Mudei por Você
22 Apoio
Notas iniciais
No tempo que fiquei fora li vários livros, e então as fics ficaram mais interesantes e mais detalhadas.
Obrigada por compreender quem compreendeu, e quem não compreendeu um abraço -q .
Boa Leitura!
Corri para o quarto novamente. Alice e Rafael conversavam tranquilamente, até que me viram com aquele expressão horrível no rosto.
- Meu Deus... – sussurrei, mais por dentro eu queria gritar até que minhas cordas vocais explodissem. – Eu estou grávida... – agora eu murmurava, jogando-me no chão. Fiquei apoiada por uma das minhas mãos, enquanto a outra tapava minha boca para que eu não gritasse o que acabara de descobrir.
- Clarie... – Rafael murmurou, agora chorando. – O que vai ser de nós?
- Não me importo com mais nada agora... essa criança vai sofrer tanto Rafael! O sangue que corre em minhas veias são puro lixo... eu não vou ter capacidade suficiente pra tomar conta de uma vida... uma vida! Uma vida que esta dentro de mim Rafael! Como eu vou agüentar isso?! Me diz! – gritei.
- Quando eu souber a resposta te digo. – respondeu Rafael choramingando. – Isso não pode estar acontecendo com a gente meu amor...
Meu amor. Eu nunca havia ouvido ele dizer isso pra mim antes. Era o que eu estava precisando naquele momento; amor, carinho e atenção... vindo dele, seria muito mais. Eu realmente preciso de todo o cuidado... assim como a criança que esta dentro de mim.
Não faço idéia do que será de mim. Meu pai certamente – noventa e nota virgula nove por cento de chances –, vai querer me matar depois do meu filho(a) nascer.
Levantei-me do chão e joguei no lixo o teste. Não queria mais ver aquilo, não queria mais lembrar daquilo... corri novamente para minha cama quentinha e aconchegante. Peguei o coração de pelúcia que Rafael havia me dado no dia em que demos nosso primeiro beijo, e abracei... abracei com toda a minha força!
O que eu mais queria naquele momento, era ter um agradável encontro com a morte – se é que é possível ter um encontro agradável com a morte. Talvez se eu tomasse uma quantidade exagerada de remédios, ou enfiasse minha cabeça na banheira e me afogar... ou simplesmente passar uma gilete em meus pulsos.
Não! Era uma bobagem muito grande pensar em como me matar naquele momento, havia alguém, muito pequeno, precisando de mim. Era incrível sentir aquilo, mais ao mesmo tempo um arrependimento tão grande de não ter esperado o momento certo. Eu sou uma idiota! Grávida aos dezesseis... isso é horrível. Minha liberdade chegou ao fim... agora eu teria de ficar em casa, sem poder sair, terei de sair da escola – isso é bom –, e esquecer as viagens que faria no fim do ano.
Ali deitada na minha cama, Alice acariciava meus cabelos, e Rafael ainda sentado no chão, com a cabeça entre os joelhos, chorando. A cada cinco minutos ele batia forte sua mão no chão e se xingava de idiota, imbecil retardado entre outros nomes. Aos poucos fui fechando os olhos... lutava contra o sono. Eu não queria dormir. Na verdade, queria procurar a força que eu sabia que não existia pra mim... queria buscar minha força longe... longe de tudo e de todos. Queria ser uma nova Clarie... por incrível que pareça, sem Rafael sem Alice, sem Laura... sem ninguém! Apenas eu num mundo vazio... seria ótimo.
Eu morreria, e ninguém choraria por eu não estar mais respirando... por eu não estar mais ali... no mundo. Viraria alimento para as minhocas. Um dia todos nós viraremos comida para esses bichos nojentos. É horrível pensar nisso. Mais é a verdade; a gente nasce, cresce e morre. A vida é somente um ciclo. Um ciclo no qual – se fosse possível –, eu desejaria nunca, nunca ter participado – se pudesse escolher, escolheria nunca ter existido nem mesmo o espermatozóide do meu pai, no qual eu estava.
E... se as coisas fossem diferentes? E se Laura tivesse engravidado e não eu? E se eu nunca tivesse ido falar com Rafael naquela tarde? Deixado ele falando sozinho... ai então, talvez fosse eu que iria atrás da bola de basquete, e não minha irmã... talvez seria eu que tivesse morrido e não ela. As coisas seriam muito mais simples. Mais até parece, que nosso livro da vida, sempre faz as escolhas mais difíceis para nós.
Alice ficou o dia inteiro em minha casa, até posou lá novamente, e Rafael também. Coloquei um colchão no chão, um cobertor e um travesseiro para Rafael dormir. Mas, nós conversamos a noite toda, até as quatro da matina.
Estava tentando não me lembrar do que acontecera mais cedo, eu estava tentando agir como uma adolescente normal – ou tão normal quanto possível pra mim. –, eu estava tentando... rir. Rir, gargalhar, ou qualquer outra coisa que enganasse meu coração e me fizesse ser... normal. Só isso.
- Clarie! – sussurrou Alice.
- Oi?
- Durma. Você parece estar cansada... precisa descansar! Rafael já dormiu. Está quase roncando, e nós duas estamos aqui fofocando da vida dos outros. – Alice dizia, querendo rir. Mais certamente sabia que por mais que eu quisesse, não conseguiria soltar nem mesmo uma misera risadinha falsa.
- Claro... o sono é grande, mais não consigo dormir.
- Vou pegar um copo de leite. Está bem? – assenti. Alice abriu a porta sem fazer ruído algum, enquanto eu ficava olhando Rafael dormir com certa palidez sobre sua face. Alice voltou com um copo de leite pela metade, e algumas bolachas – Tome. – ela dizia estendendo o copo para mim e colocando as bolachas sobre meu colo.
A luz lá de fora, e a luz da lua, clareavam meu quarto, e o rosto de todos nós. Eu percebia que Alice – apesar de sua doce voz, e sua simpatia –, chorara muito enquanto estávamos em silencio. Ela era do tipo de amiga que se importava com você, como se fosse uma parte dela.
Tomei o leite sem vontade alguma. Não sentia o gosto do leite, e nem mesmo das bolachas que me trouxe. Apesar de não sentir gosto de nada, eu queria comer feito uma doida, até que meu estomago se explodisse.
Deitei-me novamente e logo peguei no sono. Não tive sonho algum. Foi como se eu estivesse morta.
Na manhã seguinte, acordei cedo com o barulho de alguém conversando na cozinha. Esfreguei os olhos e levantei-me. Do meu lado, Alice não estava mais, e Rafael já não estava no chão. Desci, com toda desarrumada, Rafael e Alice mandaram um olhar diretamente para mim quando me viram ainda no topo da escada.
- Bom dia. – disseram Alice e Rafael em coro sem animo algum.
- O que tem de bom? – perguntei descendo as escadas de cabeça baixa.
- Nada. – respondeu Alice suspirando. – Clarie, seu pai mandou dizer que ele irá voltar mais tarde por que irá comprar a passagem para a reunião de trabalho.
- Meu pai... não posso imaginar como ele vai reagir quando souber que estou grávida. – estremeci com a idéia.
- Quando vai contar a ele? – Perguntou Rafael me olhando sem brilho algum nos olhos.
- Logo. Antes da reunião. Não quero perder tempo... pois... ele uma hora ou outra vai saber, então que seja o mais rápido possível.
- Esse seu “mais rápido possível” seria quando? – perguntou Alice.
- Hoje. – respondi olhando para a TV, que passava o jornal da manhã .
- Ai Deus... – temeu Alice.
- Como assim “ai Deus” Alice? Meu pai vai querer me esgoelar, me matar, de tudo! Mais eu tenho que falar com ele! E você Rafael, trate de ir procurar um emprego.
- Eu to tentando Clarie!
- Continue. Por que... você sabe...
- Se sei.
Tomamos o café e ficamos a manhã e a tarde inteira assistindo filmes. Não prestei atenção em nenhum... minha vida esta uma droga... nunca pensei que seria tão infeliz... eu era feliz e não sabia. Como eu queria poder voltar no tempo, sair mais, conseguir mais amigos... virar do avesso todo o meu livro da vida.
Não notei o tempo passar, e quando olhei pela janela já estava escuro e os grilos já cantavam. Decidi ir para fora respirar um pouco do ar da noite e esperar por meu pai. Mais ou menos meia hora depois, já ouvia seu carro na esquina roncando. Meu coração acelerou. Acariciei minha barriga e entrei para me preparar um pouco mais psicologicamente.
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