Mundo azul
9 Azul escuro 08
Amália gostava de acordar cedo, para ela conseguia aproveitar mais o dia.
Agora que Oliver estava na casa, então ela iria deixar o café da manhã pronto.
Sentia preocupação com o rapaz, estar na casa da mãe falecida poderia lhe causar solidão.
Mas ela sabia que ele era forte e cuidava bem das coisas.
Não sabia como ele iria reagir ao saber que o irmão da garota nova havia roubado a joia da sua mãe.
Conhecendo bem o menino, Oliver não ficaria com raiva dela, mas iria preferir se isolar mais ainda, por se preocupar em descontar sua frustração em outra pessoa.
Como aconteceu umas vez com a sua ex -namorada, mas no caso foi por culpa dela própria, quando se mostrou interesseira a herança dele.
Conferiu o cabelo, estava bem preso, sem um fio fora do lugar. O vestido preto descia até o chão, com tecido macio.
Sorriu ao lembrar de quando a Sra. Alice deixava que usassem roupas de sua preferência, apenas que mantivessem a cor preta para diferenciar os funcionários.
Estava indo em direção ao quarto de Sophia, quando avista Carlos subindo a escada.
— Oh, meu Senhor! Chegou tão cedo — Diz o cumprimentando.
— Bom dia! Desculpe entrar sem avisar — Ele sorri — Chamei um técnico para instalar câmeras e ele logo chega, só para que não se assuste quando ele entrar aqui.
Ela concorda e então ele desce as escadas e se retira da casa dos funcionários.
Vendo que teria de se apressar ela ouve a voz de Sophia e abre a porta:
— Sophia, venha e me ajude. O Sr. Crawford vira tomar um café…
— Estou indo! — Responde ela e Amália vê sua expressão.
A moça parecia que ia desabar.
— Desculpe não bater na porta, está tudo bem?
Sophia limpa o rosto e sorri forçadamente.
— Meu irmão ligou… e eu o ofendi.
Amália se aproxima e toca nos ombros dela:
— Descanse por hoje, depois avise ao policial Samuel da ligação.
— Não quero ser um fardo.
— Vai ser se não mantiver a mente no lugar — Fala firme — Amanhã vai me ajudar nos afazeres da casa, vá ao hospital.
Amália ficou sabendo da situação toda com Carlos, então deu uma baixa em sua guarda em relação a Sophia.
— Seu irmão consegue descobrir que está aqui?
— Acho que ele pode ter te ouvido, ou virá quando o dinheiro acabar.
— Seria tolo se voltasse.
— É um ladrão esperto.
— Não se preocupe, Carlos vai colocar câmeras de segurança e vai trazer um cachorro — Ela nota um nervosismo, mas prossegue — Vamos dificultar a sua chegada.
— Sim… — Diz receosa.
— Oliver gosta de maracujá — Amélia vê que o olhar dela se ilumina ao saber dessa informação aleatória.
E ela conclui que existe um interesse ali, nos poucos momentos juntas pode notar que Sophia era boa e parecia ser humilde.
Mas lhe preocupava o restante da família, eles nunca a tratariam bem, por ser mais simples.
— Por favor, me deixe ajudá-la no café!
Amália queria sorrir ao ver sua determinação. Estava curiosa em ver a reação do garoto.
— Tudo bem, me ajude a pôr a mesa.
Sophia não demorou em se arrumar, colocou o vestido preto e longo, manga curta, sem nenhuma estampa.
Os cabelos ela prendeu num rabo de cavalo.
Sophia não disse a Amália, mas tinha medo de cachorros.
Quando tinha doze anos foi atacada por dois, e esse foi um dos únicos momentos em que seu irmão agiu como tal. Ele conseguiu espantar os animais, e ficou com feridas leves.
Então faria o possível para não se encontrar com o que o Sr. Crawford iria trazer.
As duas foram arrumando a mesa do café na sala de jantar e Sophia notou Oliver entrar: os cabelos estavam molhados indicando um banho matinal, usava calça jeans e uma camiseta preta de manga curta.
A tatuagem chamou sua atenção, pois agora ela conseguia ver completa: os espinhos vinham do seu dedo e giravam por seu braço até o cotovelo, em alguns galhos flores contornadas de preto e vermelho.
Combinava com ele, e Sophia ficou com vontade de tocar na tatuagem.
— Bom dia — diz ele bocejando e sentou na cadeira.
— Bom dia! — respondem juntas.
Amália tinha feito suco e apontou discretamente para Sophia servir Oliver.
Ela pega a jarra de vidro e oferece a ele, Oliver não se opõe e Amália observa de escanteio.
Ele não se afasta ou aparenta desconforto ao lado dela, Sophia não encosta nele, mas fica próxima.
Enchendo um copo com suco de maracujá e enquanto se concentra em não derramar, Oliver a encara de escanteio.
Amália ri, ansiosa em perguntar ao patrão, e Carlos logo entra na sala, junto a um homem e um rapaz.
— Bom dia, esses são os homens que vão analisar e colocar as câmeras.
O homem mais velho sorri para todos e se apresenta:
— Eu sou Alessandro Sanches, dono da empresa Segurança Sanches, e este é meu novo ajudante, Felipe — O garoto se aproxima ao seu lado — Minha secretária logo chega, infelizmente pegou trânsito.
Todos se cumprimentam e eles sentam na mesa.
Sophia sente algo familiar em Felipe: cabelos ruivos, sardas perto dos olhos castanhos tão claros que pareciam dourados, da altura de Sophia, era bonito, mas não a ponto de chamar a atenção dela como Oliver.
Ele estava com roupas sociais e uma pasta preta, com o logo da empresa ao seu lado da mesa.
Ela pega a jarra e estava para oferecer a ele quando o mesmo a nota e sorri.
— Sophy! — Diz animado.
Ela se lembra do irmão e isso a pegou totalmente de surpresa.
Sophia acaba deixando a jarra escapar de suas mãos e ela cai ao chão, quebrando o vidro.
Todos se levantam das cadeiras em surpresa e preocupação.
— Sophia, está bem? — Pergunta Amália e se agacha para recolher os cacos com um pano.
— M-me perdoe — Responde ela nervosa — Vou pegar um pano — Se retira da sala rapidamente.
— Desastrada igual na época da escola — Felipe diz — Que bom que ninguém se machucou.
— Estudaram juntos? — Pergunta Carlos.
— Ah sim, ela sempre tropeçava ou perdia o rumo quando a chamávamos de Sophy, o apelido que o irmão deu — Ele sente nostalgia — Continua igual. — Ri divertido.
Mas Oliver entendeu que ela não se sentia bem, estava claro que Sophia ficou desconfortável e o infeliz não entendeu.
Isso o deixou incomodado.
— Talvez pelo fato dela estar cercada por idiotas que não entenderam — Ele alfineta.
— Está tudo bem, gostariam de continuar com o café? — Amália chama rapidamente a atenção, ou viraria caos— Posso arrumar rapidamente outra sala.
— Não se preocupe Amália, podemos pegar aqui mesmo — Carlos diz e pede aos outros que se sentassem.
— Vou me retirar por enquanto, preciso terminar meu projeto — Oliver diz, saindo da sala.
Mas na verdade ele foi ver Sophia, estava com a sensação de que ela não estava bem.
Como ela disse que levaria um pano, então estava na salinha de limpeza.
Quando ele abre a porta se depara com Sophia sentada ao chão chorando. O pano que deveria levar estava em suas mãos.
Ela fica em choque ao vê-lo e cobre o rosto com as mãos.
— Me perdoe, ee-eu já levo o pano. — Sua voz saiu engasgada, ela já deveria estar chorando no minuto que saiu da sala.
Oliver se agacha e segura nas mãos dela, a fazendo descer e encarar seu rosto.
— Não se preocupe com o pano, aquele Felipe te ofendeu? — Ele diz sério e aperta levemente os dedos dela.
As mãos dele mostravam a Sophia segurança, e quentura.
Ela deveria se afastar, como Amália havia dito.
Mas quando ele a olhou no fundo dos olhos, o azul dele estava escuro.
Se ela confirmasse algo, ele certamente o enfrentaria.
— Não, ele só… — Seu olhar desse e seus dedos ainda estão nas mãos dela, a tatuagem hipnotiza e ela cora — Sempre foi meio tapado, e achava engraçado mas… — ela fecha os olhos e outras lágrimas caem — Eu detesto esse apelido, porque meu irmão usava para me manipular…
— Se desejar conversar, estarei aqui.
Ela acaba fungando, estava se sentindo envergonhada, por Oliver ver uma adolescente chorar como um bebê por um apelido.
Mas ele não zomba dela, solta sua mão dela e para surpresa dele próprio leva suas mãos a face dela.
As palmas cobrindo suas bochechas delicadas, a pele macia e com os polegares limpando as suas lágrimas com gentileza.
Ela abre os olhos e ambos se encaram por um momento, o silêncio não é constrangedor e sim confortável.
Os olhos de Sophia, seu castanho parecia mais claros, tão bonitos quanto ela estava naquele momento.
Oliver nota que passou dos limites ao vê-la corar e se afasta levantando:
— Desculpe Sophia — Ele a ajuda a se levantar — Não a tocarei sem permissão — e se afasta sem esperar resposta dela.
Sophia não conseguia respirar, e só quando ele saiu que ela o fez.
Estava com tamanha vergonha que sua temperatura até subiu.
Ele estava tão atraente para ela, sendo protetor que Sophia sentiu uma vontade de beijá-lo.
Isso seria tão ousado que não duvidaria que seria ela a expulsa da casa.
As mãos dele em seu rosto ficariam marcadas nela.
Enquanto anda no corredor, Oliver dá um tapa na testa.
“Não a tocarei sem permissão?” Repete sem sua mente o que falou “Idiota está insinuando que vai fazer de novo”
E passando as mãos nas têmporas ele lembra da pele lisa dela.
Oliver tenta apagar isso da mente e ao virar um corredor bate a cabeça numa porta aberta.
A porta se fecha em um estrondo e ele nota de quem pertencia o quarto.
Talvez Amália tenha esquecido a porta aberta, ela abria as janelas toda manhã.
Era o quarto da sua mãe.
Suspirando pesadamente ele abre a porta, e uma lembrança lhe veio à mente:
“Meu Deus menino! Dormiu no barro?”.
Sua mãe não sabia se gargalhava ou dava bronca, ele tinha dez anos, e brincou no quintal. Mas acabou deixando terra até em seus cabelos.
A janela aberta, dava um ar acolhedor e a beleza da mãe do trazia paz, os cabelos pretos dela soltos e lisos, um livro em mãos e um belo vestido azul combinado com seus olhos.
Mas ali, ele só tinha a luz da janela aberta e panos brancos cobrindo todos os móveis.
Seu sorriso se esvai até se sentir só novamente.
No closet pequeno embutido na parede, ele abre e encontra apenas uma grande caixa preta de veludo.
Quando abre, tem jóias e fotografias da sua mãe, cartas dos filhos quando eram pequenos.
Até às tralhas que ele achava na rua e dava a ela estava lá.
Como ela dizia “esse é meu tesouro”.
Oliver nota que faltavam algumas de suas jóias, e o mais importante que fez o coração dele travar uma batida.
Ao pegar a caixinha que deveria estar o anel com pedra de jade, Oliver recebe o nada.
Fale com o autor