Mudanças
15 Capítulo 15
—Você a conhece?! – Sakura gritou.
— Sakura, é complicado. – Shirayuki disse paciente.— Sakura? Está tudo bem aqui? Ouvimos sua voz lá do quarto... – Tenten, Naruto, Shikamaru e Neji estavam na porta.— Ela conhece Nayuki. – Sakura disse aos outros. O quarteto olhava para Shirayuki, a expressão deles era de decepção.— Tia... – Naruto ficou triste.— Então tudo isso era mesmo uma armadilha? – Shikamaru disse.Shirayuki suspirou.— Antes de vocês sentirem-se ameaçados ou duvidarem de mim, escutem o que tenho a dizer. Reúnam-se e venham para a sala, tenho uma história para contar. – Disse a mulher de cabelos e olhos azuis. Passou pelo quarteto e caminhou graciosamente até a escada, parando antes de começar a descer. – Estarei esperando. – Disse ela com calma, e começou a descer em direção a sala.Shikamaru e os outros acordarem seus amigos, e todos os ninjas de Konoha foram em direção à sala. Shirayuki os esperava, sentada no chão. Havia uma xícara de chá em sua mão, e mais xícaras e um bule cheio de chá na mesa no centro da sala, além de sanduíches.— Sentem-se. – Disse ela. Os ninjas de Konoha obedeceram. Mas ninguém quis o chá. Shirayuki tomou um gole de seu chá e começou:— Escutem. Vou contar como conheço Nayuki. É uma longa história então sugiro que comam e bebam, não está envenenado. — Ninguém começou a comer, apenas olhavam para Shirayuki com intensidade. Ela suspirou e começou a explicar.‘’- Ok. Vamos lá. Eu não disse isso a vocês, mas meus pais morreram quando eu era muito jovem, e eu não tinha nenhum parente vivo, então acabei ficando sozinha. Fiquei morando em nossa casa, em um vilarejo que não existe mais atualmente. Quando fiz 17 anos conheci Hikaru, ele e Nayuki eram amigos de infância. Como eu disse a Sakura antes, eu o detestava quando o conheci, vivia fazendo piadas sobre o final de meu nome e o de Nayuki, piadas sobre meu cabelo e o dela... Mas descobri que esse era só o jeito dele sabe? No final, ele disse que me perturbava tanto porque gostava de mim, e quando passei a entendê-lo, acabei me apaixonando. Começamos a namorar após um tempo.Eu e Nayuki éramos muito próximas, mas quando contei a ela que eu e Hikaru estávamos juntos ela ficou brava. Ela disse que eu não tinha o direito de chegar e roubá-lo dela. Após isso ela foi embora. Eu e Hikaru a procuramos, sabíamos que Nayuki era bem controladora, mas ainda era nossa amiga. Por fim, falhamos em achá-la, e os anos foram passando, eu e Hikaru nos casamos e nos mudamos para cá. Eu pensei que tudo só seria assim sabe? Nós dois. Mas depois de um tempo Nayuki voltou, ela estava ferida e pediu nossa ajuda. Nós a abrigamos aqui, cuidamos dela, mas quando anoiteceu ela fez algo com Hikaru, era como se ele não fosse ele mesmo, como se estivesse entorpecido. Eu o vi beijá-la. Fiquei brava, vi que não era ele, era Nayuki. E quando a confrontei, ela fez ele me atacar e foi embora. Eu tive que matar o amor da minha vida naquela noite, e vou me machucar toda vez que me lembrar dele, que não pude salvá-lo, que não consegui acordá-lo a tempo. Eu sempre vou me lembrar do sangue deles em minhas mãos, do sorriso dele antes de morrer, agradecendo-me por tê-lo apunhalado. ’’Os ninjas de Konoha permaneceram calados. Shirayuki olhou para seu chá, já estava frio.— Tia... – Naruto se pronunciou.— Eu deveria ter ido atrás dela, ter feito algo quando soube que ela estava em Konoha. Mas além de conseguir me esconder de outros ninjas ocultando minha presença, não tenho nenhuma habilidade em combate. – Shirayuki disse, ainda encarando o líquido frio da xícara. Lágrimas começaram a escorrer pelas suas bochechas. — Sinto muito. Eu deveria ter te escutado antes de surtar. – Sakura tentou confortá-la.— Tudo bem, Sakura. A dúvida de vocês foi completamente normal. – Shirayuki respondeu, limpando as lágrimas do rosto. — Você sabe algo sobre a origem de Nayuki? Do poder dela? – Shikamaru perguntou.— Ela me disse que não tinha pais também, era sozinha, assim como eu. Hikaru me contou que a conheceu quando ela invadiu a casa onde ele e seus pais moravam, buscando algo para comer. Era apenas uma garotinha perdida, e a família de Hikaru cuidou dela até ela ir embora. Hikaru era um civil, nenhum de nós sabia que Nayuki possuía alguma habilidade assim.Shikamaru suspirou.— Então não sabemos como ganhar dela ou porque ela não conseguiu nos controlar. – Afirmou. – Que problemático.— Sinto muito em não poder ajudar. – Shirayuki disse aos ninjas.— Tudo bem tia. – Naruto disse, a boca cheia de pão.— Você está nos escondendo, isso já ajuda. Podemos planejar melhor como atacá-la se não tivermos que ficar fugindo o tempo todo. – Shikamaru disse a Shirayuki.(...)Karin estava em seu quarto. Juugo a ajudou a chegar lá. A garota ainda sentia dor, mas pelo menos tinha seu braço de volta. Não que parecesse seu, o braço era rígido, cheirava a madeira e possuía uma coloração que se dividia em partes marrons, azuis e extremamente pálidas. Pelo menos funcionava, era estranho e às vezes ela nem sentia que estava lá, mas funcionava. Ela poderia lutar novamente.
A kunoichi ficou no quarto desde que Juugo a ajudou, não queria que alguém visse seu novo braço, principalmente Sasuke. Daria um jeito de cobri-lo. A roupa de mangas longas já ajudava, agora só teria de usar uma luva, assim ninguém se assustaria com aquela mão de aspecto estranho e sem unhas.Karin notou que lágrimas caminhavam pelo seu rosto. Nem percebera que tinha começado a chorar novamente. Jamais deixaria Sasuke vê-la assim, jamais.— Maldita Sakura! Você me paga! (...)Em outro lugar do esconderijo de Orochimaru, Suigetsu, Juugo e Mai estavam na sala, matando o tempo antes de irem dormir. Juugo lia um livro, Suigetsu estava esparramado no sofá e Mai escrevia algo.— Ei, será que não deveríamos ir ver como a Karin está? Acho que todo mundo aqui ouviu os gritos dela... – Suigetsu disse.— Ela disse que não quer ver ninguém. – Juugo respondeu.— Nem mesmo o Sasuke? – Suigetsu perguntou.— Nem mesmo o Sasuke. – Juugo respondeu, virando uma página do livro.Suigetsu suspirou.— Uma hora ela vai ter que sair e nos encontrar. Afinal o quão ruim está? – Perguntou Suigetsu.— Ela disse que não quer que vocês vejam, me implorou para não contar como está. – Juugo respondeu.— Orochimaru é um cara tão cruel... – Suigetsu disse.— Ele trouxe o braço dela de volta. – Juugo respondeu sem tirar os olhos do livro.— Eu sei. Mas mesmo assim... – Suigetsu respondeu, e continuou – Ei Mai? O que você acha?Juugo e Suigetsu olharam para a garota. Ela notou o olhar dos dois e parou de escrever.— Desculpe, do que estamos falando? – Respondeu com um olhar muito confuso.Suigetsu começou a rir.— Isso foi muito frio Mai. – Ele disse a garota.— Desculpe? – Disse ainda mais confusa.— Estávamos falando que alguém deveria ir ver a Karin. – Juugo respondeu. – Mas ela disse que não queria ver ninguém.— Entendo... – Disse a kunoichi, agora menos confusa. – Então dê um tempo a ela, ela vem falar com a gente quando estiver pronta.— Será que o Sasuke não pode ir lá animar ela um pouco? Ele deve ter ouvido os gritos dela, todos devem ter ouvido... – Suigetsu disse.— Já te disse, Suigetsu. Sasuke é quem ela quer ver menos agora. – Juugo respondeu.Suigetsu suspirou.— Estou indo dormir. – Mai disse de repente. – Posso bater lá e ver como ela está, se você quiser...— Contamos com você. – Suigetsu disse com um sorriso.Juugo suspirou e não disse mais nada.Mai se retirou e caminhou até o quarto de Karin, bateu na porta e disse:— Karin? É a Mai. Vim perguntar se você precisa de algo...Karin não respondeu. Mas Mai não desistiu, bateu na porta novamente.— Karin? Karin, está tudo bem?Ainda sem resposta. Quando Mai foi bater na porta novamente, alguém a parou. — Orochimaru... – Ela disse.O líder de Otogakure tirou a mão pálida do ombro da garota e aproximou-se da porta. Do outro lado, dentro do quarto, Karin pôde ouvir seu líder falar.— Karin, me encontre no campo de treinamento amanhã pela tarde. – Disse Orochimaru, e em seguida retirou-se.Mai encarou a porta uma última vez e foi em direção a seu próprio quarto.
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