A escola…. Bem, estava um tédio, TÉDIO mesmo, não suportava nenhum professor e as meninas daquele colégio era nojentas demais. Sabe aquele tipo de meninas que reclamam por tudo? Mas não pelas notas ou amor, tudo mesmo! Quem sempre ser as melhores e pisar nos outros. Eu odeio isso. Consegui fazer um amigo no clube de culinária, já que eu era obrigada escolher um clube acabei escolhendo esse por ser o único que mais se parecia comigo. Logo no primeiro dia a professora colocou nós juntos para assarmos um bolo e acabamos virando amigos. Seu nome é Tayson, achei superdiferente, pelo menos pra mim, talvez seja comum aqui. Depois de uns meses eu já estava o chamando de Tay, e ele já tinha ido na minha casa. Minha mãe simplesmente o amou, nunca a vi falar tanto de alguém. Acho que se ela pudesse, adotava ele! Na última vez que ele tinha ido na minha casa, fizemos uma receita deliciosa para minha mãe provar, que inclusive era um trabalho do clube de culinária, e ela amou! Ele foi embora cedo naquele dia.

Uns meses depois, estava a deitar no sofá assistindo a um filme antigo, era realmente lindos, a arquitetura da época e os vestidos longos, achava aquilo tão deslumbrante. Apesar de sempre ser aquela menina que adora jogos e diversão, sempre tive uma queda por princesas, nobreza, vestidos compridos, príncipes, carruagens e todos esses contos de fadas. Eu estava sozinha em casa, fui à cozinha pegar algo pra beber e quando voltei olhei pra TV e vi o casal principal dançando uma valsa linda, peguei minha gata e comecei redora pela sala, como uma criança vendo filmes da Disney. Parecia engraçado, eu ria, girava, ela me olhava assustada e eu ate entendia o porquê tinha tirado meu bebê de seu sono profundo.

Quando o filme acabou, caímos no sofá e ela deitou em cima da minha barriga, parecia uma bolinha de pelos ronronando em cima de mim. Eu a olhava, meu motivo de continuar ai, suportar tudo, sorrir todas as manhãs, ir pra aquela escola chata e ficar sem '‘ele’', era tudo nela que eu descontava, ela era o meu forte, eu a amava tanto, ninguém conseguia amar alguém assim.

Acabei dormindo no sofá, acordei com batidas na porta da frente, coloquei a Kat no sofá e fui abrir a porta, ela se espreguiçava com aquela carinha de sono eterno, dei uma risadinha e corri pra porta. Quando a abri fiquei assustada, era o Tay, mas ele estava estranho, seu olhar estava baixo e ele tinha uns cortes estranhos no braço.

– Tay? Aconteceu alguma coisa? – Eu disse

– Não.. Eu.. Me ajuda, por favor.. – Ele disse sussurrando, me deu medo.

– Claro, entra, me diz o que aconteceu. – Disse puxando-o pra dentro e fechando a porta.

Ele entrou e ficou parado na frente da lareira, olhando pro fogo, cabisbaixo, parecia que estava desligado deste mundo.

– Tay, suba e tome um banho que depois nós conversamos, minha mãe viajou, se você quiser pode dormir aqui, já esta tarde mesmo, o.k.?

Não ouvi respostas, só o vi balançando a cabeça e se dirigindo pra escada, fui trancar a casa e fechar as janelas. Enquanto ele estava La em cima, fui preparar algo para a gente comer, não estava com paciência pra cozinhar muito então fiz um macarrão com queijo que seria mais simples e umas panquecas doces para a sobremesa. Tay adorava panquecas com banana e canela, então eu as fiz, talvez isso animasse ele..

Levei uma toalha e uma peça de roupa pra ele tinha deixado La em casa um dia, deixei na porta do banheiro e fui pro meu quarto arrumar a cama, a escola tinha nos dado uma semana de férias por conta do frio, as ruas estavam congeladas, então ele poderia dormir lá em casa sem problemas. Olhei sem querer pro espelho e vi-o saindo do banheiro, ele estava com o cabelo molhado, pingava sobre seu peito nu, estava usando só uma calça escura. Fiquei lá admirando ele, por um momento não parecia ser ele, seus músculos definidos, ele não era bombado nem nada, era bem magro, mas o seu corpo era lindo, branco como a neve, refletia seu cabelo escuro e jogado no rosto.

Ele percebeu que eu estava o olhando, desviei rápido e fingi estar fazendo outra coisa, era estranho, eu tinha perdido meu fôlego, senti uma necessidade grande de tê-lo nos meus braços, toquei meus lábios com a ponta dos dedos e fiquei refletindo, quando Tay passou pela porta e desceu as escadas, precisava saber o que tinha acontecido com ele, ele não parecia nada bem. Quando desci as escadas ele estava sentado no sofá e a Kat estava encostado na sua perna, ele me ouviu descer os degraus e me olhou, o brilho do seu olhar me fez perder as palavras, eu não me sentia assim há tempos.

– Tay, eu..

– Não diga nada, me desculpe, não devia ter vindo aqui tão tarde na noite assim, eu apenas briguei com meus pais e precisava de um abraço que me fizesse sorrir.. Posso dormir aqui essa noite? Não quero voltar para aquele inferno, por favor.

Era obvio que ele poderia ficar naquele instante era o que eu mais queria, ele perto de mim, ele me abraçando, ele me.. Beijando. Não, ele era meu amigo, meu único amigo, eu não podia pensar nisso, pelo menos não agora, não até eu esquecer '‘ele’'. Eu estaria me enganando, mesmo estando a milhares de quilômetros dele.

Sentamo-nos à mesa pra jantar, não sei se essa seria a palavra certa, talvez um lanche da madrugada fosse mais apropriado, já eram passados dá duas da manhã. Eu pedi licença e fui tomar um banho, eu suava frio e não queria que ele percebesse isso, subi correndo e peguei meu pijama mais bonito, não sei por que fiz isso, mas eu queria me sentir bonita pra ele. Tomei meu banho e sequei meu cabelo, passei uma maquiagem de leve, seria horrível se ele pensasse que estava tentando conquistar ele. Então, desci as escadas.

Paralisei quando cheguei à sala, ele estava deitado no sofá dormindo, o fogo da lareira refletia no seu peito branco, ele era tão lindo dormindo. Cheguei perto, eu perdia a respiração cada dia mais, sentei do lado dele e coloquei minha mão sobre o rosto dele, ele deitou sobre minha mão, parecia um gatinho, olhei para a Kat e dei uma risadinha. Quando me voltei pra ele, seus olhos estavam abertos me encarando, eu tinha me enganado, ele não estava dormindo. Eu tentei sair dali, mas ele segurou minha mão e ouvi suavemente, Não resisti, deitei sobre seu peito e sussurrei “vai ficar tudo bem, eu estou aqui”. Acordei no outro dia na cama sozinha, pensei que talvez aquilo tivesse sido um sonho, até a porta do meu quarto se abrir.

– Bom dia dorminhoca. – Ele disse e sorriu.

– Bom dia nada, quero dormir. Eu disse e comecei rir.

– Levanta, fiz seu café. – Ele veio ate mim e me deu um beijo na testa, fiquei vermelha.

– As aulas de culinária estão fazendo algum efeito então. – Disse, ele riu e desceu as escadas.

Joguei as cobertas pro lado e ouvi um miado, Tinha esmagado a Kat com uma montanha de cobertores, só vi seus olhos pra fora, sussurrei um “desculpa” e desci correndo pra ver o que ele tinha aprontado para eu comer. Me surpreendi quando vi a mesa, folhados de amora com chocolate e café com chantilly, não sei como ele tinha conseguido fazer aquilo, mas estavam muito bons. Ficamos mais um tempo assistindo e então ele foi para casa, ia pegar umas roupas e vir ficar um tempo aqui em casa.

Quando ele saiu, me joguei no sofá e fiquei pensando "o que aconteceu aqui, porque eu to assim, porque to me sentindo assim?", mas não ouvia nenhuma resposta, estava confusa, cada vez mais..