O sinal bate não me importei. Fiquei lá fora refletindo sobre aquele dia. Tantas coisas tinham acontecido em poucas horas. Para falar a verdade estava em duvida se eu tinha me apaixonado ou não por Rafael. Quem sabe? Foi tudo tão rápido. Eu já sabia que ele nunca iria namorar ou ficar com alguém como eu. Com certeza teria que mudar totalmente. Uma coisa que eu não estava disposta a fazer mudança alguma em mim. Sentia-me bem do jeito em que estava. Seria estranho ser como a maioria das garotas da minha escola. Não precisava ser precisamente o estilo ridículo delas, mais em minha opinião acho que seria mais fácil de me relacionar com as pessoas, e acho que elas gostariam mais de mim.


Apenas Rafael e Laura perceberam que eu não estava presente na sala. Laura ficou feliz obviamente, sabendo que se ela fosse falar com Rafael no momento em que estávamos conversando me faria sentir mais raiva dela. E Rafael... Com pouco tempo de amizade ele já sabia como eu era. E como eu me sentia por qualquer coisa. Isso é tão incrível. Em que amizade que começou em um dia a pessoa já sabe o que você sente? Seus gostos? E como você é sentimentalmente.


Todas as aulas já tinham acabado. Depois de ter saído de baixo da arvore me sentei nas escadas de frente para o portão principal. Já tinham um monte de alunos esperando para que o portão se abrisse e que fossem em bora. Eu apenas fiquei observando. Laura e suas amigas já tinham saído. Ouvi passos correndo em minha direção por trás. Logo me virei, eu já sabia que era o Rafael.


- Desabafa Clarie. – Ele disse se sentando ao meu lado.


- DESABAFAR? Ok... Você mal entra na escola e já arranja uma pequena confusãozinha com aqueles metidos a Playboyzinho! E a minha rival... VOCÊ OLHA A LAURA COMO SE FOSSE A DEVORAR! Você é meu único amigo... – Comecei a chorar borrando minha maquiagem.


- Em quinze minutos o portão se fecha, será que dá pro casalzinho se apresar? – Gritou o tiozinho do portão pra nós. Ignoramos ele, pois quinze minutos era tempo suficiente de conversarmos.


- Clarie, eu sei que você odeia... ODEIA a Laura, mais ela me disse que... – Ele olhou pra mim, e percebeu que eu continuava chorando, ele colocou delicadamente minha cabeça em seu colo, acariciou meus cabelos todo desajeitado e continuou. – Bom, ela me disse que você sempre foi sozinha. Muito diferente de mim, na minha outra escola eu era amigo de todos. Tinha uma garota como você lá. – Comecei a o encarar ainda deitada no colo dele. Era tão aconchegante, tão gostoso ficar ali com ele. – Ela sempre andava sozinha, por qualquer coisa ela chorava...


- Rafael... – Eu o interrompi pegando minha mochila e descendo lentamente as escadas enquanto ele me olhava. – Obrigada por ser meu amigo. – Eu o olhei com um sorriso no rosto.


Sempre que eu sorria, ele reparava mais em mim. Isso me deixava feliz. Afinal, ele reparava muito no meu rosto. Meus pircings eram chamativos, talvez fosse por isso, ou pela maquiagem. Não sei. Alguma coisa me dizia para perguntar a ele se um dia ficaria comigo, ou namoraria com alguém como eu. Tantas coisas poderiam dar errado. Ele poderia não falar mais comigo. Essa seria a pior de todas que pensei. Achei melhor não perguntar nada e ficar na minha. Mais quem sabe ele também teria o mesmo medo que eu? Tudo é possível.


- Clarie, não precisa dizer “obrigada”, amigos... São amigos. Eu quero ser seu AMIGO! – Ele dizia correndo em minha direção.


Forcei para não descer nenhuma lagrima sobre meu rosto. Afinal ouvir dele que queria ser meu amigo... Somente amigos. Isso me dói de certa forma. Mais olhando por outro lado, eu posso ter a companhia dele pro resto da vida. E se tivéssemos algum caso quem sabe viraríamos a cara um pro outro. Nunca mais trocariamos olhares, seja amigável ou em outro sentido.


- Seremos bons amigos... – Sussurrei enquanto ele pegava em minha mão para descermos as escadas juntos. Aquilo me fazia bem por um lado.


Pegamos o mesmo ônibus para voltar, ficamos sentados lado a lado enquanto as pessoas nos olhavam com uma expressão estranha. Claro, um emo como eu de mãos dadas com um garoto lindo, que tinha um estilo total diferente do meu. Olhei para fora estava perto da minha casa. Avistei minha irmã brincando com uma amiguinha do outro lado da rua. De certa forma eu ficava feliz quando via ela feliz.


- Rafael está perto da minha casa. Eu vou descer. – Eu dizia me segurando em outro banco para ao cair com o balanço do ônibus.


- Eu... Vou acompanhar você. – Ele dizia dando sinal pro motorista parar.


Eu abria um sorriso de orelha a orelha a cada vez que ele dizia que iria fazer algo junto a mim. Descemos do ônibus e fomos caminhando até minha casa. A neve ainda estava por todos os lados apesar do sol quente.


- Hã... Quer almoçar aqui? – Dizia eu enquanto abria o portão.


- Uau! Sua casa é linda Clarie. – Ele dizia enquanto apreciava minha casa. – Ah... Claro vai ser ótimo conhecer seus pais. Você tem irmãos? – Ele dizia entrando timidamente para dentro.


- Uma irmãzinha pequena. Mais ela esta almoçando na casa de uma amiguinha. – Fechei o portão e corri em direção ao meu cão que já estava encarando o Rafael. – Entra logo! – Gritei enquanto segurava o Bidu (Nome do meu cachorro.).


Ele entrou correndo dentro de casa, eu corri depois dele deixando meu cachorro latindo.


- Muito bem... Este é meu pai! – Dizia eu colocando a mão no ombro do meu pai com um sorriso no rosto. – E esta conseqüentemente é minha mãe. – Meu sorriso se desfez. – Que me acorda toda santa manhã.


- Prazer. – Rafael dizia com aquele lindo sorriso dando um aperto de mão nos meus pais.


- Quais são suas intenções com minha filha? – Meu pai dizia se levantando do sofá.


- PAPAI! Ele é meu amigo... – Me deu vontade de dizer “Por enquanto!”. Puxei o Rafael para a cozinha. – Ignora meu pai... Ele é assim... Todos os dias.


- Você disse que eu sou seu único amigo então...


- E você é. Quando eu to conversando com alguém pela Internet ele já vai meter o narigão lá e perguntar quais são as intenções da pessoa comigo. É triste um pai que não confia NADA em você.


- Devo imaginar.


Rafael ficou à tarde em minha casa. Confesso que adorei a presença dele comigo naquela tarde. Ele foi em bora apenas tarde da noite.


- Eu te levo para casa filho! – Meu pai dizia pegando as chaves do carro.


- Eu vou junto. – Entrei no carro puxando o Rafael para dentro.


Entregamos ele em casa, voltamos. Como já era tarde fui dormir esperando pelo amanhã.

Notas finais
Esse cap ficou maior que o normal rs >< .
Esperoq ue estejam gostando.
review?