Mudança de Passarela

2 Puta que pariu, Colin Vargas.


Notas iniciais
Em uma das circunstancia de vida, não existe ódio, não existe amor, existe só aquilo que você esconde para não mostrar aos outros e a si mesmo o que você é, o que você anseia, o que tem vontade ou não tem, o que quer e o que não quer. E isto em nada tem a ver, isto em nada faz sentido, isto em nada tem coligação com qualquer coisa da história, isto em nada é se quer lógico.

Narrativa – Pietro.

Desde criança eu atuo como modelo, meu primeiro teste foi no mesmo dia do teste do filho da tia Bárbara, eu tinha 10 anos, sou 7 meses mais velho que aquele saco de estrume, e de todos os 30 garotos somente eu, ele e um outro garoto chamado Victor passamos.

O filho dela, Colin, era um idiota certinho e mimado, e eu o detestava, e isso resume bem o que eu sinto em relação aquela aberração.

Depois de alguns anos desfilando pela Agência Rainha eu me mudei para outra agência, então graças a Deus eu não via mais aquele idiota, porém eu ainda tinha certo convívio com sua família já que minha mãe e a mãe dele eram melhores amigas, mas eu não tinha problemas com o resto da família dele, o problema era ele mesmo, ele era um imbecil.

A Agência Lírio é a principal rival da Agência Rainha, pois são consideradas as duas maiores agências de São Paulo e se não me engano do Brasil também, ambas localizadas em São Paulo, graças aos céus a Lírio tem um centro na cidade onde eu moro, assim como a Rainha até nisso elas competem, a cidade que eu moro se chama Jacareí, eu era um dos garotos mais populares da cidade, e do colégio em que eu estudava o Colégio Dourado, ele era tão rígido que chegava a irritar e eu estou falando muito serio, parecia que eu estava no exercito às vezes, com tanta palhaçada de regras em uma cidade que era um ovo.

Eu era o garoto mais popular de lá e isso ninguém podia dizer o contrário, talvez não fosse o mais inteligente, mas com certeza era o mais popular, o modelo gato que pegava quem quisesse e quando quisesse, pois é isto acontecia e acontecia também inclusive na Agência Lírio, de todas as centrais da Lírio, eu sou o titular da agência, assim como meu amigo Thiago, que entrou na agência no mesmo ano que eu e de imediato nos tornamos amigos, afinal éramos muito parecidos.

Hoje eu estava com 18 anos feitos em Abril e estava indo para Londres com Thiago para representar a Lírio em um evento de três dias, eu sabia que a agência Rainha e outras iriam estar lá também, mas isso nunca foi problema não é como se tivéssemos uma rixa de verdade referente a isso, isso era algo da diretoria das duas agências, eu estava nem ai, eu só esperava que aqueles viadinhos escrotos das outras agências não me enchessem o saco como das outras vezes, porque eu estava sem paciência, afinal quando voltasse teria três provas de recuperação para fazer, Física, Química e acredite se quiser Educação Física, ninguém merece e sim na minha escola tem prova de recuperação a cada seis meses, pois você não pode fechar uma prova com menos de 7 no semestre, se não você é advertido, loucura, isto era uma escravidão com certeza, mas fazer o que estou no ultimo ano e preciso ir bem, mas porra estudar é muito chato. Mas ainda assim eu quero ir para a faculdade, embora não possa negar, quero dizer, convenhamos quem eu estou querendo enganar, eu sou um fracasso, se nem na escola eu consigo ir bem, quem dirá na faculdade, por Deus que eu consiga ao menos passar este ano.

Quando cheguei ao aeroporto de Londres vi um garoto que eu tive a impressão de conhecer de anos atrás, cabelo castanho e cacheado, olhos castanhos também, surpreendentemente aquela sensação de que eu o conhecia veio muito forte e aquilo me incomodou bastante.

Depois de ter arrumado tudo, e me trocado com a roupa que a Lírio queria que eu usasse camiseta longline preta manga curta, calça preta rasgada no joelho e um tênis preto fosco com a sola brilhante e Thiago já ter descido eu fui encontra com ele no hall. Assim que sai do quarto vi alguém entrando no elevador.

— Segura o elevador, por favor? — pedi e corri para entrar nele.

Quando puis o pé dentro do elevador vi o menino do aeroporto e não podia acreditar em quem ele era, eu realmente o conhecia e a muito tempo, desde que nascemos praticamente, se ele não fosse um idiota podia dizer que éramos irmãos de berço, mas como ele era um trouxa digo apenas que éramos conhecidos.

— Pietro! – Exclama ele chocado e com nível de zero empolgação.

— Colin! – digo a ele ainda mais chocado e sem nem precisar força qualquer empolgação também. – Faz muito tempo que não, nos vemos.

Ainda consigo dizer mais umas palavras.

Após essa frase a porta do elevador se fechou e eu fiquei sozinho com o chato do filho da Tia Bárbara.

Maravilha, tantas mil pessoas para eu reencontrar tinha que ser o idiota, imbecil do Colin, meu santo Deus, quem diria também que ele continuava na Rainha, nós nunca havíamos nos encontrado antes em nenhum evento, mas também as duas agências raramente frequentavam os mesmos eventos e as poucas vezes em que soube que fazíamos o mesmo talvez até tenhamos nos visto, mas na circunstancia estávamos tão focados no desfile que não nos reconhecemos, ou só não nos reconhecemos mesmo porque faziam anos que não nos víamos, mesmo nos eventos familiares ambos sempre estávamos ocupados demais para frequentar.

— Você é titular da “AL”? – pergunta ele ainda chocado, parecendo que tinha acabado de fazer a ligação com o fato de eu estar ali.

— Claro! – respondo com obviedade e arrogância. – Me surpreende você ainda ser da Rainha depois de todo esse tempo e ser titular.

— Claro que sou. – responde ele dando uma piscada de olho.

Idiota, sempre teve essa mania de piscar o olho para parecer debochado. E isso é insuportavelmente chato.

Quando finalmente a porta se abriu eu pude sair daquele elevador sem precisar mais ficar perto dele o que para mim naquele instante tinha sido a melhor coisa do universo e eu não precisei nem pensar duas vezes.

Vi que ele foi para onde estavam os organizadores da “AR” e eu fui para onde estavam os da “AL”, pude reparar no tanto de meninas lindas que estavam lá, cara essa festa de abertura seria um sucesso, tiraria o atraso da semana de provas.

— Cara que tanto você olha para o pessoal da Rainha? – pergunta Thiago chegando ao meu lado. – Tá com saudades?

— Que olhando e com saudades do povo da Rainha o que, não enche velho! – eu digo sério e irritado.

— Relaxa cara só estava te zoando. – disse Thiago sorrindo.

Idiota! Reviro os olhos. Thiago é meu melhor amigo a uma vida, mas mesmo assim ele é irritante às vezes com essas palhaçadas.

Todos estavam prontos e então íamos para o local do evento, pude reparar que muitas agências estavam no mesmo hotel que nós, o que era irritante porque teria que aturar aqueles viadinhos escrotos até no meu hotel, puta merda como se já não bastasse nos eventos e como se não bastasse o idiota do Colin Vargas!

Reviro os olhos novamente respirando fundo, e entro na limusine destinada a minha agência.

O evento é em outro hotel, mais ao centro de Londres, como sempre essas festas de aberturas eram as melhores, o lugar era muito bem decorado, as comidas eram fantásticas assim como as bebidas e as musicas também, as garotas então, eu mal entrei no evento e já reparei olhares furtivos para cima de mim e de Thiago, Thiago era igual a mim praticamente a única diferença era a cor dos cabelos e dos olhos, seu cabelo era preto e os olhos verdes, chamamos a atenção, porque, bom, somo gatos e essa é uma verdade.

Reparei que Colin estava em um canto e já estava dançando, caramba o evento mal tinha começado e esse cara já estava dançando... E COM 4 MENINAS? QUATRO? Quando foi que aquele mané virou pegador?

Ele sempre foi um imbecil sem papo nenhum.

Não posso ficar para trás desse mané, de jeito nenhum.

Apanhei uma bebida e fui para pista de dança o mais longe possível daquele idiota.

Logo algumas meninas vieram dançar comigo também, beijava uma, duas, três, e não via mais nada a não ser bocas para beijar, ate que a pista de dança ficou pequena e mesmo dançando com as meninas eu notava que estava sendo encarado por alguém, Colin não parava de olhar para mim, assim como eu também não parava de olhar para ele e reparar que ele estava muito diferente de seis anos atrás, é claro que estaria afinal eu estava, porque ele não? Ele não era mais magrelo, tinha o corpo parecido com o meu, seu cabelo estava cortado bem diferente de como quando éramos pequenos, seus olhos estavam mais vivos, o castanho escuro tinha traços dourados, e que porra eu estava prestando tanta atenção nesse urubu necrosado.

Por morarmos na mesma cidade e termos nossas mães como melhores amigas imagina-se que tínhamos algum contato, mas não era bem esse o caso, eu não ouvia falar dele, eu era aquele tipo de cara que não lia revistas de moda a não ser que eu estivesse nela, e não me interessava nas conversas do pessoal do colégio sobre as pessoas de outros colégios, então zero contato, e ele nunca ia nos eventos familiares da minha casa, sempre tinha algo a fazer e ficava na sua casa e o mesmo acontecia comigo, e as vezes eu nem tinha nada para fazer, eu apenas não queria ir.

Voltei a dançar, até que me bateu uma fome, eu fui comer e então sentado em uma das mesas destinadas a minha agencia, junto com uma garota, Thiago e uma garota, nós comíamos e nós conversávamos, eu não era muito de papo com as meninas que eu pegava, então eu respondia tudo de forma evasiva.

Afinal se tem uma coisa que eu não sou, é obrigado.

Vi que Colin chegou ao salão de refeições acompanhado de um garoto que eu também conhecia, seu nome era Victor, ele passou no teste da Rainha junto com a gente, nossa a Rainha precisava de novos modelos, ela só tinha museu, reparei que eles estavam acompanhados de garotas e puta que pariu que garotas bonitas, lindas de mais.

— Ei titular, o que tanto olha para os titulares da “AR”? – perguntou Thiago. – Tá com um olhar todo gamadão.

— O QUE? – quase gritei para Thiago. – Cala a boca idiota! Que olhar gamadão o que, você esta de brincadeira comigo? Eu sou macho cara, sou espada, sou Homem.

— Calma ai cara, eu só estava brincando. – disse ele em resposta. – tá todo irritado ai comigo, por nada.

— Não to irritado com você, to irritado com tudo, e inclusive com o idiota do Colin Vargas. – digo em resposta. – Aquele imbecil ali, na mesa da frente.

— Você o conhece? – perguntou Thiago.

Contei toda nossa história, minha e do Colin, uma história de ódio na verdade.

É uma loucura, serio mesmo não esperava rever ele desta forma, imaginava que nos reencontraríamos em algum evento familiar importante, mas não em um elevador de uma forma tão assustadora assim. Eu só queria entender o porquê eu estava assim, pensando tanto em uma pessoa que eu nem gostava, que na verdade eu odiava isso é loucura, uma loucura de verdade, e com toda essa raiva e ódio deste garoto eu ainda ficava pensando nele.

Puta que pariu Colin Vargas.