Notas iniciais
Desculpem a demora, pelo amor de todos os santos! Eu novamente estou sem net ¬¬. Postarei sempre que der pra invadir a casa de algum amigo . Beijo povão que amo! :*

Já era quase à noite quando resolvi brigar com as panelas. Coloquei arroz, feijão, carne e coloquei na água macarrão instantâneo. Afinal, é só isso que eu sei fazer! Subi para o meu quarto, deixando as panelas no fogo, liguei para Rafael vir e comecei a me arrumar. Calça jeans, camiseta listrada, all star, e a maquiagem “básica” de todos os dias. Alguma tempo depois, desliguei o fogo das panelas e esperei até que Rafael chegasse.

A campainha tocou, logo desci para atender. Meu pai, já estava na famosa pose: “Ou você cuida da minha filha, ou eu te arrebento a cara!”. Abri a porta e Rafael estava escondido, atrás de um ramo de flores.

- Rafael... Cadê você? – Perguntava segurando-se para não rir.

- SURPRESA! – Tirou o ramo de flores do rosto e entregou-me. Me deu um leve selinho e foi cumprimentar meu pai.

- Olá. – Cumprimentou meu pai frio, sem ao menos estender a mão.

- Oi. Como vai o senhor? – Rafael quis ser simpático.

- Ótimo. Clarie, vá colocando as louças e talheres na mesa.

- Ta. – Obedeci fazendo bico.

Estava pegando os pratos no armário alto, não ouvia nada do que eles estavam conversando na sala, mais fazia de tudo para ouvir pelo menos uma frase. Coloquei os pratos na mesa, e fui pegar copos. Um estranho enjôo tomou conta de mim de repente, e cai ao chão fazendo com que os copos caíssem e se quebrassem.

Fiquei apoiada a pia, com a mão na cabeça.

- Clarie! – Gritou Rafael e meu pai surgindo na cozinha.

- Eu to bem... – Tentei acalma-los quase sem voz.

- Claro que não Clarie! Você está pálida. – Informou-me Rafael.

- Mais que merda, eu disse que eu to bem!

O enjôo passou depois de alguns segundos, ali sentada no chão enquanto meu pai e Rafael observavam-me.

Com muito custo, consegui me levantar, e andei lentamente até a sala, deitei-me no sofá e bebi um copo d’água que Rafael me trouxe.

Rafael estava ali comigo, enquanto meu pai servia de cobaia limpando os cacos de vidro do copo.

- Primeira vez que você tem isso Clarie? – Perguntou Rafael.

- Venham jantar. – Quando estava prestes a dizer que eu não queria comer, meu pai já quis me proteger. – Clarie, venha você também, precisa comer.

Fui até a cozinha, Rafael andou mais de pressa até lá, e já foi tirando sua comida. Sentei-me ficando “largada” na cadeira, enquanto meu pai me mandava sentar direito e ter modos. Tirei a comida, e apenas fiquei misturando com o garfo pra lá e pra cá.

- Clarie, vai comer ou não?! – Perguntou meu pai já furioso, soltando os garfos, e assustando-me.

- Pai, se importa se eu me retirar? Preciso conversar com Rafael.

- Dois minutos.

- Dez. – Pedi.

- Cinco.

- Fechado.

Puxei Rafael para sala. Precisava contar com ele o que realmente estava acontecendo, não havia contado para ninguém. Ninguém.

- Aconteceu alguma coisa? – Perguntou ele.

- Sim. Rafael, ultimamente eu ando tento muito enjôo. Eu nunca tive isso... Eu não sei se você se lembra, mais... O dia no fusca.

- Você esta achando que...

- Que eu to grávida! A gente não se protegeu nada Rafael! Estou pensando em amanhã ir fazer o teste, não posso ficar com essa dúvida. Vou ligar para Alice mais tarde, preciso que ela me acompanhe amanhã na farmácia.

- Posso ir junto? – Perguntou preocupado.

- Claro. Estou com muito medo que de positivo. – Coloquei a mão no queixo, e fechei os olhos, imaginando todas as possibilidades que poderia ocorrer. – Mais se der, a culpa é nossa.

- Sem dúvida. Eu não vou te abandonar Clarie... Estarei aqui para o que você precisar.

- Obrigada! Imagina... Meu pai é capaz de me esgoelar!

- Eu disse que estarei do seu lado. – Lembrou-me – Sua mãe também não ficou grávida do seu pai ainda adolescente? – Balancei a cabeça num sinal positivo. – Então! Acalma-se... E se você estiver mesmo grávida, eu ficarei com você.

- Eu te amo... – Murmurei. Ele apenas me beijou. E fomos interrompidos ao meu pai nos chamando.

Entramos na cozinha, meu pai ainda estava comendo, com a cara fechada. Nos mandou um olhar pelo canto dos olhos e continuou devorando a comida.

- Era tão serio que nem para falar na minha frente? – Perguntava meu pai, nos olhando enquanto sentávamos na cadeira.

O suco que eu estava tomando foi todo cuspido ao chão. Comecei a tossir, Rafael me deu alguns tapinhas nas costas e voltei ao normal. Meu pai – como o esperado – começou a me encarar.

- Por que dessa reação Clarie? – Perguntou meu pai seriamente.

- Não... nada.

- Ok... Não quer me contar tudo bem! – Soltou os talheres, tomou um gole de suco e começou com o interrogatório. – Rafael, você trabalha?

- Eu estou procurando.

- Hmm...

A conversa entre meu pai e ele foi como qualquer outra. Falaram de família, futebol, trabalho e meu pai deu um verdadeiro sermão sobre sexo – Palestra.

Já era bem tarde quando Rafael teve a coragem de dizer tchau. O acompanhamos até a porta. Meu pai se despediu dele e subiu para dormir. Eu fiquei com Rafael mais um pouco.

- E aí, acha que estou aprovado?

- É, você e meu pai se deram super bem. Acho que esta sim. – Dei uma leve risada e o beijei.

- Eu vou indo. Já é tarde, meus pais devem estar preocupados.

- Ok.

- Cuida do bebê. – Brincou ele.

- Idiota! – Dei um tapa no ombro dele e fechei a porta.

Corri para a janela, ele estava lá me dando tchauzinho. Demos um selinho pelo vidro, e a marca dos nossos lábios ficou lá. Fechei a cortina e subi para meu quarto, coloquei um pijama e deitei-me. Não conseguia pegar no sono. De baixo do meu cobertor, eu escondia o coração de pelúcia que Rafael havia me dado no dia do nosso primeiro beijo. O peguei e abracei forte. Antes de dormir, do nada me lembrei daquele sonho...

Flash back

Um lugar totalmente escuro. Estava andando com medo pelas ruas quando avisto lá de longe uma garota pálida. Com os cabelos pretos, lisos. E um vestido de hospital rasgado e branco.

- Você tem que acreditar em você mesma para conseguir ser feliz. No momento em que você mudou com sua irmã ela morreu. Essa é a realidade e ninguém pode mais voltar atrás. Encare a realidade Clarie. Você pode sentir culpa por não ter sido alguém com que tivesse orgulho de si mesma. Não é tarde pra mudar. Mais saiba que quem mais a amou mesmo você a tratando como a tratou foi Isabella.

A voz suava triste e deprimente. Logo a imagem da menina foi se afastando de mim.

Fim do flash back.

Estremeci lembrando-me do sonho – ou pesadelo, não poderia considerar aquilo como um sonho. –, nada era mais triste do que me lembrar daquilo... e me lembrar que a garota era muito parecida com Isabella, ou talvez era ela.

Notas finais
review!