!
-Carl. -Olhei incrédula
Tentei dar um passo para longe porém ele me impediu
–Saudades minhas Ellie? Creio que sim! -Sorriu se respondendo -Nossa querida! Como está gostosa! -Passou a mão em minha bunda
-Cala a boca seu idiota! -Tirei a mão dele
Carl, meu antigo padrasto que colaborou na morte da minha mãe! Ele que começou essa divida e claro ela terminou. Provavelmente para bancar o vício, está trabalhando para alguma máfia.
Em um puxão rápido Carl me agarrou, nem me defender eu consegui, seus beijos asquerosos e nojentos em meu ombro, me debati com toda minha força porém era em vão. Sua mão foi dentro do meu vestido passando por meus seios.
-Carl... -A voz familiar que tanto desprezava surgiu e Carl parou de me agarrar.
Lágrimas escorriam em meu rosto, minha respiração ofegante e meu corpo trêmulo. Corri para trás da árvore ali próximo. Não poderia entrar no salão desse estado.
-Agarrando minha filha? -Falou irônico
-Enrico! -Sorriu -Ellie não é sua filha... -Falou calmo -Se me lembro bem ela é a menina da Corina. Que sumiu faz uns anos.
-Eu matei. -Balbuciou sério — Devia te caçar também mas Corina pagou a divida dos dois com a morte e a menina.
-Acho que estamos quites!
-Talvez...Agora saia daqui.
E então escutei passos se afastando
-Ellie?
Sai da proteção da árvore indo até Enrico com olhar assustado
-Vamos voltar para o salão. Da próxima vez eu deixo completarem o trabalho e ainda ficarei assistindo.
Flashback Off
-Ellie, Ellie! Você não está legal!
-Carl...Ele batia na minha mãe.
-Sei que não é só isso! Fala o que é.
-Não é nada.
Um silêncio reinou no cômodo, não posso contar toda história de Carl, não gostaria de Lucca mexendo com ele.
-Ei -Me abraçou -Fica tranquila -Beijou minha testa -Vamos dormir?
Assenti fechando os olhos.
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