Mudei por Você

14 Separação.


Manhã de domingo, chuva, tédio. Fiquei deitada a manha inteira na minha cama com meu Notebook escrevendo poesias melosas e que sempre tocavam meu coração e me faziam chorar. Minha inspiração? Amigos, amores perdidos e família. Por mais que odiasse maior parte dela. Meu estomago começou a roncar, desci para a cozinha, peguei duas maçãs e uma caixa de cereal. Me “enterrei” novamente a minha cama. Escrever aquelas bilhões de poesias me deixavam entediada. Decidi entrar na internet para conversar com Alice, pedir desculpas pelo que havia dito ontem.


- Hey Alice, me desculpa pelo que eu disse ontem. Ultimamente minha vida esta uma porcaria.


- Tudo bem. Estou acostumada a levar patada sua.


Ficamos conversando por horas e horas... Ouvi minha mãe chamando por mim no andar de baixo. Coloquei uma roupa descente e desci. Meus pais estavam sentados esperando que eu sentasse perto deles.


- O que aconteceu? – Perguntei sentando-se de vagar em um pequeno sofá.


- Meu amor... Muitos relacionamentos não dão certo, as vezes por que perdemos um ente querido ou qualquer outra coisa.


- Vocês não estão pensando em...


- Sim. Clarie estou indo morar nos Estados Unidos semana que vem. E quero que você decida se quer morar com seu pai ou comigo.


- Era só o que me faltava! Eu sou filha de vocês e vocês não sabem um terço dos meus problemas! E agora vocês querem se separar?! E pela perda de um ente querido?! Poupe-me! Vocês conseguem ser tão infantis! E uma misera semana não é suficiente pra pensar em algo assim! Vocês só vêem o lado de vocês. – Me virei e subi ao meu quarto novamente.


Como irei decidir algo assim? Amo meus amigos, quero ficar com eles! É algo tão inexplicável.


Sentei-me no canto do meu quarto abraçando meu travesseiro e... Chorando. Minha mãe batia na porta sem parar pedindo para que abrisse a porta.


- Clarie! Estou pedindo com a maior educação do mundo abre essa porta! – Minha mãe batia agora com força.


Abri a porta e sentei-me novamente no canto do meu quarto. Minha mãe pegou uma amofada e sentou-se na minha frente. Acariciava meus cabelos enquanto eu chorava com a cara no travesseiro.


- Não fique assim. Não gosto de te ver chorando. O que aconteceu pode acontecer com qualquer casal.


- Vocês são uns idiotas. – Não tinha nem um pouco de medo dos meus pais. Dizia o que me vinha pela cabeça. – Por que vocês fizeram essa porcaria?


- Isabella. Era a razão do nosso viver, e agora discutimos por isso constantemente. Ele disse que se eu não estivesse trabalhando poderia ficar de olho nela, e nada disso teria acontecido.


- Apenas é ela que é a razão do viver de vocês. Eu não estou com ciúmes. Mais só por que sou assim... Vocês me acham um lixo. Eu sei, eu já ouvi milhares de conversas de vocês. Isso é um dos motivos que sou assim. Tão fechada... Parabéns. Vocês são os piores pais do mundo.


Minha mãe caminhou até a porta chorando, acariciou meu rosto e disse que me ama. Tarde de mais.


Odiava como minha mãe me tratava, mais estando naquela situação é muito difícil decidir com quem morar. Mais talvez pelos meus amigos e pelas pessoas que ali amava moraria com meu pai. Por outro lado, se livrar daquele pais e de todas as pessoas que me faziam mal seria bom. Mais essas pessoas que me faziam mal, estavam juntas com as que me faziam sentir bem, me sentir uma pessoa especial, as pessoas que realmente fazem parte da minha história.


Fiquei deitada pensando em nada. Desci as escadas e meus pais estavam sentados com cabeça baixa.


- Decidiu Clarie? – Meu pai dizia com seu jeito frio.


- Sim. Irei morar um ano com cada um. Acho que será bom não é mesmo? Mais vou terminar o ano aqui com meu pai mãe. Em Janeiro irei aos Estados Unidos. Pode ser?


Essa é a melhor forma de decidir o mais rápido possível.


- Ótimo. Comprarei minhas passagens para os EUA depois de amanhã. – Ela ia para o quarto de hospedes.


- Mãe! – Disse em tom alto, mais não cheguei a gritar.


- Sim?


- Me desculpa. Sempre me acho a dona da verdade. Eu te amo muito mãe. – Minha mãe começou a chorar, me senti tão bem em ter aberto meu coração a pessoa que me colocou no mundo. Na verdade eu deveria ter feito isso a tempos. Pois mãe é só uma.


Nos abraçamos depois de tanto tempo. Aquele abraço apertado e gostoso. Fazia tempo que não sentia isso.


- Papai... Por favor, vem para o abraço. – Nunca havia chamado ele de “papai”.


Meu pai se juntou aquele abraço confortador, era tão bom. Eu, meu pai e minha mãe juntos em um único abraço. Ficamos naquela posição por um longo minuto. Meu pai saiu daquele abraço e foi até a parede, onde ficava fotos Minhas e de Isabella na ultima semana da vida dela. A ultima e a primeira semana que nos demos bem e que o amor que eu sentia por ela foi crescendo cada vez mais. E mesmo após sua morte, o amor dentro de mim por ela virou infinito. Tenho certeza que de algum modo ela estará comigo.


Começou a acariciar as fotos uma a uma.


- Saudade é um sentimento horrível. – Ele dizia forçando para não chorar.


- Coisas ruins talvez acontecem para mudar outras coisas. É difícil entender o que eu disse. Mais é verdade. – Abaixei minha cabeça e subi novamente ao meu quarto.


Abraça-los foi tão bom. Desde a minha infância que não fazia isso, queria ficar ali por uma eternidade. Deitei-me na minha cama fofa, agora a preocupação e lagrimas tornaram-se sorrisos com um simples abraço.

Notas finais
Review? --'