Mundo Sobrenatural

6 Colecionador ataca.


Notas iniciais
Demorei um pouco para terminar esse cap, mas aqui estou eu com mais um cap de Mundo sobrenatural. Não me matem pelo o que fiz nesse cap, sei que esta um pouco sinistro, mas é para dar entrada no que vem para frente.
Aproveitem o cap ^^!

Mundo sobrenatural

O dia seguinte amanheceu já um pouco tenso. Silver havia dormido ao meu lado depois do incidente na noite passada e eu ainda não conseguia me esquecer do sonho que tivera. No momento me encontrava tomando um leve banho para ir a escola, apesar de meu irmão quase insistir para eu permanecer em casa. Meu cabelo estava preso em um coque alto para assim não se molhar enquanto passava o sabonete por meu corpo, meus olhos estavam fechados tentando esquecer as imagens de meu sonho, mas elas vinham e vinham, fazendo calafrios de medo percorrerem meu corpo.

Desliguei o chuveiro logo que terminei e passei a toalha branca por meu corpo. Sai do boxe pisando no azulejo frio que compunha o chão do banheiro, uma das únicas coisas diferentes que tinha de toda aquela casa velha. Sequei-me lentamente e logo coloquei minha roupa que não era nada mais que uma calça jeans e uma blusa negra um pouco larga, de mangas curtas, sendo que uma pegava normalmente por todo o ombro a outra era meio caída e começava um pouco abaixo do mesmo. Ela tinha um desenho estranho de um coração com uma espada o cortando que era feito de um material que brilhava no escuro. Coloquei um delicado sapato boneca perto e então passei a arrumar meu cabelo.

O soltei do coque que estava usando e peguei a escova penteando-o com cuidado e atenção. Olhava meu reflexo no espelho e podia ver algumas olheiras debaixo de meus olhos, mostrando o quão cansada estava. Depois daquele estranho sonho quase não conseguia dormir depois, toda vez passava a sentir algo se posicionando em meu pescoço e o medo me percorria, mas tudo estava fechado no quarto, Shadow garantira disso e toda vez que abria os olhos nunca via ninguém. Talvez estivesse ficando louca, talvez tudo isso estivesse me afetando, seja o que for tinha o pressentimento que não era tudo.

Deixei a escova na pia logo que vi meu cabelo completamente brilhante de tanto que fiquei penteando, prendi apenas a parte da frente, colocando-a para trás presa uma na outra por um grampo com uma flor roxa por cima, enquanto o resto do cabelo continuava solto junto com a franja. Respirei fundo e fechei de leve os olhos, tentando me convencer que tudo tinha acabado. Mas então, quando abri meus olhos vi refletido no espelho não só meu reflexo, mas também o daquele homem, bem perto de mim, com o mesmo sorriso sinistro que tinha todas as vezes.

Meu corpo travou enquanto observava, assustada, o reflexo dele. Acho que acabei prendendo a respiração quando ele levantou a mão e a encostou em meu ombro, onde pude sentir no local como se um cubo de gelo tivesse sido colocado lá, mas ao invés de molhado era apenas frio. Logo depois a respiração dele chegou ao meu pescoço e pude sentir como um forte arrepio passava desde o inicio de minha coluna até a ponta de meus cabelos. Rapidamente me virei, pregando meu corpo na pia, mas não havia nada atrás de mim quando fiz isso, estava sozinha no banheiro.

Minha respiração voltou a ficar acelerada e logo olhei levemente para o espelho, nada estava sendo refletido nele alem de minha imagem e a do banheiro. Respirei fundo e sai dali, tentando aparentar normalidade. Caminhei pelos corredores indo na direção da sala de jantar onde provavelmente o café da manhã já estaria servido. Desci as escadas segurando fortemente no corrimão e logo que pus o pé no primeiro andar um calafrio me percorreu e comecei a ficar tonta. Segurei no corrimão e por algum motivo minha atenção se voltou para a escada.

Vi então no topo da escada como aquele homem de cabelos brancos vinha com um rosto agora sério, os olhos brilhando de maldade e raiva, logo atrás ele puxava pelo cabelo uma garota que não pude ver ao instantes, mas logo depois identifiquei como Blaze, que se contorcia no caminho e tropeçava algumas vezes. Quando aquele homem passou pela escada vi Blaze tropeçar definitivamente, já que estava sendo puxada de costas. Ela caiu, mas o homem não parou, e o único que vi foi o corpo dela sendo arrastado pela escada fazendo sangue sair de sua cabeça e que vários machucados aparecessem no rosto de seu corpo. Não sei se fantasmas se machucavam, mas quando vi o homem empurrando Blaze pelo resto da escada fazendo ela sair rolando de uma maneira desengonçada.

Eu me preparei para pegá-la no final, mas pela primeira vez ela me atravessou caindo quase no centro de toda a sala manchando o chão de vermelho pelo sangue que saia de sua cabeça e de outros machucados em seu corpo. Ela tinha os olhos arregalados e sem vida, seu corpo estava contorcido de uma maneira estranha, esparramado pelo chão da casa. O homem passou por mim, também me atravessando e se aproximou de Blaze como se eu não estivesse lá. E então... Vi um sorriso aparecer em seu rosto e jurei ser de prazer...

— Maria. – olhei para o lado me encontrando com Tails que me mirava preocupado. Voltei a olhar envolta, não havia mais indícios do que tinha visto antes, não havia nenhuma mancha vermelha no chão do Hall, Blaze não estava lá nem aquele homem. Tudo estava como sempre esteve nos três dias que fiquei aqui. – Tudo bem?

— Acho que sim. – respondi levando uma mão ao peito e voltando a andar na direção da sala de jantar com Tails a meu lado. Não entendia o que tinha passado, mas foi tão real que parecia até mesmo que realmente tinha acontecido, que não era apenas uma ilusão. Cheguei na sala de jantar e Silver já estava lá, sentando na cadeira usando uma calça jeans azul clara com partes meio esbranquiçadas, tênis brancos e uma blusa de mangas curtas branca com detalhes verdes limão. A seu lado estava Blaze que ria histérica de alguma enquanto meu irmão apenas se irritava e fazia de tudo para alcançar a garota que sempre escapulia para longe.

Sorri de leve e me aproximei, me sentado na cadeira na frente de meu irmão e peguei meu corpo de suco o bebendo um pouco. Silver então parou o que estava fazendo e me mirou preocupado, mas antes que pudesse dizer alguma coisa nossa mãe apareceu, caminhando rapidamente pelo local. Ela usava saltos altos negros, uma calça jeans escura e uma blusa negra social. Ela caminhou até mim e tocou de leve meu rosto.

— Tem certeza que quer ir a escola? Ainda não parece ter se recuperado da noite de ontem. – comentou ela erguendo um pouco meu rosto. Eu lhe sorri mostrando que tudo estava bem, apesar que em minha cabeça nada se passava bem. Estava me sentindo mal por estar vendo tantas coisas assustadoras, mas não podia dizer isso a ela.

— Estou bem mãe. Apenas um pouco cansada, mas quando voltar da escola posso descansar, não tem problema algum. – falei tentando fazer com que minha voz saísse tranqüila e não gaguejada como pensava que iria sair. Minha mãe me encarou atentamente e logo suspirou.

— Então tudo bem, se tiver algum problema, é só me ligar. Estarei com meu celular. – assenti com a cabeça e ela me deu um delicado beijo na testa. E logo depois ela saiu porta a fora deixando a mim, a Silver, Blaze e Tails sozinhos no cômodo. Suspirei de leve e mexi distraidamente com o pedaço de biscoito que tinha a minha frente.

— Maria... – começou Silver, mas eu sabia o que ele iria dizer e não queria mais ninguém preocupado comigo. Estava com medo sim, mas odiava que as pessoas ficassem preocupadas comigo, parecia que era um peso para elas.

— Eu estou bem Silver. Verdade. – falei lhe sorrindo e logo me levantando da mesa. Não tinha comido quase nada, mas também não estava com fome. Escovei os dentes e peguei meus materiais, indo até a entrada da casa. Silver já me esperava e logo caminhamos juntos para a escola. Silver não me disse nada o caminho inteiro e eu agradecia por isso.

Mas claro que esse licencio era só dele, já que de vez em quando um dos fantasmas que se tornaram meus amigos aparecia e me perguntava se estava bem e eu sempre fazia a mesma coisa, sorrir e dizer que sim. Shadow foi o único que não disse nada, parecia estar mais distraído do que eu, mas havia varias coisas que ele não falava que me intrigava. Ele pareceu ficar desesperado quando viu aquele homem, fechou tudo como se assim pudesse impedir que ele entrasse no quarto, e também parecia que ele era o único, alem de mim, que via aquele ser sinistro. Mas se sabia tanta coisa sobra ele, porque não contava? Teria um motivo?

Assim que chegamos a escola eu e Silver nos separamos, eu para a aula de matemática e Silver para a aula de Historia. Ele primeiro não queria me deixar sozinha, mas os fantasmas fizeram um acordo com ele. Shadow, Mephiles e Rouge vieram comigo para sala enquanto os outros iam com Silver para a dele ou iam perambular pela escola de uma maneira que não causasse confusão. Quando entrei na sala Kaira já foi acenando desde o lugar onde ela estava, mostrando uma cadeira na sua frente.

- Nossa Maria. – exclamou quando me sentei, deixando minhas coisas perto da cadeira e tirava meu livro de matemática. – O que houve com você? Parece péssima.

— Apenas uma noite mal dormida Kaira. Não é nada de mais. – falei sorrindo para ela tentando disfarçar meu mal estar. Enquanto abria meu caderno uma pergunta passou por minha cabeça e talvez Kaira pudesse responder. – Kaira... Tem como vermos a morte de alguém que já é um fantasma?

— Bom... Aqueles que têm uma energia espiritual forte e podem ver fantasmas, são chamados de exorcistas, e tem o trabalho de mandar os fantasmas para o lugar que devem ir, mas não foram quando morreram. – falava e eu tentavam prestar o máximo de atenção que conseguia. – Alguns fantasmas têm problemas que não os deixam sair desse mundo e para conseguirmos ajudá-los precisamos saber tudo sobre eles. Então nós puxamos o último dia de vida deles logo que sentimos sua força espiritual em um lugar. É como se tivéssemos vendo uma ilusão.

— Entendo... – falei em um sussurro enquanto deixava meu caderno já aberto na pagina dos exercícios que foram pedidos na aula passada para fazer. Então aquilo que vi no hall da casa foi a morte de Blaze, o ultimo dia dela? Se foi então quer dizer que aquele homem que esta me incomodando tanto é o culpado por ela estar morta? Isso quer dizer que os outros também foram mortos pela mesma pessoa? O que teria acontecido com eles quando ainda estavam vivos?

— Nossa Maria, como conseguiu fazer todas as atividades?! – exclamou Kaira chamando minha atenção. Olhei para ela e vi como seus olhos brilhavam impressionados, logo depois virei para meus exercícios, todos feitos como deveria e logo voltei meu olhar para o caderno dela encima da mesa, diferente dos meus os exercícios dela estavam um feito e outros não, cheios de marcas de borracha. – Eu não consegui fazer quase nada!

— Não tenho muita dificuldade em matemática, para mim é uma matéria fácil. – respondi com um pequeno sorriso no rosto enquanto Kaira pegava meu caderno e analisava todas as questões que tinha nele. – Se quiser depois eu posso te dar uma ajuda. Pelo o que vejo você não tem muita facilidade nas contas.

— São muitas regras! Não sei quais usar! – reclamou ela deitando na mesa de uma maneira tão engraçada que não pude evitar rir. Kaira tinha um jeito especial que te fazia rir mesmo nos momentos difíceis, me perguntava como ela não tinha mais pessoas como amigas. Talvez seu trabalho de exorcista a atrapalhasse muito. O professor então chegou na sala e todos se acomodaram para a aula.

Primeiro veio a correção das atividades e pude ouvir atrás de mim algumas reclamações de Karia sobre as atividades e a explicação do professor. Eu nem mesmo prestava atenção, virei meu rosto para a janela, vendo o lado de fora da escola. Hoje não era um dia que estava fazendo muito frio, mas as nuvens tampavam o sol e ameaçavam uma forte chuva. Não ventava, por isso tudo estava abafado e logo o inverno chegaria... Já imaginava a neve ocupando o lugar de todo o verde que tinha por aqui.

O professor de repente passou perto de mim e de Kaira, mas Rouge estava no caminho e ele a atravessara como teria feito com qualquer fantasma. Não entendia porque conseguia tocar nos fantasmas como se ainda estivessem vivos e os outros não. Tudo o que parecia para eles era que uma brisa gélida tinha passado e calafrios subiam por seus corpos. Discretamente me virei para Kaira.

— Por que podemos encostar neles e os outros não? – perguntei baixinho e Kaira quase deu graças a deus por ter tirado ela dos pensamentos matemáticos. Juro que quase vi fumaça saindo da cabeça dela de tanto ficar tentando entender os problemas.

— Porque somos exorcistas, e temos a capacidade de fazer nossos corpos transmitir uma energia suficientemente grande para sincronizar com a deles e assim poder tocá-los. – respondeu ela e logo levou uma mão até o braço de Mephiles que estava próximo dela, o segurou com força e o puxou, sorrindo de leve. – Viu, posso encostar nele tranquilamente, mas se for uma pessoa que não é exorcista então ela vai atravessá-lo como se não existisse.

— E te garanto, incomoda quando nos atravessam. – falou Mephiles tirando o braço da mão de Kaira e quase a derrubando. Ele então se virou para mim e continuou. – É como se seu corpo fosse desmantelado e montado de novo. É algo estranho e difícil de explicar.

— O mais sinistro é que quando passamos dentro da pessoa vemos tudo! – exclamou Rouge se sentando na minha mesa e sorrindo de leve. – É como se víssemos todos os músculos, logo depois os ossos, os órgãos internos e por fim saímos dele. É uma coisa um pouco nojenta.

— Ótimo para estudar anatomia, porem. – comentou Kaira sorrindo divertida e piscando um dos olhos. Sorri divertida e logo suspirei de leve. Shadow permanecia distante, não falava e nem se divertia conosco. Sei que ele é sério e frio, fora algo que Mephiles comentara conosco dizendo que seria impossível fazê-lo sorrir abertamente uma vez, mas mesmo assim...

A aula então terminou e caminhamos juntas até a próxima aula que seria de Alemão. Shadow, Mephiles e Rouge nos seguiam entrando na conversa que tínhamos. O bom é que parecia que eu e Kaira estávamos conversando uma com a outra e não com os fantasmas que nos rodeavam. Mas claro que algo tinha que acontecer para atrapalhar tudo, de repente senti um empurrão em minhas costas, me fazendo perder o equilíbrio e cair de joelhos ao chão.

Kaira se ajoelhou a meu lado enquanto os fantasmas nos rodeavam. Não estava machucada, fora apenas um pequeno tombo, mas pela risada que ouvira logo a frente pude perceber que a intenção era chamar a atenção de todos que caminhavam a nossa volta. Levantei o olhar, me encontrando com os olhos acinzentados de uma garota do segundo ano. Ela tinha um belo corpo, provavelmente obra de exercícios físicos, os cabelos de um loiro palha que chegavam até metade de sua cintura e pele pálida. Atrás dela tinham mais duas garotas, uma de cabelos negros, lisos que lhe batiam no ombro, os olhos de um negro profundo, o corpo igual ou mais bem formado que o da loira e a pele um tanto morena. E a ultima delas tinha o cabelo castanho aloirado, o corpo um pouco mais magricelo que as outras, os olhos verdes escuros e pele bem pálida, não tinha uma cara muito inteligente que digamos.

— Desculpa. Não ti vi ai. – comentou a loira de olhos acinzentados com uma cara falsamente inocente. Me levantei com a ajuda de Shadow que segurou minha cintura para levantar todo o meu corpo de uma maneira que ninguém achasse estranho, mas mesmo assim me desconcentrou um pouco e me fez corar levemente. – Você é tão pequena que nem consegui te ver.

— Tudo bem. Não tem importância. – falei e logo puxei o braço de Kaira para sairmos de lá, apesar da mesma querer mais partir para cima do que sair sem fazer nada. Dei a volta nas garotas e continuei andando, mas mal dei cinco passos para longe da garota quando a mesma me fez parar, falando meu nome e meu apelido na outra escola.

— Maria a Ginasta. – tempos antigos, isso fora tirado do fundo do baú devo dizer. Tinha deixado isso na sétima série, não fazia mais ginástica, mas como ela tinha ficado sabendo disso? – Acho que não te informaram, mas meu pai é o diretor da escola, e como eu preciso de pessoas para o meu time ele me entregou sua fixa que tinha informando seu grande destaque na ginástica. – Ah! Então foi assim... – Claro que para entrar no nosso time vai ter que fazer um teste e provar que é boa o bastante.

- Olha, larguei a ginástica e não estou querendo voltar tão cedo... Além do mais... – tentei explicar, mas ela não me deu ouvidos e colocou uma mãe em meu ombro e me olhando como se dissesse “covarde”.

— Se tem medo de perder eu entendo e compreendo. – falou e pareceu que algo estalou dentro de mim, não sei o que foi, mas uma raiva imensa me inundou. – Mas duvido que outros compreendam da mesma maneira e não te chamem de covarde.

Não me perguntem o que aconteceu, não me questionem o porque de eu ter aceitado a proposta de fazer uma demonstração no intervalo, não me perguntem o que deu em mim para deixar meu medo de lado e fazer o que não deveria fazer. Tudo o que sei do que aconteceu é que algo estalou dentro de mim, a coragem que a muito tempo não tinha voltou a meu corpo e lá estava eu apertando a mão daquela garota com a mesma força que ela fazia com a minha.

Logo depois era eu e Kaira caminhando para a sala de aula com Kaira falando sem parar sobre o que tinha acontecido. Eu me perguntava se realmente tinha sido uma boa idéia aceitar a proposta, quando Silver descobrisse ele ia me matar depois. Respirei fundo e passei a aula de Alemão inteira olhando para o relógio, e para meu azar o tempo passou mais rápido do que pretendia que passasse. Logo o intervalo chegou e eu me encontrava no ginásio perto do local onde tinha os equipamentos de ginástica e já usando a roupa de ginástica.

— Kaira me tira daqui pelo amor de deus. – pedi enquanto olhava todos que ficaram sabendo se acomodarem envolta para ver o “show”. Minhas mãos tremiam e eu duvidava que conseguiria fazer algo daquele estilo.

— Do que esta falando Maria? Vai arrebentar com aquela garota e mostrar que ninguém te chama de covarde! – exclamou ela, como se realmente soubesse que eu era boa naquilo, mas fazia dois anos que não praticava nada! Como poderia vencer uma garota que treinava todos os dias para campeonatos! Isso não era algo que não se esquecia como andar de bicicleta!

— Maria!! – agora as coisas ficaram duplamente piores. Silver tinha descoberto, por seu tom de voz estava furioso. Ele chegou perto de mim e me segurou pelo braço, mas não tinha coragem de mirá-lo nos olhos. – O que pensa que esta fazendo?! Se esqueceu que você não pode mais fazer ginástica?!

— E-eu sei Silver, mas na hora eu não sei o que me deu! Eu apenas aceitei o desafio! – tentei questionar, mas não tinha desculpa para aquilo. Como eu disse antes, não sabia o que tinha me dado para aceitar aquilo.

— Não se pode agir por impulso Maria! Você é lesionada, sabe muito bem que não pode fazer esse tipo de coisa! – exclamou ele para mim e eu abaixei a cabeça. Realmente, quando estava na sétima série cai de mau jeito em um dos treinos e acabei machucando meu tornozelo, desde então sou proibida de fazer qualquer tipo de ginástica. – Já imaginou se algo te acontece?! E se essa lesão piorar?! Maria já pensou nisso?!

— Silver eu sei... Eu já disse que não sei o que aconteceu para eu aceitar. – falei tentando fazer o assunto acabar, mas Silver estava muito irritado e preocupado para que terminasse de me dá sermões como fazia agora. Kaira também parecia incomoda com tudo isso, ela não tinha dito nada e parecia se esquivar do assunto e alguns dos fantasmas que nos rodeavam faziam o mesmo. – Mas agora não sei mais como sair dessa encrenca.

— Então arrume um jeito! – exclamou ele fazendo movimentos bruscos com o braço. Rouge então desapareceu, acho que fui apenas eu que notei já que ninguém comentou nada nem tentou impedi-la. Olhei para todos os lados daquele enorme ginásio esquecendo por um momento das reclamações de meu irmão, até finalmente encontrar a Rouge perto de onde estava a tal garota que me desafiou, a filha do diretor, Marlene. Questionei-me o que estaria pensando em fazer. – Maria, esta me escutando?

- Olha... – murmurei apontando para Rouge. Todos ficaram em silêncios e observaram o local que eu apontava vendo como Rouge se aproximava da filha do diretor e logo adentrava em seu corpo. Primeiro pareceu apenas que Marlene tinha tido um calafrio e logo depois ela se virou em minha direção e caminhou com um pequeno sorriso no rosto. Esperei até que começasse a falar.

- Pensando bem garota, acho que seria melhor deixar essa competição idiota para trás. Não tem importância ter mais um em nosso time. – falou fazendo movimentos exagerados com o corpo que eu achei meio estranho, mas quase soltei uma gargalhada ao lembrar que era Rouge que estava fazendo a garota agir dessa maneira. – Agora vou festinha minha roupa de marca e sair rebolando por ai.

Eu, Silver e Kaira tivemos que segurar para não rir enquanto os outros fantasmas não precisavam se preocupar com isso e se já não estivessem mortos podia jurar que eles morreriam agora de tento que riam. Mas para variar Shadow não ria, ele estava com o rosto virado para o lado parecendo perdido em algum pensamento. Isso não me agradava, ele estava assim desde que tive aquele sonho estranho.

O resto da aula passou rápido. Eu e Kaira sempre recordávamos da possessão da Rouge e caiamos na risada. Os fantasmas sempre ficavam perto de mim, mas ainda tinha algo me incomodando. Sentia-me sendo vigiada, cada passo que dava era seguido por alguma coisa e tinha a impressão que Shadow sabia o que era isso, que ele podia ver o que eu via e mais ninguém percebia. Chegou o momento de ir para casa e eu e Silver caminhávamos um do lado do outro como sempre fazíamos, junto com os fantasmas que pulavam de um lado para o outro como sempre, com a exceção de Shadow para variar.

Quando chegamos em casa eu fui para meu quarto, peguei uma roupa e fui para o banheiro tomar um bom banho. Não sei quanto tempo demorei, mas quando sai ouvi uma risada estranha. Caminhei pelos corredores enquanto a risada continuava a ecoar. Pensava que era um dos fantasmas que estava tentando me assustar para se divertir, normalmente era Blaze que fazia isso, mas a voz era masculina então supus que era Sonic.

Cheguei perto da escada que levava ao hall do primeiro andar e olhei para a parte de baixo. As risadas tinham parado, mas não tinha ninguém ali. Dei de ombros e me virei para caminhar na direção do meu quarto, mas logo que fiz isso me encontrei com aquele tão estranho homem que me sorria daquela maneira sinistra como sempre fazia. Meu corpo gelou e não mais conseguia reagir para sair de lá.

— Agora morra para eu ter o que quero. – murmurou ele para logo empurrar meu corpo para trás. Então meus pés perderam o chão e tudo o que senti em seguida foi meu corpo sendo esmagado ao rolar escada a baixo. Juro que nunca me senti tão atordoada quanto naquele momento.

Quando finalmente alcancei o chão não conseguia sentir meu corpo, tudo o que sentia era dor e mais dor. Minha visão estava um pouco embaçada, mas quando olhei para o lado pude ver perfeitamente a Shadow. Ele tinha uma mão em meu ombro enquanto seus olhos estavam voltados para cima. Quando virei meu rosto para ver, lá estava aquele homem, sorrindo como nunca. Silver então apareceu no topo da escada completamente preocupado, mas estranhamente ele atravessou aquele homem, de uma maneira que parecia que ele não existia. Os outros fantasmas também apareceram junto com minha mãe e Kley, mas todos eles pareceram não notar aquele homem no topo da escada.

Perdi a consciência naquele instante me perguntando o que Shadow sabia.

Notas finais
Bom, finalmente terminei esse cap e vou para o outro. espero que fique mais indeterçante daqui para frente porque o sinistro vai começar...
Em comemoração ao dia das bruxas vou tentar terminar o proximo cap que tem partes mais sinistras ainda!
bjss e feliz hallowin!!!