Mundo Sombrio
6 Eu sou um Vampiro
Notas iniciais
Elena estava espremida naquele pequeno freezer na cozinha. Estava paralizada, como se sua vida dependesse disso.Mas naquele momento ela realmente achava que se ela movesse um músculo se quer, seria seu fim.
–O que você é?- disse ela suando frio.Stefan hesitou, mas tinha que dizer.Ela estava apavorada, e mesmo correndo o risco de deixa-la com mais medo, agachou e disse:
–Eu...- parou e depois prosseguiu:- Eu sou um vampiro.
Inacreditável!Elena não respondeu, apenas não entendeu o que ele quis dizer.Achou que seria um tonta se acreditasse, ainda que tudo o que viu até agora provasse que isso era verdade.
–Eu posso explicar tudo mais tem que se acalmar.Venha.- ele se levantou e estendeu a mão para ela.Ela mesmo que não confiando nele, e sem saber o porque, levou suas dedos gelados á mão dele permitindo assim que ele a levantasse.Ele a levou até a sala, ela teve um grande dose de repulsa ao passar pela faca ensanguentada no chão.Ele á pôs no sofá e puxou um banquinho para si.
–Diga a verdade.O que você quer?- perguntou ela.
–Explicar.Você acaba de ver coisas que realmente não era para ver.Mas já que viu, o minimo que posso fazer é dar uma explicação mesmo que ela não pareça lógica.- fez uma pausa- Antes de tudo, você precisa saber que eu estou contando a verdade.Vampiros existem.Não sabemos a origem, mas, há séculos eles vagam pelo mundo.- suspirou- Alguma pergunta?- disse como um genuíno professor.
–Não sei.Só me fale.É difícil de acreditar.Então explique-me.- Stefan percebeu que ela realmente queria saber.
–Eu não sabia da existência dos vampiros.Até conhecer um garota chamada Katherine.Ela me contou, e eu também não acreditei.É claro que não...Mas na época, todos já sabiam.O exército e os líderes da cidade, mantinham em segredos.As guerras eram uma desculpa para as caçadas noturnas.
–Quando isso aconteceu?
–Em mil oitocentos e sessenta e quatro.- "Nossa" pensou ela surpresa.Mas estava feliz por ele não ser um velho de mil anos que pensou que ele fosse.
–Quem te transformou?- Stefan suspirou.
–A Katherine.Ela era uma vampira.
–Hum...- Elena estava tentando aceitar aquilo tudo.De repente ela lembrou de algo- E o seu irmão?Damon, certo?- Stefan suspirou.
–Ele é um vampiro também.Ele, não é como eu.Eu tento me manter na linha- riu tristemente-, mas ele, obedece aos seus instintos de caçador.- Elena piscou ao ouvir a palavra."Caçador".- Mata por prazer, controla para conseguir o que quer...
–Controla?- interrompeu.
–É.Bom, nós podemos controlar a mente de pessoas e obriga-las a fazer o que nós quisermos.Outra onda de medo invadiu o ser de Elena.
–Já me controlou?
–Não.Mas já pensei em fazer.
–Por que faria isso?
–Por que, achei que fosse a Katherine.Por alguma razão, que eu não conheço, vocês são exatamente iguais.O rosto, o cabelo, o jeito de andar lembra o dela.Até a voz!Iria controla-la para saber se era ela, mas ela fingiria.Sempre tem um plano.Vampiros não podem controlar outros vampiros.
–Espere um pouco, -começou- poderia ser ela.Quero dizer, você não me conhecia.Por que...- suspirou- se somos tão iguais, por que duvidou?
–Porque, ela morreu.
–Não entendo.Vocês, são imortais!Não podem morrer.
–De certa forma.Não envelhecemos, não adoentamos, nem nos afogamos.Se levarmos um tiro, logo vem a cura.Assim como uma facada no rosto.- Elena encolheu-Mas podemos morrer de algumas formas.Com um estaca de madeira no coração por exemplo.
–Estaca?- perguntou.Como algo tão frágil poderia acabar com um ser tão forte?
–De madeira.- repetiu.- Há também, o fogo.Ele nos consome.É engraçado, como em todos os meus cento e sessenta e dois anos, eu nunca achei um ser que resista ao fogo.- Elena não respondeu, não achando nada daquilo engraçado.
–Porque estava tão estranho ontem?
–Desculpe.Não bebo sangue humano há muito tempo, é a nossa força.Sem eles nossos instintos de caçadores ficam mais fortes.Foi o que aconteceu.Eu fui no cemitério para me isolar e você apareceu.Estava daquela forma porque...-suspirou- podia ver cada veia de seu pescoço ao pulso.Podia ouvir o seu coração bater e o sangue pulsando.- Elena estava cada vez mais desconfortável com aquilo.
–E agora?
–Ainda posso ouvir, e ver as veias, mas minha sede não está tão intensa.Aquele sangue na mesa- apontou para o copo que ela havia visto ainda pouco- é de um humano.Não o matei mas, me alimentei bastante.Admito, quase perdi o controle, não podia morde-lo demais.Mesmo que não o matasse, poderiam haver consequências...
–Como o transforma-lo?
–O que?- perguntou sem saber do que ela estava falando.
–Você o mordeu.Poderia transforma-lo.
–As versões de HollyWood acabam com a percepção das pessoas...Para alguém se tornar um vampiro, precisa morrer com sangue de vampiro no organismo.
–Aí ela se transforma?
–Aí ela entra no estágio de transição.Precisa beber sangue humano.Se não ela morre.- Elena parou por um momento para "digerir" tudo.Novamente ela se pegou pensando em Damon.
–Desculpe mencionar Damon de novo, mas se ele é tão mal como você diz, como saberei...- pensou rapidamente- me proteger, ou algo assim?COmo ele é.
–Normal, dá pra saber.Ele é bem sombrio.- disse Stefan, não querendo entrar em detalhes da aparencia do irmão.- Mas com certeza você já o viu.
–Quer dizer que ele está aqui?- perguntou,aparentemente desesperada.
–Talvez não diretamente.Ele está como um corvo.
–Um corvo?- disse lembrando-se das vezes em que viu aquele corvo sinistro a vijiando- ele pode se tranformar em um corvo?
–Claro que não!- disse Stefan, mas logo se arrependeu do tom que falou com ela.É como um controle mental,- disse abrandando a voz- ele usa o corvo para fazer o que ele quer.
Elena lembrou, ele estava sempre perto dela.Estava a vigiando.Poderia invadir a casa dela, ver cada passo dela... e depois contar a D...Contar?
–E para obter as informações?Ele...- tomou cuidado com as palavras- fala com o corvo.
–De novo, não exatamente.Não é algo que se entenda perfeitamente.Quando o corvo vai a ele, se ele olhar dentro dos olhos do corvo, pode ver o que ele viu.Tudo!- Stefan estranhou o olhar de Elena- Porque quer saber?
–Por que esse corvo tem me seguido.Apareceu na beirada do meu quarto.Será que ele invadiu a minha casa e...
–Não!- disse interrompendo os pensamentos desesperados de Elena- Vampiros não podem entrar na casa de humanos a não ser que tenham sido convidados.Só os donos podem convidar um.E se tratando do controle mental de animais, bom, ele só podem fazer o que o seu "vampiro chefe" também poderia.Como te seguir na escola e essas coisas, mas se Damon não foi convidado o corvo também não poderia entrar.- novamente Elena se deu um tempo para absorver tudo.Era uma grande confusão.Uma onda de sentimentos invadiram seu ser.Dúvidas, medo.O medo embora tivesse diminuido ainda era presente.
Stefan podia ver em seu olhar aquele sentimentos indecifraveis possivelmente até pra ela.Mas uma dúvida veio á mente dela.
–Stefan, você é um vampiro então...- ao pensar, Elena concluiu que não tinha um jeito sensato de perguntar aquilo, então foi direto ao ponto:- Como você morreu?Quero dizer...
–Tudo bem.Bom, Damon e eu nos matamos.
"Meu Deus", pensou Elena no mesmo instante, e Stefan pode ver a reação óbvia de surpresa no rosto dela.
–Na época,- começou a explicar- nós amavámos a mesma mulher.Ela nos usava.Seu charme, sua beleza encantadora.Bem, pelo menos eu achei que a amava.Mas um belo dia, não tão belo, um guerra, contra os vampiros provocou a sua morte.- Elena se conteve- E para todos os efeitos, essa mulher era a Katherine.
–Você amou a Katherine?- perguntou sem entender os motivos de sua indignação.
–Ela me controlava.Me usava.Assim como Damon.
–Como descobriu?Que ela fazia isso com você?
–Quando me transformei.É um dos efeitos da transformação.Se lembra tudo o que fizeram você esquecer, fazer...tudo.
–Ela usava Damon também?
–Não sei.E se usava Damon nunca diria.É reservado...muito.
Novamente Stefan analisou o semblante de Elena.Pesado, confuso.Concluiu que já bastava para um dia.
–Quer que eu te leve para casa?- disse suavemente.Sua voz branda podia acalma-la nos dias de mais euforia.Deve ser por isso que ela não surtou com tudo aquilo.
Ela hesitou.Será uma boa idéia ele leva-la para casa?Mesmo não sabendo a resposta para sua pergunta assentiu.
Só agora Elena fora descobrir que estava anoitecendo.Passou bastante tempo ali.Disse a Stefan para irem no carro de Jenna, e pediu para que ele dirigi-se.Concluiu com sensatez que não estava apta para dirgir.
Lá fora estava frio, Stefan pegou uma manta macia e quente e pôs sobre os ombros de Elena.Foram até o carro passando por aquele terreno, que era tão grande que Elena não ousou a chamar de quintal, sem dizer uma palavra.Entraram no carro, e Stefan acelerou de vagar, e foram.Elena estava totalmente encostada no banco olhando Stefan.Ele era normal, nada de diferente.Ninguém poderia dizer que ele não era como o resto das pessoas do mundo.
Stefan parou em frente a casa de Elena, quando ela apontou.Tinha uns oito metros da rua para a casa dela.As calçadas de Mystic Falls eram sempre bem grandes, com geralmente uma cerca e um gramado para separar o quintal das casas.Mas a de elena não tinha cerca.O baixo gramado era dividido ao meio por uma estradinha de pedra que ia até a porta.
–Boa noite.- Elena assentiu.
–Boa noite.- Elena pensou e fez uma perguntou repentina- Ainda há outros como você?
–Há sempre outros como eu.Sei que é bastante coisa para você.Mas quero que lembre-se.Tome cuidado com quem convida para entrar na sua casa.Principalmente á noite.Vampiros não andam á luz do sol.
A voz rouca de Elena só pode perguntar baixamente o porquê.
–Por que o sol nos queima.Nos consome, como o fogo.- respondeu ele gentilmente apesar da resposta grotesca.
–Como anda no sol?- disse deitada no banco quase ereto encarando-o.
–Informações demais para um dia.- ela não questionou.Concordava com ele.Havia coisas que precisava pensar, com certeza.-Elena, antes de ir quero dizer...Quando te conheci pensei que fosse a Katherine, mas foi só passar um tempo com você que percebi, que não era ela.Ela era mimada, egoísta, maléfica.Queria ser o centro das atenções...Mas você, não.É diferente.Você é guerreira.Pensa nos outros antes mesmo de pensar em si mesma.É boa, humilde...Sei que é ousado e um abuso da minha parte.Mas tenho semtimentos por você.Não encare isso como uma declaração...- sacudiu a cabeça- encare como um pedido de reconsideração.Pense a meu respeito.Sei que deve ter muitas duvidas ainda e eu estou disposto a responder todoas.Eu prometo.Agora baiba, nem todos os vampiros são maus.Ás vezes precisam de alguém como você para mudar as coisas.- Stefan ia aproximando o rosto.Elena ficou parada com um rosto mais calmo.Ele a beijou perto aos lábios.Ela destravou a porta sem se mexer.Quando ele se afastou disse suavemente:
–Boa noite.
–Lembre-se:Reconsidere.- ela não respondeu.Saiu de vagar e foi até a porta de casa.Só então Stefan saiu e com o braço estendido, andou até sumir na escuridão da noite.
Elena entre a porta e a parede deu uma ultima espiada." Eu vou reconsiderar", pensou com um quase sorriso.
–Com certeza.- disse para si mesma e entrou.
Notas finais
Até a próxima!
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