Mudanças
25 Capítulo 25
Notas iniciais
CAPÍTULO 25:
Cecilia não conseguia acreditar no que estava acontecendo, a segundos atrás sua filha brincava feliz, e agora estava sendo carregada para a emergência do hospital. Tudo se passava muito devagar, parecia que Gustavo não andava rápido o bastante. Tudo a sua volta estava abafado. Ela não ouvia direito. Gustavo passou pela sala de espera pedindo por socorro.
Sua filha ainda estava desacordada. Foi levada para uma sala e eles não puderam entrar.
Cecilia andava de um lado para o outro, por um momento, Gustavo a parou e a abraçou.
Cecilia respirou fundo pela a primeira vez. E naquela hora ela sentiu sua pernas fraquejarem. Foi amparada por Gustavo.
— Cecilia você vai desmaiar! Pelo o amor de Deus, respira fundo!
— Eu estou fazendo o possível... Gustavo a minha menina!
— Você precisa se acalmar, ela está com os médicos. Tudo vai ficar bem. Eu prometo pra você.
Eles se abraçaram mais uma vez. Gustavo fazia carinho na nuca de Cecilia, naquele abraço meio estranho. Ela sentada em uma poltrana e ele quase que ajoelhado a sua frente mas a abraçando.
André apareceu, seu semblante trazia preocupação. Cecilia sentiu na hora que o viu.
— Eu acho mehor nós irmos conversar no meu consultório, por favor me acompanhem.
Não era tão longe, Cecilia tinha as mãos geladas. Estava sendo praticamente amparada por Gustavo, e tinha suas dúvidas se conseguiria chegar até o local sozinha.
Entraram em um consultório neutro, lá dentro havia mais dois médicos. Um neuro infantil e um geneticista. Cecilia não estava entendo nada. Foi apresentada aos médicos mas sequer guardou seus nomes.
— Cecilia esse aqui é o doutor Bruno, ele é geneticista. E vai te explicar a doença da Dulce, Você está me entendo.
— Sim.
O doutor Bruno se aproximou, e sentou-se ao lado da Cecilia.
— Bom Cecilia, a Dulce tem uma doença que causa a autodestruição dos glóbulos vermelhos, o que faz com que ela não receba oxigênio suficiente para o cerébro e outros órgãos. Esse tipo de doença genética é de fácil diagnóstico com a criança ainda no útero. Duas injeções e nada disso estaria acontecendo. O seu pré-natal não foi dos melhores. Um simples exame de sangue e isso seria descoberto. O que acontece é que o seu sangue, junto com o da Dulce, acaba por causar essa falha genética.
— Eu não fiz o pré-natal da Dulce. Eu a adotei.
Cecilia não olhou para cima depois que ouviu as informações do médico, mas sentiu como se um vento gelado passasse pelo consultorio. Ao olhar para cima, percebeu os olhares preocupados.
— Isso definitivamente, vai complicar as coisas.
— Como assim complicar doutor?
Gustavo não gostara nadinha da forma que o médico falara.
— O tratamento para a doença é simples. Uma tranfusão sanguínea, vindo do pai da criança, resolveria tudo.
Até aquele momento, por pior que estivesse se sentindo, Cecilia mantinha esperanças que tudo daria certo. Mas depois daquelas palavras, ela sentiu o seu mundo desabar. Como iria encontrar o pai de Dulce, se é que o pai estava no país... Ou vivo.
Gustavo escutava a tudo e não podia acreditar no que estava acontecendo. Uma doença genética... O pai biológico teria que ser encontrado. E esse homem quisesse tirara a Dulce da Cecilia?! Ele sabia que nenhuma das duas ficaria bem com a separação. Elas eram mãe e filha.
— Doutor, existe alguma outra maneira? Uma forma de contornamos isso?
— Bom senhor Lários, no momento a menina passa por uma tranfusão sanguínea normal, o que é necessário para a cura, é que esse sangue tenha fatores genéticos iguais ao dela. Mas para isso, precisamos do pai biológico. Até que ele seja encontrado, Dulce Maria vai passar por sessões de transfusão sanguínea e suas atividades devem ser limitas. Quanto maior o gasto de energia, maior comprometimento em o corpo dela oxigenar os órgãos.
— Esse tratamento, ele pode ser feito por quanto tempo?
— Isso é um paliativo. Ela não pode levar a vida inteiro vivendo de transfussões.
Cecilia ouvia a tudo. Não podia acreditar no que estava acontecendo. Como ela iria encontrar esse homem? Como?
Gustavo apertava seu ombro. Ela já não ouvia mais nada direito. Ouvia palavras como, tratamento... Fora do país... Seria da mesmsa forma... Tudo pode ser feito aqui.
Cecilia enxugou as lágrimas que finalmente caiam, e perguntou se ela poderia ver sua filha, passar a noite com ela.
André a liberou para ver Dulce, mas ela não poderia passar a noite, já que Dulce ficaria na UTI para ser melhor monitorada.
Cecilia entrou na UTI, não estava bem do jeito que ela esperava, com Dulce ligada a maquinas e muitos bipes. Sua menina estava deitada na cama, com um oxímetro no dedo e recebendo sangue. Ela foi avisada que Dulce seria mantida sedada até a manhã seguinte, quando ela iria para o quarto e os médicos iriam pensar em como continuar.
Sentou-se ao lado da cama de Dulce, falou o quanto a amava, e que não importava o que fosse preciso fazer, ela iria para que sua filha ficasse boa. Que Dulce sentisse todo o seu amor. Pediu aos céus, rezou a Deus ali ao lado da cama da filha que ela se salvasse. Que tudo ficasse bem.
Rápido demais para Cecilia, uma enfermeiro foi até ela e pediu que ela se retirasse.
Voltou para a sala de espera, desta vez era Gustavo que andava de um lado para outro.
— Como ela está?
— Aparetemente apenas dormindo, mas tem um aparelinho ligado ao dedo dela vendo o nível de oxigênio. Gustavo eu estou desesperada!
Ele a abraçou. Falou em seu ouvido, que não importava o que tivesse que fazer, faria e sua filha ficaria bem.
Gustavo perguntou se ela já gostaria de ir. Com o coração apertado ela disse que sim. Por ela passaria a noite ali, na sala de espera. Mas sabia que de nada iria adiantar. Precisava com urgência pensar no que fazer. Como encontrar o pai biológico da Dulce.
Cecilia estava exasta. Não apenas fisicamente, mas principalmente psicologicamente. Gustavo praticamente implorou para que ela dormisse na casa dele, mas ela precisava de sua cama, da sua casa. E no fundo sabia, que acabaria dormindo no quarto da Dulce, sentindo o seu cheirinho no travesseiro. Sem nada disso, a noite seria longa e ainda mais cansativa.
Gustavo não gostou nada da ideia em ter que deixar Cecilia sozinha, mas ela insistiu. Tudo que ele queria era apoia-la, ficar ao seu lado. Para ele, o normal, seria passarem por isso juntos, não que não estivessem, mas passsar uma noite como aquela separados, lhe deixou apreensivo. Ele queria cuidar dela. Não importava onde.
A casa parecia tão vazia, não que não estivesse na sua bagunça habitual. Brinquedos pela casa, livros no sofá, lápis de cor na mesinha da sala... Enfim, sua bagunça. O rastro que seu pequeno furacãozinho deixava por onde passava.
E isso lhe trouxe uma alegria, sabia que sua vida era a Dulce Maria, desde do inicio tomou consciência disso, mas nada se comparava com o agora, esse medo, esse frio no seu coração de algo de ruim acontecesse.
Ela não sabia por onde começar a procurar pelo o pai de Dulce, se é que o homem estava vivo. Deus permita que esteja.
Ela pensou em falar com Cristovão na manhã seguinte, obter mais informações vindo do orfanato onde Dulce estava, quem sabe lá, eles sabiam de alguma coisa. Porque ali, em sua casa nada tinha.
Estava exausta, iria se deitar e tentar dormir.
Assim, como imaginara que seria, acabou no quarto de Dulce, encolhida em sua cama mas sentindo seu cheiro e sua presença por todo o lugar. Ali adormeceu.
Cecilia tinha absoluta certeza que estava no mesmo parque, que estivera com Dulce e Gustavo, mas por mais que procurasse, sentada do banco em que estava, não conseguia ve-los.
Algo estava estranho, a luz um pouco amarelada. Foi nesse momento que ela se deu conta de que estava sonhando. Relaxou um pouco.
Em sua direção vinha uma mulher, muito elegante, loira de cabelos cumpridos. Lhe lembrou um alguém, mas não conseguiu lembrar de quem exatamente. A mulher sentou-se ao seu lado.
— Tudo bem Cecilia?
Ela sorriu naturalmente para a estranha. Ela não representava nenhum perigo, disso tinha certeza.
— Eu vou bem, um pouco preocupada mas bem.
— Então, sobre essa sua preocupação, vai ficar tudo bem. As mudanças necessárias já foram feitas. Você não precisa se preocupar. A nossa carinha de anjo vai ficar bem.
— Como você pode me dar a certeza disso... Nem eu mesma tenho essa certeza. Se alguma coisa acontecer com a minha filha...
— Não se preocupe, tudo vai ficar bem. Vocês três vão ficar bem.
Cecilia acordou, ainda no quarto de Dulce e com dor no pescoço. Não entendeu nada do seu sonho, se é que havia algum significado. Talvez, seu subconsciente tentando acalma-la e nada além disso. Virou-se na cama e tentou mais uma vez voltar a dormir.
Gustavo não conseguia dormir, revirava-se na cama e o que gostaria, era de trocar de roupa e ir até a casa de Cecilia. Até pensou em fazer isso mesmo, mas sabia que Cecilia gostaria de ficar sozinha. Pelo menos foi o que ela lhe disse.
Ele iria fazer o que precisava ser feito para que salvasse sua filha. Apesar dos médicos já terem dito o que ra necessário, encontrar o pai biológico da sua menina. Ele iria áte o fim do mundo para encontrar esse homem.
Ele não conseguiu dormir, mas também devido ao adintado da hora, não iria incomoda ninguém. Decidiu mandar uma mensagem para Cristovão, ele queria saber e garantir-se legalmente para quando encontrassem o pai de Dulce. Não que ele fosse proibir a filha de ver o pai biológico se assim fosse de sua vontade, mas precisava garantir de que nada iria interferir na vida da Cecilia e muito menos na da Dulce.
Mensagem mandada, ele precisava descansar. Precisava estar bem no dia seguinte. Ele desceu para tomar água, acabou voltando para o quarto com chá, ele sabia que Cecilia iria rir dele, porque ele já tinha se recusado a tomar chá com ela diversas vezes, mas hoje, nessa noite, parecia que esse simples gesto a trouxe para mais perto dele.
Ele conseguiu dormir, por horas no final das contas, mas para Gustavo parecia que tinha fechado os olhos e os abriu assustado devido ao toque estridente do seu celular. Não conhecia o número. Só poderia ser uma pessoa.
— Estefânia?
— Primo nós estamos voltando.
Ele conseguia ouvir a risada na sua voz. E isso, o fez sentir-se melhor.
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