Mudei por Você
10 Death
Logo de manhã eu minha mãe e meu pai fomos ao hospital. Ficamos sentados esperando até que alguém nos desse mais noticias. Vi que a enfermeira que conversou comigo ontem estava colocando seu jaleco. Ela virou os braços pra colocar a parte esquerda e notou que eu estava a olhando.
- Oi Clarie. – Ela dizia se aproximando de mim. – Esta melhor? – Com as mãos nos bolsos ela olhava com uma expressão triste pra mim.
- Eu preciso falar com você.
- Claro vamos tomar um cafezinho que ainda falta meia hora pra começar meu horário aqui no hospital.
Fomos a uma lanchonete perto do hospital. Pedimos o que queríamos e sentamos.
- Hã eu quero... Um café e um pastel. – Eu pedi dando um sorriso forçado.
- Eu quero um café e uma coxinha, por favor. – Disse a enfermeira tentando evitar olhar pra mim.
Contei a ela o que eu tinha sonhado. Ela ficou com uma expressão surpresa ao mesmo tempo de medo.
- Clarie no sonho a garota disse que Isabella havia morrido?
- Sim por quê?
- Clarie eu disse aos médicos que eu mesma conversaria com seus pais e com você. Então prefiro que estejamos todos juntos.
Fiquei completamente desconfiada. Tomei o café apenas para não chateá-la. Voltamos ao hospital e meus pais estavam me esperando.
- Por favor, entrem. – Ela dizia abrindo a porta da sala de um dos médicos. Se sentamos todos de mãos dadas. – Hã... Eu sei como deve ser difícil pra vocês o momento de agora. Tudo aconteceu tão rápido pra vocês como pra nós aqui do hospital! Como eu tinha dito para Clarie e os médicos para os pais Isabella esta respirando cada vez mais de vagar. E os aparelhos não a ajudariam pra sempre. – A enfermeira respirou fundo e continuou. – E não teria como doar absolutamente nada pra ela. Nada. E se desse provavelmente a cirurgia seria muito cara. Escutem. Não é normal uma garotinha da idade dela sofrer algo tão grave assim! Agora... Como eu disse aconteceu tudo muito rápido. E a vidinha dela também foi rápida.
- Não... – Sussurrei.
- Quero que sejam muito fortes para o que vou falar agora. Vocês conseguem tudo o que querem. Isabella esta num lugar melhor agora. Esta com anjos.
A vida inteira da minha irmã passou diante dos meus olhos em questão de segundos. Senti meu corpo ficar frio. Tremia. Não conseguia ver absolutamente nada. A tristeza e a solidão estavam atrás de mim. Só podia ser.
- NÃO! MINHA FILHA NÃO! – Minha mãe gritava enquanto estava sendo arrastada pelos médicos mais fortes até uma salinha isolada.
Meu pai ainda estava na posição em que havia escutado aquilo. Eu estava chorando olhando minha mãe sendo levada até a salinha.
- Por favor, senhora se acalme! – Gritou um dos médicos.
- Como você se sentiria se perdesse a pessoa que mais ama na vida?!
- Eu... Eu já perdi. – O medico disse enquanto dava um copo de água pra minha mãe.
-Então sabe como eu estou sofrendo.
- Eu perdi minha esposa em um acidente de carro.
- Como minha filha. Mais minha filha foi atropelada. – Minha mãe chorava a cada palavra que dizia se referindo a Isabella.
- Eu e ela estávamos indo passar o ano novo na praia. E a praia é lotada no fim do ano. Foi tudo mil maravilhas, mais na hora de voltar um caminhão carregado e desgovernado veio em nossa direção. Eu consegui sobreviver mais minha esposa não. E ela estava grávida.
- Eu sinto muito. E você perdeu duas pessoas.
- Sim. Ela estava no 8º mês de gestação. Era uma menina o nome seria Isabel.
- O nome da minha filha é Isabella. – Em meio as lagrimas e mais lagrimas que escorriam pelo seu rosto e a dor no coração ela não conseguia mais conversar.
- Você não esta em condições de ficar falando sobre mortes e coisas do tipo. Por favor, fique tranqüila que irei ver como estão seus familiares.
O médico aconselhava meu pai a ser forte enquanto eu caminhava de vagar até a sala de espera. Não conseguia definir nada do que ouvia. Apenas senti alguém me abraçando por trás. Senti um aroma de flores.
- Esta melhor Clarie? – Rafael dizia com um sorriso lindo no rosto me abraçando.
- Minha irmã... Minha irmã morreu. – Eu dizia sem conseguir piscar os olhos olhando no espelho distante de mim e vendo minha irmã em vez do reflexo daquele hospital horrível. Senti o corpo do Rafael estremecer.
- Sinto muito Clarie... – Ele sussurrava me abraçando forte. – Eu não sei o que dizer pra te ajudar...
- Tira essa dor de dentro de mim pelo amor de Deus Rafael. – Eu sussurrava enquanto abraçava de vagar ele.
- Eu não posso. Mais eu posso aliviá-la. Escuta... sua irmã sempre estará viva no seu coração.
- Promete que você nunca vai me deixar Rafael? – Não conseguia piscar os olhos. Não conseguia se quer chorar.
- Eu nunca vou me separar da tua companhia. Eu amo você.
O abracei forte com esperanças que o tempo voltasse. Vi minha mãe saindo da salinha onde estava agarrada com um lencinho de papel e sua bolsa onde tinha varias fotos minhas e da Isabella.
- Mamãe... — Soltei Rafael e corri para os braços da minha mãe. Ficamos abraçadas um longo tempo. Era como se estivéssemos compartilhando uma dor forte e insuportável.
- Sua irmã sempre estará viva em alma conosco. – Minha mãe dizia soluçando.
- Por que ela mãe? Por que eu não estava no meio da rua correndo atrás da bola pra ela?
- Querida o homem que fez essa barbaridade com sua irmã fugiu?
- Ele parou um pouco olhou chamou a ambulância e foi em bora.
- Infeliz.
- Mamãe... Eu nunca tive tanto ódio de alguém como estou tendo dele. Ele tirou a vida da minha irmã.
- Acalme-se.
As lagrimas não paravam de sair. A dor no coração continuava forte. Não é possível explicar como nos sentíamos ali. A dor de perder um tesouro. Minha irmã era a jóia rara da nossa família. Que agora perdeu essa jóia.
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