Mundo azul

7 Cinza 06


Sophia estava exausta.

Sentia que trabalhou por anos e foram apenas algumas horas.

Assim que tudo terminou já era noite e Amália se aproxima.

— Seremos só nós duas, minha cara — Diz sem vontade — Venha, vou levá-la ao seu quarto.

Após conferirem mais uma vez as portas se estavam trancadas, finalmente seria o momento de descanso.

— Teremos bastante espaço, então cada uma terá sua paz.

Estavam em frente a uma casa com um térreo, e um andar.

Era linda e espaçosa, cores brancas e bege, das paredes a fazia parecer uma casa de boneca.

— A senhorita Crawford quem pediu assim — Disse ela e Sophia via um carinho — Ela só tinha onze anos quando pediu ao pai fazer uma boa casa, queria todos por perto. — Seu olhar se baixa e ela volta séria — Mas ela cresceu… Venha, os quartos ficam em cima, o meu é o primeiro à direita. Pode escolher qualquer outro, as portas ficam abertas e a chave está na fechadura por dentro.

Ao entrarem na casa a moça viu que era bem formosa e cuidada, um cheiro doce de produto de limpeza vinham de todos os lados.

Era impecável.

Ela gostaria de saber mais sobre essa família, mas certamente Amália não queria nem amizade, então Sophia não iria se intrometer.

— Irei fazer café, caso queira. — Disse ela dirigindo a cozinha.

— Obrigada, irei escolher o quarto.

Subindo ao primeiro andar, ela viu que tinham seis portas, provavelmente quartos.

Identificou o quarto de Amália.

Sophia preferiu ficar com o quarto dos fundos no corredor.

Assim como Amália descreveu a chave que estava por dentro, ela não trancou a porta e apenas a encostou.

O quarto era bem mobiliado e espaçoso, uma cama de casal estava ao canto esquerdo, com lençóis bege e grandes almofadas rosas claro.

Um guarda roupa estava embutido na parede, perto da cama, as portas eram de madeira.

No centro um tapete felpudo e muito convidativo para se deitar.

Ela estava tentando se ajustar, mas seu coração lhe dá um lembrete:

“Seu lugar não é aqui, tudo isso é só para te usar. Você o está usando também, para seus pais

Jogando esses pensamentos para longe, a moça toma um banho para relaxar.

Sophia tomou café com Amália e viu que era mais da meia noite, lavaram a louça e deram boa noite.

Mas a moça não conseguia dormir, mesmo com o corpo totalmente cansado.

Apenas se levantou, como naquela noite estava quente, vestiu um short leve, e camiseta longa.

Os cabelos castanhos e longos, ela os prendeu num coque improvisado.

Saiu da casa para pegar um ar e foi andando pelo terreno.

Sophia se aproximou da mansão, quando viu um vulto.

Estava próximo a janela, mas ela não conseguiu ver o rosto.

“Um ladrão? Ou meu irmão descobriu que estou aqui?” Pensou e logo se apressou em se aproximar.

Antes que a pessoa quebrasse o vidro, ela sem pensar pula nele, conseguindo segurar em seu braço.

O estranho perde o equilíbrio e vai ao chão, puxando Sophia numa tentativa frustrada de se firmar.

Mas a garota era pequena em comparação ao tamanho do invasor, e ela não conseguiu segurar e foi junto a ele.

Sophia cai por cima dele e seus cabelos se soltam com o impacto, caindo como uma cachoeira macia em volta do rosto do outro.

Ambos se encararam surpresos.

A moça viu que se tratava de um jovem rapaz, de sua idade.

Sophia o achou tão belo, que pensou em estar sonhando, nunca havia visto tamanha beleza: o rosto era alinhado e a pele lisa, perfeita esse garoto parecia um anjo, seus cabelos pretos e sedosos. Mas seus olhos eram os que mais lhe chamavam a atenção, pois tinham tons diferentes em azul, parecia o mais perfeito tom do céu ao mar. Um azul se alinhando a outro.

Seu coração bateu forte e não conseguia respirar.

Seria esse o sentimento de amor à primeira vista?