Mundo azul
2 Cinza 01
Sophia pegou um táxi e mesmo estranhando o endereço que o irmão mandou ela ainda assim foi.
Saimon, tinha a péssima mania em se meter em encrenca e era ela quem o tirava dessas enrascadas.
Sua mãe estava doente, debilitada e o pai trabalhava muito para manter os custos do hospital.
Sophia então pegava o máximo de trabalho possível para arcar com as contas da casa.
Mas o irmão, infelizmente, queria uma vida de luxo, onde eles nunca poderiam vir a ter.
Se ele ajudasse… Se Saimon fizesse uma única coisa…
Suspirando ela se perguntava porque ainda ia atrás dele.
O carro para em frente a uma linda mansão, nem em dez vidas eles conseguiram conquistar um local assim.
Ela desce e observa em volta por uns minutos.
Estava muito silencioso para seu gosto.
De repente passos apressados e vozes altas se sobressaem na noite.
— Mas que droga!
— Eu falei que tinha alarme!
Foi ali, naquele segundo que seu mundo perdeu a cor, a alegria e a força de vontade.
Ele está com o rosto coberto, mas ela o conhecia muito bem, era seu irmão.
Sophia se arrependeu de tudo o que fez por ele ali, pois ela notou tarde demais que pagaria pelos erros dele.
Como se tudo funcionasse em câmera lenta, Saimon lhe joga uma bolsa preta pequena, e passa correndo sem sequer olhar para trás.
No segundo seguinte, ela sente seu corpo cair do chão e um peso sob seus braços.
Um policial a imobilizou e falara sério e alto:
— Você está presa pelo roubo na mansão dos Crawford — Ele aponta para onde Saimon seguiu — Depressa, o outro foi ali!
Ela nada disse, não tinha o que dizer. Estava muito claro.
Seu irmão armou contra ela. E agora a envolveu num roubo da família mais rica da cidade.
Seu irmão fugiu.
Sophia estava algemada, presa numa mesa de metal.
Os pulsos algemados e ela sentia o metal frio sob sua pele.
A moça conseguiu se manter firme, não derrubou uma lágrima e esperou o policial se aproximando.
Um homem alto e de cabelos grisalhos.
Ele solta suas mãos e se senta na mesa da frente.
— Perdão pelas algemas, Senhorita Gray. Eu me chamo Samuel.
Ela pensa que já olharam sua ficha e viram que não havia crime algum.
Já o seu irmão….
— Até quando vai ficar no lugar do seu irmão? — Questiona na lata, tirando o curativo — Toda essa delegacia sabe sobre ele e reconheceram seu rosto. Ele já havia sido detido desde os quinze, e ficou quieto. Até agora.
— Ele era minha família — Diz ela com o coração apertado — Ainda acreditava que mudaria, mas entendo agora.
O policial suspira com pena.
— Ele roubou uma herança de família, não há como deixar passar… e agora vocês tem, quantos anos?
— 18.
— Não o encontramos ainda e como vocês tem ligação, talvez possa nos ajudar a encontrá-lo.
A moça se contrai e Samuel olha a jovem, e vê ali uma pequena garota, de cabelos castanhos e ondulados, os dedos pálidos e ranhuras. Era magra, e muito bonita, com olhos claros completamente sem brilho.
— O Sr.Crawford gostaria de ter uma palavra com você, tudo bem?
Ela concorda em silêncio, e espera pelo seu destino.
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