Aquele toque irritante do despertador do meu celular toca novamente. Eu estava feliz em ir para escola aquele dia, claro. Iria ver Rafael. Pulei da cama abrindo as cortinas, pela primeira vez arrumei minha cama depois de acordar. Aquele dia não estava nevando. E a neve que deixava a cidade branca derretia lentamente. Lavei meu rosto e passei minha maquiagem. Pensei em fazer uma maquiagem como a Laura. Mais eu odiava ter que passar sombra de cores melosas. Dei de ombros e voltei a passar meu lápis de olho. Pensei também em ir sem pircing aquele dia. Tirei para ver como ficava. Resultado: Horrível. Coloquei novamente os pircings rápido. Coloquei minha roupa e fui tomar café. Pela primeira vez desci as escadas com um sorriso.


- Qual o motivo de toda esta alegria Clarie? – Meu pai olhou sério pra mim. Com certeza estava achando que eu estava tendo algum caso com o Rafael.


- Eu consegui um AMIGO! – Dizia eu pulando de alegria.


- Eu os vi no ônibus! – Minha irmã dizia com a boca cheia de guloseimas.


Não disse mais nada. Peguei qualquer maçã e sai. Decidi por ir de ônibus novamente, talvez todos os dias. Para ver Rafael. Sentir a presença dele me alegrava. Esperei no ponto o ônibus que parava em frente a minha escola. Entrei, paguei a passagem e fiquei esperando por ele. Vi que estava chegando ao ponto em que ele entrava. Não tinha ninguém lá. Fiquei um pouco decepcionada. Escorei-me no banco no ônibus, coloquei meus fones e ouvi um... Rap. Pois é, eu não gosto desse tipo de música, mais me fazia lembrar do... Bom vocês sabem.


Aquele dia eu não havia chegado atrasada na escola (Como todos os outros), sentei-me no meio-fio esperando por ele. Não teria mais graça entrar na escola sem ter a companhia dele ao meu lado. Percebi que Laura e suas amigas desciam do carro, olhei pelo canto dos olhos. Ela passou do meu lado se requebrando toda; Senti meu sangue ferver!


- Oi Clarie! – Rafael dizia correndo em minha direção.


- Por que não estava no ponto de ônibus? – Perguntei a ele me levantando.


- Pergunto à mesma coisa! Eu entrei no ônibus no mesmo horário que antes. – Ele disse vendo o ônibus virando a esquina.


Ok... Talvez eu tenha ficado feliz de mais e acordado muito cedo para vê-lo.


- Hã... Vamos entrar?


- Laura já chegou? – Perguntou ele com medo.


- Por que você quer saber daquela vaca leiteira da esquina?! – Disse tudo sem pensar. Rafael começou a me olhar com medo saindo de perto de mim. – RAFAEL! Volta aqui eu não quis dizer isso...


- Mais disse! Parabéns! – Ele se virou e foi cumprimentar a vaquinha cor-de-rosa da Laura.


Minha vontade com certeza era ir lá e meter facada em todo mundo. Mais eu não podia era contra as regras da escola. Fiquei os olhando por um bom tempo até que batesse o sinal para entrarmos. Percebi que Laura ficou me olhando com um sorriso de vitória no rosto. Finalmente o sinal bate. Sentei-me no mesmo lugar de sempre todos já haviam entrado, menos Laura e Rafael. Milhões de coisas passaram pela minha cabeça. Senti uma lagrima correndo pelo meu rosto. Uma garota amiga da vaquinha cor-de-rosa veio me dar apoio. Achei isso realmente incrível.


- Hey Clarie! Você esta chorando por causa do Rafael não é mesmo? – Alice perguntou passando a mão em meu cabelo.


- Você é uma delas que quer me deixar pra baixo. – Disse secando as lagrimas. – E sim eu estou chorando por ele. Sabe como é incrível isso cara***? Você conhece o garoto e já se apaixona. E vem uma vaca e estraga tudo! EU ODEIO A LAURA! ODEIO! ODEIO! – A cada “odeio” que eu dizia eu tacava um livro na parede. Isso era ao angustiante.


- Calma! E você acha que eu gosto dela? Eu só ando com a Laura por que se não eu não iria andar com ninguém. Eu sempre quis ser como você. Eu não gosto de patricinhas. Pode perceber que eu não tenho absolutamente nada rosa! Nem a minha calcinha é rosa! – Ela me dizia sussurrando no meu ouvido enquanto eu chorava no ombro dela. Fiquei feliz em ouvir aquelas palavras.


- Por que nunca veio falar comigo então?


- Por que sempre tive medo que você me xingasse e coisas assim... – Não disse mais nada. A puxei para fora da sala, correndo para o banheiro.


Chegando lá tirei do bolso minhas maquiagens. Não perguntei nada a ela a maquiei como eu. Eu não tinha pircings se não a furava ali mesmo. Ela não precisava vestir outras roupas. Era só amassar um pouquinho a que ela estava vestindo.


- PRONTO! Ta um arraso querida! – Dizia eu imitando a voz de Laura. Devo admitir que adorava fazer aquilo.


Alice se virou para o espelho e ficou sem reação. Por um instante achei que ela não tinha gostado da maquiagem “básica” que fiz nela.


- Eu adorei! Meu Deus! – Ela dizia pegando a câmera para tirar fotos.


Em uma delas ela me puxou para tirar uma junto a ela. Na verdade eu gostei. Ter alguém pra compartilhar a felicidade é muito bom! Espero que um dia sejamos 3. Eu a Alice e o Rafael. Saímos do banheiro e entramos logo na sala. Nenhum professor tinha entrado ainda. Eles eram tão lentos... No fundo da sala estavam sentados juntos: Laura e Rafael. Que ódio! Segurei-me para não fazer nada. Alice foi pegar seu material para sentar ao meu lado, e a Laura teve um pití por causa da linda maquiagem da Alice. Alice pegou seu material e sentou-se ao meu lado. A aula toda ouvimos TITITITITI no fundo. A maioria dos “TITITI!” vinha da voz irritante da vaquinha cor-de-rosa da Laura.


Finalmente as 3 primeiras aulas acabam. Saímos para o recreio. Não conseguia andar com uma garota que estava com o cabelo ajeitadinho. Logo dei um toque naquela coisa ridícula. Em questões se segundos consegui bagunçar o cabelo de Alice. Ficamos o intervalo todo trocando interesse. O melhor era: Ela gostava das mesmas bandas que eu.


Bate o sinal para entrar novamente para sala. Alice como era MUUUUUUUITO mais estudiosa que eu entrou correndo. Laura foi andando requebrando enquanto Rafael vinha em minha direção.


- Clarie. Desculpe. – Ele dizia envergonhado. – Fiquei nervoso sim quando você disse aquelas coisas da Laura. Ela não é minha namorada nem nada desse tipo mais... Eu sempre fico assim quando falam mal de qualquer pessoa seja ela quem for. Eu quero muito ser seu amigo, mais você apenas fala mal de todo mundo.


- Vai lá. Fica com ela. – Eu rejeitei totalmente o pedido de desculpas dele. Por que eu fiz isso?! Eu consigo ser tão idiota... Minha vontade era se render a ele e dar um abraço daqueles!


- Aah Clarie para! Eu sou novato aqui. Deixa-me conhecer mais ela. Se ela não for uma boa companhia lógico que eu vou sair de perto dela.


Ignorei o que havia dito. Virei-me e voltei para classe. Doía-me ignorar a ele. Mais sim, eu sou muito ciumenta. O que mais me entristece é saber que a vaquinha cor-de-rosa da Laura faz isso apenas para me deixar zangada. E o incrível é: Ela consegue. Não quero chamar a atenção. Meu jeito de ser é esse.


Voltei para classe, era prova. Ou seja: Tomei uma bronca bonita de se ver.


- Srta. Clarie por que não entrou quando o sinal bateu?


- Bom... Por que... Eu não ouvi. Estava com fones ouvindo musica. – Tentei disfarçar enquanto me sentava lentamente ao lado de Alice.


- Dessa vez passa. Viu o Rafael? – A professora perguntou o procurando pela classe.


- O Rafael e a Clarie estavam ficando no recreio professora. Por isso se atrasaram para entrar.


Ela conseguia ser tão falsa e irritante ao mesmo tempo! Por que ela mentia tanto assim? A minha vontade sempre foi enfiar a cabeça dela dentro de uma privada e puxar a descarga.


- O que?! – Perguntei fula da vida.


- Não minta Clarie.


- Com licença. – Dizia Rafael entrando de vagar na sala.


- Olha ai ele! – Dizia Laura colocando os braços para cima.


- Não se atrasse por beijinhos melosos Rafael! – Disse a professora erguendo os óculos e encarando Rafael.


- Como assim beijinhos?!


- A VAQUINHA COR-DE-ROSA DA LAURA DISSE ABSURDOS! Como você consegue ser tão mentirosa sua... – Eu estava muito nervosa. Aquela garoa com certeza me paga.


Todos olhavam atentos. Jonatan o garoto que fez um “trabalhinho” para Laura a empurrou para que ficasse cara-a-cara comigo.


- Sem briga dentro da escola! – Gritou a professora.


Laura correu para sentar em seu lugar enquanto eu ainda estava vermelha de tanta raiva. Rafael se sentou nem perto de mim e nem perto da vaquinha cor-de-rosa. Claro, não sabia quem estava falando a verdade.

Notas finais
ficou meio grandinho rs '-' , -q . review? ç.ç