Mudanças
4 Sensação
Toquei meu braço, estava arrepiada. Precisava urgentemente relaxar antes que ele voltasse, tinha sorte dele morar longe. Como ele ia demorar, resolvi tomar um banho de banheira. Larguei minhas roupas pelo quarto e entrei na água, estava quentinha. Mergulhei a cabeça nela por alguns segundos e emergi, respirei fundo e depois de um tempo sai dali, envolvi-me na toalha e sentei na cama. Havia um casal passando na rua, fiquei a olhar na janela. Suas mãos se entrelaçavam de vários modos diferentes, podia ser no rosto dos dois um grande e belo sorrido, seus olhos brilhavam como os de uma criança na noite de natal, era algo lindo, mágico, não tinha como se comparar com nada que eu já tivesse visto na vida. Era um amor verdadeiro, assim como aqueles de conto de fadas, podia prever o final feliz.
Senti uma lágrima a escorrer pelo meu rosto, chegando rapidamente a minha boca e aquele gosto salgado adentrava meus lábios. Fechei os olhos por um instante e pude sentir um calor se aproximando de mim, tocando os meus braços lentamente. De repente me virei, era o Taylor, ele me puxou e beijou-me. Foi algo tão rápido que não pude evitar, não consegui resistir nem mesmo se eu quisesse, mas, eu não queria. Seus lábios eram quentes, podia sentir o gosto amargo do cigarro na sua língua, sentia como se aquele momento fosse durar a eternidade. As mãos dele desciam pela toalha enrolado no meu corpo úmido delicadamente, fiquei com medo. Afastei o seu corpo para longe, meu rosto estava vermelho como uma melancia por dentro, ardia de vergonha. Foi uma sensação única, talvez nunca se repita, não assim.
Ficamos parados nos olhando quando de repente a campainha tocou “merda”, exclamei. Tinha esquecido que havia pedido pizza, corri para o banheiro e coloquei meu roupão seco, desci e peguei a pizza. Joguei-a em cima da mesa, quando me virei, ele estava atrás de mim, fiquei assustada. Na verdade não sabia se era susto, se era medo. Era mais parecido com um desejo, uma necessidade, eu queria ter ele, eu queria sentir ele. Virei para a mesa e fui abrir a caixa da pizza, ele pegou na minha mão. Senti um arrepio no meu pescoço, sua respiração ofegante, mordi meu lábio na tentativa de me controlar.
Dentro de mim haviam duas Marys, uma me dizia para me afastar, “saia dai, ele é seu amigo, não estrague tudo”, mas, a outra já me dizia para encarar, para virar e beijar ele, para sentir ele nos meus braços, “você não vai ter mais chances como essa, se joga, pula nele, agarrar ele, o deixa te fazer sentir o que você quer”. Eu não queria ouvir nenhum dos dois. Mesmo que eu não conseguisse mais me segurar para tê-lo comigo, eu não queria perdê-lo por fazer alguma coisa errada.
“Chega”, disse pra mim mesma, eu vou fazer isso, não me importa mais com que aconteça depois, as consequências vem depois e a gente tem que saber enfrentá-las. Virei-me, olhei em seus olhos cansados, pareciam tão profundos e com tanto desejo sobre mim. Nossos lábios se aproximaram lentamente, podia sentir sua respiração mais perto, mais perto e então. Tocou a campainha. Eu já estava com raiva daquela campainha, quem poderia ser às 2 horas da tarde? Estava frio la fora, ninguém se atrevera sair de casa. Tentei ignorar, mas ela tocou de novo.
Olhei para a porta, olhei para o Taylor. “Já volto”, sussurrei. Os rangidos da porta aumentaram e ela se abriu, minha boca se abriu e meus olhos piscavam tentando refazer a imagem que estava ali parecer mentira, não podia ser não agora, o que ele estava fazendo ali, na minha porta. Não importava o que eu pensasse, era “ele” de verdade….
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