Motivos para eu odiar Jack Frost
4 Viajo para Atlântida.
Notas iniciais
Ariel andou em nossa direção, chegando mais próxima e mais próxima, até ficar frente a frente comigo. Esboçava um sorriso de canto nos lábios vermelhos, sua beleza parecia uma ofensa a qualquer ser vivo. Era bronzeada igual à de seu pai, os cabelos ruivos caiam até os quadris (era uma mistura de ondulado e liso), os olhos pareciam mudar de cor a cada vez que ela piscava. Ficavam em tons: Azul, verde e cinza. As sobrancelhas eram perfeitamente arqueadas e nenhum cabelinho desobediente saia do lugar. Seu rosto era de formato quase quadrado, simplesmente perfeito a seu corpo.
Fiquei boquiaberta ao ver que sua pele não parecia nada ressecada como eu imaginava ser a pele de todos os seres marinhos.
Ariel, como diz a história/lenda, viveu no mar até seus dezesseis anos quando conheceu o seu príncipe “encantado”, se é que não me falha a memoria.
Agora vendo a pequena sereia das histórias infantis ao vivo e em carne e osso —, mais osso do que carne. — Fez eu pensa duas vezes se ela era na verdade a boazinha da história ou não, já que seu olhar e sorriso mostravam outra coisa.
— Então falavam de mim, meus queridos? — Perguntou Ariel, fazendo com que o coco desaparecesse de suas mãos como se nunca tivesse existido.
Seu pai, o rei Tritão, sorriu orgulhoso como se Ariel fosse um bebê que acabara de dizer sua primeira frase. O mesmo olhar que meu pai costumava lança a mim sempre que via a minha preocupação em proteger Arendelle.
— Sim, querida! Não vais cumprimentar a Rainha Elsa? — Tritão gesticulou as mãos grandes e grosseiras em minha direção.
Ariel arqueou apenas uma sobrancelha desta vez, mas assim fez: com uma rápida reverência disse:
— É uma honra conhece-la, rainha Elsa — E termina, dando um sorriso, mas esse era diferente, não parecia debochado como o anterior.
Fui ai que reparei em sua voz, parecia uma melodia, persuasiva. Dava vontade de se encolher em qualquer canto de qualquer lugar e dormi até que ela mande você acorda. Sentir minhas pálpebras pesarem quando ouço alguém estalar os dedos. Tritão sorriu:
— Ariel, vá com calma — E olhou para ela com um olhar que deveria ser “rígido”.
Nunca tinha visto falarem muito sobre ela nas reuniões da Disney, as poucas vezes que ouvi não foram nada agradáveis e nem coisas boas a respeito do passado de Ariel.
Depois de mais alguns olhares entre pai e filha, que pareciam está se comunicando mentalmente, Ariel finalmente olha para mim e diz:
— Oh! Já ia esquecendo. Tem uma pessoa a sua procura que eu encontrei na praia, um velho amigo meu — E arqueou a sobrancelha novamente. Acho que isso era algum tipo de mania que a princesa/rainha possuía automaticamente toda vez que planejava algo nada bom.
— Jack! — Chamou, ou melhor, cantou, com a voz mais doce e suave possível.
De trás de uma arvore, uma figura de cabelos cinza, pela fraca luz solar, apareceu com um sorriso amarelo no rosto.
Fez uma reverencia a Tritão e depois se virou para Ariel:
— Minha musa dos mares e dona dos meus pensamentos. Sou muito grato por me ajudar a encontrar esta — e então Jack se vira para mim. — Esta perdida.
Ele parecia um bobão perto dela e literalmente, pois estava até babando, boquiaberto. Isso me deixou irritada já que ele tombou em cima de mim e com um reflexo eu o empurrei fazendo com que ele caísse em cima de Tritão.
Ariel deu uma risadinha que foi abafada pelas pontas de seus dedos. Jack agora coçava os olhos, parecia ter acordado do “transe”, mas ainda sim olhava igual idiota para Ariel. Achei ótimo, pelo menos assim ele permanecia calado, bom, pelo menos sem fazer nenhuma ironia a meu respeito.
— Ter sua amizade já é o suficiente — Ariel franze o cenho e faz seu melhor olhar bondoso.
Então Jack começou a dizer que era sempre uma honra ter sua companhia e lá, lá, lá... Aquilo já estava em enchendo, pois o sol parecia retorna novamente e eu não sou fã numero um, da luz solar, não.
Desde quando Jack era tão popular entre os outros personagens? Pensando bem, não é de se admirar, já que nas reuniões ele não faltava uma vez se quer e fazia todos rirem de suas “piadas”, que para falar a verdade eu não via graça alguma.
E pelo decorrer da breve conversa entre os dois, eles já e conheciam há bastante tempo, deduzir até que mantinham contato.
Ai do nada Ariel nos convida para ir a Atlântida. Jack é claro, aceitou na hora. Eu até tento dizer não, mas lembrei das histórias que eu li sobre Poseidon, reis dos mares (e isso vale para Tritão). Se ambos fossem parecidos (se é que não era a mesma pessoa), ele poderia leva meu “não” como um insulto e ficar ofendido e a ultima coisa que eu queria era ter o rei dos mares como inimigo já que Arendelle era cercada de mar/água.
Ariel se divertia com tudo. Parecia sorrir com os olhos que agora estavam de cor cinza como uma tempestade.
Ficava dizendo palavras encorajadoras a mim, Tritão e a Jack. Que o passeio não iria fazer mal a ninguém e que eu precisava. Percebi que aquilo tudo era um truque para manipular Tritão, pois eu não poderia recusar o convite se fosse feito por ele.
— Se o que se preocupa é o fato de se molhar Rainha, fique tranquila. Posso da um jeito nisso. Nos seres do mar só nos molhamos se nos quisermos — e sorrir triunfante sobre sua pequena vitória.
Será que ela estava planejando algo contra mim, ou tudo não passava de coisa da minha cabeça?
— Então vamos? — Perguntou Jack, animado.
Tritão olhou e canto para Ariel, como se esperasse alguma ordem. Ela manipulava o próprio pai? Como era possível ela manipular o rei dos mares?
— Filha, quer fazer as honras? — Seu olhar era radiante.
— Não precisa nem perguntar.
Ariel estendeu os braços para cima, as palmas das mãos apontadas para frente. Percebi suas unhas pintadas de vermelho sangue cintilar à luz do sol.
Seu vestido preto sem manga, estilo grego, de tecido: Cambraia de linho (não me pergunte como eu sabia o nome daquilo) esvoaçou com o forte, porém, suave vento.
Suas mãos ficaram em forma de garra e o tempo pareceu ficar parado, mas logo soube que tudo não passou de coisa da minha cabeça (acho).
Ariel pediu que nos déssemos às mãos, quando dei por mim, Jack já tinha agarrado minha mão com tamanha força que o cutuquei para ele afrouxar mais. O que o imbecil estava pensando? Que eu era algum tipo de boneca de pano? Uma criancinha sapeca?
Na minha mão esquerda Tritão estendeu a sua para que eu segurasse. Era o triplo somado com as duas de Jack, maior que a minha. Sentir-me um esqueleto. Seu toque me passou segurança e eu gostei disso.
As mãos de Jack me causaram certo desconforto, não sei bem descrever, só sei que sentir uma breve coceira no centro da mão. Acho que porque não estou acostumada a segurar em mãos de rapazes moços.
Quando Ariel viu que estávamos prontos girou as mãos no ar criando um portal, ou melhor, o mar pareceu criar um portal ao comando de Ariel. As águas subiram até não sei quantos metros, então pulamos dentro no enorme vazio que para mim, parecia “o nada”.
No começo me sentir leve como uma pena, ou um espirito. Cheguei a pensar que talvez eu tivesse morrido. Teria Ariel me mandado para outro lugar? Talvez ela tenha me matado.
Assim que abrir os olhos, vejo a cidade mais linda do universo, mesmo nunca ter ido a outro lugar, além de Arendelle, supus que nenhuma outra ganhava Atlântida.
Jack ainda segurava minhas mãos e assim que percebi isso, tratei de puxar as minhas das dele, podíamos está em baixo d’água, mas parecia que eu permanecia seca. A verdade é que eu conseguia deslizar tranquilamente sem me preocupar em não saber nadar. Eu respirava como se estivesse em terra seca. Me sentir flutuando e pela primeira vez eu soube o que era ter a sensação de voar, bem, ou quase isso.
“pessoas”, ou seja, lá como é chamado o povo que habita no fundo do mar, fazia uma reverencia quando passava em frente à Tritão e Ariel. A verdade é que muitos pareciam ter algum tipo de adoração a ambos.
Ariel apenas dava seu sorriso maléfico e olhava para seus súditos com desdém, enquanto seu pai, que sem sombra de dúvidas, era diferente da filha, sorria com total humildade.
Pude ouvi alguns murmúrios como:
— Quem são eles?
— Intrusos.
— Vejam, eles possuem malditas pernas.
E com olhares ferozes direcionados a Jack — Que pareceu nem se importa, pois olhava em torno encantado. — E eu, decidir que seria mais seguro eu não sair da visão de Tritão, que naquele instante sorria e acenava para as criancinhas, idosos e jovens.
Estranho foi ver aqueles seres absolutamente lindos de olhares ferozes frente a frente, como se esperassem apenas um descuido meu para dar o bote.
Homens peixe deixavam seu peitoral a amostra, os dedos das mãos pareciam ser grudados por escamas da cor de suas caudas. Muitos pareciam nem se importa com a presença de intrusos, outros pareciam bem curiosos.
Quando um estendeu a mão em direção ao meu rosto, acabei entrando em pânico e soltando um grito que deve ter assustado o próprio rei Tritão, que pediu para se afastarem de mim.
Quando olhei novamente para o “rapaz peixe”, seus olhos castanhos claros cor de mel, assim como seu cabelo, demonstraram espanto com meu ato.
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