Mundo azul
8 Castanho 07
Notas iniciais
Um pouquinho no futuro
Saimon olhava seu reflexo no espelho, e em sua opinião está como sempre: perfeito.
Os cabelos castanhos penteados para trás, os olhos tinham um pequeno traço de linhas azuis, misturados ao castanho.
Os olhos da sua mãe e os cabelos do pai, ele as vezes até sentia saudade de casa.
Mas saber que teria de trabalhar duro quando seu pai já o faz, ele logo joga a saudade fora.
Estava com trajes elegantes, um verdadeiro penetra num casamento onde não conhece ninguém.
Um sorriso triunfava sem seus lábios, não se encontrava na cidade e aqueles policiais poderiam procurar que não o achariam.
Mas todo cuidado era necessário, afinal a família era bem influente.
— Você é um narcisista, sabia? — Seu companheiro de roubo apareceu na sala — Gastou metade da grana só para vir de penetra?
— Olha meu caro colega — Ele nem se lembrava do nome do outro mesmo — Estar aqui é uma conquista e ainda mais isso aqui — Ele retira de seu bolso um belo anel, de ouro.
Era delicado e feminino, uma jóia de jade imperial brilhava em seu centro, um material raro e caro.
Dentro do anel, uma escrita, o nome da dona: Alice Crawford — Temos que estar entre os grandes.
Ele tinha pesquisado sobre a dona, e viu que ela faleceu em um acidente, provavelmente o nome foi gravado depois e quardado em seu quarto. Onde ele havia o achado.
O colega suspira, mas lá estava ele aproveitando tudo.
— Vai vender? Só isso aí já vale mais que a mansão toda.
— Vamos guardar por enquanto…
— E a sua irmã? Será que está presa? — Ele sorri — Me lembre se não pisar no seu calo, se usou a própria irmã quem dirá eu.
Ele nada respondeu, mas continua pensando.
Iria ver como a irmã estava, pois sabia que ela o perdoaria e sempre corria atrás dele.
Em sua mão, um celular discou o número dela que já tinha decorado.
O outro lado tocou algumas vezes até que a voz doce e irritante dela responde:
— Alô?
— Sophy! — Diz falsamente e alegre, pois sabia que ela sempre cedia quando a chamava assim.
Mas para sua grande supresa não teve uma boa resposta.
— Você não cansa de ser um narcisista? Desta vez eu não farei suas vontades.
Era a segunda vez que lhe chamavam assim no mesmo dia, isso o irritou profundamente.
Antes que ele a provocasse ouve alguém chamar;
— Sophia, venha e me ajude. O Sr. Crawford vira tomar um café…
— Estou indo! — Responde e logo a linha é desligada.
“Como ela ousa em me deixar em segundo plano?”. Pensa ele.
Ainda mais o que ela, uma pessoa tão pequena estaria fazendo com um homem tão importante como ele? Era impossível, ele está com seu pertence e sua irmã não estava presa.
Jogando o telefone ao chão, ele vê o aparelho se espatifar.
Precisava de uma palavrinha com sua querida irmã.
~*~
No presente
Oliver estava confuso, nunca havia visto a garota que se jogou nele.
Seria uma stalker? Mas como teria descoberto que ele voltaria para casa?
Mas logo joga essa ideia fora quando a vê assustada e hesitante ao olhar profundamente em seus olhos.
Talvez fosse uma nova funcionária e pensou que ele era um ladrão.
Óbvio, quem não pensaria? Ele iria quebrar a janela e entrar, não tinha nada mais suspeito que isso.
Seus cabelos eram macios e sedosos e escorreram como cachoeira sobre ele, os olhos eram claros, uma mistura de azul e castanho, o rosto delicado e fino, bochechas rosadas pelo frio da noite e respirava pela boca por ter corrido.
Ela era linda.
— Senhorita… — Ele desvia rapidamente o olhar curioso em seus lábios e vira o rosto — Poderia se levantar?
— Ah me perdoe! — Diz depressa e se ajeita, mas logo se recompõe — Espera, não pode quebrar o vidro da propriedade! — Aponta em seu rosto.
Oliver se levanta do chão despreocupado e um sorriso escapa por seus lábios.
— Parece uma desculpa esfarrapada, mas eu esqueci as chaves.
A garota apenas cruza os braços, lógico que era uma desculpa.
— Poderia chamar Amália? A governanta.
Sophia sede, então ele era alguém dali, já que sabia de Amália.
Vendo que ela hesitou, Oliver deu de ombros e foi seguindo em direção a casa dos funcionários.
Seria um funcionário? Sophia se pergunta e vai atrás dele numa distância segura para seu coração.
O rapaz era alto, a cabeça dela batia na altura de seus ombros.
Seu coração acelerava a cada passo que ele dava.
Usava uma blusa cinza, calça jeans preta e sapatos que pareciam ser caros.
Ele não parecia ser um funcionário…
O rapaz para de repente e Sophia pega de surpresa bate em suas costas.
Ela sentiu seu perfume amadeirado e ele por sua vez sentiu que ela exalava a um aroma doce.
— Perdão — Diz e a olha — Não me apresentei: sou o Oliver.
— S-Sophia — Ela estende sua mão no automático e Oliver parece hesitar.
Mas devagar ele estende sua mão e aperta a dela.
Sophia observou a mão dele cobrir a dela, o dedo anelar consistiria numa tatuagem delicada de galhos de uma árvore, e curvava seu dedo como um anel, espinhos iam subindo pela mão até que desapareceu embaixo da blusa, era charmoso.
Sua pele está gelada, mas ela não sentia desconforto e ele a solta.
Voltam a andar em direção a casa e quando Sophia está prestes a abrir a porta é surpreendida por Amália, que estava enrolada em sua coberta, os cabelos grisalhos soltos.
— Sophia não saia por aí…! — Iria repreendê-la por ter sumido, mas seu olhar vai de encontro a Oliver — Meu senhor… — O cumprimenta e tenta arrumar sua aparência.
Amália detestava ser vista como uma empregada folgada, então sempre gostava de ser apresentável.
— Se-senhor? — Sophia apareceu atrás dele e encara surpresa.
— Claro! E tenha modos menina.
— Ah, perdão. — Sophia se curva e o garoto apenas ri.
— Não precisa para tanto — Ele sorri — Amália eu perdi a minha chave, poderia me emprestar a sua?
— Ah, sim claro senhor! — Ela retira de seu molho de chaves a principal da mansão e joga para ele.
Sophia acha estranho, afinal estavam próximos ela não precisava jogar a chave.
— Vai ficar no lugar de seu pai por aqui?
— Não, eu só iria continuar meus afazeres. Por que, aconteceu alguma coisa?
Amália fica nervosa, pensava que o pai dele tinha contado tudo.
— É melhor saber por seu pai, Oliver.
Ele entendeu que se tratava de algo sério, então não a pressionou.
— Obrigado Amália, desculpe a hora eu já vou dormir. Então não se preocupe em fazer algo.
— Então boa noite.
Oliver se vira e caminha lentamente de volta à mansão.
Sophia observa as costas dele até desaparecer e se vira a Amália.
A senhora respondeu o que a menina iria perguntar:
— Oliver não gosta tanto de toque físico — Diz — Pelo menos, depois da perda da mãe. — Seu olhar para ele era felino e protetor — Então não ouse tentar tocar nele, ouviu?
Sophia tentava não ter um ataque, ela não só apertou a mão dele como caiu em cima do rapaz.
— O que fez? — Pergunta Amália desconfiada pela demora na resposta, mas Sophia fala alto e rapidamente.
— Nada! — E entra correndo, obviamente mostrando que teve algo.
A senhora apenas revira os olhos e tranca a porta.
Sophia se lamentava com vergonha no quarto, o coração batendo tão forte. Notou que não tinha prendido os cabelos e jogando a cabeça no travesseiro imaginou que ele tivesse visto seu rosto todo desgrenhado e pensasse que era desleixada.
Mal sabia ela que na verdade ele pensou o total oposto, mesmo não gostando de toques físicos não sentiu desconforto ao tocar em sua mão.
Oliver estava sozinho em casa no seu quarto que usava desde criança e se perguntava quem seria aquela moça.
A mão dela era quente e acolhedora, diferente de alguns que ele conheceu, pois logo na perda da sua mãe, falsas pessoas o apertava com abraços e sorrisos falsos.
Os seus cabelos castanhos caíram perfeitos como ondas por seus ombros e terminavam em sua cintura, eram hipnotizantes.
Antes mesmo que o sono pegasse os dois, ambos pensavam no outro.
Fale com o autor