Mundo 30 - Sterek
3 Dia 02 - Por quê?
Eu sabia que deveria levá-lo para o hospital, era a coisa certa a se fazer, mas em meio ao desespero eu acabei trazendo-o para casa. Eu não consegui dormir e, duvido que conseguiria. Eu ainda conseguia sentir a bola em minha garganta, meus olhos queimando enquanto que velava o seu sono.
Por que, Stiles? Por quê?
A febre dele vinha e ia, isso me apavorava, principalmente por não conseguir acordá-lo para que pudesse tomar um remédio. Tentei baixar a febre com compressas frias, mas de nada parecia adiantar, até que finalmente Stiles começou a dar sinais de que iria acordar. Não pude conter meu alívio, que se transformou em desespero ao lembrar de suas palavras.
Sentei-me na cama, próximo de si. Acariciei seus fios até que suas íris castanhas olharam para mim. Por favor, não me olhe desse jeito, Stiles.
“Desculpe-me” Engoli seco.
“Por que está me pedindo desculpas, Der” Seu sussurro era de quebrar meu coração. Pare de me olhar. Por que seus olhos brilham tanto? Desviei o olhar sem saber o que responder. Na verdade eu me culpava, eu sinto que é culpa minha.
Senti um aperto em minha mão, um toque tão suave e quente, mas ainda assim não era o suficiente para que eu pudesse encará-lo, eu tinha medo. “Está tudo bem” É o que você me diz, mas Stiles, não está nada bem.
Balancei a cabeça e as lágrimas que tanto batalhei em segurar, desceram. Tampei meu rosto com as mãos e não reprimi os soluços, não conseguia mais. A culpa era minha. Eu jamais deveria ter me aproximado de você, Stiles.
“Tome o remédio, por favor”, sussurrei, antes de me levantar e sair do quarto o mais rápido possível, não poderia ficar ali. Eu precisava de água. Meus passos eram lentos devido ao sono.
Quando peguei um copo, sentei-me na mesa, suspirando. Tive que massagear minhas têmporas enquanto apoiava os cotovelos sobre a superfície. Meus olhos ardiam e minha garganta estava se fechando novamente.
Eu não conseguia encará-lo enquanto estava acordado. Não conseguia falar com ele, por quê?
Meu peito doía tanto. As coisas estavam indo bem, então… Eu não consigo entender. Ou talvez eu tivesse medo de saber, medo de tentar entendê-lo. Medo de aceitar.
Fechei brevemente os olhos, suspirando novamente. Não posso deixá-lo sozinho. Retornando para o quarto, Stiles estava ali, lendo um dos livros que comprou ontem. O copo estava vazio e nenhum comprimido estava à vista, subitamente me senti aliviado.
Stiles ainda não tinha reparado a minha presença ali, o que era bom, assim eu conseguia observá-lo acordado sem que seus olhos castanhos me fitassem daquela maneira tão calorosa.
Ele estava tão entretido, mas seus olhos possuíam aquele brilho, como se não estivesse morrendo. O pequeno sorriso que desenhava em seu rosto pálido me dizia que certamente o livro que estava lendo era algum romance, isso sempre arrancava sorrisos seus. O amor. Baixei rapidamente meu olhar quando percebi que ele me olhou.
“Der…” Sua voz era tão calma, que de certa forma me deixava tranquilo naquele turbilhão de sentimentos que eu estava tendo. “Senta aqui, por favor, não me ignore.” E novamente senti vontade de chorar e culpa se alastrar, mas mesmo assim me aproximei.
“Olha para mim” E eu olhei, Stiles sorria tão suavemente. Fez questão de segurar as minhas mãos, brincando com elas.
Ficamos uns bons minutos em um silêncio, de certa forma, agradável. Stiles sempre conseguia deixar o ambiente dessa forma, como se nada de ruim estivesse acontecendo, mas estava. Eu não sabia o que ele estava pensando, não sabia o que estava sentindo e tudo isso me preocupava ao extremo, no fim, questionei aquilo que tanto me perturbava: “Por quê?”.
Senti seu corpo ficar tenso, mas relaxando em seguida, voltando a brincar com a minha mão. Eu o olhava atentamente, esperava pacientemente. Em certo momento, passei acariciar sua mão, querendo transmitir certo conforto, mas certamente eu não era bom nisso, já que era palpável o quão tenso eu estava.
“Antes da gente se conhecer, bem antes, eu cuidei dos meus pais. Sabia que ainda podemos amar nesse mundo? Desde que não falemos sobre nossos sentimentos pela pessoa. Já imaginou o quão cruel é viver dessa forma?” Eu notei sua voz falhando, Stiles estava lutando para não chorar, assim como eu. “Meus pais se amavam, eles sempre tentaram demonstrar isso com ações, mas nunca era suficiente, olhar um para o outro e não poder dizer um simples eu te amo. Eles esperaram até eu ter idade suficiente para viver sozinho… Foi quando eles disseram o quanto se amavam. Eles choraram tanto, Derek. Pediram-me desculpas, mas eu dizia que estava tudo bem, porque eu sabia o quanto eles sofriam guardando aqueles sentimentos. E eu fiquei cuidando deles… Até o fim.”
Eu não sabia o que dizer, Stiles. Apenas o abracei o mais forte que consegui, sentindo minha camisa molhar e meu coração se partir, enquanto ouvia seus soluços. Stiles me agarrava tão forte, como se tivesse medo de que eu fugisse, mas eu jamais fugiria de você, Stiles.
“Desculpe-me, Derek, mas eu não conseguia suportar isso dentro de mim. Eu odeio tanto esse mundo, eu odeio Lúcifer. Eu apenas queria viver num mundo onde pudesse amar, desfrutar desses sentimentos tão puros. Mas não podemos e eu odeio isso. Eu te amo, Derek, e por mais que não retribuía esse sentimento, está tudo bem. Eu estou bem.”
Não, não está nada bem.
Eu não sabia quanto tempo ficamos ali, mas Stiles adormeceu nos meus braços. E ali eu reparei pela primeira vez o quão pequeno ele era. Beijei seus fios castanhos, enquanto que novamente chorava. Não fiz questão de me afastar, apenas o apertei em meus braços e entreguei-me ao mundo dos sonhos. Um que você estava sorrindo, comigo.
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