Mudei por Você
13 A carta.
Um mês se passa. Já não chorava feito uma desesperada pela morte de Isabella. Estávamos no final de Agosto.
Me arrumava para ir pra escola, já estava atrasada mais nem me importei com isso. Terminei de passar a maquiagem e fui para o ponto de ônibus. Esperei até que chegasse debaixo da cobertura, pois estava chovendo forte. Enfim o ônibus chega, entrei e esperei até que chegasse a escola.
Estava próximo ao ponto na frente da escola. Abri meu guarda-chuva e desci do ônibus. Peguei o bilhete na secretaria e entrei pra minha sala. Sentei-me do lado do Rafael. Alice se sentava ao lado de uma outra garota da nossa sala.
“Por que se atrasou Clarie?” Rafael escreveu num papel. Sua caligrafia perfeita deixava o papel decorado ainda mais bonito.
“Fiquei dormindo até tarde.” Respondi abaixo do que ele escreveu. Rafael olhou pra mim e deu um lindo sorriso.
O sinal bate já era hora do recreio pois havia chegado atrasada. Eu, Alice e Rafael saímos juntos. Nenhum de nós ali tinha assunto algum, ficamos em silencio sentados a um banquinho.
- Você é Clarie? – Perguntou um menino da 5º serie.
- Sim, por que?
- Uma menina te mandou entregar esse envelope. – O garoto jogou o envelope no meu colo e saiu correndo. Peguei o envelope tentando imaginar quem poderia ter mandado.
- Abre! – Alice me cutucou olhando para o envelope.
Tirei a carta que havia dentro do envelope lentamente. Não havia remetente.
“Clarie, você roubou de mim duas pessoas. As melhores pessoas que surgiram na minha vida. E um mês atrás você perdeu uma pessoa. Ela se foi pra sempre não é mesmo? Isabella, sua irmã. E depois você recebeu um telefonema da sua rival. Não acha isso um pouco coincidência? Poderia ter sido absolutamente diferente. Quem sabe se essa sua rival, você e seus amigos do seu lado não pudessem todos serem amigos? Você quis isso. Esse seu jeito ainda vai te fazer sofrer muito.
Anônimo.”
- Não acredito! – Gritei me levantando para procurar o menino que havia me entregado a carta.
Rafael e Alice corriam para me alcançar e ajudar a procurar o menino. Enfim o vimos jogando futebol com uns meninos mais velhos.
- Hey pirralho! – Dizia em tom alto entrando na quadra. – Quem mandou você entregar isso pra mim?
- Hey, você não pode entrar assim na quadra sua idiota! – Gritou um menino vindo em minha direção chutando a bola.
- Não fala assim com ela seu imbecil! – Alice me defendia enquanto eu tentava arrancar respostas do garoto. – Clarie fala com o menino, rápido!
Agachei-me em frente ao garoto que estava com uma expressão de medo.
- Calma. Eu não vou te machucar, é só me dizer quem mandou você entregar isso pra mim.
- Não posso.
- Por que não?
- Prometi que não contaria. – O garoto saiu correndo enquanto gritava pra seus amigos o esperarem.
Puxei Alice e Rafael daquela discussão antes que desse em coisa pior. E vocês devem estar se perguntando: “Clarie e Rafael ainda não estão namorando?”, a resposta é: Não. Ainda era muito cedo pra mim, talvez em dois ou três meses minha vida voltaria a ser como antes. O fato de não estar mais chorando desesperadamente pela minha irmã não quer dizer que a dor dentro de mim aliviou-se.
Sentei-me no mesmo banco que estava antes. Algo dentro de mim dizia que era Laura. Mais uma patricinha idiota que chora mares só por que quebrou a unha não iria fazer tanto. Talvez...
- Quem você acha que fez isso Clarie?
- Não posso contar. Vou pedir pra ir em bora, estou com um pouco de dor de cabeça. – Levantei-me do banco e corri até secretaria.
Depois e alguns minutos me liberaram. Peguei minha mochila dentro da sala e sai. Peguei o ônibus, mais não o de sempre. Esse passava na frente do cemitério onde Isabella havia sido enterrada. Desci e fui “visitar” minha irmã. Procurei seu tumulo entre os muitos que haviam naquele lugar horrível. Folhas secas pelo chão faziam um barulho que eu odiava, o vento que vazia meus cabelos “voarem” me deixavam com um pouco de medo. Fechei os olhos com força, respirei fundo e voltei à realidade.
Finalmente achei o tumulo da minha irmã.
Isabella Oliveira2002 – 2009
Agachei-me do lado da cruz em cima do pequeno tumulo, e passei a mão delicadamente sobre seu nome.
- Você se foi tão rápido. – Disse sozinha ali. O vento que batia na minha pele, me fazia estremecer de frio. Me levantei e fui em bora.
Cheguei em casa fui direto pro meu quarto, fiquei deitada olhando pro teto cheio de desenhos de caveiras. Realmente na minha opinião não poderia existir ninguém mais estranha do que eu. Meu celular tocou dentro da minha mochila.
Chamada de Alice. Aceitar – Recusar.
- Fala Alice.
- Clarie eu te conheço muito bem. Me conta o que você tem. A Clarie que eu e o Rafael conhecemos sai matando todo mundo até achar a pessoa que fez essa palhaçada.
- Você me conhece bem? Mentira. Você não sabe o que eu penso, o que eu sinto, o que eu gostaria de fazer, e o que eu me arrependo de não ter feito. Não sabe nem 1% do meu passado.
- Então me conta.
- Você não tem nada a ver com ele. Então por que eu contaria?
- Por que eu faço parte do seu futuro.
- Pra fazermos o futuro, não precisamos se lembrar do passado. Eu quero viver Alice, quero ser feliz do jeito que eu sou com as pessoas que eu amo. É pedir muito?
- Me desculpa.
Alice desligou o telefone na hora. Havia sim exagerado um pouco, mais isso era uma coisa de mim. Amigos que havia conseguido eu perdi por causa desse meu jeito. Talvez eu possa mudar pelos meus amigos.
Fale com o autor