Mundo azul
5 Branco 04
Sophia não sabia como falar a novidade a seus pais.
Mas o Sr Carlos pareceu ter resolvido tudo, pois quando ela chegou ao hospital sua mãe estava sendo transferida e o pai boquiaberto.
— Emprego? — Perguntou ao homem na sua frente com a roupa social.
— Sim, o Sr. Crawford gostaria de seus serviços como motorista particular dele.
Ele estava sem palavras e quando avistou Sophia, sorriu como nunca antes. Seu pai parecia outra pessoa.
As cores poderiam então estar voltando à sua vida?
Ele agradece a oportunidade e mantém a postura até a chegada da filha, espera o homem se retirar e a abraça forte.
— Querida nossa vida está mudando, graças a Deus!
Ela retribui o aperto e sorri. A olheira em seus olhos agora não parecia nada, os olhos esverdeados que outrora estava desbotado, voltavam a um brilho de esperança. Até os cabelos castanhos e desgrenhados estavam animados balançando de um lado a outro.
Pareceu que seu irmão ajudou a família toda indiretamente, pois pelo seu erro, ele deu oportunidade a eles.
Uma nova vida.
— Sr. Gray? — Um médico se aproxima — A ambulância irá partir.
— Ah sim, muito obrigado. — Responde e se volta à filha — Irei com sua mãe está bem? Conversamos melhor no novo hospital — Lhe dá um beijo na testa e sai animado.
Ela então passa o resto da tarde terminando seus afazeres no trabalho e pedindo demissão dele para logo começar na mansão.
Seu coração estava aflito, ter de contar com a sorte e ainda mais dependendo de alguém que teria todos os motivos para odiá-los, mas que estendeu a mão.
Isso deixava Sophia assustada, geralmente os ricos eram nariz em pé e maltratavam pessoas que não gostavam.
Ela esperava não acordar deste sonho tão cedo.
De noite finalmente conseguiu visitar sua mãe no novo ambiente, a menina nem conseguiu descansar ou tomar um banho, pois estava muito ansiosa para ver a mãe.
O quarto era maior e continha um jarro de flores brancas.
Era mais acolhedor e Sophia não sentiu o desconforto que sempre sentiu com os hospitais.
Sua mãe estava dormindo, os cabelos curtos e loiros pousavam com leveza nos travesseiros, as mãos enfaixadas estavam apoiadas em sua barriga, os pinos de ferro está a espalhado por toda a extensão de suas mãos, pareciam que doíam e era um pouco angustiante olhar.
Tinham de ter o dobro de cuidado ao colocarem os ossos no lugar, se não poderiam ter o risco de quebrarem mais.
Por isso que o tratamento era bem caro.
— Acabaram de fazer exames e trocamos os curativos — Seu pai diz ao aparecer com suas garrafinhas de refrigerante, estendeu um a filha.
— Obrigada — Ela pega e sente o gelado em seus dedos — Pai eu…
— Foi seu irmão de novo? — Pergunta ele — Um policial junto ao homem de terno me comunicaram, ele está foragido.
— Ele roubou uma joia da família do Senhor Crawford… Apenas deseja deter Saimon, e como fiz de tudo para ajudar ele aceitou que eu ficasse e tomasse conta de sua casa, caso ele voltasse.
— E não é perigoso? Afinal eles são os mais ricos da cidade…
— Ele não me parece ser uma pessoa má, e já não temos mais nada a perder…
— Tome cuidado querida, não quero perdê-la também — Ele beija o topo de sua cabeça — As vezes penso que não fui bom o suficiente para ele…
— As escolhas que ele toma, não é culpa do senhor pai — Ela o abraça — Ele vai colher o que está plantando.
Ficaram ali, sentados no banco ao lado de sua mãe até o outro dia.
Sophia se sentiu em paz finalmente, mesmo que estivessem incompletos sem seu irmão, bastava por enquanto os três.
Fale com o autor