Mundo 30 - Sterek

4 Dia 03 - Eu vou cuidar de você, Stiles.


Eu fui acordado pelo toque do meu celular, custei um pouco para entender as coisas ao meu redor, foi quando senti uma movimentação em minha cama e vi fios castanhos, fazendo-me arregalar os olhos e flashe’s virem com tudo. Engoli seco ao sentir meus olhos queimarem. Novamente meu celular tocou e notei que estavam me ligando, peguei o aparelho o mais rápido que consegui sem acordar Stiles, não queria acordá-lo naquele momento.

“Sim”, disse, após atender.

“Derek, o que houve não apareceu na empresa?” Fechei fortemente os olhos, era Isaac, meu assistente.

“Desculpe não ter avisado, eu”, me interrompi, olhando brevemente para Stiles, suspirando em seguida. “Isaac eu vou trabalhar durante 30 dias em casa, tudo bem? Me envia as coisas pelo fax, não quero ser incomodado aqui em casa.” Eu não poderia deixá-lo, não agora.

“Tudo bem!” Conversei mais algumas coisas com Isaac antes de finalizar a ligação, aproveitei e deixei o celular no vibrar. Suspirei baixinho, passando a acariciar seus fios, acho que não conseguirei deixar de me perguntar do porquê fizeste isto. Saber que Stiles me ama, me faz questionar se eu seria digno de alguém tão incrível como ele, acho que não, alguém tão incrível como ele não merece alguém como eu.

Parei de tocá-lo e suspirei novamente, levantando-me, não quero acordá-lo antes de preparar um café reforçado, ficamos praticamente um dia inteiro dormindo, isso certamente não foi uma boa ideia, ao menos sua febre tinha baixado. Mas eu precisava pensar como cuidaria de Stiles, não posso simplesmente cuidá-lo aqui em casa, eu não aguentaria vê-lo sofrer de dor.

Preparei ovos mexidos com bacon, juntamente com um café extra forte, lembro-me que Stiles tinha me comentado uma vez que gostava de iniciar o dia com café bem forte e amargo. Eu tinha que rir, só ele mesmo para dizer que café amargo é excelente para se ter um ótimo dia, eu espero que seja verdade. Meu sorriso morreu diante desse pensamento. Crispei os lábios e peguei uma bandeja para por o café da manhã, aproveitando peguei a caixa de remédio, encontrando o comprimido para dor, não sabia se ele acordaria com dor.

Ao chegar no quarto, Stiles permanecia dormindo, o que era bom, sempre quis saber como ele era quando acordava, por algum motivo eu imaginava uma cena incrivelmente fofa e engraçada. Ri baixinho ao pôr a bandeja na parte que eu tinha dormido.

“Hey, Stiles.” O balancei gentilmente, escutando seus sutis resmungos. “Stiles.” Aumentei o tom de voz, balançando-o novamente. “Stiles”.

“Sai”, resmungou, agitando os braços. Ri novamente, não o imaginava que ele tivesse sono pesado.

“Stiles.” Dessa vez eu ouvi um bufo e Stiles levantou-se abruptamente com uma cara de poucos amigos. Oh, ele acordava de mal humor.

“O que foi, Derek?”

“Então você acorda de mal humor”, balbuciei apenas para irritá-lo, tirar aquele clima ruim que parecia querer me acercar a cada instante. Olhei para os seus olhos vendo-os me encarar seriamente, eu só consegui rir, ele estressado em plena manhã era uma graça de fato, principalmente com os cabelos bagunçados.

“Ha, Ha, Ha.” Sorri ainda mais.

“Aqui está.” Entreguei o café para Stiles que pegou com os olhos arregalados, como se finalmente tivesse entendido que eu preparei café e trouxe na cama para ele.

“Obrigado”, murmurou. Pisquei atônito nunca tinha visto ele ficar corado. Acho que fiquei vermelho também, pois Stiles me olhou de uma maneira estranha, então apenas peguei meu café e o acompanhei. Ficamos num total silêncio enquanto comíamos e bebericavamos o café, foi quando olhei para a bandeja e vi o comprimido, acabei engolindo seco.

“Está com dor?”, questionei. Stiles desviou brevemente o olhar antes de balançar a cabeça, negando. Meus olhos se direcionaram para as suas mãos que seguravam a xícara com certa força, foi aí que notei; elas estavam levemente arroxeadas. Peguei a sua mão direita a avaliando, Stiles não tentou me impedir ou me questionou algo, o que de certa forma era bom. Eu nunca pesquisei sobre a doença que cerca esse mundo por causa do amor, afinal, era algo que eu jamais queria presenciar, ela me causava medo, mas eu sabia o básico dela e que ela possuía estágios.

“Irá se espalhar pelo corpo todo.” Olhei para os seus olhos âmbares diante de sua fala. Não sabia o que dizer.

“Doi?”, sussurrei, temendo pela resposta. Eu ainda segurava sua mão, mas Stiles deixou seu café de lado e passou a segurar as minhas; na outra, a tonalidade arroxeada também estava presente. “Eu nunca cheguei de ler sobre as fases da doença, eu…” Não consegui concluir.

“Eu sei! Não se preocupe, não está doendo. Derek, você sabe que não precisa ficar cuidando de mim, eu posso me virar.” Eu não sentia muita firmeza em suas palavras, mas mesmo que me pedisse para deixá-lo sozinho, eu não teria coragem de deixá-lo, mas não porque me sinto responsável por ele, eu jamais pensaria isso, apenas não conseguiria. Queria poder dizer isso em voz alta, mas não consigo, era como se eu travasse.

“Eu vou cuidar de você, Stiles” Sempre!

Ver o seu sorriso, tão sincero em meio aquele desespero todo que nos cercava, fez meu coração tremer uma batida. Não evitei uma retribuição.

“Obrigado, Der.” Novamente, seu rosto ficou vermelho, eu poderia ter me acostumado em apreciá-lo se não vivêssemos nesse mundo. Vi meu celular vibrando no travesseiro e acabei suspirando de desgosto, era uma mensagem de Isaac, anunciando que enviou as coisas pelo fax. “Desculpe, acho que fiz você acumular o trabalho.”

Encarei ele e sorri de canto. “Não se preocupe, eu acabei ficando tão preocupado que nem lembrava dos trabalhos, mas relaxa, eu vou fazê-los aqui na cama, com você, se não se importa.”

Seus olhos âmbares, tão brilhantes, arregalaram-se, soltei uma baixa risada. “Tem certeza? Eu não vou te atrapalhar? Derek, eu posso me virar”, eu interrompi-lhe.

“Você jamais iria me atrapalhar, eu quero estar ao seu lado”, disse com tamanha sinceridade que me assustei. Vi Stiles baixar a cabeça e brincar com os seus dedos como se fosse a coisa mais interessante do mundo. Sem pensar muito, acabei aproximando minha mão de seu rosto, fazendo-o olhar para mim, sempre gostei de olhar para os seus olhos, sempre tão calorosos. “Confie em mim” Um sorriso pequeno se formou em seus lábios, fazendo com que eu retribuísse.

Levantei-me da cama e passei a recolher as coisas, pondo-as na bandeja. Novamente, sem pensar, beijei sua cabeça e tratei de ir para a cozinha lavar a louça, me ligando apenas depois o que fiz. O que deu em mim?

Estava meio acanhado de voltar para o quarto, mas prometi que ficaria ao lado dele, por isso fui até meu escritório e peguei tudo o que precisava para trabalhar. Quando entrei no recinto, Stiles estava terminando de arrumar a cama; a janela estava aberta, trocando o ar, mesmo que estivesse vento fresquinho lá fora. Queria perguntar se era uma boa ideia ficar perambulando por aí, mas não achei apropriado, precisava me lembrar de procurar sobre a doença, mas não queria fazer isso na frente dele, sinto como se isso fosse capaz de trazer aquela tristeza que ficava escondido perante o seu olhar, por mais que desse um lindo sorriso, eu saberia que Stiles estava deprimido.

Passamos o dia na cama, parando apenas para almoçar e jantar, Stiles me ajudou na louça e fez questão de abrir todas as janelas da casa, alegando que ela era muito fria. Ele andava de um lado para o outro como se precisasse andar, como se fosse uma necessidade, um aproveitamento. Tentei não focar muito nisso. Quando fechamos as janelas e voltamos para o quarto, onde estava terminando de pôr as coisas da empresa em dia, Stiles continuava lendo. Estava praticamente devorando-os.

Eu não vi a hora passar, mas quando olhei de novo, ele já estava dormindo com o livro na cara. Soltei uma baixa risada. Peguei o livro, não deixando de marcar onde parou a leitura e o deixei de canto. Olhei para o visor do laptop e suspirei, amanhã continuaria. Salvei tudo. Estava prestes a desligar quando me lembrei que queria pesquisar sobre a doença.

Fechei fortemente meus olhos e com as mãos trêmulas fui na aba de pesquisa. No fundo, eu sentia que iria me arrepender.