Mundo azul

3 Cinza 02


Meia hora antes do encontro


— Por favor, filho. Fique com a casa — O Sr. Crawford insiste.

Seu filho mais novo, Oliver, nunca se sentiu confortável com tamanha exposição da família.

Seus irmãos ao contrário sempre gostaram de um holofote.

Eram uma família rica e com um grande nome, possuíram grandes empresas e só aumentava a cada dia.

O pai deu uma casa a cada um, até para a esposa antes de falecer, mesmo que a mesma nunca tenha aprovado, pois sempre gostava de estarem juntos e não cada um por si.

A casa dela era sempre alegre e todos se juntavam em comemorações, mas depois de partir ao sofrer um acidente de carro, a família deixou a casa vazia. Apenas poucos funcionários a mantinha cuidada.

E Oliver foi muito afetado pela perda, era a cópia de sua mãe: cabelos pretos e sedosos, alto, rosto com boa simetria e olhos com três tons de azul.

Ele chama atenção pela sua beleza e riqueza, principalmente pelos olhos raros.

Mas o garoto sempre era recluso, então os paparazzi não lembravam tanto de sua aparência.

Oliver queria ser escritor, e sempre se esforçou para não depender das riquezas do pai. Gostaria de ter uma vida mais simples, pois via a beleza do mundo longe dos holofotes.

Mas ele insistia que ao menos aceitasse a casa de sua mãe, era afastada então teria mais paz.

— Tudo bem — Aceita relutante — Só irei terminar minha documentação.

Isso já deixou o pai aliviado, não queria que aquele lugar ficasse sem nada, ele próprio queria ir, mas não conseguia abandonar os negócios e sempre se manteve ocupado.

Foi poucos minutos da saída do filho que ele recebe uma ligação:

Senhor, perdoe a hora… — Ele reconhecia a voz pela governanta da casa de sua esposa — A joia da Sr. Crawford foi roubada, mas já chamamos a polícia e uma suspeita foi detida.

— A aliança?

Sim... Eu estava dormindo quando ouvi barulhos.

Ele está surpreso, mas imaginou que algo assim poderia acontecer, pois a casa passa a maior parte do tempo sem ninguém.

Ele mandava poucos funcionários na semana para manter a casa sem poeira e os móveis cobertos.

Para não sentir tanto a perda da esposa, havia deixado seu anel de casamento guardado na casa.

E o ladrão foi bem ousado a pegar assim.

Olhando para a imagem das câmeras, ele vê duas pessoas encapuzados saírem correndo.

— Estou em outra cidade, mas em meia hora eu chego aí. — Respondeu — Por favor, me mande as informações da detida.

Rapidamente recebeu em seu tablet, tudo o que a polícia forneceu e ouviu uma mensagem de áudio do policial Samuel:

— Sr. Crawford, como sua funcionária já deve ter lhe informado, temos uma pessoa que foi detida, ao estar na frente de sua mansão após um roubo da joia da família da sua esposa.

Haviam dois suspeitos, que fugiram, mas pegamos a irmã de um deles, Sophia Gray, a moça não reagiu e nos forneceu tudo o que precisávamos saber. Ela tem a ficha limpa, infelizmente é apenas o irmão que fazia pequenos furtos e ela sempre pagava por sua soltura. — Ele ouve um suspiro — Olha, Carlos. Vou falar do ponto de vista de um amigo: a moça faz de tudo para ajudar a família, puxamos toda uma ficha e a mãe está no hospital, o pai fica ausente para estar com a esposa. A garota se tornou a única responsável… o irmão deseja ficar perto demais de coisas que não lhe cabem…

— Não se preocupe Samuel, não irei denunciar a moça nem nada — Ele afirma, mandando outro áudio ao amigo. — Estou chegando, só quero conversar com ela primeiro antes de tomar alguma decisão sobre o irmão.

Aproveitando a estrada mais vazia, Carlos acelera um pouco a velocidade.

Ele estava com uma ideia maluca, seu filho e a moça estavam nela.

"Uma aventura depois de anos, que emocionante". Pensou ele todo sorridente.