Mudei por Você
21 Teste
Acordei bem cedo na manhã seguinte. Lavei meu rosto, comi uma bolachinha e fui ao quarto do meu pai certificar-me de que ele ainda estava dormindo. Voltei para o meu quarto, coloquei uma calça jeans, uma regata branca e uma blusa que não esquenta nada por cima, apenas de enfeite.
Peguei o telefone e liguei para Alice. Tinha certeza de que ela me xingaria até que a voz dela se acabasse, pois ninguém gosta de ser acordado – obvio.
O telefone apenas chamava, andava em círculos esperando um misero “alô” do outro lado da linha. Nada. Sentei-me na cama, estava impaciente com a demora, qualquer um acordaria com o telefone tocando sem parar!
- Alô? – Finalmente Alice atendeu. Estava com a voz sonolenta e irritada
- Alice? – Apenas ouvi um “uhum” do outro lado da linha. – Bom dia!
- Clarie, qual é! Eu tava num sono tão bom, e você me liga pra dizer “bom dia!”?
- Desculpa! Alice, preciso de você.
- O que aconteceu? – A voz não aparentava estar preocupada, mais sim sonolenta.
- Você pode me acompanhar até a farmácia? Eu te falo pessoalmente o que aconteceu...
- Ta legal, eu acompanho. Quando?
- Daqui a pouco. Irei até sua casa. Não sai daí!
- Tchau. – Ela desligou e telefone e provavelmente foi tirar mais cinco minutos de sono.
Logo em seguida liguei para Rafael, ele já estava acordado. Com certeza, preocupado com a suposta gravidez.
Rafael me buscou em casa. Antes de sair certifiquei-me mais uma vez que meu pai estava dormindo. Fomos a casa da Alice, ela já estava pronta, mais ainda com sono.
- Algum de vocês pode me dizer o que esta acontecendo de tão importante pra me tirarem da minha cama quentinha e confortável?
- Alice, a gente ta indo pra farmácia, por que eu acho que estou grávida. – Respondi a olhando com medo. Alice arregalou os olhos e estremeceu após ouvir aquilo.
- Eu não acredito. – Disse ela pausadamente. – Clarie e Rafael, o que vocês tem na cabeça?! Caramba, existe camisinha! Já ouviram falar? Ca-mi-si-nha, e anticoncepcional! Tantas maneiras, e vocês me fazem uma burrada dessas?! – Ela gritava me fazendo chorar.
- Pois é Alice, mais na hora do bem-bom ninguém pensa nisso. – Disse Rafael me abraçando.
- Vocês terão muita sorte se der negativo. Vamos acabar logo com isso. – Ela disse voltando a caminhar, nos deixando para trás.
Não esperava essa reação da Alice... Logo ela que sempre estava ali, dando conselhos, nos ajudando... Mais de certa forma ela tem razão, nós poderíamos ter evitado isso.
Voltamos a caminhar logo atrás de Alice, a cada dez segundos ela olhava para trás – Para nós, com um olhar mortal.
Estava me sentindo muito mal por tudo aquilo! O azar me ama... só pode! Não da pra acreditar que tanta coisa ruim esteja acontecendo comigo: Minha irmã morre, minha mãe se separa do meu pai e vai morar nos Estados Unidos e eu posso estar grávida. Da pra ficar pior?
Logo vimos uma farmácia aberta, Alice entrou, e se apoiou no balcão no caixa emburrada e com a cabeça apoiada pelas mãos. Eu e Rafael fomos até um farmacêutico, que estava tomando um café enquanto falava no celular.
- Moço! – Chamei. Ele se virou, desligou o celular e foi falar comigo e com Rafael.
- Olá! Posso ajudar? – Perguntou simpático.
- Claro. Vocês por acaso tem aquele teste de farmácia, pra ver se esta ou não grávida?
- Temos sim. Vão querer um só?
- Sim. – Ele foi buscar o teste, enquanto Rafael e eu conversávamos.
- Aqui está! – Ele colocou um saquinho com um liquido dentro, e começou a nos explicar como usar aquilo. – É você que acha que está grávida, certo?
- Sim. – Respondi.
- Ok. Você mistura isso junto com a sua urina e se ficar azul você esta grávida! – Ele disse todo feliz, enquanto eu segurava o saquinho com nojo.
- Ta brincando? – Perguntei fazendo careta.
- Não.
- Ai... Fazer o que...
- Não tem dessa Clarie, é o que devia ser feito, mais a gente não fez. Por a camisinha.
- Não me lembre disso. É ali que paga? – Perguntei apontando para o balcão vazio.
- O teste de farmácia é gratuito.
- Ah sim. Obrigada. – Saímos de lá em silencio. Alice ainda estava emburrada. – Alice não é você que tem que estar assim, mais eu! Você não esta grávida.
- Ainda bem que não estou! – Defendeu-se. – Clarie, você é minha amiga, eu amo você, mais você sabe muito bem que dava pra estar tomando anticoncepcional antes de causar essa parafernália toda!
— Eu sei Alice! Isso só esta me deixando mais pra baixo ainda.
- E você Rafael?
- O que tem eu?!
- Vai ficar do lado da Clarie não é mesmo? – Alice aparentava estar preocupada agora. Abri um sorriso discreto com a pergunta dela.
- Claro que sim! Eu a amo muito... – Disse ele apertando minha mão com delicadeza.
- Boa sorte pra vocês. – Desejou nos dando um abraço triplo.
Voltei para casa junto com Alice e Rafael. O saquinho estava bem escondido no meu bolso. Meu pai estava lendo jornal e tomando café quando entrei em casa junto com os inseparáveis amigos.
- Clarie! Saiu cedo... Onde foi? – Perguntou meu pai sem tirar os olhos do jornal.
- Sai com a Alice pra ver a avó dela no hospital. – Menti.
Ele tirou o jornal da cara, e olhou para mim. Logo atrás estava Alice e Rafael acenando para meu pai e sorrindo.
- Subam logo. – Ordenou meu pai já adivinhando o que queríamos.
Corremos para meu quarto, nos sentado na cama e começamos a conversar sobre o ocorrido.
- Vou ao banheiro. – Disse eu correndo em direção ao banheiro, já com a porta aberta.
Coisa mais idiota que já aconteceu comigo... Misturar minha urina num potinho com um liquido nojento. O resultado foi o que eu mais temia: Positivo.
Notas finais
Próximo cap ira demorar, avisando. Perdão povo!
Fale com o autor