Mulheres Fabray
1 Reencontro
O avião de Quinn descia no Aeroporto Lima Allen County, da pequena aeronave ela podia ver toda a cidade, cinco anos desde que saiu dali com o coração em pedaços rumo a Austrália para uma bolsa de Arquitetura.
“Rachel.”
Não conseguia parar de pensar na morena, mesmo depois de tudo que ela havia feito, se perguntava como ela deveria estar, a essa altura terminou o Nyada, deveria estar vivendo com sua arte, deve ter conseguido seu papel em Funny Girl, e recebido aplausos de pé, uma sombra de sorriso passou em seus olhos antes da imagem de Rachel na cama com Finn sobre ela o desmanchasse.
Ela deveria ter socado Finn até quebrar as mãos, mas não, ela simplesmente andou para fora da festa, foi para casa e aceitou a bolsa. E agora estava novamente em casa.
Desceu da pequena aeronave com mais alguns passageiros e pode ver no saguão sua mãe, acenando como se fosse possível não vê-la.
— Quinnie! Quinnie! Quinnie! Oh… Meu bebe! — Judy abraçava pela cintura a muito tempo a caçula já a tinha ultrapassado em altura.
— Mami! — Quinn devolveu o abraço. — Que saudade de vocês. Onde está Franny?
— Não contei para ela, vamos fazer uma surpresa. — Estava a alguns dias do aniversário de Franny e Judy adorava festas. — Ela está no trabalho agora, tenho que dizer, sua irmã tem se saído maravilhosamente bem depois que abriu o consultório.
Quinn admirava a cidade conforma a mãe dirigia e falava como seria estupenda a festa de Franny, Lima tinha mudado, novas praças, velhas casas, novos lugares, seus olhos bateram em um café, aconchegante, com cara de um daqueles lugares que você vem e se sente em casa.
Por coincidência sua mãe parou na no mercado que estava ao lado.
— Só preciso pegar algumas coisas, 5 minutinhos, você vem comigo?
Quinn considerou lembrando das horas que a mãe costumava gastar dentro de um mercado. E achou melhor não.
— Vou te esperar por aqui. Dar uma olhada nas vitrines ou cochilar no carro.
Com promessas de não demorar para que a filha descansasse Judy seguiu para o mercado. Assim que a mãe saiu ela foi para o café.
=/=
Quinn entrou e imediatamente ficou muda, foi como se alguém tivesse sugado todo o ar que já existiu, ela tentava respirar, duas mulheres estavam sentadas em uma das mesas próximas a porta e não notaram sua presença.
— E então? O que você diz? — a loira perguntou entre goladas de um chocolate quente delicioso.
— Ok, sim. — a morena deixou um sorriso tímido escapar. — Sexta iremos sair para jantar. Nada muito requintado…
— Não precisa ser requintado, Rach, vamos ao Breadstix, garanto que requinte não é a linha do lugar. — Enquanto falava, Franny viu o rosto de Rachel ficar pálido e parou a caneca no caminho para a boca. — Rachel? Está tudo bem?
A morena olhava através de Franny.
— Quinn. — Ela sussurrou.
— Quinn? — Franny não ouvia Rachel falar o nome da irmã a anos. — O que tem a Quinn? — Ela tocou de leve a mão de Rachel com extremo cuidado.
Rachel segurou a mão de Franny com força, mas manteve o olhar fixo atrás da loira mais velha.
— Olá, Quinn. — a voz saia um pouco mais alto que um sussurro.
Quinn não acreditava no que ouviu, e Franny não acreditava no que via.
— Quinn! — Ela esperou que Rachel lhe soltasse as mãos para poder se movimentar em direção à irmã.
Quinn mantinha o rosto inexpressivo. Não conseguia definir o que estava sentindo. Traída, novamente, e desta vez por Franny, a mais velha sabia o quanto a baixinha tinha a feito sofrer e agora estava ali marcando um encontro com ela. Mecanicamente abraçou Franny sem tirar os olhos sérios de Rachel. Esta se levantou às pressas e se retirou da mesa, quando Rachel se ergueu Quinn pode ver o avental que lhe cobria a cintura.
— Franny eu tenho que ir… resolver algumas coisas… conversamos mais tarde… o chocolate… fica por conta da casa… — ela falava correndo e se movimentava nervosa, seguiu para os fundos atrás da bancada e desapareceu atrás de uma porta.
Franny assentiu enquanto ela partia, não havia muito o que fazer. Apesar de amar a irmã, a presença dela naquele momento tinha colocado muitas coisas em risco.
Abraçada a Quinn que ainda tinha o rosto fechado elas saíram do café.
— Eu não sabia que você estava na cidade. — Franny começou.
— E eu não sabia que você estava saindo com minha ex-namorada que me traiu. — Quinn foi direto ao ponto. — Não deveria estar no trabalho uma hora dessas?
— Eu até falaria que não é o que está pensando, mas não acredito que vamos ter sucesso nesta direção, então fico com não é da sua conta e terminamos este papo aqui.
— Como não é da minha conta. Você é minha irmã e ela é…
— Mais nada de você e pelo que me lembro sou adulta e vacinada, as pessoas com as quais me relaciono não são da sua conta.
Quinn tinha muito o que queria dizer só não sabia como, Franny deveria estar se desculpando pelo fato de sequer falar com Rachel e não defendendo o relacionamento delas. “Relacionamento delas”, essas palavras soaram amargas na mente de Quinn, será que elas se amavam? Será que Franny amava Rachel. Ou pior, se Rachel amava Franny, desde quando? As perguntas começaram a povoar a mente de Quinn e um ódio sem igual começava a nascer.
A discussão morreu ali, pois pela primeira vez na vida a mãe tinha demorado 5 curtos minutos no supermercado. No carro as irmãs ficaram em silêncio, ambas pensando na mesma pessoa, Rachel.
— Achei que estaria no trabalho, meu bem. — Judy tentou quebrar a grossa camada de gelo que as filhas criaram.
Quinn resmungou alguma coisa pra si.
— Sai mais cedo, tive que resolver algumas coisas. Você não disse que Quinn estava vindo, teria ido buscá-la com você no aeroporto.
— Queria te fazer uma surpresa. — A mãe sorriu pelo retrovisor olhando para a mais nova no banco de trás.
Surpresa era a palavra certa para toda aquela situação. Em minutos chegaram em casa. O carro de Franny estava com problemas e ficou em uma oficina, no centro da cidade. Elas carregaram as malas de Quinn para dentro e a instalaram no quarto antigo dela.
Suas coisas estavam exatamente como havia deixado a cinco anos, até mesmo as fotos, ela havia rasgado todas as imagens de sua ex, só havia fotos das amigas, Brit e Santana, Puck, do grupo do Glee e das líderes de torcida.
Ela pegou o celular e ligou para um número bem conhecido em sua agenda.
— Ei, mudei de ideia, venha pra Lima… sim… te mostro toda a cidade… — ela riu para si — Claro… vai ser um prazer te ter aqui...
=/=
Um taxi passavam bem devagar pela casa da família Fabray, um passageiro olhava com atenção as três mulheres carregando bagagens, seu foco era a Francine Fabray, ou como ele a conhecia, Felicity Smoak.
Notas finais
Beijos e abraços...
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