Mudanças
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Cecilia sabia que não estava certa em pegar quinze dias de licença por causa de Dulce, mas seu bom senso, oiu preocupação de mãe, lhe pedia para ficar de olho na sua menina.
Não que a Ana não fosse cuidar dela, cuidava e muito bem. Mas ela precisava ver, estar sempre po perto.
Dulce Maria adorou saber que pelo o tempo que ficasse com o gesso no braço, sua mãe estaria em casa. Ela ia adorar sair da escola e ir para casa, sua casa. E a noite, claro, o papai estaria lá também. Ela sabia que nem sempre, mas era quase todo dia.
Dulce sabia que a mãe estava preocupada, ela não sabia se era com ela, afinal, estava bem. Com um machucado mas estava bem. A mãe estava com um olhar distante. E ela não gostava disso.
Dulce tinha chegadi da escola, seu primeiro dia depois do acidente. O gesso já estava cheio de desenehos e nomes. Mas ela deixou um espacinho separado.
— Mamãe?
— Oi amor.
— Cê tá sonhando?
— Sonhando? Não Dulce, tô aqui acordadinha olhando pra você, meu bem mais precioso!
— É porque você fica com um olhar distante, eu não gosto de te ver assim.
Dulce acariciava o rosto da mãe. Segurava a sua mão. A mamãe era a pessoa mais importante do mundo pra ela.
— Bom, a mamãe está um pouquinho preocupada. Mas vai ficar tudo bem. A mamãe promete. Tá bom?!
— Tá bom sim! Mas olha, se você tiver com um bebê guardado ai na sua barriga, não se preocupa não, a gente cuida dele.
Cecilia não sabia o que dizer, o que fazer. De onde a sua menina tirara uma história dessas.
— Dulce amor, de onde você tirou isso?
— Ué, foi a Ana Júlia que falou na escola, que quando a mãe dela tava com um bebê na barriga, ela ficou preocupada. Ai eu pensei que você também tava com um bebê.
Cecilia sorrio para filha, apesar de preocupada com a mesma, essa era uma certeza que ela tinha. Não tinha bebê nenhum.
— Amor, não tem bebê nenhum.
— Cê tem certeza?
— Absoluta! Eu prometo que juro! Não é assim que você fala?
— Sim pi ri rim!
Dulce Maria foi brincar, ou melhor, foi chamada de volta para fazer a lição de casa. Lição essa que ela disse que era de matemática e que iria esperar pelo pai para fazer. A mãe, perguntou como ela havia passado o dia, se sentiu-se tonta ou com falta de ar, nadinha. Ela lhe contou que brincou de tudo, estava aprendendo uma música nova e pediu para mãe fazer um desenho no seu gesso, ela guardou um lugar especial para isso.
Cecilia desenhou um coração e colcou as inicias dela e da filha lá. Lhe disse que o seu coração era todinho dela. Que a filha era a sua razão de vida.
Ela estava de olho em Dulce, falou com a professora e explicou a situação. Qualquer anormalidade, ela deveria ser informada.
Mas naquele dia, naquele primeiro dia, nada de anormal aconteceu.
Dulce Maria brincou, aguardou o pai chegar, que demorou.
— Papai você tá estressado?
— Estressado? Não, eu estou cansado! Tá tudo uma bagunça sem a sua mãe por lá, ela que coloca ordem.
— Então leva a mamãe pra trabalhar de novo!
— Não, não! Enquanto a mocinha não estiver cem por cento, a sua mãe fica em casa. Temos lição de matemática essa noite?
— Sim pi ri rim!
A lição foi feita, não era nada complicado, Dulce parecia se diveirtir com a forma que Gustavo lhe ensinava, parecia ser um momento dos dois.
Ele também ganhou um espacinho no seu gesso. Escreveu para ela, filha linda, o papai te ama. Bem próximo ao nosso coração.
Foi durante o jantar que Gustavo quase engasgou-se com a conversa de Dulce.
— Papai hoje eu achei a mamãe preocupada.
Quando a filha começou com essa frase em particular, Cecilia já sabia para onde a conversa iria, estava curiosa para saber, como acabaria.
— Foi mesmo? Ela te disse o porquê?
— Não de verdade, só disse que não era nada demais. Eu achei que ela tava preocupada, porque tinha um bebê na barriga dela e você não queria cuidar dele. Ai ela estava preocupada.
O suco que Gustavo tomava, foi todo pra fora. Ele teve um acesso de tosse. O rosto ficou vermelho. Ele não sabia o que dizer.
— Como assim um bebê? Cecilia!
Gustavo estava exasperado!
— Não tem bebê nenhum, eu já falei pra Dulce. É só preocupação de adulto. Ela como uma criança maravilhosa que é, não vai se preocupar com isso.
— Mas eu só pensei! Eu ia gostar de um bebê. Eu já te disse mamãe, eu te ajudo a cuidar dele!
Ela sorrio. E me fez um sinal de legal com o polegar. Já nos esncontrávamos em nível familiar, em que a filha mais velha, já queria um irmão.
Gustavo agora estava entendo tudo. A filha achava que a preocupação da mãe, era devido a um bebê e que ele não queria o mesmo.
Gustavo precisava explicar algumas coisas para Dulce.
— Filha, deixa o pai te dizer uma coisa. Eu nunca abandonaria a sua mãe, nem você ou o seu futuro irmãozinho. Porque um dia ele vai vir. E eu, vou estar aqui para cuidar de vocês. Então, na nossa família, um bebê jamais vai ser motivo para preocupação, ele vai ser motivo para comemoração. Tudo bem?
— Tudo bem! Quando a mamãe estiver com um bebê na barriga dela, a gente faz um festão com bolo e brigadeiro!
— Claro que faremos! Agora senhorita, vamos comendo.
Depois de toda essa conversa, o jantar transcorreu tranquilamente. Gustavo esperou que Dulce fosse para cama. No quarto, ele ainda olhava alguns papeis.
Cecilia entrou devagar, e por trás dele, começou a massagear os ombros dele. Ele suspirava de contentamento.
— Eu devo me acostumar com isso?
— Talvez, quando eu não estiver cansada! Já que hoje parece que você teve um dia de cão na empresa!
Gustavo puxou Cecilia, que caiu sentada em seu colo sorrindo. Ele amava ve-la sorrir. Eles beijaram-se. Calmamente. Não por falta de paixão ou tesão que um tivesse pelo outro. Mas hoje em dia, eles gostavam de saborar esses momentos.
— A Dulce passou bem o dia?
— Muito bem. Gustavo, se ela não tivesse me dito que ficou tonta, eu acharia que tinha sido uma queda normal. Eu juro pra você, que a minha vontade é de leva-la de volta ao hospital e fazer todos os exames possíveis. Mas eu também sei, que agora ela tá bem. Eu vou preocupa-la atoa. Eu não sei quando fazer isso, de uma forma que ela não fique estressada.
Gustavo ponderou na hora de falar, ele já estava com essa ideia na cabeça. Mas Cecilia esatava tão preocupada e o choro de ontem a noite, não ajudou a clarear as ideias. Pelo menos não as dela.
— Olha, nós deveríamos fazer o seguinte, esperar. Vamos aguardar esses quinze dias, se nesse meio tempo ela sentir o minímo que seja, a levamos diretamente para São Paulo. Mas caso nada aconteça, o que eu tenho certeza que vai acontecer, marcamos uma consulta com o Doutor André e a nossa menina faz um check-up. Como se fosse exames de rotina. O que você me diz?
— Cê acha mesmo boa ideia esperar?
— Ela não tem sintoma algum Cecilia...
— Tudo bem, mas um suspiro diferente da Dulce, nós vamos ao hospital!
— Você que manda, já te disse!
Ah aquele sorriso que ela lhe dava, aquele sorriso era o sol que iluminava o seu mundo, e Gustavo sabia que sem ele, seria sua ruína.
Cecilia ainda foi mais duas vees ao quarto da filha para ter certeza de que ela estava bem. Ele entendia.
Estavam deitados e abraçados.
— Porque será que a Dulce achou que eu não iria querer o nosso bebê?
— Vocês dois falam, como se esse bebê já estivesse entre nós.
Gustavo a beijou, beijou sua barriga bem próximo ao seu umbigo. Ele lhe dava beijos estalados, a fazendo sorrir,pois fazia uma cosquinha.
— Mas poderia... Poderia ter um bebezinho aqui!
— Mas não tem. Eu te garanto!
— Você sabe, que você e a Dulce Maria são a minha vida, e quando a nossa família aumentar, nada disso vai mudar.
— Eu sei sim. Ela também sabe! Agora você pode parar de acariciar meu estômago.
— Eu só estava treinando... Cê quer treinar um pouco?
— Só um pouco?
Cecilia sorrio e abriu os braços para o namorado. A noite não foi longa, na verdade passou voando.
Conforme os dias passavam, Cecilia ia relaxando. Dulce Maria não sentia nada, exceto a vontade de tirar o gesso do braço.
Dulce Maria amava chegar em casa e encontrar a mãe. Era uma sensação diferente. Ela queria que a mãe ficasse em casa, mas sabia que a mãe amava o trabalho e que o pai precisava dela. Afinal, como ele mesmo disse, a mamãe quem colocava ordem nas coisas.
Cecilia havia estabelecido uma rotina agora que estava em casa, inclusive trabalhava lá também, organizava a agenda do Gustavo de casa, o que acabava por aliviar o trabalho de Silvania. Que verdade seja dita, estava lhe ajudando muito.
Só mais uma semana e tudo voltaria ao normal. No sabádo de manhã a família acordou cedo, e depois do café da manhã foram ao hspital. Dulce iria tirar o gesso. Ela parecia uma pipoca de tanta felicidade.
— Papi quando a gente sair daqui, podemos ir no parque jogar futebol?
— Mas é claro! Compramos uma bolinha e jogamos sim! E adivinha o que faremos depois?
— Depois vai ter o que? O que?
— Almoço no restaurante que você gosta!
— Iuuuuupe!
Entraram no hospital, e foram diretamente tirar o gesso. Gustavo ficou com Dulce durante todo o processo, enquanto Cecilia marcava uma consulta. Só assim iria ficar tranquila.
Consulta marcada, agora era encontrar os seus amores. Dulce esperava pela mãe segurando uma caixa, que a mesma lhe disse, que tinha todo o seu gesso. Ela iria guardar pra sempre.
Foram para o parque. Lá mesmo compraram uma bola. Dulce Maria se divertia. Coria, jogava para Gustavo e chamou a mãe pra participar, mas Cecilia preferia observar. Ver a filha feliz, lhe deixava feliz. Dulce corria feliz atrás da bola, com o pai correndo atrás dela.
Cecilia sentiu antes mesmo de ver. Ela sabia que alguma coisa estava errada.
Quando olhou na direção em que eles estavam ela os viu.
Gustavo carregando sua menina desacordada no colo.
Fale com o autor