Mudei por Você

11 Visita de Rafael e Alice.





Voltamos para casa com uma cachoeira nos olhos. Meus pais ficaram sentados na cama da minha irmã compartilhando aquela dor. Enquanto eu me isolava no cantinho do meu quarto.


Entre tantas lagrimas e tantas lembranças, tantos arrependimentos... Apenas queria dizer a ela o quanto a amava, ou melhor, a amo. E o quanto eu me sinto mal por ter a tratado como um animal. Nem um animal merecia aquilo que eu falava pra ela. Afinal todos têm sentimentos. Seja rico, pobre, bonito, feio, magro, gordo, alto, baixo...


Ouvi meu celular tocar em cima da minha cama. Fui engatinhando até lá. Não era ligação do Rafael nem de nenhum dos meus amigos e familiares. Era Laura.


- O que você quer Laura? Quer rir da minha cara e de como eu estou sofrendo agora?


- Pêsames. Eu já perdi alguém que eu amo muito. E sei como a gente sofre. Espero do fundo do meu coração que você melhore.


Senti que ela estava falando a verdade. Não sei por que mais ouvir aquilo dela me agradou um pouco.


- Que milagre você dizer isso Laura. Obrigada. E eu sinto por essa pessoa que você perdeu. Eu... Eu preciso desligar. Tchau.


Fechei o celular devagar. Meu coração ainda batia forte em ouvir aquilo da pessoa que era minha rival.


De repente a campainha começou tocar sem parar. Desci as escadas de vagar acompanhada com um porta retrato onde tinha minha irmã. Abri a porta sem me preocupar se era um psicopata querendo me dar uma facada na barriga ou um tiro na cabeça. Bom eram duas pessoas que iriam me fazer sorrir novamente. Alice e Rafael.


- A Clarie eu sinto muito pelo que aconteceu! – Alice dizia me abraçando. – Eu só não fui ao hospital por que eu não sabia de nada do que estava acontecendo. Só hoje quando Rafael foi na minha casa avisar.


- Ta melhorando Clarie? – Rafael me perguntou.


- Não da pra melhorar essa dor Rafael. O tempo apenas alivia, mais não tira. – O abracei com força. Me rendi ao seu abraço naquele instante. Parecia que nossos corações se comunicavam. Quando estava abraçada junto a ele toda aquela dor se aliviava.


- Clarie viemos aqui fazer companhia a você. Isso não é fácil. Então esse é um momento que você precisa muito de nós e não vamos te abandonar. – Alice dizia com seu jeitinho meigo acariciando meu rosto. As lagrimas já estavam secas nele.


- Vocês sim são grandes amigos. Obrigada por estarem ao meu lado.


Fomos até meu quarto. Estava mofando. Rafael abriu a janela e as cortinas e Alice arrumou minha cama. Depois varreram o chão deixando o lugar mais aconchegante.


- Você não pode tirar essa dor dentro de si se isolando num quarto imundo Clarie. – Alice me disse como se fosse minha mãe.


- Faz só um dia. – Respondi me sentando lentamente na minha cama.


- Aham... Clarie você já tentou se matar antes por motivo algum. Agora você tem um motivo. Por isso não pode ficar se isolando assim, antes você não tinha amigos! Agora tem. Amigos que ama você muito, e que morreriam se alguma coisa acontecesse com você.


- Eu... Eu pensei em matar. Tomar uma quantidade exagerada de remédios. Assim não sentiria nenhuma dor. Escreveria uma carta dizendo tudo o que eu penso a respeito de todos que conheço. Se eu morresse não sentiria mais dor e nenhum sentimento. Talvez o amor. Estaria junto com minha irmã.


- Clarie um dia você estará junto com sua irmã. Um dia todos nós estaremos juntos em outro mundo. – Rafael se sentava ao meu lado. – Quando se ama alguém de verdade o amor nunca, nunca vai em bora. Tenho certeza que esteja onde estiver sua irmã esta orando pra você.


- Obrigada Rafael. Me senti um pouco melhor. Então isso quer dizer que quando se ama alguém de verdade esse amor nunca morre certo? – Ele fez um sinal de sim com a cabeça. – Então eu te amarei por toda a eternidade. Eu sinto que esse sentimento é verdadeiro. E a cada vez que ouço teu nome ou tua voz meu coração dispara. E só você me faz aliviar a dor de perder uma pessoa tão amada pra mim.


Declarei-me a ele. Abri meu coração com o maior romantismo que poderia ter dentro de mim. Me senti bem dizendo aquelas palavras.


Ele olhava pra mim com delicadeza. Estava ofegante.


- Clarie eu amo você. – Ele disse tímido.


- Eu também te amo Rafael.


Eu realmente não acreditei no que havia acontecido. Meu coração disparou por total.


- O amor é lindo! – Exclamou Alice fazendo coraçõezinhos com a mão.


- O que aconteceu com minha irmã é muito repentino... Eu acho que é melhor adiarmos... Você sabe...


- Estou do seu lado Clarie. É uma hora difícil pra você e é quando você mais precisa de seus amigos. Quando você estiver pronta, realmente pronta a gente começa um relacionamento de verdade. Eu gosto de verdade de você Clarie, e não quero que você fique mofando em casa.


- Mais tarde será o enterro da minha irmã. Preciso que vocês vão comigo. Eu irei vê-la pela ultima vez. Eu preciso de pessoas que eu amo de verdade do meu lado. Eu preciso de vocês. – Eu dizia mordendo meus lábios.


- Nós acompanharemos você. – Alice dizia me abraçando.


- Obrigada. Vocês sim são grandes amigos.


O abraço foi triplo. Rafael e Alice são as pessoas mais importantes pra mim, estão sempre ao meu lado. E não me interessa há quanto tempo nos conhecemos, e eu sei que é bem pouco.


No quarto da minha irmã meus pais ainda choravam pela morte da pessoa mais querida naquela casa. A única pessoa que acontesse o que for sempre nos fazia sorrir, sempre via o lado bom de tudo. Ela realmente era um exemplo para nossa família inteira. E como eu sempre pensei antes... Pessoas nascem crescem e morrem. Mais minha irmã não teve a oportunidade de amadurecer, de crescer e fazer nos sorrir mais ainda. Ela se foi numa tragédia que poderia acontecer com qualquer criança de sua idade. Não vai ser a mesma coisa a vida de todos dentro daquela casa. O silencio vai tomar conta de todos os cômodos, corredores. O único barulho que vamos ouvir são de nossos soluços. Os gritos. Arrependimento agora vem a toda. Arrependimento de não ter dado atenção suficiente para aquela menininha tão alegre e sorridente. Isso talvez sirva como uma lição de vida.




Notas finais
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