Mundo azul
6 Cinza 05
A mansão já era incrível, vista a noite.
Mas só agora de dia, Sophia conseguiu ver o local por completo.
Era maravilhosa e enorme, com cores em bege e quatro andares, pilares discretos nas laterais e no centro eles tinham detalhes floridos.
O jardim era bem cuidado, e uma estrada com pedras enfeitava o caminho até a porta da mansão.
O Sr. Carlos a levou com seu carro e ali puderam ver funcionários caminhando com materiais em mãos, seja de jardinagem ou ferramentas.
— Hoje é dia de faxina — Ele explica — Vou te apresentar a governanta, ela é a única que mora aqui, então agora você ficará sob seus cuidados… E ela vai estar ranzinza, pois não ouviu quando… — Carlos não queria ofender o irmão de Sophia, então procurava outras palavras.
Mas ela na entendia que não dava para amaciar mais o ego do irmão.
— Os ladrões entraram. — Confirma e ele a olha com simpatia.
— Devo alertá-lo, nenhum deles sabe do ocorrido, então você é a mais nova funcionária, só sabem da invasão e que nada foi roubado— Ela balança a cabeça em concordância.
Adentraram a casa e Sophia ficou mais encantada se era possível: parecia um castelo de fantasia, cheio de arte mas suas paredes até o teto.
Eram tantos detalhes que Sophia não sabia para o de manter o olhar.
Carlos a leva até o segundo andar, uma senhora usando um vestido longo e preto, mangas longas, cobria seu corpo por inteiro e com o cabelo perfeitamente alinhado num coque.
Seu olhar era sério e perfeccionista, olhava cuidadosamente cada funcionário que passava à sua frente até lá que arrumavam os quartos.
As pessoas que reconheciam Carlos se curvaram em cumprimento.
— Bom dia, Sra. Amália — Ele a cumprimenta — Desculpe chegar sem avisar.
— Sr. Carlos — Ela se curva — Teremos um café da manhã, se sentir fome.
— Não se preocupe, hoje preciso resolver assuntos em outra cidade. — Ele se vira, dando a visão de Sophia a ela — Essa moça é a Sophia, moça funcionária e vai ficar aqui com você.
— Aqui Sr.?
— Você vai precisar de companhia depois do ocorrido, tenho receio de se machucar e deixarei cachorros de guarda — Responde — Depois do que houve, vão saber que a casa está fácil.
Amália não gostava que tivesse companhia, mas a casa dos funcionários era grande o bastante para se manter longe da menina.
— Ela não está para ficar em seu lugar se quiser saber — Ele diz sorrindo, e a cara fechada dela, só mostra que era exatamente isso que pensou — Sophia vai ficar um tempo, a ensine no que precisar.
— Sim, Sr.
Carlos deixa Sophia aos cuidados de Amália e se retira.
Assim que Amália tem a plena certeza que o carro do Sr. Crawford saiu, logo tomou uma postura mais profissional com Sophia.
A olhou da cabeça aos pés, analisando onde jogar ela.
— Bem, já que está aqui, vai ajudar a limpar — Disse e sem mais nem menos, pega um balde e um esfregão — Ajude a tirar a poeira, onde quer que ver. Depois vou mostrar seus aposentos.
Sophia agradeceu, mas ela continuou:
— Sei que o Sr. Crawford é muito gentil, mas nunca devemos nos esquecer: que somos de mundos opostos — Ela se aproxima e a moça se sente ameaçada — Estou com eles desde minha juventude, então conheço bem o sinal de belas moças pobres que desejam a fortuna deles e seus filhos.
— Não daria tal coisa — Se defende — Sei que estamos bem longe e vou manter o respeito ao Sr.
— Espero que sim, senhorita?
— Gray.
— Ótimo, então Gray me mostre, que é diferente das outras. — Ela solta e lhe lança um sorriso de desafio.
Ela agarra com força o material, mas não daria esse gosto.
Mesmo brava, imaginou que devia ter inúmeras mulheres que se atiram nos Crawford constantemente. E claro que os incomodaria.
Amália se importava com eles, por isso o receio e preocupação.
Sophia estava pela sua família, e nunca se esqueceria da generosidade dele.
Então, nada disse: apenas se despediu de Amália e andou pelos corredores em busca de ajudar os demais funcionários.
A fantasia e alegria que se formam, começaram a dissipar, ela por um momento havia se esquecido que nada era. Estava ali para seu irmão ser pego e preso.
Seu mundo perdeu a cor novamente.
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