Muito Mais Do Que Os Olhos Podem Ver
1 Após os Créditos
Notas iniciais
POV Ally
— Pela última vez, Austin. Nós não vamos ter um cachorro! — gritei pela décima vez nos últimos quinze minutos.
Austin e eu acabamos de voltar para casa. Ou melhor, para a minha casa. Voltamos da lua de mel há cinco horas, porém, não pensamos em algo importante: onde morar.
Quando voltamos, tivemos uma pequena discussão para decidir onde iriamos ficar até encontrar uma casa. Decidimos ficar na minha por questões de “quantidade de moradores”, afinal na casa do Austin moram a Clary, Mimi e Mark (que voltou de viagem antes do casamento).
Trish, Dez e Dallas ainda estão na cidade, aguardando a respostas das faculdades, pois é, um ano depois eles ainda estão esperando para entrar…
Austin ainda não falou com Jimmy sobre próximos álbuns, turnês, shows… E eu, estou esperando a resposta de Princeton e Yale…
— Porquê?! — disse ele ainda inconformado.
— Por que nós nem temos uma casa ainda, não temos responsabilidade nem para cuidar de um peixe! E por último: cães necessitam de atenção, algo que nós não podemos dar agora.
— Mas você estará em casa o dia todo! — retrucou ele.
— E quando eu começar a faculdade?! Quem vai cuidar dele? Sua irmã? Não, obrigada.
— Mas…
— Não, Austin!
Ele ficou calado. Olhou para a janela com um olhar perdido. Confesso que me senti mal por jogar na cara dele… Suspirei. Aproximei-me dele e aconcheguei a cabeça em seu ombro.
— Escuta. — falei — Não é que eu não queira ter um cachorro… É só que, agora não dá.
— Eu entendi. — disse ele sem me olhar.
— Austin… — sussurrei em seu ouvido — Não vai brigar comigo por uma coisa tão boba assim, né?
Ele respirou fundo, me olhou e disse:
— Não. Desculpa. É só que… É algo que eu sempre quis, sabe?
Assenti.
— Vamos fazer assim. — falei me virando para ele — Quando nós nos estabilizarmos, tivermos nossa casa e emprego garantido, nós adotamos um cachorro. Pode ser?
Ele sorriu, seus olhos brilharam e ele disse:
— Ta! Podíamos ter um daqueles com nome de país! — disse ele com um sorriso bobo no rosto.
Eu ri e disse:
— Quase 20 anos na cara e você continua sendo o mesmo bobão que eu conheci aos dez anos.
Ele ficou sério, mas logo mostrou a língua. Eu ri novamente, abraçando-o em seguida.
Ficamos assim por alguns minutos apenas olhando para a janela. Em seguida começamos a nos organizar. Austin pôs suas roupas na metade vazia de meu armário e eu limpei parte do quarto.
Após a arrumação, Austin e eu sentamos na cama e começamos a conversar.
— Isso é estranho… — falei.
— O que?
— Tudo isso. Nós…
— É né… — disse ele soltando uma risada abafada.
— O que eu quero dizer… — falei virando-me para ele — É que foi tudo muito recente, entende? Nós namoramos por menos de um ano, terminamos…
— Acho que eu entendi.
Eu ri e beijei sua bochecha. Descansei a mão em seu ombro e o olhei por alguns segundos e pensei:
Ele não tem nada de especial. Mas talvez só talvez ele seja tudo o que eu sonhei pra mim. Fazia um tempo que eu realmente não me apaixonava por alguém. Então estava naquela fase em que qualquer personagem legal de livro me deixa meio besta e obcecada. O último foi Quatro de Divergente. Theo James nem faz o meu tipo, mas, por algum motivo, fiquei imaginando como seria legal poder tirar o cara do filme e, sei lá, passear no parque, jantar no Glenda’s…
Austin por algum motivo me faz me sentir daquele jeito besta. Ele é o meu protagonista, meu co-estrela, meu figurante… Não sei explicar. Ele é bobo, estúpido, estranho e engraçado, mas tem sua inteligência profunda.. Ele não é raso como a maioria das pessoas. Ele é complexo com sua simplicilidade. Se ele fosse uma piscina eu poderia mergulhar na sua imensidão por horas…
Ele olha para o chão por um instante e eu digo:
— Austin. — chamo-o.
— Oi. — diz ele me olhando novamente.
— Eu te amo.
Ele sorri, abre a boca para me responder e eu digo:
— Não, não precisa responder. Só quero que você saiba disso, ok? Só quero que você saiba que eu te amo. Que eu te amo como nunca amei ninguém. E quero que saiba que você é o primeiro para quem disse isso. E essa afirmação não precisa de resposta.
— Mas eu quero responder. — diz ele me interrompendo — Eu também te amo. Mas não como amo minha irmã, a música ou meus amigos. Eu te amo. E nunca me imaginaria amando alguém com tanta intensidade, nem sabia que tinha tanta capacidade pra amar assim. Mas isso tudo por sua culpa. Ninguém além de você, saberia despertar isso em mim…
Pus as mãos em seu rosto e o puxei para perto. Nos beijamos por um tempo, até que eu paro por um segundo para respirar. Passo uma de minhas pernas por cima dele, de modo que eu ficasse em seu colo. O beijo é quente e ofegante, suas mãos estão em minha cintura e as minhas em seu pescoço. Ouço um barulho no andar de baixo e sento ao seu lado rapidamente.
Nos deitamos lado a lado, apenas observando os desenhos e frases que escrevia no teto quando pequena
Nem parece que temos quase 20 anos…
Quando anunciamos que iriamos nos casar, muitas pessoas, inclusive meu pai e Trish, disseram que era muito cedo. Pois somos jovens, não tivemos a chance de ficar longe um do outro ainda… Mas resolvemos arriscar. Daqui alguns anos, Austin vai fazer turnês o tempo todo, viagens, entrevistas, shows… E eu ficarei na faculdade... Quase não iremos nos ver…
— No que está pensando? — pergunta ele.
— Faculdade.
— Acha que não vai entrar?
— Acho que não deveria ter feito o vestibular parar química.
— Por quê?
— Eu estava com raiva de você. Achei que me distanciando da música poderia esquecê-lo. Mas pelo visto não deu certo.
— Não era o que você queria?
— Não é isso. Eu quero, muito. Mas… Acho que não sei se vou conseguir.
— Você vai sim!
— Como você pode saber?
— Porque eu te conheço. E não conheço ninguém que seja mais inteligente que você!
Deito minha cabeça novamente em seu peito e digo para mim mesma.
— Se eu ao menos tivesse escolhido uma faculdade próxima…
— O que?! — disse ele se sentando imediatamente — Como assim “Se tivesse escolhido uma faculdade próxima”? Para que faculdade você fez o vestibular?
— Eu ia fazer para a federal, mas acabei escolhendo Yale e Princeton…
— Connecticut E Nova Jersey?! — disse ele alto — Isso fica há mais de 2 mil km de Miami!
— Eu sei... — falei sem jeito — Eu falei com a orientadora pedagógica e ela me indicou as duas, disse que são ótimas para quem quer estudar Exatas e Humanas! Eu sei! Eu devia ter escolhido com mais racionalidade, responsabilidade e… Arg! Eu só… Eu só queria pode tido mais um ano para decidir. Assim eu saberia o que escolher. Me desculpa…
— Hey, não se desculpe. Você fez a sua escolha. Estou chateado? Um pouco, mas por que se você passar vamos ter que encontrar uma casa lá.
— Não está bravo comigo?
— Nem um pouco. Sou seu marido, tenho e quero te apoiar nas suas escolhas.
Sorri e o abracei.
— Ally? Está aí? — disse meu pai no andar de baixo.
Austin e eu nos soltamos e descemos as escadas. Meu pai estava saindo da cozinha, ele vestia uma de suas típicas camisas xadrez. Assim que me viu, abriu os braços me abraçou com força.
— Senti sua falta. — falei baixinho.
— Eu também, minha pequena.
Assim que nos soltamos, Austin e meu pai se cumprimentaram com um abraço breve. Falamos sobre a novidades, a lua de mel e depois, os dois ficaram quase duas horas falando sobre os Yankees.
Após perceber que eu estava entediada no canto do sofá, meu pai me olhou e disse:
— Querida. Esqueci de te falar, a resposta das faculdades chegaram.
Ao ouvir tais palavras, dei literalmente um pulo do sofá. Corri até o lado de fora da casa, abri a caixa de correspondência e tirei a duzia de envelopes de dentro. Conta, conta, conta, carta da vovó, conta, carta de faculdade, carta de faculdade, conta, conta… OPA! CARTA!!!
Pus o resto dos envelopes dentro da caixa e olhei para as cartas. Pressionei as mesmas contra o meu peito e comecei a pular histericamente de felicidade. Assim que parei, notei Austin e meu pai me olhando da porta de casa. E logo lembrei: Tenho que ligar para Trish e Dez.
— Meu celular! — gritei ao lembrar.
Austin pegou-o em cima da mesa e jogou para mim.
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Ally: ATENÇÃO JOVENS RECÉM FORMADOS! CONVOCO UMA REUNIÃO NO MINI’S! MOTIVO: RESPOSTA DE FACULDADE!!!!!
Trish: Você também?!!! Recebi a minha hoje de manhã! Já estou no shopping (trabalho de verão). Vou ver se consigo dar uma escapada e ir até o Mini’s.
Trish: NÃO ABRAM AS CARTAS!!!
Dez: Para o Mini’s e além!!
Aus: Parem de mandar mensagens e vão logo!
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Austin e eu nos olhamos e corremos para o carro dele. Fiquei o trajeto todo falando sobre o que eu iria fazer em Princeton ou Yale. Estudar na grama, fazer pesquisas independentes… Parece um sonho se tornando realidade. Mas antes eu pediria para o reitor permissão para uma graduação dupla, para Química e Música.
O lado negativo era que ficaríamos longe um dos outros… Mas nunca iriamos nos afastar.
Será que todos conseguimos entrar? AAh! Estou tão ansiosa que acho que vou explodir.
Assim que Austin estacionou em frente ao shopping, saí correndo pela porta de entrada. Ele gritava para eu o esperar, mas não lhe dei ouvidos. Cheguei na praça de alimentação e logo avistei Trish e Dez em uma mesa em frente ao Mini’s. Eles acenaram com as cartas, havia um sorriso estampado em seus rostos.
Austin e eu andamos até eles e nos estamos. Todos pusemos as cartas na mesa.
— Então… Prontos para saber o seu futuro? — disse Trish olhando para todos.
Assentimos e pegamos as cartas. Minhas mãos tremiam enquanto abria o papel. Eu estava literalmente com o meu destino escrito em minhas mãos.
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