Mundo da Máfia (1º Temporada)
25 Capítulo 25
Notas iniciais
Capítulo 25
-Mamãe, estou com fome. -Sacudi o braço dela.
-Eu estou de saco cheio dessa criança! -Falou esbaforindo fumaça no meu rosto
Comecei a tossir sufocada esfregando os olhos com a fumaça em meu rosto e sai de perto, o amigo da mamãe riu e mamãe também, riram de mim. Fui até a cozinha de ladrilhos amarelos, e abri o armário, arrastei o banco até ali e subi procurando algo para comer. Biscoito!
Peguei um pacote de biscoito salgado e desci dali, voltei para sala e o amigo barbudo da mamãe estava sem roupa em cima dela. Eca! Fui para a varanda e sentei na escadinha de madeira comendo o biscoito
-Ellie, o que está fazendo?
-Comendo -Mostrei o biscoito
-Quer brincar?
-Não, hoje não
Chorinhos e mais chorinhos, coloquei minha mão no chão sentindo leves mordidinhas. Maximus! Abri os olhos brincando com ele com os dedos, bati as unhas no chão e ele rosnou, lindinho!
Passei a mão ao lado da cama e Lucca não estava. Trabalho! Me levantei e fui para o banheiro fechando a porta antes que Maximus chegasse.
Um banho quente e delicioso, o qual não consegui realizar ontem. Sai do banheiro enrolada em uma toalha grande e fui para o closet. Cada passo que dava Maximus vinha atrás de mim pulando querendo brincar. Escolhi um vestido de lã de manga comprida.
Depois de vestida, cabelo penteado e seco desci as escadas observando Liesel deitada no sofá cheia de coberta envolta
-Oi Liesel.
-Oi -Falou com a voz manhosa
-Está tudo bem? -Me sentei ao lado dela
-Não, eles estão me machucando e eu vomitei a noite toda.
-Você já ligou para doutora?
-Ela disse que seria assim mesmo devido ao nível mais alto de hormônio. Já os chutes, eles são muito grandes. E acho que farei uma cesárea, ou não vou aguentar.
-Posso sentir? -Perguntei e ela assentiu
Coloquei minha mão sobre a barriga e imediatamente senti um chute, coloquei as duas mãos e chutaram novamente. Céus!
-Vamos ver um filme? -Assenti
-Você escolhe, vou fazer pipoca.
Entrei na cozinha e avistei Ada ninando o neném. Oh sim, tinha me esquecido!
-Ada! -Ela me olhou com um sorriso enorme no rosto e com o bebê no colo veio me dar um abraço
-Oh Ellie, senti tanta sua falta! Ah, olhe, esse é o Pietro. -Me entregou o neném no colo
O bebê tinha lindos olhos verdes escuros, uma tonalidade diferente, cabelos castanhos escuros lisinhos e desenhados. Olhei para ele sorrindo e ele sorriu de volta
-Quantos meses ele?
-Quatro -Falou sorrindo
-Liesel já viu?
-Sim, ficou aqui com ele a manhã toda.
Com as pipocas prontas, voltei para sala
-Estava com Pietro né? -Assenti
Liesel sorriu
-Ele é lindo. Imagina quando meus meninos chegarem, vão ser amigos -Falou sonhadora.
Vimos um filme chamado A Bigger Splash, Liesel e eu adoramos e segundo ela Henry e Lucca não podem assistir.
Liesel foi para o quarto dos bebês pois segundo ela teria que arrumar umas coisas e eu fiquei sentada no tapete de pelinhos de lá brincando com Maximus e conversando com ela. Horas depois a porta se abriu e olhei ansiosa pensando ser Lucca. Henry.
-Olá Henry, cade Lucca?
-Foi tentar um acordo com uns caras.
-Acordo de que?
-Paz
-E por que não foi também?
-Não podia, ninguém foi com ele. -Falou calmo dando um beijo rápido
-Está brincando? -Falei nervosa já me levantando
-Sim ele está. -Lucca apareceu atrás de mim me dando um beijo
-Vocês são idiotas!
-Quem me dera negociar a paz -Riu -Sabe nem mentir Henry
-Inventei na hora, tem que ser uma coisa planejada sabe? Tipo assim, amor, você está linda com essa barriga.
Liesel olhou para ele franzindo o cenho e apertando os olhos
-Ah, estou? Vou fazer greve de sex... -Arregalou os olhos -Ops
Lucca bufou
-Sem detalhes por favor. -Falou rígido e Henry riu
-Sorte que terei dois filhos -Henry disse pensativo -Não aguentaria meu filho tentando proteger minha filha
-Acho que você também não vai aguentar um soco no seu lado esquerdo.
-Estou com fome. -Liesel choramingou
E logo depois um silêncio se instalou na casa e o choro de bebê ecoou.
-Pietro está chorando. -Falei prestando-lhes atenção no som -Vou lá.
Sai do quarto e desci as escadas ouvindo Liesel atrás de mim. Cheguei na quarto de Ada -Que era nos fundos próximo a cozinha -E a porta estava aberta, ela estava ela, sentada na cama com o bebê nos braços vermelho como um tomate de tanto chorar, ao redor de Ada, mamadeira, fraldas, panos, chupetas e seu rosto era puro desespero.
-O que ele tem? -Perguntei da porta.
-Ai Ellie me ajuda! Não consigo fazer esse bebê parar e tenho que fazer as comidas do almoço e ele dá esses ataques, olha a cor dele! Vou acabar sendo demitida pois não consigo realizar as tarefas! Isso é muito frustrante! -Tagarelou nervosa
-Quer me dar ele? Faça suas coisas, eu e Liesel tentamos acalma-lo.
-Seria ótimo, eu fico logo desesperada e nervosa!
Peguei Pietro no colo que se debatia e gritava, céus! Sentei na cama encostada na parede e coloquei em minhas pernas levantando-as um pouco. Liesel sentou ao meu lado
-Ei, Pietro. Vamos ficar quietinhos. -Falei baixo
Porém ele não se acalmava
Levantei colocando-o de bruços e passei o braço por baixo dele o segurando e batendo na bundinha ao mesmo tempo resmungando um ritmo qualquer e balançando ele. Aos poucos ele foi parando e ficou apenas com um soluços após o choro. Deitei-o no meu colo de frente e acolhi em meus braços.
-Sem chorar amor, fica quietinho.
As carinhas que ele faz é apaixonante e aos poucos ao longo da música ele fechou os olhinhos verdes suavizando a expressão segurando no meu vestido. Coloquei ele na cama porém ele ainda segurava meu vestido com a pequena mãozinha. Quando finalmente soltou pude me levantar novamente e vi Liesel, Lucca com Maximus no colo e Ada me olhando.
Euen
-Você tem um jeito com crianças incrível! -Falou Ada pasma e eu sorri
-Os meus dois você terá que se virar pois quando eles gritarem vou sair correndo. -Liesel tagarelou
-Quer você. -Lucca me entregou Maximus que abanou o rabinho quando me viu
-Devia ser cólica. -Falei com Maximus nos braços.
-Vamos subir? -Lucca disse me envolvendo com o braço
Depois de trocar de roupa, me deitei na cama com Lucca que mexia em seu notebook com aparência preocupada
-O que é isso?
-Não é nada -Balbuciou sem tirar os olhos da tela
Ele bufou colocando o notebook no criado mudo e saiu do quarto com o celular na mão.
Como sou um pouquinho curiosa, me aproximei do notebook lendo o que estava escrito. Um e-mail de Sandro (computação-MI). Sandro, o melhor hacker da "empresa" de Lucca
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De: Sandro F. (Computação-MI)
Assunto: Planos IXG
22 de setembro
Para: Lucca Bellusci
Senhor Bellusci, resolvi o "assunto" que o senhor pediu. Invadi o computador e o celular deles pretendem atacar essa noite não sei a localização certa mas provavelmente é na sua residência. Se eles pedirem alguma "negociação" já sabe que é cilada.
Se precisar de algo, só entrar em contato. Estarei vigiando os aparelhos deles.
Sandro. Computação MI -0586G
Céus! Por que o Lucca não fala nada? E se acontecer algo com Liesel? Bate na madeira sua idiota! Desci da cama indo atrás de Lucca
-Lucca? -Caminhei pelo corredor -Lucca?
-Ellie, vai para o quarto no closet de Liesel. -Olhei para o primeiro andar observando Lucca com uma arma em mãos encostado ao lado da porta
Henry abaixado atrás do sofá com uma arma e foi quando escutei tiros lá fora. Olhei para Lucca
-VAI ELLIE, CORRE!
-Não! Cadê Pietro e Ada? Liesel? -Gritei para que ele pudesse escutar.
-ESTÃO LÁ! -Falou abrindo a porta fazendo a barulheira de tiros e estilhaços ficar mais alta e nítida
Corri para o quarto de Liesel
Não Ellie, Maximus! Pega o Maximus!
Continuei correndo até o fim do corredor, abri a porta e Maximus estava lá sentado no chão. O peguei no colo e corri para o quarto de Liesel. Abri a porta trancando quando entrei, fui para o closet também trancando após entrar. Me ajoelhei no chão para ver aonde era a passagem, bati até achar o eco e empurrei a porta. Fui descendo as escadas com Maximus nos braços e após entrar fechei.
Com a respiração ofegante sentei no chão sentindo o abraço de Liesel
-Que bom que está bem Lie. -Beijou meu rosto
Olhei para o quarto e é bem parecido com o do nosso, um tom amadeirado com alguns bancos, livros, armas, frigobar. Senhora Rossi e Ada sentadas no sofá com olhar desesperados, Pietro deitado no sofá brincando com as mãozinhas como se fosse a melhor coisa do mundo. Os tiros que antes altos e ensurdecedores, quase imperceptíveis. Coloquei Maximus no chão, minha respiração se estabilizando junto com a tontura. Faz quanto tempo que não como?
-Gente, estou nervosa -Falou Liesel respirando descontroladamente e com voz de choro -Meus bebês sentem quando fico nervosa. Estão me chutando.
Meu nervosismo não se continha, o medo do que Lucca, Henry e os outros seguranças estão passando é demais. O que eu mais queria é ir lá, só ver se Lucca está bem! Os tiros pararam e o silêncio ensurdecedor atingiu meus ouvidos. O medo está me fazendo pensar coisas apavoradas. O choro de Liesel me assustou.
-Meus filhos não podem nascer sem pai. -Chorou
-Liesel, se acalma, eles não nasceram sem pai! -Falei acariciando seu cabelo
Duas horas tensas naquele lugar, Pietro estava no décimo sono, não se importava com o que estava acontecendo lá fora, nem sequer entendia nossa preocupação.
-TIRA LOGO LUCCA! -Uma voz rosnou no quarto
Olhei para Liesel e nos levantamos juntamente, subi às escadas e arrastei a madeira. Henry sentado na cama com uma mão no rosto e a outra mão com Lucca, sangue, muito sangue.
-O que aconteceu? -Liesel disse desesperada
Quando ela viu o sangue pingando no chão, ficou pálida na mesma hora. Colocou a mão nos lábios e correu para o banheiro. Ajudo quem, Liesel ou Henry? Ó céus!
Corri para o banheiro com Liesel. E lá estava ela ajoelhada no chão segurando as laterais da privada. Segurei os fios loiros soltos sem olhar para ela. Meu estômago não é tão forte assim. Quando finalmente acabou, lavou a boca e respirou fundo
-Esses bebês -Respirou pesadamente -Terão que me dar muito orgulho. -Sorriu
Mesmo passando mau, ela consegue ter senso.
-Darão Liesel. Eles darão
-Ajuda Henry, não vou conseguir ver o sangue
-Vai ficar bem? -Ela assentiu e eu deixei o banheiro
O quarto estava vazio, apenas gotas de sangue em toda parte, fui para o corredor e avistei Senhora Rossi no corredor limpando o chão.
-A senhora está bem? Quer ajuda?
-Não precisa querida
-Onde está Henry
-Na sala esperando o médico.
-Obrigada.
Desci as escadas observando a zona da casa. Vasos de vidro estilhaçado em todas as partes com gotas de sangue, dois homens mortos no chão e armas, no mínimo umas cinco delas jogadas. Henry sentado no sofá com um pano -ensanguentado -pressionando o antebraço
-Lucca?
-Você não precisa ver isso. Suba.
-Quero ajudar
-Também não precisa.
-Liesel pediu, falou que está preocupada
-Já pedi para subir
Só então fui ver um corte no pescoço dele
-Você também está machucado. -
Olhei para seu pescoço que saia pouco sangue.
-Me cortei. Vamos Ellie. Maximus está chorando no esconderijo.
Maximus! Corri para o quarto de Liesel e ela já estava deitada na cama limpa e sem sangue com camisola
-O cachorrinho? -Se precipitou
-Sim
-Está brincando com o pano de chão do banheiro. -Me redirecionei para o banheiro -Como está Henry?
-Foi de raspão, não chegou a ser tão profundo. Ó médico está a caminho.
-Estou me sentindo inútil. Nem ajudá-lo eu posso -Balbuciou Liesel
-Você não está inútil, está grávida -Falei com Maximus no colo.
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