Mundo azul
4 Por do sol 03
Sophia sentia os dedos suarem e o coração acelerado.
Temia que o Sr. Crawford ficasse irado pelo roubo e a prendesse.
Mas assim que um senhor atravessou a porta, tudo o que ela sentiu foi: paz.
Como se com sua presença a cor voltasse e seu coração se aqueceu, ele parecia um avô preocupado com o neto que havia mimado demais.
Seu olhar para Sophia não era rude ou com vingança, pelo contrário: era curioso.
Os cabelos que outrora eram loiros, misturam-se com fios brancos e parecem mais com um prateado.
Sophia via aquele senhor como uma obra de arte, algo a ser apreciado e intocado.
Os olhos castanhos lhe observavam da mesma forma que ela.
Para Sophia ele tinha a cor do pôr do sol, onde a pessoa só de estar perto sentia tranquilidade na vida caótica.
Ainda mais que ela nota estar encarando demais o homem que pode comprar a cidade num estalar de dedos, só a roupa de grife dele paga conta até da próxima geração dela.
— Sophia Gray? Eu me chamo Carlos Crawford — Ele estende a mão e ela o cumprimenta.
— Prazer senhor — Respondeu tímida.
Todos saem da sala, deixando-os a sós.
— Me perdoe senhor, pelo meu irmão — Diz ela baixo e olhando para o chão — Eu não sei onde ele está, mas como sempre faz ele voltará…
— Se fosse só o dinheiro eu não me preocupei — Responde ele ainda em tom sereno — Seu irmão roubou a aliança que pertencia a minha esposa, ela é falecida e a casa era dela.
Sophia ergue a cabeça surpresa e antes que fale ele a interrompe:
— Não se culpe a criança, foi apenas Saimon, seu irmão quem fez não você. — Ela ergue uma sobrancelha — Como você mesma disse ele vai voltar não? — Ela concorda — Então vamos preparar uma armadilha a ele, se assim desejar.
— Meu irmão precisa pagar com os erros — Diz convicta.
— Maravilha, então eu a convido para morar na mansão que ele roubou a jóia.— A moça entende onde ele pretende chegar e completa.
— Ele voltaria para pegar mais, assim eu seria o acesso fácil — Suspira com raiva — Saimon me usou sem pestanejar, não seria agora que ele pararia.
— Será como um trabalho — Carlos se senta na cadeira — Sinto muito envolvê-la nisso, mas a aliança foi passada pela família. Uma herança que dei à minha esposa quando namoravamos.
— Não se preocupe, entendo perfeitamente e quero ajudar.— Mesmo que seu coração esteja completamente afetado e destruído pelo seu irmao.
— Irei ajudar sua família.
— N-nao desejo abusar de sua bondade senhor….
— Eu já fiz errado em bisbilhotar sua vida, desejo ajudar o emprego de seu pai e levar sua mãe a um hospital melhor, qual a doença dela?
— Ossos de vidro — Ela olha para baixo triste — Minha mãe estava procurando um emprego, mas não queríamos que ela se forçasse e se cuidasse. Sempre saímos com ela para evitar que se machucasse, mas um dia em que não tinha ninguém em casa ela ouviu uma grávida, que estava prestes a ter seu filho.
Ninguém sabia como ajudar, ela não desistiu e ajudou a mãe — Ela sorri com orgulho — Fico feliz que minha mãe estava lá, ou o bebê morreria, ela teve de forçar suas mãos, então no processo que a criança nascia, seus dedos quebraram em várias partes, ela não consegue movimentar as mãos. Está no hospital se recuperando, pois é um processo complicado…
— Não se preocupe criança, eu a ajudarei nisso.
— Senhor eu, não quero parecer interesseira…
Carlos viu o receio nos olhos claros dela, uma tonalidade interessante de azul, sua expressão era de hesitação. E ele entendia o que ela poderia estar pensando:
“Como alguém como eu, parou nesta situação?”
— Saiba que eu não olho classe social — Fala baixinho — Quando me conhecer melhor, vai notar — Ele sorri e se levanta da mesa, indicando que a reunião acabou — Novamente sinto muito em usa-la nesse plano contra seu próprio irmão, mas será tranquilo a casa é mais vazia, e uma vez na semana a governanta vai para manter a casa limpa e cuidada. Tem os aposentos dos funcionários, pode ficar lá.
Ele vê os olhos dela brilhar em esperança e ficou feliz que ela mostrou um sorriso terno. Carlos sentiu pena dela, não pela situação toda, aquilo era inevitável.
Mas pelas decisões do irmão que só a levaram a tomar uma difícil atitude em entrega-lo.
Ele ponderou se avisava sobre o filho que estaria voltando para casa, mas quando a viu estar assimilando a situação, deu de ombros.
“Depois eu explico” pensa.
— Estarei entrando em contato com você senhorita Gray, para explicar como vai funcionar a partir daqui e quanto a emprego não se preocupe, vou contratar você.
Ela não responde de imediato e belisca a sua própria bochecha, Carlos ergue a sobrancelha e sorri.
Sophia era divertida.
— Obrigada pela oportunidade, senhor — Responde.
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